
Por Élio Farias/ Equipe Homorrealidade
O que os LGBTs têm em comum? Claro que não é a orientação sexual, pois essas são diferentes. Também não é a identidade de gênero, porque também são variadas. Não é a cultura, não é o gosto musical, nem o jeito de vestir ou a forma de falar. Qualquer um pode notar que existem lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais completamente diferentes uns dos outros. O que há de comum então? Ora, nem precisa pensar duas vezes. O que possuem em comum é o preconceito que enfrentam por terem uma sexualidade diferente da maioria. E na semana que passou, não foi difícil perceber as possíveis e infelizes conseqüências desse mesmo traço.
(1) Agressão física: Avenida Paulista é palco de mais um ataque
Durante a semana, vários veículos repercutiram a nova agressão contra homossexuais na região da avenida paulista. Um casal de gays foi violentado por homens no sábado (1), logo depois de deixaram um bar na rua Bela Cintra. As imagens das câmeras de segurança de um posto de combustíveis apontaram um dos suspeitos. Segmentos sociais, como a OAB de São Paulo, condenaram o ataque. O casal registrou boletim de ocorrência e espera a apuração do caso. Um deles teve a perna quebrada e o outro, que chegou a pensar que o companheiro poderia ser morto, também sofreu lesões. Mesmo que os casos de homofobia pareçam mais divulgados, resta saber se a nova ocorrência terá a devida apuração.
(2) Assassinato: gay morre agredido com uma panela de pressão
Bebida alcoólica, flerte com desconhecidos e preconceito homofóbico foram ingredientes de uma morte patética no último domingo (2). Um carnavalesco, homossexual e que residia na cidade do Paranoá (DF) foi morto na sua própria casa a paneladas. A vítima conheceu o agressor num bar e o convidou para continuarem bebendo em sua casa. Lá ele foi morto com uma sequência de golpes feitos com uma panela de pressão. O suspeito disse ter sido assediado sexualmente pela vítima e, por isso, começou a agredi-lo. O agressor vai responder por homicídio qualificado e pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.
(3) Intimidação: ator acusa mídia de induzir astros ao armário
Não é de hoje que muitos artistas supostamente gays são acusados de esconderem sua sexualidade em público. Mas o ator escocês Alan Cumming (X-Men 2), que é homossexual e se casou com seu companheiro no ano passado, apresentou uma teoria diferente para o caso essa semana. Ele acredita que a revelação é evitada não por medo da reação negativa do público, mas pela postura costumeira da mídia que tenta transformar a homossexualidade em polêmica e rotular os assumidos. A opinião foi dada em entrevista à BBC e não deixa de ter fundamento.
(4) Rejeição: Lea T. evidencia o lado cruel da vida transexual
No último domingo (2) foi ao ar a esperada entrevista da modelo Lea T. a Marília Gabriela no SBT. A transexual reafirmou a difícil rotina das transexuais que, diferente dela, não conseguem oportunidades dignas de trabalho e que, como ela, não costumam ter relacionamentos estáveis. A modelo também deixou claro que o processo de transformação corporal, embora almejado, envolve muitos sacrifícios e efeitos também negativos. Exemplo desse desejo é o caso do ator e transexual Leo Moreira Sá, que terá num espetáculo teatral a oportunidade de realizar uma cirurgia de retirada de mama. A peça "Cabaret Stravaganza" em São Paulo criou um programa de financiamento colaborativo via internet, por onde o público pode fazer doações e viabilizar a operação.
(5) Segregação: Esporte e residencial exclusivo para gays
Em alguns países, muitos homossexuais preferem viver em guetos para não sofrerem preconceito e terem maior liberdade. Como resultado, vemos algumas culturas de segregação se multiplicando por iniciativa dos próprios homossexuais. Um exemplo é a Superliga Gay de Vôlei, que iniciou sua 20ª edição na cidade de Manaus, com final prevista para novembro. Outro caso foi a construção e o lançamento de um residencial exclusivo para idosos gays, o GayLife, na cidade de Málaga, na Espanha. Resta saber se essas iniciativas surgiram por conta de um preconceito ainda existente, por uma forma de protesto ou se são meros condicionamentos de quem já poderia conviver de forma saudável com outros não-homossexuais.
(6) Discriminação: Minas lança frente em defesa dos LGBTs
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais criou na quinta (6) a Frente Parlamentar pela Cidadania e pelos Direitos LGBT. A proposta é abrir espaço para o debate sobre direitos de homossexuais no estado. No entanto, o projeto foi aprovado com a assinatura de apenas 21 dos 77 parlamentares da Casa. Pelo visto a frente precisará começar seu trabalho pela conscientização dos próprios parlamentares da casa. Na cerimônia de lançamento da frente, apenas dois deles compareceram.
(7) Rotulação: estatísticas aproximam gays e HIV mais uma vez
O novo boletim do Ministério da Saúde, que mapeia os casos de contaminação pelo vírus HIV, revelou que o registro de casos entre gays de 13 a 24 anos bateu recorde. No último ano, somou 35,1% do total de infecções masculinas na faixa etária, a maior taxa desde o início da epidemia, em 1980. No entanto, um dos principais infectologistas do país afirmou que não há orientação sexual de risco e sim comportamento perigoso para a AIDS, muito influenciado pelo não uso de preservativo e abuso de álcool. Ou seja, o contágio não se deve ao fato de serem gays, mas por muitos terem reduzido o uso da camisinha.
(8) Luta e vitória: Mudanças no passaporte
Para não fechar nosso mosaico com uma coleção de casos negativos, vamos também pontuar uma das conquistas divulgadas na semana em favor dos gays... americanos. Nos EUA, os novos passaportes emitidos pelo departamento de estado terão mudanças nos campos da filiação. No lugar dos termos “pai” e “mãe”, o documento passa a adotar os termos “filiação 1” e “filiação 2”. A proposta é reconhecer os novos tipos de família que não se enquadram no padrão hétero. Na Austrália, outro exemplo, o passaporte também passou a contar com um novo campo para identificação dos transexuais, além dos padrões de gênero “masculino” ou “feminino”. Enfim, bons exemplos para os países que ainda não se adequaram aos novos conceitos da diversidade.
Por hoje é isso. Semana que vem voltamos com mais um Mosaico!
O que os LGBTs têm em comum? Claro que não é a orientação sexual, pois essas são diferentes. Também não é a identidade de gênero, porque também são variadas. Não é a cultura, não é o gosto musical, nem o jeito de vestir ou a forma de falar. Qualquer um pode notar que existem lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais completamente diferentes uns dos outros. O que há de comum então? Ora, nem precisa pensar duas vezes. O que possuem em comum é o preconceito que enfrentam por terem uma sexualidade diferente da maioria. E na semana que passou, não foi difícil perceber as possíveis e infelizes conseqüências desse mesmo traço.
(1) Agressão física: Avenida Paulista é palco de mais um ataque
Durante a semana, vários veículos repercutiram a nova agressão contra homossexuais na região da avenida paulista. Um casal de gays foi violentado por homens no sábado (1), logo depois de deixaram um bar na rua Bela Cintra. As imagens das câmeras de segurança de um posto de combustíveis apontaram um dos suspeitos. Segmentos sociais, como a OAB de São Paulo, condenaram o ataque. O casal registrou boletim de ocorrência e espera a apuração do caso. Um deles teve a perna quebrada e o outro, que chegou a pensar que o companheiro poderia ser morto, também sofreu lesões. Mesmo que os casos de homofobia pareçam mais divulgados, resta saber se a nova ocorrência terá a devida apuração.
(2) Assassinato: gay morre agredido com uma panela de pressão
Bebida alcoólica, flerte com desconhecidos e preconceito homofóbico foram ingredientes de uma morte patética no último domingo (2). Um carnavalesco, homossexual e que residia na cidade do Paranoá (DF) foi morto na sua própria casa a paneladas. A vítima conheceu o agressor num bar e o convidou para continuarem bebendo em sua casa. Lá ele foi morto com uma sequência de golpes feitos com uma panela de pressão. O suspeito disse ter sido assediado sexualmente pela vítima e, por isso, começou a agredi-lo. O agressor vai responder por homicídio qualificado e pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.
(3) Intimidação: ator acusa mídia de induzir astros ao armário
Não é de hoje que muitos artistas supostamente gays são acusados de esconderem sua sexualidade em público. Mas o ator escocês Alan Cumming (X-Men 2), que é homossexual e se casou com seu companheiro no ano passado, apresentou uma teoria diferente para o caso essa semana. Ele acredita que a revelação é evitada não por medo da reação negativa do público, mas pela postura costumeira da mídia que tenta transformar a homossexualidade em polêmica e rotular os assumidos. A opinião foi dada em entrevista à BBC e não deixa de ter fundamento.
(4) Rejeição: Lea T. evidencia o lado cruel da vida transexual
No último domingo (2) foi ao ar a esperada entrevista da modelo Lea T. a Marília Gabriela no SBT. A transexual reafirmou a difícil rotina das transexuais que, diferente dela, não conseguem oportunidades dignas de trabalho e que, como ela, não costumam ter relacionamentos estáveis. A modelo também deixou claro que o processo de transformação corporal, embora almejado, envolve muitos sacrifícios e efeitos também negativos. Exemplo desse desejo é o caso do ator e transexual Leo Moreira Sá, que terá num espetáculo teatral a oportunidade de realizar uma cirurgia de retirada de mama. A peça "Cabaret Stravaganza" em São Paulo criou um programa de financiamento colaborativo via internet, por onde o público pode fazer doações e viabilizar a operação.
(5) Segregação: Esporte e residencial exclusivo para gays
Em alguns países, muitos homossexuais preferem viver em guetos para não sofrerem preconceito e terem maior liberdade. Como resultado, vemos algumas culturas de segregação se multiplicando por iniciativa dos próprios homossexuais. Um exemplo é a Superliga Gay de Vôlei, que iniciou sua 20ª edição na cidade de Manaus, com final prevista para novembro. Outro caso foi a construção e o lançamento de um residencial exclusivo para idosos gays, o GayLife, na cidade de Málaga, na Espanha. Resta saber se essas iniciativas surgiram por conta de um preconceito ainda existente, por uma forma de protesto ou se são meros condicionamentos de quem já poderia conviver de forma saudável com outros não-homossexuais.
(6) Discriminação: Minas lança frente em defesa dos LGBTs
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais criou na quinta (6) a Frente Parlamentar pela Cidadania e pelos Direitos LGBT. A proposta é abrir espaço para o debate sobre direitos de homossexuais no estado. No entanto, o projeto foi aprovado com a assinatura de apenas 21 dos 77 parlamentares da Casa. Pelo visto a frente precisará começar seu trabalho pela conscientização dos próprios parlamentares da casa. Na cerimônia de lançamento da frente, apenas dois deles compareceram.
(7) Rotulação: estatísticas aproximam gays e HIV mais uma vez
O novo boletim do Ministério da Saúde, que mapeia os casos de contaminação pelo vírus HIV, revelou que o registro de casos entre gays de 13 a 24 anos bateu recorde. No último ano, somou 35,1% do total de infecções masculinas na faixa etária, a maior taxa desde o início da epidemia, em 1980. No entanto, um dos principais infectologistas do país afirmou que não há orientação sexual de risco e sim comportamento perigoso para a AIDS, muito influenciado pelo não uso de preservativo e abuso de álcool. Ou seja, o contágio não se deve ao fato de serem gays, mas por muitos terem reduzido o uso da camisinha.
(8) Luta e vitória: Mudanças no passaporte
Para não fechar nosso mosaico com uma coleção de casos negativos, vamos também pontuar uma das conquistas divulgadas na semana em favor dos gays... americanos. Nos EUA, os novos passaportes emitidos pelo departamento de estado terão mudanças nos campos da filiação. No lugar dos termos “pai” e “mãe”, o documento passa a adotar os termos “filiação 1” e “filiação 2”. A proposta é reconhecer os novos tipos de família que não se enquadram no padrão hétero. Na Austrália, outro exemplo, o passaporte também passou a contar com um novo campo para identificação dos transexuais, além dos padrões de gênero “masculino” ou “feminino”. Enfim, bons exemplos para os países que ainda não se adequaram aos novos conceitos da diversidade.
Por hoje é isso. Semana que vem voltamos com mais um Mosaico!
Um comentário:
mais uma semana de tristes historias... eh triste a realidade
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