
Texto do Portal Gay de Minas
Ele circulou de 1978 a 1981 e abriu caminho para uma nova imprensa homossexual brasileira no país. O jornal Lampião da Esquina foi uma das primeiras grandes publicações destinadas ao público homossexual no Brasil.
Até o surgimento do jornal Lampião da Esquina, havia poucos periódicos para o público homossexual no Brasil. Eles eram mimeografados e com distribuição pulverizada. Tudo isso mudaria com o lançamento do Lampião. A primeira edição saiu em abril de 1978, mas infelizmente, a publicação circulou apenas até 1981. O jornal levantou questões e temas relevantes até hoje.
O Lampião da Esquina nunca se limitou a ser apenas um informativo. Ele foi um instrumento de luta que buscava criar uma comunidade consciente de seus direitos, usando argumentos bastante convincentes. O editorial da edição de lançamento dizia o seguinte: “Mostrando que o homossexual (...) não quer viver em guetos, nem erguer bandeiras que o estigmatizem; que ele não é um eleito nem um maldito; ‘Lampião’ deixa bem claro o que vai orientar a sua luta: nós nos empenharemos em desmoralizar esse conceito que alguns nos querem impor – que a nossa orientação sexual possa interferir negativamente em nossa atuação dentro do mundo em que vivemos.”
Considerado imprensa “marginal”, o jornal esbarrou no governo militar e teve que se adaptar às regras. Os textos eram cheios de metáforas e jogos de palavras, que confundiam e brincavam com o leitor ou censor mais desavisado. E, assim, o Lampião da Esquina deu o pontapé inicial na história da imprensa “guei” (era assim que o jornal escrevia) no Brasil.
O Lampião trazia matérias sobre justiça, violência, direitos humanos e sexualidade. Grandes nomes passaram pela redação do Lampião da Esquina, como Aguinaldo Silva, autor de novelas globais como “Senhora do Destino”, e os escritores Caio Fernando Abreu (de “Morangos Mofados”), Gasparino da Matta e João Silvério Trevisan (de “Devassos no Paraíso”).
Mas o jornal não era formal e politizado o tempo todo. Ele tinha uma seção de cartas chamada “Mafiosas, mariposas, libertárias”, que eram respondidas com muito humor, sobre todos os assuntos. Tinha histórias em quadrinhos, como o herói supergay Ave Noturna, dicas de eventos e livros para os homossexuais. Enfim – tudo que homossexuais bem informados deveriam saber.
Aquela era uma outra época, mas os problemas que gays e lésbicas enfrentavam são praticamente os mesmos de hoje. Com a diferença de que agora os homossexuais estão mais conscientes, graças ao trabalho de outros meios de comunicação, que nasceram graças ao pioneirismo do Lampião da Esquina.
UPDATE
Edições digitalizadas do “Lampião da Esquina” estão disponíveis no site do Grupo Dignidade!
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