
Por Ítalo Damasceno especial para o Homorrealidade
Todo mundo já viu A sociedade dos poetas mortos. Agora imagine um A sociedade mais inteligente, mais engraçado, mais inglês – ao invés de americano -, e mais gay. Quer dizer, PERFEITO. Assim é Fazendo história (The history boys, 2006). Inicialmente uma peça de teatro, que ganhou vários Tony´s, de texto e de interpretação, seu escritor – Alan Bennet - também assina o roteiro do filme. Inclusive, os atores do filme são os mesmo que representaram no teatro.
Oito garotos, no último ano do ensino médio, nos anos oitenta, num subúrbio inglês. Estudantes de um colégio público, esses oito amigos são super inteligentes e tem notas suficientes para tentar entrar em Oxford ou Cambridge. Preocupado, o diretor resolve planejar uma estrutura de aulas especiais para esses alunos: uma professora ensinaria história de forma doutrinária, apresentando fatos, datas e personalidades; um novo professor, Irwin, é contratado para refiná-los para as entrevistas e as redações; e Hector, um professor já antigo e mais velho que fica com o papel de ensiná-los “conhecimentos gerais”. Como ele próprio diz, “conhecimentos gerais” não existem. Todo conhecimento é específico. Logo, ele dá aula de NADA. E isso permite que eles façam qualquer coisa nas suas aulas. Inclusive brincar de “Qual é o filme?”: de repente, no meio da aula, alguns alunos se levantam e representam uma determinada cena de filme, para que o professor adivinhe qual é.

Cartaz do filme
Hector, interpretado por Richard Griffiths, mais conhecido como o Tio Walter do Harry Potter, dá um show como o professor velho, divertido e apaixonado pela juventude. Ele é da filosofia de se ensinar para a vida, um bom protótipo do ensino na época clássica grega, que se contrapõe inteiramente à filosofia educacional de Irwin. Este acredita que além do conteúdo, a pessoa tem que ter uma idéia prática do que ela aprende e que para você ser “eficiente” nesse mundo de testes e concursos, vale até mesmo defender idéias que você não concorde, mas que farão com que você se destaque dos outros.
Entre essas duas filosofias pedagógicas, encontram-se os oito amigos, que ao mesmo tempo usam as idéias de um professor contra o outro e ainda tentam encontrar a sua própria visão da história do mundo, e das suas próprias vidas. No entanto, os dois professores disputam algo mais do que a adesão à sua visão de mundo. Disputam também o coração de Dakin, um dos oito amigos ( e porque não dizer, o mais atraente e safado).
Na realidade, é um filme com bastantes clichês, mas tão bem usados que os deixam encaixados de uma forma bela e que só deixa o filme mais delicioso. O final é lindo, sem grandes surpresas, mas sensivelmente executado.
Agora vamos aos destaques do filme: uma das duas únicas mulheres do filme, Frances de la Tour - mais conhecida por interpretar Maxime, a mulher gigante de Harry Potter - é um show a parte como a professora de história. Seu desabafo sobre o papel das mulheres ao longo da história da humanidade é uma catarse espetacular. O garoto judeu do grupo é outro destaque. Super sensível e inteligente, ele sofre e tem um dos momentos mais belos do filme, na minha opinião: quando ele descobre que literatura, na verdade, serve para você saber que não é a única pessoa no mundo a sentir determinado sentimento. E quando essa descoberta/identificação acontece, é um dos momentos mais mágicos da vida.
Fazendo História é um filme que trata de assuntos de extrema importância: das questões de aprendizado; de como um professor te ensina não apenas para uma prova, mas para a vida; do fato de se estudar história para não repetir os mesmo erros do passado; e de que, ao mesmo tempo que você estuda, você faz história: a do mundo e a sua própria. E esta última lição poucas pessoas levam realmente a sério.

Os três professores
Trailer
ÍTALO DAMASCENO é advogado; acha que a melhor formação do grupo É o Tchan era Carla Perez, Sheila Carvalho e Jacaré; e, semana passada, se sentia um pé de umbu, mas essa semana se sente uma cerejeira, bem florida.
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