30/11/10
Vídeos discutem os personagens gays da TV brasileira
29/11/10
Quem tem medo do casamento gay?
Tudo começou quando a Organização Norte Americana pelo Casamento criou uma campanha de US$ 1,5 milhões com o intuito de “proteger o casamento e a liberdade religiosa da nação”. No centro da campanha está o comercial abaixo, intitulado “A Gathering Storm”, onde afirmam que a possível permissão do casamento gay é como uma “tempestade se formando”, invadindo e retirando a liberdade dos cristãos.
Uma paródia drag bem “fogo na periquita” de “Firework” da Katy Perry!
Um pessoal bem sem ter o que fazer criou essa paródia de “Firework”, da Katy Perry! É o travesti Sherry Vine cantando sobre a necessidade de libertar a “periquita” ruiva que está dentro de você!
Adoramos a louca do minuto 4:30 tentando “acender” a “cherry pie” dela! Hahahaha! Olha aí:
CULTURA: Meu Amigo Cláudia
No último dia 26 de novembro, aos 55 anos de idade, morreu um dos símbolos brasileiros da cultura e militância LGBT, a travesti Cláudia Wonder, vítima de uma infecção causada por fungos. Em sua homenagem, resgatamos o documentário “Meu Amigo Cláudia”, que conta a história da multiartista que foi marco da cena undergroud paulistana durante os anos 80. O filme de Dácio Pinheiro foi lançado em 2009 e premiado em diversos festivais dedicados ao cinema com temática LGBT.
Nascido como Marco Antonio Abrão, Cláudia foi vocalista da banda Jardim das Delícias e Truque Sujo, além de realizar performances em clubes noturnos. Também foi escritora e atriz, participando de peças de teatro e filmes como "O marginal" (1974) e "A próxima vítima" (1983). Durante sua vida, destacou-se também como ativista pelos direitos LGBT.
28/11/10
Texto do Jornalista Julio Severo ataca de forma "burra" o PLC 122 e quem o defende!
Propaganda jornalística da Globo martela, de novo, lei anti-"homofobia" como proteção aos homossexuais.
No dia 15 de abril, o Jornal Hoje tocou no assunto do PLC 122, na tentativa de dar uma mão (ou pata) para a ditatorial lei anti-"homofobia" passar.
O jornalismo da Globo, numa verdadeira atitude de preconceito, arrogância e discriminação contra os fatos, apresentou o PLC 122 apenas como uma lei que protege os homossexuais contra o preconceito, frisando o tempo inteiro o PLC 122 apenas como uma lei supostamente benigna que combate crimes contra os homossexuais.
Em nenhum momento, a Globo revelou o fato de que o PLC 122 é uma grave ameaça aos cidadãos brasileiros, instituindo pela primeira vez na História do Brasil o delito de opinião, tornando crime a expressão de toda e qualquer opinião moral, filosófica, científica ou religiosa contrária ao homossexualismo.
Para assistir ao vídeo inédito preparado pelo Blog Julio Severo expondo o jornalismo tendencioso da Globo, siga este link:
O que a Globo fez é perfeitamente natural. Para quem há anos defende o adultério, a prostituição (todo relacionamento sexual fora da aliança conjugal), o homossexualismo, a bruxaria e outras perversões em sua programação, seria de surpreender ver a Globo agora fazendo um "jornalismo imparcial" sobre o PLC 122?
A Globo já está fazendo sua parte para aprovar o PLC 122.
Faça agora a sua parte para enfraquecer a propaganda global que defende a ditadura gay mascarada de lei de "proteção aos homossexuais".
Escreva agora mesmo aos senadores pedindo a rejeição do PLC 122/2006, o projeto da ditadura gay. Para ver a lista completa de emails dos senadores, siga este link:
Ligue agora mesmo aos senadores pedindo a rejeição do PLC 122/2006, o projeto da ditadura gay, pelo telefone gratuito do Senado: 0800-612211
Divulgue esta mensagem para todos os seus amigos, especialmente aos pastores, padres e outros líderes.
E persista na rejeição da ditadura gay. Periodicamente, mande emails ao seu senador.
ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DO DEPUTADO ELEITO DO RJ JEAN WYLLYS NA COLUNA DE ANCELMO GOIS
Entrevista que o jornalista, professor e agora deputado federal eleito pelo PSOL do Rio de Janeiro, Jean Wyllys, concedeu à coluna de Ancelmo Góis em O Globo, e que foi publicada com cortes na edição de hoje (28/11) do jornal. Ivan e Chico são políticos veteranos na luta da esquerda. Ao lado deles, você não se sente um estranho no ninho?
- Não me acho estranho no ninho. Embora eu seja bem mais novo que eles, tenho também história de luta política à esquerda, a minha história. Comecei nas pastorais da Juventude Estudantil e da Juventude no Meio Popular, em Alagoinhas, Bahia, minha terra natal. Vivi minha infância e início da adolescência na extrema pobreza da periferia de Alagoinhas, interior da Bahia e minha terra natal. Lá, os padres ligados à Teologia da Libertação fizeram as comunidades eclesiais de base e o movimento pastoral, que organizavam politicamente o povo e lhe dava perspectivas. Por exemplo, eu só tive acesso aos livros nessa época porque freqüentava a biblioteca da casa paroquial… Depois, já na faculdade de jornalismo, aproximei-me dos movimentos negro e gay, ou seja, sempre militei pelos direitos humanos. Minha história não é de agora. Por isso, não me sinto estranho no ninho. Ivan e Chico têm muito a me ensinar, claro. Mas só posso parecer estranho no ninho aos olhos de gente de “esquerda” ignorante e obtusa. Ignorante porque ignora minha história e sequer tenta ir atrás dela, fica parada na informação televisiva.
Você teve cerca de 13 mil votos, foi apoiado por artistas como Caetano Veloso e Wagner Moura, mas sua vitória se deve a Chico Alencar. O que diria aos 240.724 eleitores que votaram nele e acabaram também elegendo você sem esta intenção?
- Primeiro é preciso deixar claro que a minha eleição se deve não apenas aos votos de Chico Alencar, mas aos votos de todos os companheiros de legenda, incluindo aí os meus próprios votos. Nós, juntos, somamos um total de votos que permitiu eleger dois candidatos: o mais votado, Chico Alencar, e eu, o segundo mais votado. Claro que, para essa soma, o Chico contribui bastante já que teve uma votação expressiva. Porém, por um lado, é preciso que se leve em conta que o Chico já é um parlamentar com muitos mandatos, logo, com trabalho importante para mostrar; por a isso, o PSOL priorizou a reeleição dele, assim como a de Marcelo Freixo. A dobrada “Freixico” era a prioridade, tanto que eles tinham quase todo tempo de tevê, incluindo aí todas as inserções fora do programa eleitoral gratuito que são importantíssimas para se chegar aos eleitores, já que a ampla maioria dos eleitores não assiste ao programa eleitoral. O PSOL temia que Chico e Marcelo não fossem reeleitos e, por isso, investiu neles. Não acho que o partido errou. Foi uma decisão acertada já que Chico e Marcelo têm trabalhos importantes que devem ser mantidos. Mas é preciso que se explique a distância entre as votações. E os eleitores do Chico não são todos de esquerda. Ele foi bem votado sobretudo por sua ética pública. Tanto que, quando decidimos dar apoio crítico a Dilma no segundo turno, fomos atacados. Eram eleitores dele, mas próximos daquele moralismo religioso que PSDB defendia. Por outro lado, além de eu ter feito uma campanha invisível aos olhos do grande público por não usar placas nem adesivos de carro ou de roupa, e optar pelo uso das redes sociais e comícios domésticos para ser ecologicamente correto, além disso, não quis usar a imagem de vencedor do “BBB” na campanha nem me apresentar como candidato exclusivamente LGBT. Não se trata de rejeitar a experiência no BBB, que é um programa de que gosto e que é meu objeto de estudo no Doutorado, mas queria deixar claro que se trata de um novo tempo e que eu queria vencer pelas bandeiras e não apenas pela popularidade. Quanto a não me apresentar como candidato exclusivamente LGBT, corresponde à verdade, já que eu milito em favor de Direitos Humanos, de Educação de qualidade e cidadã e por justiça social. Além disso, a comunidade LGBT tende historicamente a não votar em seus candidatos porque a grande maioria dessa comunidade tem homofobia internalizada, ou seja, como diz Marcel Proust, a ordem homofóbica faz nascer, dentro de muitos homossexuais, um “anti-homossexual que se volta contra os exemplares visíveis da espécie”. Do contrário, como explicar o fato de a parada gay de São Paulo reunir três milhões de LGBTs e nenhum candidato LGBT conseguir ser eleito lá? A maioria de LGBTs gosta de festa, de academia, grifes, glamour, mas é despolitizada por causa da homofobia internalizada, embora sofra bastante por causa da homofobia exterior. Resumindo, trabalhei muito para ser o segundo mais votado do PSOL. Não cheguei aqui à toa. Batalhei muito e sem os recursos dos outros candidatos, além de enfrentar os problemas comuns a uma primeira candidatura e os preconceitos em relação à minha passagem pelo BBB. Assim, o recado que posso dar aos eleitores do Chico é: também sou comprometido com a ética pública, também tenho compromisso com a educação e a justiça social, sobretudo. Os eleitores do Chico não têm, portanto, o que temer.
Há no meio intelectual que apoia o PSOL quem não goste do “Big Brother”. Você enfrentou alguma discriminação na campanha por ser um ex-BBB?
Não percebi discriminação na campanha. Tive uma adesão muito rápida à minha candidatura de gente de prestígio. Wagner Moura, por exemplo, declarou voto em mim. Caetano, também. Isso me blindou contra a tentativa de parte da imprensa de me empurar para a ala dos candidatos celebridades ou bizarros. Então, fiquei invisível para a imprensa. Esse preconceito, de fato, senti em parte da militância do PSOL que gravita em torno do Chico e do Marcelo. Não por parte deles dois, que me acolheram de braços e corações abertos, mas de militantes que têm o autoengano de se achar “intelectuais” e, por isso, desprezam cultura de massa. Autoengano porque intelectual sou eu, que li tanto, tenho mestrado em letras e linguistica, faço doutorado em antropologia do consumo, participei de congressos, seminários, publiquei artigos, escrevi três livros, um deles premiado pela Fundação Casa de Jorge Amado, e dou aula de teoria da comunicação em duas universidades. Não falo isso com arrogância. Falo para desconstruir o preconceito dessas pessoas. Fui candidato para atender a um pedido da Heloísa Helena e aqui estou. Quando percebi o tititi sobre minha candidatura, me posicionei e botei as coisas no lugar. A esquerda não pode desprezar a cultura de massa como objeto de estudo, até politicamente, pois é a cultura de massa que forma as mentalidades neste país de poucos leitores. Como compreender o país, onde há poucos leitores de livros, desprezando a cultura de massa? De modo que tenho muito mais a contribuir com o PSOL do que essa parte da militância supõe.
O que você acha de ex-colegas de “BBB” que parecem buscar a fama a qualquer preço? Ou prefere se ausentar desse debate?
- Não me ausento desse debate. Mas, se é para falar disso, vamos fundo. Não são só os participantes de realities shows que estão em busca da fama ou da exposição sem propósito. A ampla maioria da sociedade está em busca dela. Veja a maneira como as pessoas se expõem em redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter e em vídeos do Youtube. Aliás, a exposição em realities shows quase sempre tem um propósito, que é ganhar um prêmio. Já a exposição e a busca pela fama nas redes sociais e no Youtube é quase sempre despropositada. O curioso é que muita gente que expõe dessa maneira abre a boca para criticar os participantes do realities shows, o que sinaliza não só uma contradição moral, mas uma inveja daqueles que chegaram onde ela quer. São os tais 15 minutos de fama que todos buscam, como disse Andy Warhol (o pintor e cineasta americano falecido em 1987), não de modo pejorativo, como a imprensa hoje reproduz, mas como algo positivo e legítimo numa sociedade movida a inovação e a diferenciação. Não há como desprezar isso. Gosto de realities shows, não só do “Big Brother”. Mas alguns participantes, quando saem, não estão preparados para a exposição a que se submeteram. Ficam deslumbrados com o assédio ambíguo da imprensa de celebridades e com os afagos do público fascinado por qualquer pessoa que apareça na tevê. Por que sites como Ego têm de seguir um ex-BBB que vai à praia ou ao restaurante? O que é isso? Que importância tem? Quando esse assédio ambíguo é transferido para novas “celebridades”, em geral, os caras passam a pagar micos para continuarem expostos. É lamentável. Eu desconstruí isso porque sempre me protegi do assédio ambíguo da imprensa, sempre soube dizer não, porque caguei para a fama e priorizei o trabalho. Antes de a imprensa dizer que eu não era mais celebridade, eu joguei o rótulo no lixo; antes de os fotógrafos desistirem de mim, eu pedi para que não me fotografassem porque eu não era fotografável. Fiquei dois anos como repórter do programa da Ana Maria Braga, não estava feliz com o resultado e pedi demissão. Então, a mesma imprensa que sacaneia o cara que paga mico quando sai do “BBB” também tem problemas comigo por não querer participar desse jogo. Quando acho algo realmente relevante, vou lá e participo. Não quero é circo.
Que bandeiras você levará para o Congresso?
- A dos direitos humanos, a das minorias, a bandeira feminista, a do povo de santo ou adeptos das religiões afro-brasileiras e a dos LGBTs. E as maiores de todas as bandeiras, que são a da educação e a da justiça social.
26/11/10
O patético discurso do Deputado Bolsonaro!
Se serve de consolo, por conta de afirmações desse tipo, o deputado pode ser expulso da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados (CDH). A alternativa é uma entre outras que serão examinadas na reunião de quarta-feira, em que os membros da CDH vão analisar a "receita" do deputado para mudar a orientação sexual de menores. Em entrevista à TV Câmara, ele sugeriu aos pais dar "um couro" no filho para mudar eventual inclinação homossexual.
TRILHA DA SEMANA: Arco Íris
24/11/10
MUNDO MELHOR: Freddie Mercury
Hoje completam-se 19 anos da morte de Farokh Bulsara - mais conhecido como Freddie Mercury - uma das vozes mais poderosas da música de todos os tempos. O cantor faleceu de complicações da AIDS aos 45 anos de idade, exatamente um dia após admitir publicamente que era HIV positivo. Mercury era bissexual e nunca escondeu seu estilo de vida rock star. Sendo assim, foram mais de 40 Top 40 Singles durante sua carreira com o Queen, incluindo o single N º 1 do mundo: "Bohemian Rhapsody"."Feliz pela lembrança a Freddie Mercury, um dos maiores cantores do mundo, dono de voz e espírito inigualáveis", escreveu um fã chileno. "19 anos atrás o mundo perdia um dos maiores músicos de todos os tempos. 19 anos sem Freddie Mercury", celebrou um brasileiro.
Batizado Farrokh Bulsara quando nasceu, em Londres, no dia 5 de setembro de 1946, Freddie Mercury começou a entrar para história da música pop em abril de 1970, quando integrou o grupo Smile, que era formado pelo guitarrista Brian May e o bateirista Roger Taylor. Logo depois, a banda passou a chamar-se Queen e em 1971, com a entrada do baixista John Deacon, o quarteto definitivo se formou.
O Queen visitou o Brasil pela primeira vez em 1981, em um show considerado histórico, no estádio do Morumbi, em São Paulo. Ele retornou na primeira edição Rock in Rio, em janeiro de 1985. Famoso por sua vitalidade no palco, o cantor enfrentou uma batalha contra a doença, que teria sido diagnosticada em 1987. O anúncio oficial sobre o estado do músico foi feito um dia antes de sua morte, no dia 23 de novembro de 1991."Quero confirmar que fiz o teste de HIV e tenho Aids. Sinto que seria correto manter essa informação pessoalmente para proteger minha privacidade e de todos ao meu redor. No entanto, é hora de todos saberem a verdade esperando que todos se juntem a mim, meus médicos e o mundo inteiro contra essa doença terrível. Minha privacidade é especial e sempre fui famoso por não dar entrevistas. Entendam que isso continuará", disse o cantor em seu anúncio.
Menos de 24 horas após seu comunicado, Mercury morreu em função de uma pneumonia potencializada por sua baixa imunidade causada pela Aids. O cantor foi cremado no cemitério Kensal Green em uma cerimônia privada que contou com a presença de amigos, como Elton John e David Bowie.
Com tantos sucessos consagrados e sua voz única, o cantor assegurou um lugar privilegiado na história do rock. Estando eternizado em nossas memórias e deixando um enorme vazio.
We Love you Freddie!
Contra a homofobia: Google, Pixar e Wanda Sykes
O primeiro foi feito pela equipe de funcionários do Google, composta por gays, lésbicas e transsexuais, com a mensagem de que, se não fosse o bullying sofrido no passado, não teriam crescido e ficado tão fortes quanto são hoje.
23/11/10
O Sofista Reinaldo Azevedo, com sua presunção e tolice, é instrumento de intolerância
O nome que damos a isto é sofisma. Sofisma na língua portuguesa significa “raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa”.
Foi isto que Reinaldo Azevedo fez numa maldosa matéria em seu blog da Revista Veja entitulada “AI-5 gay já começa a satanizar pessoas se aprovado vai provocar o contrario do que pretende acabara isolando os gays”, para manifestamente defender um conhecido seu, o reverendo Augustus Nicodemus Lopes da Universidade Mackenzie.
Óbvio que não há nada demais Reinaldo Azevedo expor sua opinião pessoal sobre um fato. Mas, atrevidamente, se arvorar de jurista e doutrinador para interpretação de dipositivos legais, e ainda alardear que suas opiniões são baseadas “cientificamente”, ultrapassou todos os limites, foi pura má-fé e deliberadamente enganosa.
Alguém precisa dizer para Reinaldo Azevedo que como jurista, ele é ótimo catador de lixo.
Seu artigo é solene entulho!
O atrevido senhor, bastante presunçoso, ainda que em outro contexto, ressalta que “Minhas opiniões nascem da convicção, que considero cientificamente embasada”, e pasmem, mesmo sem pertencer ou consultar o único Tribunal competente (STF) para julgar sobre constitucionalidade, sem qualquer cerimônia decide e publica: “A PL 122 é flagrantemente inconstitucional”. Essa frase vinda de um constitucionalista, vá lá, mas de um jornalistazinho presunçoso é muito.
Inconstitucional deveria ser Reinaldo Azevedo se passar por doutor em constitucionalidade e de forma peremptória levar a público sua excelsa decisão que o projeto em questão é “flagrantemente inconstitucional”. Presunção e tolice não são adjetivos suficientes. Se de um lado chego a ter vergonha por ele, porque inquestionavelmente se trata de uma pessoa inteligente falando asneira, de outro, ver alguém se fazendo de autoridade para aquilo que não possui competência, usando seus argumentos falaciosos para formar opinião, induzindo a todos a erro, me causa mais que incômodo, embrulha o estomago.Para o bem da saúde e segurança pública espero que Reinaldo Azevedo nunca faça o mesmo na área médica ou refaça cálculos de uma ponte, sempre sob aquilo que diz se tratar de seus argumentos “científicos”.
Ele ser contra a lei que protege o negro, não estou nem aí, já que sua opinião realmente não me interessa e os negros brasileiros já estão devidamente protegidos por lei específica. Mas falta ao autor do blog o mínimo de humildade em procurar as razões expostas pelas organizações nacionais e internacionais, assim como antropólogos, sociólogos e outros especialistas – de verdade – estudos que apontam justificadamente as razões pelas quais se fazem necessárias a proteção e tutela do Estado para algumas minorias.
Reinaldo Azevedo adorar o Papa Bento XVI, ser contra o aborto, o casamento civil homossexual, as pesquisas com células embrionárias e leis que defendam as minorias é um direito dele, como cidadão. Já traduz quem ele é. Mas quando o mesmo defende a adoção para homossexuais, com a observação “não havendo heterossexuais que o façam”, mostra o quanto se trata de um texto redigido pela parcialidade de um preconceituoso!
Como jornalista, poderia ser, ao menos, competente. Reinaldo Azevedo nem se deu o mínimo trabalho de procurar a atualização do PLC 122 para fazer sua brilhante análise e publicar no seu blog. Há um Substitutivo, aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal desde 10/11/2009, onde faz cair por terra sua grande interpretação constitucionalista sobre dispositivos que nem mais existem. É tão feio alguém que se diga jornalista escrever sem procurar fontes fidedignas e sem fazer o mínimo de pesquisa!
Li os comentários no blog do jornalista em questão deixados pela decana do movimento homossexual, Miriam Martinho, quem admiro por sua inteligência e muitas posições, apesar de gostar do Reinaldo Azevedo. Foram pontuais, mas com honestidade, não consigo acreditar que alguém que seja inteligente o suficiente como Reinaldo Azevedo, que expõe o que escreveu sobre o PLC 122, possa sequer entender o que foi esclarecido pela nossa decana. Salvo melhor juízo, o problema do Reinaldo não é capacidade de entender ou de inteligência. É outro, mais embaixo. Um bom terapeuta deve melhor decifrar.
Esse é o problema de quem se acha, com ego inchado e absurda superestima, se dá um valor além do que realmente possui. Substitui a reflexão pelo discurso arrogante para uma platéia que o satisfaça.
Para não dizer que não disse de flores, ou seja, que não enfrentei qualquer argumento do sofista em debate, embora realmente isto me canse, vamos falar de algumas questões. Vou tentar ser mais objetivo, para não cansar em demasia a leitura:
“Art. 6º Recusar, negar, impedir, preterir, prejudicar, retardar ou excluir, em qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional: Pena - reclusão de 3 (três) a 5 (cinco) anos.
”Cristãos, muçulmanos, judeus etc têm as suas escolas infantis, por exemplo. Sejamos óbvios, claros, práticos: terão de ignorar o que pensam a respeito da homossexualidade, da “orientação sexual” ou da “identidade de gênero” — e a Constituição lhes assegura a liberdade religiosa — e contratar, por exemplo, alguém que, sendo João, se identifique como Joana? Ou isso ou cana?
Reinaldo Azevedo fala de texto que não prossegue, como já alertado, mas de qualquer forma, não consegue distinguir a prática religioso da seleção educacional, recrutamento ou promoção profssional. Eu posso pertencer ao candomblé, mas se estou na seleção educacional é para educar conforme as regras do Ministério da Educação e não dar opiniões pessoais sobre a sexualidade dos alunos e terceiros, segundo entendimento dos orixás.
Quanto ao recrutamento, se não pode negar o seleção para heterossexuais, porque heterossexuais, da mesma forma não pode negar a mesma seleção para o João que seja Joana, apenas por conta da sua identidade de gênero. Se inadequado ou incompetente, não será recrutado, tanto quanto qualquer heterossexual.
Agora, no que diz respeito ao fato do jornalista não saber o que é orientação sexual ou identidade de gênero, só me resta sugerir rasgar seu diploma e voltar para escola. Quem sabe assim não aprende.
Art. 7º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar acrescida dos seguintes art. 8º-A e 8º-B:“Art. 8º-B Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.
”Pastores, padres, rabinos etc. estariam impedidos de coibir a manifestação de “afetividade”, ainda que os fundamentos de sua religião a condenem. O PL 122 não apenas iguala a orientação sexual a raça como também declara nulos alguns fundamentos religiosos. É o fim da picada! Aliás, dada a redação, estaríamos diante de uma situação interessante: o homossexual reprimido por um pastor, por exemplo, acusaria o religioso de homofobia, e o religioso acusaria o homossexual de discriminação religiosa, já que estaria impedido de dizer o que pensa. Um confronto de idéias e posturas que poderia ser exercido em liberdade acaba na cadeia.
Reinaldo Azevedo cria uma novelinha, rala e ridícula, levando uma vez mais a questão para outro curso, evidente sob o ângulo religioso. O projeto, como claramente se lê, não tem por sujeito passivo “pastores, padres, rabinos e etc”, mas cidadãos. E os ditos religiosos não estão proibidos de coibir a manifestação de afetividade pelos homossexuais, uma vez que em igrejas e templos não são autorizadas demonstrações de afetos mesmo para heterossexuais. Ridículo. Todos sabem que hoje a igreja não obriga mais as mulheres comparecerem de véus, mas ainda não liberou as igrejas para amassos. Da mesma forma que é proibido a prática de nudismo na delegacia ou fazer luta de lama numa sala de cirurgia, não faria sentido qualquer pessoa estar numa igreja para namorar ou fazer carícias pessoais, embora saibamos que alguns pastores e padres se esqueçam disto. Convenhamos, o legislador aqui pensava em locais possíveis como bares, praças, hotéis e etc, onde normalmente a demonstração de afeto é possível, e não uma igreja! Quanta obsessão!
Bastaria Reinaldo Azevedo ler a parte do texto que esclarece ser a proibição (alvo de crime) na hipótese de ser negado ao homossexual o que é permitido aos heterossexuais.
“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero:
§ 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.
”Não há meio-termo: uma simples pregação contra a prática homossexual pode mandar um religioso para a cadeia: crime inafiançável e imprescritível. Se for servidor público, perderá o cargo. Não poderá fazer contratos com órgãos oficiais ou fundações, pagará multa…
Enfim, sua vida estará desgraçada para sempre. Afinal, alguém sempre poderá alegar que um simples sermão o expôs a uma situação “psicologicamente vexatória”. A lei é explícita: um “processo administrativo e penal terá início”, entre outras situações, se houver um simples “comunicado de organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos.” Não precisa nem ser o “ofendido” a reclamar: basta que uma ONG tome as suas dores.
O interprete jornalista decidiu que não há meio-termo. Avise-o que o mesmo deveria dar aula para todos os juristas do país que ainda não aprenderam isto. Se até para o crime de matar alguém, há na concepção jurisprudencial e doutrinária o que ele intelectualmente chama de “meio-termo” (v.g. legítima defesa), quiçá neste texto. Mas pouco importa o meio-termo.
Obvio que o grande religioso Reinaldo Azevedo, sempre falando sob perspectiva da religião, mais uma vez fala asneira.
Não há sequer aparente conflito de direitos (dignidade da pessoa humana (homofobia) x religioso). Aliás, surpreende que Reinaldo Azevedo afirme que algum padre ou pastor irá preso, pois até onde estes mesmos afirmam, eles não incitam a discriminação ou preconceito, apenas professam seus dogmas é fé.
Estranho é que sobre este dispositivo, que prevê crime para aqueles que incitem e discriminem a religião, Azevedo nada fale e nem cogite – dentro de seu estado de leigo – nem mesmo sobre eventual conflito.
A luz do óbvio, a constituição garante o direito dos religiosos a pregarem seus dogmas, e isto não faz e jamais fará criminoso qualquer um religioso. Dentro da igreja, nas praças, nos seus sermãos, seus dogmas estão protegidos por esta lei e principalmente pela constituição federal. Por obviedade LEGAL (e não por historinha produzida), jamais alguém viu algum pastor ou padre ser preso porque reproduziu texto bíblico que aprovava a escravidão.
Nem mesmo quando a LEI PENAL previu a criminalização do estupro presenciamos algum padre ou pastor ser preso ao ler o trecho da bíblia que afirma “"Se um homem achar moça virgem, que não está desposada, e a pegar, e se deitar com ela, e forem apanhados, então, o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinquenta siclos de prata; e uma vez que a humilhou lhe será por mulher". Deuteronômio 22, 28-29
Agora, se o padre ou pastor, sugerir que seus fieis façam como descrito inicialmente por Deuteronômio, sem dúvida, PRISÃO PARA ELE. Pois não se confunde pregar os dogmas e até sua concordância aos mesmos com a prática de atos PESSOAIS e, não religiosos, que são contrários a lei vigente.
Todos devem respeitar os dogmas da Testemunha de Jeová, inclusive seu pensamento sobre a transfusão de sangue, mas se uma criança morre por responsabilidade da negativa paterna, não há jeito, responderá criminalmente sofre o fato, independente de ser condenado ou absolvido.
O castigo para trabalhar no sábado é a morte, segundo Êxodo 35,2. Evidente que se um religioso pode se referir a esta passagem e até pregar que não se trabalhe no sábado, agora pregar para que os seus fiéis pratiquem tal violência contra a vida, me parece óbvia sua condenação criminal.
Sei que padres e pastores sabem disto, assim como sei que Reinaldo Azevedo também sabe, portanto, não perderei ainda mais o tempo do leitor, com as esquisitices alheias.
Mas para terminar, Reinaldo Azevedo, sustenta que ninguém precisa de uma “lei” especial para punir aqueles delinqüentes da Paulista. Segundo ele, os agressores não estão fora da cadeia (ou da Fundação Casa) porque são heterossexuais, e sua vítima, homossexual.
De fato, o projeto de lei em debate também não faria a menor diferença para que eles estivessem ou não na cadeia. A questão é outra, tão importante quanto e perpassa por uma pergunta simples: Porque aquele que pratica injúria para um homossexual responde com pena de um até seis meses de detenção e quem pratica injuria contra alguém fundado na religião, raça, etnia, por ser mulher, idoso, deficiente físico etc responde com a pena de 1 até 3 anos de reclusão?
Não se trata de LEI ESPECIAL, meu caro ignorante das leis, mas aplicação dos mesmos princípios que justificam a igualdade de tratamento das demais minorias. Se Reinaldo Azevedo quer lutar contra leis especiais, deveria lutar para mudar esta lei que existe em favor dos religiosos, entre eles, os quais deveriam receber o mesmo tratamento dos homossexuais.
Sugiro mais, já que todo texto foi sempre sob ótica da religião, para condenar qualquer lei estrabicamente chamada de especial em favor dos homossexuais, lute contra todas as verdadeiras LEIS ESPECIAIS existentes que isentam todas as igrejas e templos de pagarem os mesmos impostos que os demais cidadãos e instituições.
Como Reinaldo Azevedo afirmou no mesmo texto: “Eu estou me lixando para o que pensam a meu respeito”, então parece autorizar a dizer o que pensam a seu respeito, sem com isso se atinja a honra desta pessoa que se coloca tão superior. Não passa de só mais um católico bastante preconceituoso, com a diferença deste ser bastante pernóstico!
Centenas fazem protesto em SP contra homofobia
Cerca de mil pessoas, de acordo com a organização, caminharam pela via a partir do Museu de Arte de São Paulo (Masp) até o número 777, um dos pontos onde, no domingo 14, um grupo de jovens atacou homossexuais, um deles quase até a morte. A manifestação, organizada pelo Fórum LGBT de São Paulo, teve como objetivo mostrar que a comunidade arco-íris está em alerta e que irá cobrar punição dos responsáveis pelos atos de violência.
Durante o trajeto, que chegou a fechar algumas faixas da avenida, houve palavras de ordem pela liberdade e também uma forma descontraída de chamar o público: “Ei, você aí parado, você também é do babado”! Casais héteros, drags, malhados, ursos, grupos de amigos, enfim, como em uma parada, o que se viu foi uma diversidade de pessoas.
Um dos momentos de destaque do ato foi a salva de palmas pedidas pelos organizadores aos seguranças do prédio que fica em frente ao local de um dos ataques. No inquérito, a polícia afirmou que se não fosse a intervenção desses funcionários, uma das vítimas poderia ter morrido.
Personalidades políticas também estiveram presentes, tais como o deputado federal eleito Jean Wyllys (foto), o deputado federal Ivan Valente, o deputado estadual paulista Carlos Giannazi, todos do Psol, e o coordenador estadual de Políticas para a Diversidade Sexual de SP, Dimitri Sales.Emocionante! No local onde tentaram matar um homossexual, centenas de nós e de simpatizantes levantaram a voz e ratificaram que ninguém poderá nos calar!
Visto no site Parou Tudo
Deputado federal Jair Bolsonaro defende palmadas para que filho deixe de ser “gayzinho”
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) perdeu uma oportunidade preciosa de ficar calado. Em entrevista ao programa “Participação Popular” da TV Câmara ele afirmou: ”O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem.”As palavras de intolerância, preconceito, discriminação e incitação à violência foram ditas durante um debate sobre a Lei da Palmada, que está em discussão no Congresso Nacional cujo objetivo é proibir que pais batam nos filhos. Em uma semana em que três capitais – São Paulo, Rio e agora Brasília – tiveram casos de agressões homofóbicas de repercussão nacional é, realmente, um tipo de coisa que não precisamos ouvir. As informações são do site Vermelho.
Por Márcio Claesen
Visto no Site Parou Tudo
Jovens, covardes e homofóbicos (Revista Isto É - Edição: 2141)
Bruna Cavalcanti e Solange Azevedo


VIOLÊNCIA
Betonio foi agredido por jovens de classe média. Câmeras
de segurança gravaram o ataque (acima). Soraia
(abaixo), mãe de um deles, reclamou de uma das vítimas por ter feito BO
"Tudo não passou de uma briga boba." Foi assim que a publicitária Soraia Costa, 37 anos, classificou a série de espancamentos protagonizada pelo seu filho – de 16 anos – e mais quatro amigos. Todos estudantes de classe média, baladeiros e com histórico de rebeldia. Uma das vítimas foi Luis Alberto Betonio. Ele saía de uma delegacia na região central de São Paulo – com o rosto todo inchado, cheio de curativos e uma porção de hematomas pelo corpo – quando foi abordado por Soraia. Era domingo 14. De maneira autoritária, a publicitária reprimiu a atitude do rapaz. “Você não precisava ter feito um boletim de ocorrência.”
Soraia é bonita, moradora de um bairro nobre da capital e cultiva um estilo autoconfiante. Betonio leva uma vida bem mais modesta. Tem 23 anos, estuda numa universidade popular e reside em Parelheiros, uma das áreas mais pobres da cidade. “Fiquei tão indignado que não consegui responder”, contou Betonio à ISTOÉ. O pai de um dos agressores ainda reclamou com o delegado: “O senhor não é médico. Como pode autuar meu filho em flagrante alegando que ele causou uma lesão corporal gravíssima?”
Os cinco adolescentes, quatro deles menores de idade, passaram pouco mais de 24 horas detidos. Atrás das grades, choraram. “A carceragem é para chorar mesmo. Ainda mais para quem está acostumado com papai e mamãe sempre socorrendo”, disse o delegado Renato Felisoni, que investiga o caso. “Eles chamaram as vítimas de ‘bichas’ e as espancaram porque achavam que fossem homossexuais.” Além de Betonio, o grupo é acusado de atacar outros três rapazes. Um lavador de carros e dois jovens que esperavam por um táxi na avenida Paulista. “Não sou gay, mas um amigo que estava comigo é”, conta Betonio. “Eu tinha acabado de sair de uma lanchonete. Percebi esses jovens vindo no sentido contrário ao meu. Estavam bem vestidos, pareciam pessoas normais.” Logo que passou pelo bando, o universitário foi surpreendido com golpes na cabeça. Jonathan Domingues, 19 anos, o atacou com duas compridas lâmpadas fluorescentes. “Os outros quatro adolescentes assistiam a tudo dando risadas”, lembra a vítima. A pancadaria começou em seguida.
Apesar de os pais dos agressores alegarem que eles são “bons meninos” e que nunca se envolveram em grandes confusões, amigos relatam que não é bem assim. O filho de Soraia passou por várias escolas de São Paulo e, por mais de uma vez, acabou expulso. Desde o início deste ano, é aluno do Colégio Avanço, na zona sul da cidade. “Ele já foi retirado da sala algumas vezes por causa de indisciplina. Costuma ficar rindo das professoras e jogando bolinhas de papel”, revela uma colega. Depois das agressões, ele continua frequentando as aulas normalmente. Amigos próximos têm se divertido com o garoto dizendo que, se acontecer alguma briga, irão chamá-lo para participar. O adolescente vive com a mãe. Ele é filho de Carlos Massetti, acusado pela polícia italiana de ter ligações com a máfia siciliana, e neto de Gaetano Badalamenti. Conhecido como Dom Tano, Badalamenti morreu em 2004, numa prisão americana, onde cumpria pena por assassinatos e tráfico de drogas. Procurada por ISTOÉ, Soraia negou que seu ex-marido tenha dívidas com a Justiça. “Não temos mais nada para falar. Estamos todos bem”, disse.
Jonathan, o mais velho do grupo, é praticante de artes marciais e também teve problemas na escola. “No ano passado, o pai queria mandá-lo para Curitiba, para a casa de uma irmã”, afirma o instrutor Reinaldo Dutra, proprietário de uma academia de jiu-jítsu na zona sul de São Paulo. “Ele foi aluno durante uns seis meses e já não aparecia havia algum tempo. Não parecia brigão. Mas ouvi dizer que costumava beber quando ia para as baladas.” Jonathan mora com o pai e um irmão num confortável apartamento numa área nobre de São Paulo. Perto dali, vivem os outros três agressores. Um deles, também adepto do jiu-jítsu e de muay-thai. O garoto, de 16 anos, que reside com a mãe, passou a se apresentar na rede social Orkut como “o moleque doido da avenida” assim que foi libertado da Fundação Casa (ex-Febem).
Os cinco companheiros de farra compartilham gostos e problemas. Todos são filhos de pais separados e apreciam lutas. Mas a violência protagonizada por eles é apenas uma pequena amostra do que ocorre País afora. Na semana passada, o estudante Douglas Igor Rodrigues, 19 anos, levou um tiro na barriga. O disparo foi feito por um militar do Exército no Rio de Janeiro (quadro ao lado). Segundo um levantamento do Grupo Gay da Bahia, pelo menos 3.371 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil desde 1980. “Esses espancamentos, infelizmente, não são casos isolados”, afirma a pesquisadora Regina Facchini, do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da Universidade Estadual de Campinas. “Cadê os pais desses pequenos selvagens?”, pergunta o psicanalista gaúcho Mário Corso. “Esses jovens são de uma miséria psíquica incrível. Quando um homem precisa agredir um homossexual é porque não está seguro da própria masculinidade.”
Homofobia de Farda
Mais um caso chocante de homofobia abalou a reputação do Rio de Janeiro, cidade eleita o melhor destino gay do mundo por um site e um canal de tevê internacionais. Um dos mais bonitos cartões-postais da cidade, o Arpoador, na orla de Ipanema, foi palco da cena ocorrida no domingo 14, quando um grupo de 20 jovens homossexuais que tinha participado, pouco antes, da passeata do Orgulho Gay estava reunido no local e foi abordado pelos sargentos Ivanildo Ulisses Gervásio e Jonathan Fernandes da Silva. Armados e trajando fardas camufladas, os militares insultaram e expulsaram o grupo. O estudante Douglas Igor Marques, 19 anos, ousou questionar a truculência e, em resposta, foi baleado na barriga. Por sorte, o tiro pegou de raspão. “A motivação foi homofóbica”, afirmou o delegado Fernando Veloso, da Delegacia do Leblon, que autuou os sargentos por tentativa de homicídio duplamente qualificada (motivo torpe e sem dar chance de defesa à vítima). “O cara me empurrou no chão, falou que eu era uma vergonha para a minha família, e atirou”, contou Douglas. Os agressores estão presos preventivamente e podem ser expulsos da instituição.
Para a mãe de Douglas, Viviane da Silva, 37 anos, a identificação e prisão dos agressores conforta a família, embora não cure a dor. “Ficava com medo de ele ser uma pessoa infeliz por causa do preconceito. Essa era a minha maior preocupação, e acabou acontecendo.” Muitas outras famílias choram as agressões e assassinatos cometidos contra filhos por homofóbicos. Em junho, o adolescente Alexandre Thomé Ivo Rajão, 14 anos, foi torturado e morto após uma briga envolvendo jovens gays, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. “Ele nunca nos disse que era homossexual, por isso, para nós, não era gay. Alexandre foi morto porque tinha amigos homossexuais. Acharam que ele era também”, afirmou à ISTOÉ a irmã do adolescente, Paula. A primeira audiência do caso só será realizada no mês que vem. Os três acusados do crime chegaram a ser presos preventivamente, mas hoje estão livres. “Antes disso tudo eu nem conhecia a palavra homofobia e peço perdão pela minha ignorância. Agora só sinto dor. Saber como meu filho sofreu e que o ser humano pode sentir tanto ódio e matar alguém por um motivo tão banal é muito dolorido”, acrescentou a mãe de Alexandre, Angélica Ivo.
O Estado do Rio foi o primeiro a criar um programa de combate à homofobia, seguindo os passos do governo federal. Nos últimos 12 meses, o “Rio sem Homofobia” registrou 600 denúncias de agressão contra homossexuais — recebidas tanto por um disque-cidadania gay como por registros policiais. “Somos o primeiro Estado a incluir a homofobia como possível motivo de crime nos boletins de ocorrência. Em janeiro do ano que vem, pretendemos inaugurar um núcleo de monitoramento de crimes homofóbicos”, explicou Cláudio Nascimento, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT do Rio.
Adriana Prado e Wilson Aquino
22/11/10
Livro: “By nightfall”
E foi com entusiasmo que encomendei “By nightfall”, o novo trabalho de Cunningham assim que ele saiu, há dois meses. Viajando para lá e para cá, como eu estava nas últimas semanas, separei o livro para as sempre intermináveis horas de avião. Pelas resenhas que tinham saído na imprensa americana – e também na inglesa – esse era um romance modesto, mas com uma premissa curiosa: Peter Harris, o dono de uma galeria de arte contemporânea de relativo sucesso em Nova York, casado, com 44 anos, de repente se vê extremamente perturbado pela presença na sua casa do cunhado, vinte anos mais jovem, que chega para uma temporada.
Mizzy – um apelido que vem de “mistake”, ou “engano”, que é como o filho temporão (que virou irmão caçula queridinho) é chamado por toda a família – pede abrigo à irmã, Rebecca (mulher de Peter), depois de ter passado por um tratamento para se livrar das drogas. Na rotina quase previsível do casal – que, apesar de tudo não é aborrecida, já que ele mexe com arte e ela edita uma revista literária –, Mizzy surge como uma provocação de liberdade: alguém que, embora não consiga se decidir por nenhuma delas, tem todas as possibilidades diante de si. Esse potencial de liberação que Mizzy representa ainda é ampliado por dois trunfos talvez perversos demais para o quarentão Peter: juventude e beleza.
Esta é a moldura – não, isso não é um trocadilho com o trabalho de “marchand” de Peter, que aliás, vende mais trabalhos “conceituais” do que quadros em si. E é dentro dessa moldura que os conflitos passam a se desenrolar. Será que Mizzy (cujo nome verdadeiro é Ethan) está mesmo “limpo” das drogas? Por que Peter, que nunca duvidou de sua inclinação sexual, sente-se inexplicavelmente atraído por Mizzy? Que tipo de mensagem Mizzy está mandando para Peter? O quanto sua galeria vai sofrer com a crise financeira que atingiu o mercado de arte em Nova York? Rebecca finalmente vai ter coragem de cortar o “cordão umbilical” do seu irmãozinho mais novo? E o quanto ela desconfia do que pode estar acontecendo (ou não) dentro de sua própria casa?
“By nightfall”, como tentei mostrar acima, tem elementos (ou “ganchos”) suficientes para prender a atenção do leitor… mas… mas não exatamente ao longo de um livro de mais de 200 páginas! Todos os conflitos desse (pegando emprestado na canção do New Order) bizarro triângulo amoroso se desenrolam em menos de uma semana. Assim, tudo acontece muito rápido – e, na minha opinião, caberia muito bem num belo conto. No entanto, por razões que posso apenas fantasiar (pressão da editora? vaidade do autor?), a narrativa “cresce” para tomar as proporções de um romance, e se arrasta em longas e inócuas elaborações sobre o poder da beleza, da arte, e sobre a crueldade da passagem do tempo.
“Juventude. Impiedosa, cínica, desesperadora juventude. Ela sempre vence, não é?”, pergunta Peter a si mesmo, já nas páginas finais de “By nightfall”. Essa elucubração – certamente uma das que mais falaram comigo – é bem pertinente, ainda mais se você pertence (como eu) à faixa etária do narrador. Porém, no meio de dezenas e dezenas de questionamentos que ele coloca ao longo do livro – muitos deles bastante repetitivos – ela fica perdida, entra como ruído. Ou pior, como “encheção de linguiça” para preencher mais uma página… Esse excesso de mini solilóquios distrai o leitor e nos faz perder momentos tão preciosos quanto este (que, não por coincidência, também fala de juventude – já que as divagações sobre arte, outro tema recorrente, são bem menos originais):
“É totalmente diferente das tragédias da idade, mesmo da idade média, quando qualquer indício de tempestade é ocultado pela gravidade, por feridas, pelo simples, enlouquecedor fracasso de não permanecer jovem. Juventude é a única tragédia sexy. É James Dean saltando no seu Porsche Spyder, é Marilyn indo se deitar”.
A tradução (talvez menos que apurada, mas no mínimo competente) é minha – desculpe-me, se for o caso. Mas mesmo assim é possível perceber nessas linhas o talento de Cunningham para descrever o que se passa nas mentes (e corações) mais sensíveis. Esse é o autor por quem me encantei – e com que prazer eu o “reencontrava” em uma página ou outra. Logo depois do desfecho da história – que, insisto, é brilhante, mas quase perde seu encanto depois de tantas passagens inúteis –, antes de dar uma última guinada na trama e fechar “By nightfall” de maneira emocionante, Cunningham nos oferece mais um parágrafo impecável, nas suas referências literárias, no seu estilo, na sua poesia (aqui, ainda na minha tradução tacanha):
“A história favorece os amantes trágicos, os Gatsbys e as Anna K.s, ela os perdoa, mesmo que os triture. Mas Peter, uma figura menor num canto indistinto em Manhattan, vai ter de perdoar a si mesmo, vai ter de triturar a si mesmo, já que parece que ninguém vai fazer isso por ele. Não há estrelas folheadas a ouro aplicadas no lápiz-lazúli sobre sua cabeça, apenas o cinza de uma fora de temporada tarde fria de abril. Ele, como todo o povaréu que não é lembrado, está educadamente esperando por um trem que ao que tudo indica nunca vai chegar”.
Não tire conclusões sobre o fim da trama por conta deste parágrafo. Escolhi-o menos como um “spoiler” do que como um excelente exemplo da prosa que esse autor é capaz de nos oferecer. Mesmo num livro que não é o máximo é possível vibrar com a habilidade de um escritor em sequestrar nossa atenção e imaginação com suas histórias. Como o título do post de hoje anuncia, livros ruins, de vez em quando, saem de autores bons, que amamos. A nós, leitores apaixonados, só nos cabe perdoar – talvez reler um trecho antigo que nos faça lembrar porque nos envolvemos com sua literatura em primeiro lugar, e torcer para que o próximo livro renove toda nossa esperança no poder de sermos seduzidos pelas palavras.
CULTURA: Burlesque
Christina Aguilera diz que "Burlesque" será sucesso entre o público gay
O musical que traz um duelo de divas entre Christina Aguilera e Cher, é o primeiro papel na carreira cinematográfica da cantora de origem equatoriana e a transformou em uma mulher "diferente".
No filme, que estreia nesta semana nos Estados Unidos, Christina interpreta uma menina de cidade pequena com uma grande voz que decide deixar para trás sua rotina entediante para ir em busca de seu sonho. Em Los Angeles, ela encontra o clube "The Burlesque", que tem como estrela Tess (Cher), e é cativada por seu espetáculo.
O longa-metragem, dirigido pelo também novato Steve Antin, traz às telas uma história que será sucesso entre o "público gay", prevê a protagonista, que revela que o final fará com que as pessoas saiam dos cinemas "dançando pelos corredores".
Fonte: Folha.com
21/11/10
Sargento que atirou em homossexual pode pegar 20 anos de cadeia
A vítima e mais quatro testemunhas, entre elas o jovem que estava com D. no momento do crime e que estava sendo procurado, reconheceram Gervásio como o autor do disparo. O militar já havia confessado o crime, horas antes, ao delegado da 14ª DP (Leblon), Fernando Veloso, em depoimento informal.
Segundo dados de um programa desenvolvido pelo governo do Estado, já foram registradas cerca de duas mil ocorrências de violência contra homossexuais, sendo 600 denúncias de agressão, nos últimos 12 meses. O estado foi o primeiro a incluir o crime de homofobia em boletins de ocorrência, desde 2009.
O objetivo do programa é reduzir as incidências de homofobia para que a cidade possa continuar sendo considerada o melhor destino gay do mundo.
20/11/10
Homofobia nas escolas: o que tem sido feito?
19/11/10
TRILHA DA SEMANA: Pet Shop Boys - Together
Together
Pet Shop Boys
Together, we'll go all the way
Tell me what you want from me
Give me what I need from you
Anything you wanna do
I'm going to need to follow through
Everything I have is yours
I pray you understand me, because
Whatever you want to do
I'm going to be with you
Together's amazing
Together, we're blazing
Together, we'll go all the way (Together, we'll go all the way)
Together, I cry with you
Together, I'll die with you
Together, we'll go all the way (Together, we'll go all the way)
Together, we'll go all the way
Now my heart is beating fast
Time is short, the die is cast
I can't keep a secret if
You can't really mean it and
Feel the look beside us
So much love inside hurts
Whatever we have to do
I'm going to be with you
Together's amazing
Together, we're blazing
Together, we'll go all the way (Together, we'll go all the way)
Together, I cry with you
Together, I'll die with you
Together, we'll go all the way (Together, we'll go all the way)
Together, we'll go all the way
Everything's easy in this state of mind
The world starts to fade as we leave it behind
Together's amazing
Together, we're blazing
Together, we'll go all the way (Together, we'll go all the way)
Together, I cry with you
Together, I'll die with you
Together, we'll go all the way (Together, we'll go all the way)
Together, we'll go all the way
Together, we'll go all the way
18/11/10
HOMOFOBIA EXPLÍCITA NO TWITTER - Da Tolerância a Intolerância
Lilah Bianchi (Blog Mãe, Sou Gay)A homofobia explícita no twitter nos dois últimos dias, e que culmina com a criação do perfil @HomofobiaSIM, expõe uma face cruel desse país: a tolerância a intolerância. Muitos, que se dizem livres de preconceitos começam a usar um discurso velho conhecido dos que defendem o direito LGBT: ah ,mas se você é gay deve estar preparado para esse tipo de comentário, todo mundo tem direito de não gostar.
Isso nasce de vários erros conceituais. O primeiro é de que um homossexual escolhe ser gay. E se escolhe ser gay não pode pleitear direitos, por exemplo semelhantes a um negro, que afinal nasceu negro. Então tudo bem que se criminalize o racismo, mas eu quero meu direito de não gostar de gays e de xingá-los ou impedir a entrada dele no ambiente que eu, homem de bem e de boa família, frequento. Ninguém escolhe ser humilhado, atacado, agredido, ofendido e debochado todos os dias da vida. Ninguém escolhe ser hétero por que alguém escolheria ser gay?
O segundo erro conceitual é o de que a liberdade de expressão me dá direito de dizer o que eu quero. Inclusive absurdos científicos, como que só gays transmitem AIDS, ou de que homossexuais são todos pedófilos. Liberdade de expressão não te dá esse direito. Você pode não gostar de gays? Pode. Mas não tem o direito de sair por ai falando absurdos ou proferindo ofensas. Experimente sair por ai dizendo que odeia negros ou que eles são o câncer do país e seja apresentado a lei Caó. Cadeia. A situação é a mesma. A liberdade de expressão que não te permite ser racista, também não te dá direito a ser homofóbico.
O terceiro erro conceitual é o de que homofobia é só espancar ou matar gays. O resto pode ser tolerado por que é só opinião. Não é assim. Homofobia é um conceito bem mais amplo e inclui atos de ofensa, a negativa de acesso a lugares públicos, o deboche, os xingamentos, impedir a livre manifestação de afeto enfim, qualquer discriminação que tenha por base a orientação sexual. Preconceito de raça é racismo. Preconceito por orientação sexual é homofobia.
Um quarto argumento é o religioso. Dentro de um culto ou templo você é livre para falar dos dogmas que acredita. Trocando em miúdos, um pastor pode ler levítico e dizer que homossexualidade é pecado. Ele pode não admitir gays e lésbias como fiéis. Ele NÃO PODE usar esses conceitos para impedir o acesso de LGBTs a direitos civis por que nós vivemos em um país laico. Isso significa que você, fiel de qualquer religião, pode sim acreditar que homossexuais vão para o inferno. Direito seu. Mas você não pode usar a SUA CRENÇA PESSOAL, para militar contra o direito de gays expressarem afeto em público por que o lugar público não é regido pela sua crença pessoal e sim pelas leis desse país. Que estão escritas na Constituição e no Código Penal e Civil e não na sua Bíblia. A Bíblia não é argumento civil. Não tem poder sobre a minha liberdade pessoal de acreditar ou não nisso.
Criou-se na nossa sociedade uma tolerância ao preconceito por orientação sexual que diz que esses crimes não são tão importantes assim. Que não reconhece que cerca de 20% dos cidadãos desse país não tem os mesmos direitos que o restante deles. Que acha que chamar de viado ou fazer piadas não é assim uma grande coisa. Tolera-se o intolerante quando se compactua com o que ele faz. Os “pequenos” crimes, o bullying, a ofensa diária tem levado milhares de jovens ao suicídio. Uma pessoa é assassinada devido a sua orientação sexual a cada dois dias nesse país. O BRASIL É O LÍDER MUNDIAL DE CRIMES CONTRA HOMOSSEXUAIS E BISSEXUAIS.
Não existe tolerância ao intolerante. Não existe algo como “mais ou menos homofóbico” ou "ele é preconceituoso mas não é homofóbico". Chega. Não podemos mais assistir calados a um genocídio. Tolerância zero a intolerância e a homofobia.
Denuncie casos de homofobia na rede ao Safernet e ao Ministério Público. Se você tem um print de comentários homofóbicos, de um site que pregue homofobia ou algo semelhante envie para o email do blog que serão publicados no Tumblr Denunciando Homofobia. Chega de ficar calado, vamos expôr o verdadeiro câncer desse país: a intolerância e o preconceito.
No dia de hoje, 18 de Novembro de 2010, na rede social twitter, um grupo de militantes pró direitos LGBT criou a hastag HomofobiaNAO, com o intuito de divulgar ações de afirmação e pressionar pela aprovação da PLC122 e a apuração dos recentes casos de grave violação dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais e travestis. Inclusive o recente caso de agressão ocorrido na Av. Paulista. Trata-se de uma manifestação legítima e pacífica.
No entanto em resposta a essa manifestação diversos perfis da rede social passaram a enviar mensagens de ódio, incitação a crimes (pregando que "viado bom é viado morto" ) e ofensas gratuitas aos participantes da manifestação.
Pedimos que seja investigado o caso claro de violação de direitos e lembramos que não se trata da primeira manifestação preconceituosa e agressiva registrada no twitter, tendo como exemplo o caso recente das ofensas xenofóbicas a nordestinos ocorridas no último dia 31, que se encontra em investigação pela OAB-PE.
A lista de perfis cujas mensagens foram devidamente printadas encontra-se a disposição no seguinte endereço eletrônico:
Blog Mãe, Sou Gay
Um pouco mais sobre o caso do beijo gay entre o menino de 18 e o menino de 13 anos em SP!
Foi noticiado que o estudante, Wesley Almeida Campos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar, na noite de quarta-feira (10), por beijar um garoto de 13 anos dentro do cinema de um shopping Santana Parque, no bairro de Lauzane Paulista, na Zona Norte de São Paulo. O beijo durou mais de cinco minutos, segundo testemunhas, sempre com o maior abraçando o menor pelas costas. A denúncia foi feita por funcionários do centro de compras.
Apesar de o garoto de 13 anos ter consentido o beijo, a lei determina que menores de 14 anos ainda não respondem por seus atos. Por isso, o maior foi levado ao 13º Distrito Policial, na Casa Verde, também na Zona Norte da capital, onde foi indiciado por estupro de vulnerável.
Estou exausto de lembrar que, concordando ou não, a lei deve ser imperativamente respeitada e que não deva existir qualquer tipo de relação que envolvam menores de 14 anos de idade, mesmo que seja deste a iniciativa, pois mesmo sem sexo, principalmente se alguém for homossexual, qualquer ato pode ser interpretado como libidinoso e o indivíduo pode responder pelo crime gravíssimo de estupro vulnerável, com pena de 08 até 14 anos de prisão.
A maioria dos títulos com chamada jornalística para o fato afirmaram que o jovem de 18 anos foi preso por beijar um menor de 13 anos. Isto não corresponde à realidade, porque é incompleto e induz à erro. Em decorrência destas chamadas não explicadas e do fato grave noticiado, cumpre espancar a possível confusão das pessoas entre o que pode e o que não pode.
NÃO PODE um homossexual maior ter qualquer relacionamento libidinoso com um outro homossexual menor de 14 anos de idade, seja de forma pública ou privada.
Dois homossexuais, tal como um casal heterossexual, se beijarem e trocarem carinhos em público, PODE.
NÃO PODE dois homossexuais ou heterossexuais se beijarem lascivamente e manterem contatos voluptuosos em público, muito menos ainda, obviamente, praticarem qualquer tipo de sexo em público.
Portanto, alguém que beije lascivamente e pratique carícias com toques sexuais com um menor de 14 anos de idade estará praticando ato libidinoso passível de responder por crime de estupro vulnerável. Isto é ululante. Neste caso, a censura criminal não ocorre porque dois homossexuais se beijaram publicamente (isto não configura crime), mas em razão de um deles ser menor, o beijo ser lascivo e/ou existir toques sexuais, configurando o ato libidinoso. Na hipótese, eles se beijavam arduamente, por longo tempo, tendo o adolescente mais velho mantido contato físico com o mais novo, abrançando-o pelas costas, supostamente com conotação sexual.
Explicada a diferença óbvia, mas necessária, cabe uma indagação. Será que o mesmo beijo e carícias entre um CASAL HETEROSSEXUAL da mesma idade dos dois jovens gays (13 e 18 anos), num shopping, teria resultado na prisão do adolescente de 18 anos de idade? Custo a crer.
Não estou comparando o certo com o errado, mas a gravidade e diferenças dos casos e, especialmente, ressaltando a diferença do tratamento dispensado.
Me parece claro que o infeliz do rapaz preso e o menor de 13 anos, observando o comportamento médio de outros adolescentes da mesma idade deles, ingenuamente, apenas repetiram o que acreditaram ser permitido num mundo de direitos iguais. Erraram porque o eventual erro de casais heterossexuais (que possuam idênticas idades) não afasta o crime previsto na lei e, principalmente, porque estavam absolutamente equivocados ao imaginarem que aos olhos de terceiros (que até contaram no relógio o tempo do beijo) seria tão aceito seu namoro público quanto ao suposto casal em comparação.
Este rapaz jamais deveria estar preso e certamente, um juiz sensível, justo e consciente, ou mesmo o membro do ministério público, o retirará imediatamente da prisão. A razão legal para sua liberação pode se dar pela figura jurídica do “erro de proibição” que ocorre quando a pessoa acredita ser sua conduta admissível no direito, quando, na verdade ela é proibida. O jovem sabia o que fazia (namorava o jovem de 13 no cinema), porém, desconhecia que se tratava de uma ilegalidade, afinal seus amigos heterossexuais sempre namoraram garotas mais novas que eles, tal como ele pretendia reproduzir em seu ato, apenas com a distinção de sua orientação sexual. Afinal, ninguém vai para um cinema para abusar sexualmente de criancinhas, em público, ainda beija por cinco minutos ela, para todos assistirem, e ao final, ambos confessam deliberadamente o fato, inclusive, afirmando que namoram há 1 ano! Se isto não é inocência, não sei que nome dar.
No ano anterior, quando começaram a se relacionar afetivamente, se tratavam de dois menores, por conseguinte, incabível àquela época se falar de "crime". O que os operadores da lei esperam, que depois do afeição mais solidificada e um deles completar 18 anos, o sentimento deixe de existir ou que "concluam" que, de repente, aquela relação passou a ser criminosa? Se for esta a expectativa, só me resta perguntar quem é o mais ingênuo, os jovens ou as racionais autoridades?
Ainda reafirmando o erro que os jovens foram submetidos, muito se fala de pedofilia, mas a idéia comum é que isto decorre exclusivamente de abusos sexuais praticadas por velhos em face de crianças e adolescentes, tal como é refletida nas manchetes que apontam a prática podre de alguns padres, pastores e professores.
Se jornalistas com amplo acesso à informação se confundem para dizer o que é legal ou ilegal (vide o beijo) e se aqui e em outros meios de comunicação tenho que explicar mil vezes o que a lei proibe e o que a lei permite, imagine se um garoto de 18 anos não vai confiar que é normal e legal ter um namoro com outra pessoa mais nova. Afinal, não é comum meninas namorarem apenas os meninos que possuam a mesma idade ou preferencialmente mais velhos? Porque com ele, na sua cabeça, deveria ser diferente de seus colegas homens heterossexuais?
De qualquer forma, ao invés de proteger o menor de 13 anos e o adolescente de 18 anos, o que constatamos é que a lei penal acabou por criar para ambas um imensurável dano moral que talvez jamais seja superado.
Como igualdade não é um tratamento dispensado aos homossexuais, cumpre ressaltar que Lendo o artigo de uma pesquisadora, Aline Rios Simões, descobri que “segundo dados do Ministério da Saúde em 2003, no Brasil, houve 27.239 gestações na faixa dos 10 aos 14 anos.”
Será que no ano de 2003, os 27.239 heterossexuais masculinos que levaram para um cantão as meninas e “enfiaram” o pênis e ejacularam em suas vaginas foram processados e presos? Ou será que apenas o adolescente gay de 18 anos que beija outro de 13 anos num shopping é preso pelo gravíssimo crime de estupro vulnerável?
Creio que hoje, pelos números apenas do ano de 2003, nosso sistema carcerário deveria estar mais que lotado de homens que praticaram sexo com menores de 14 anos. Infelizmente, adultos inescrupulosos e reais abusadores estão provavelmente soltos, enquanto este jovem foi preso.
Reitero que não desejo fazer apologia do errado ou justificar o injustificável, mas lembrar as diferenças das gravidades dos casos e a distinção do tratamento dispensado.
Mas é verdade, na sociedade brasileira inexiste machismo e homofobia, somos todos iguais! Quem dera!
A forma como a notícia foi passada e as imagens falam por si:
Jovem é SoltoComo havia cogitado na última postagem ocorreu minha previsão: um juiz com senso de justiça e sensibilidade, independente do escândalo em torno da questão, se despiu de eventual preconceito e agiu com imparcialidade, aplicando a lei, mas com observância da realidade social e na busca da justiça real.
A função da prestação jurisdicional é esta. E foi feita. O juiz Davi Capelatto honra sua toga e o Poder Judiciário e, particularmente, me orgulho disto.
Para nós se trata apenas de justiça realizada no momentaneo procedimento judicial adotado, mas a verdade é que um juiz heterossexual, que traz na sua bagagem uma vivência diversa naturalmente possui muito mais dificuldade de entender as razões e pesos que carregam os homossexuais em suas relações afetivas, que poderiam explicar o equivocado comportamento dos dois jovens. Está óbvio que os dois não possuíam nenhuma intenção e nem possuíam consciência de praticar qualquer crime. Agiram por impulso, como todo e qualquer adolescente, daí um deles estar preso junto a reais criminosos é de um absurdo que choca a qualquer pessoa de bom senso.
Os gravíssimos danos morais os dois jovens já sofreram. Não tem volta. Junto à família, escola, amigos e sociedade de forma geral. O importante era que esse dano não se perpetuasse. E o justo juiz Davi Capelatto, que como disse honra brilhantemente sua toga, além da calça que veste, fez o seu papel. Só um juiz que seja norteado pela JUSTIÇA, DIREITOS, HONRADEZ E IGUALDADE poderia agir como o Juiz Davi Capelatto.
Aplaudo de pé este Magistrado, com orgulho e admiração.
Segue matéria que foi publicada no Estadão:
"Justiça solta rapaz que beijou garoto"
Antes mesmo de ouvir a defesa ou aguardar a manifestação do Ministério Público, o juiz Davi Capelatto, do Departamento de Inquéritos Policiais do Tribunal de Justiça (Dipo), concedeu liberdade provisória ao estudante W., de 18 anos, preso na quarta-feira por beijar um garoto de 13 no Santana Parque Shopping.
Capelatto considerou que a prisão cautelar do estudante mostrou-se exagerada. De acordo com o juiz, não há circunstância que indique que a liberdade de W. colocará em risco a ordem pública, a instrução criminal e a eventual aplicação da pena. W. foi enquadrado no crime de estupro de vulnerável pela delegada plantonista do 13.º DP Silvia Fagundes Theodoro. Ela não quis dar entrevista.
O inquérito volta para o Ministério Público, que pode arquivá-lo, denunciar W. por achar que há provas para processá-lo ou pedir mais investigações.
Especialistas afirmam que, apesar de ser o mais velho, W. não tem necessariamente amadurecimento para enfrentar o transtorno de uma prisão por causa de um beijo no shopping. 'Os adolescentes podem ter mais acesso à informação, mas não significa que estejam experientes para lidar com situações adversas', diz o clínico geral Maurício de Souza Lima, que atende jovens entre 10 e 20 anos.
Para o médico, a prisão foi o ponto mais crítico das últimas 48 horas de W. 'Mas a situação anterior, de ser abordado por seguranças, encaminhado à delegacia, interrogado, todo esse transtorno, é pesado para pessoas de qualquer idade. E, agora, como vai ser à volta à escola? Como ele vai entrar na sala de aula?'
W. faz cursinho em uma turma de 140 alunos. Paga cerca de R$ 1 mil de mensalidade. De acordo com colegas de classe, ele se senta nas primeiras filas e raramente falta às aulas. Quer prestar vestibular para Engenharia."
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