
Zach, fazendo a águia, e David Bowie.
Escrito por ÍTALO DAMASCENO especial para o Homorrealidade
Eu sou da seguinte teoria: nenhum pai/mãe realmente conhece seu filho, principalmente na adolescência. Essa história de que “eu carreguei por 9 meses, portanto eu sei exatamente o que se passa com você” é tudo balela. E o filme C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor mostra bem isso. Mas se serve de consolo aos pais que leem esse site e ficaram chateados com a afirmação do início do parágrafo, os filhos também não conhecem nada de vocês, mas com o passar do tempo eles vão concordar com vocês quase 100%.
Um casal canadense, dos anos 60 até meados dos anos 80, pai de 5 filhos, todos homens. Christian, Raymond, Antoine, Zachary e Yvan. Apesar do enredo ser do convívio dos pais e de todos os filhos, se concentra principalmente na história de Zachary, que é especial em muitos sentidos. Aliás, a primeira cena do filme é justamente o nascimento de Zach. Ele já começa especial, pois ele nasce no dia de natal, ou seja, segundo sua mãe, “ele faz aniversário junto com Jesus”. Além disso, ele nasce com um sinal na cabeça, o q o deixa com uma mecha branca no cabelo. Sua mãe o leva a uma sensitiva, e a mulher diz que aquilo é o sinal que ele tem o dom da cura. Daí, toda vez que alguém sente dor, liga para ele e pede para que ele pense na pessoa, para que a dor passe. Um carma na vida de alguém.
Mas a relação que recebe maior destaque ao longo da história é a do pai, Gervais, extraordinariamente interpretado por Michel Côté, e Zach, interpretado pela gracinha do Marc-André Grodin. Zach é gay, mas passa a vida praticamente inteira tentando mudar isso porque ele é claramente o filho favorito dos pais e porque seu pai jamais aceitaria. A mãe de Zach é uma mulher maravilhosa, mas por mais que ela tente resolver esse impasse entre pai e filho, a coisa é entre eles dois. Por vários momentos, a coisa fica feia chegando às raias da violência. A incompreensão, principalmente paterna em relação à homossexualidade do filho, quase destrói a relação dos dois. Mas, além do pai, na casa existe uma outra pessoa que nutre uma relação de extremo amor e ódio com Zach: seu irmão Raymond.


Todos os “C.R.A.Z.Y.’s”. E a mãe.
Raymond não trabalha, é viciado em drogas e tem plena consciência de que Zach é o filho favorito, mesmo sendo gay. Isso muito o revolta contra Zach, contra seus pais, e até mesmo, contra a sua própria vida. Ele tem um forte comportamento autodestrutivo. Mas o bonito é ver que, apesar dele por várias vezes tentar ferrar a vida do Zach (e do Zach tentar ferrar a vida dele também, porque ele não é nenhum santinho), a relação deles é forte demais para ser apenas de ódio. Assim como qualquer relação familiar.
No fim, é um belo filme que conta uma história inteiramente comum, de uma família inteiramente comum e com acontecimentos totalmente comuns. Se bem que as histórias inteiramente comuns, na minha humilde opinião, são as mais belas e verdadeiras a serem contadas.

A família completa.

Ray e Zach.
Tá, fala sério que você não pensou nessa música quando viu o título do filme?
*ÍTALO DAMASCENO é advogado, se sentiu a própria Xica da Silva quando foi a Ouro Preto e fica esperando ouvir um assovio quando passa em frente a uma construção.
3 comentários:
Adoro esse filme, um dos meus preferidos no gênero.
Sou seguidor desse blog e também tenho um blog LGBT, que tal uma parceria?
http://arcoirisrevolucionario.blogspot.com/
Meu e-mail para contato: luan_felipe_bc@hotmail.com
Ótimo enredo como o Italo falou uma história simples que ensina muito. Parabéns pelo post!
Postar um comentário