31/01/2011

Grandes Pintores e suas homossexualidades!


Pintores e artistas plásticos de um modo geral são, com certeza, grandes referências de contestação social desde que os tempos são tempos. Nessa postagem queremos evidenciar um pouco da história de alguns pintores que tiveram relações homoafetivas ao longo de suas vidas ou que foram considerados gays, lésbicas ou bissexuais por seus estudiosos. Nem todos lidavam bem com essa condição, mas se tornaram grandes personalidades da arte e, consequentemente, contribuem para a visibilidade da questão LBGT. Eles são o exemplo de que lésbicas, gays e bissexuais contribuíram e continuam contribuindo para o desenvolvimento da nossa cultura e evolução da humanidade. É claro que nossa lista é resumida, focada apenas em alguns dos mais famosos, pois certamente inúmeros outros existiram e continuarão existindo.

Leonardo Da Vinci – (Italiano, 1452 - 1519)
Um dos maiores gênios da história, Leonardo da Vinci mantinha sua vida privada em segredo, mas sua sexualidade sempre foi alvo de estudos, análises e especulações, especialmente a partir de Sigmund Freud. Em 1476, da Vinci foi acusado de sodomia — nesta época relações homossexuais eram crime em Florença. Ele e mais três jovens do ateliê onde trabalhava teriam mantido relações com um prostituto chamado Jacopo Saltarelli. No entanto, por falta de provas, a acusação de sodomia foi arquivada. Anos mais tarde, em 1490, Giacomo Salaï, um jovem florentino, passou a morar com o pintor, reacendendo em Florença os boatos sobre sua homossexualidade. A relação foi se fragmentando por conta de contravenções do pupilo. Outro discípulo do artista, o conde Francesco Melzi, filho de um aristocrata da Lombardia, foi igualmente acolhido por Da Vinci em 1506. Melzi, estudante predileto de Leonardo, viajou com o tutor para a França, onde esteve ao seu lado durante todo o fim de sua vida. Com a morte de Da Vinci, Melzi herdou as coleções, manuscritos e obras artísticas e científicas de Leonardo, patrimônio que ele administrou fielmente a partir de então. Para alguns cientistas, a homossexualidade de Da Vinci estaria expressa na Mona Lisa, quadro que, segundo eles, seria um auto-retrato feminino do pintor.



Michelangelo - (Italiano, 1475 - 1564)
Pintor, escultor, poeta e arquiteto renascentista, Michelangelo nunca se casou e hoje existe praticamente um consenso que tenha sido homossexual, mesmo com a negação de seus primeiros biógrafos. Há indícios que o artista teve casos amorosos concretos com vários jovens como Cecchino dei Bracci, para quem desenhou o túmulo, e Giovanni da Pistoia, que conheceu enquanto trabalhava no teto da Capela Sistina e para quem escreveu alguns sonetos. No entanto, nenhuma prova concludente se encontrou sobre relacionamentos concretos. É bastante possível que o próprio Michelangelo tenha reprimido sua sexualidade ao longo da vida, tornando seus amores quase platônicos. Entre todas as histórias, quem ocupou o maior lugar em seus pensamentos foi Tommaso dei Cavalieri, um patrício amante das artes. Cavalieri era um jovem de 17 anos de idade, descrito como calmo e despretensioso, de fina inteligência e educação, e uma beleza incomparável. Michelangelo escreveu cerca de quarenta poemas para ele e também o presenteou com desenhos. Cavalieri foi o único que teve um retrato pintado pelo artista, numa obra infelizmente perdida. Entre os desenhos que Michelangelo deu a Tommaso estão “Rapto de Ganimedes”, a “Queda de Phaeton”, a “Punição de Tytus” e “Bacanal de crianças”, cujos temas são sugestivos e até polêmicos.


Caravaggio (Italiano, 1571 – 1610)
Pintor que deu origem ao estilo barroco, Michelangelo Merisi da Caravaggio era considerado um homem enigmático, fascinante, perigoso e um bissexual que não lidava bem com sua atração por homens. Uma das personalidades mais fascinantes da história da arte, destacou-se como o mais vigoroso e influente pintor do século XVII. Dono de um temperamento agitado, envolveu-se numa série de atos de violência. Caravaggio conquistou fama com pouco mais de 30 anos, época em que seu traço vigoroso e o uso dramático do claro-escuro criaram um novo estilo. Embora tenha se envolvido com prostitutas, há indícios que o pintor viveu vários relacionamentos homossexuais. Durante sua curta carreira, Caravaggio foi apoiado pelo Cardeal Del Monte, clérigo rico e sofisticado, colecionador de arte e patrono oficial da escola dos pintores de Roma. O cardeal recebeu o pintor em sua casa, oferecendo-lhe alojamento, alimentação e uma pensão regular. Em troca, Caravaggio pintou uma série de quadros de jovens efeminados, pois Del Monte demonstrava gostar de rapazes. Caravaggio parecia compartilhar desse gosto, o que foi evidenciado em vários de seus trabalhos. Os corpos masculinos parcialmente ou totalmente desnudos retratados em sua obra são indícios para essa teoria. Acumulando inimigos, o pintor foi acusado de homicídio e teve de fugir de Roma no auge da carreira, vivendo como um nômade até a morte.


Salvador Dalí (Espanhol, 1904 - 1989)
Pintor, desenhista, fotógrafo e escultor, Salvador Dalí foi um importante artista catalão conhecido pelo seu trabalho de aspecto surrealista. Jovem, ele freqüentou a “Residência de Estudantes” em Madri, onde conheceu o poeta Federico García Lorca, com quem manteve uma amizade especial com muitos elementos de paixão. Essa relação, que pode ter sido a primeira experiência homoafetiva de Dalí, foi negada pelo artista até pouco tempo antes de sua morte, mas não foi a única. No livro "Sexo, Surrealismo, Dalí e Eu", o escritor britânico Clifford Thurlow descreve a intimidade de Dalí a partir dos relatos do pintor e bailarino colombiano Carlos Lozano, que conheceu o artista em Paris, em 1969, e foi amigo íntimo de Dalí até sua morte. Segundo Lozano, Dalí era totalmente homossexual e sempre ocultou isso. Ele viveu durante toda sua vida uma espécie de tormento que o levou a pensar em sexo além da conta.


Frida Kahlo (Mexicana, 1907-1954)
A vida de Frida Kahlo foi um tumulto desde o princípio: aos seis anos contraiu poliomielite e isso a deixou capengando de uma perna. Sofreu um acidente ao sair da adolescência, em um ônibus, onde além de fraturas generalizadas, foi perfurada por uma barra de ferro que entrou pela bacia e saiu pela vagina. Sofreu dezenas de cirurgias ao longo da vida, tendo uma saúde sempre frágil. Depois do acidente, Frida recebeu da mãe material de pintura. Como não podia levantar-se, olhava para si mesma, na cama, através de um espelho e assim começou a pintar auto-retratos, adotando estilo surrealista e primitivista, inspirados na arte popular de seu país. Era bissexual e casou-se aos 21 anos com Diego Rivera. O casamento foi tumultuado, visto que ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais. Rivera aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, embora não aceitasse seus casos com homens. Frida descobre que Rivera mantinha um relacionamento com sua irmã mais nova, Cristina. Separam-se, mas em 1940 unem-se novamente, mas os conflitos continuaram. Apesar de certa liberdade sexual para a época, a artista acumulou tentativas de suicídio com facas e martelos. Alguns anos depois, não se sabe se por suicídio ou por complicações de uma forte pneumonia, ele acabou sendo encontrada morta.



Andy Warhol (Americano, 1928-1987)
O artista multimídia Warhol se impôs como um dos nomes mais influentes na segunda metade do século XX, sendo um dos marcos da Pop Art – movimento que extraía seus temas da cultura de massa americana. Entre as obras mais famosas estão os retratos de Marilyn Monroe, feitos logo após a morte da atriz (uma sequencia de fotos com várias cores sugerindo que a musa tinha muitas matizes, mas estava presa numa imagem só). Gay assumido, Warhol circulava ao lado de socialites em discotecas e restaurantes e aguçava a curiosidade da imprensa com suas perucas e os excessos de festas na Factory, seu estúdio em Nova York. Por conta de suas excentricidades, acumulou fãs que não se interessavam tanto por suas obra, mas sim pela vida do artista. Em 1968, Warhol levou dois tiros de uma feminista extremada chamada Valerie Solanas – que defendia nada menos do que o extermínio dos homens. O artista chegou a ser dado como clinicamente morto, mas sobreviveu graças a uma ressuscitação artificial. Após esse fato, mudou um pouco seu estilo de vida e suas obras. Um dos seus trabalhos mais comentados após esse período foi a série de duas mil imagens de Mao Tsé-tung, o ditador da China comunista, retratado com batom e lápis nos olhos.

Um comentário:

@evparaiso disse...

PERFEITO, SÉRIO AMEI

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