28/02/11

Entrevista de Jean Wyllys para a Revista Veja: “Clodovil tinha homofobia internalizada”

Entrevista para a Veja (28-02-2011) - Reportagem de Gabriel Castro

Jornalista, professor e ganhador do BBB, deputado do PSOL defende casamento gay e critica “fundamentalismo” cristão no Congresso

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) é uma figura peculiar no Congresso. Primeiro, por ser o único homossexual assumido entre os 594 parlamentares. Segundo, por ser um dos três integrantes da minúscula bancada do estridente PSOL. Terceiro: como ex-participante do Big Brother Brasil, programa do qual foi vencedor em 2005, é um integrante da chamada “bancada dos famosos”, embora se sinta desconfortável com o rótulo. Na semana passada, em seu primeiro discurso na Câmara, levantou uma bandeira polêmica: a institucionalização do casamento gay – e não só da união civil, ele ressalta – na Consituição Federal. Wyllys conversou com o site de VEJA.

Em discurso, o senhor prometeu trabalhar para aprovar uma proposta de emenda à Constituição que institucionalize o casamento gay. Será sua principal bandeira?

Pretendo ter uma atuação ampla na defesa dos direitos humanos e sociais. Antes de ser deputado, sempre fui ligado ao movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis). Tenho que prosseguir e atender às demandas desse grupo. E a PEC do casamento civil é uma demanda do movimento há muito tempo. Este é o primeiro projeto na área de direitos humanos e de minorias que eu proponho.

Já há um projeto no Senado tratando da união civil. A proposta do senhor é diferente?

Tem diferença, sim. Os heterossexuais podem optar pelo casamento ou pela união estável. Os homossexuais não podem optar por nada porque eles não têm direito a nada. O Judiciário está em vias de fazer valer a união estável para todo o Brasil, mas os gays precisam recorrer à Justiça para ter o direito a isso. Estou propondo uma coisa diferente: uma alteração na Constituição que passa a estender o direito do casamento civil ao conjunto da população. Se o estado é laico, se os homossexuais têm todos os deveres civis, ele tem que ter todos os direitos civis. Eu faço questão de falar em casamento civil entre homossexuais. A simples expressão “casamento gay” gera um equívoco na cabeça das pessoas, a ideia de que está se pleiteando o casamento nas igrejas cristãs. Não é isso. É o casamento civil.

O senhor tachou a maior parte dos deputados de “fundamentalistas cristãos”. Não teme criar uma animosidade com um grupo influente?

Não marquei posição de maneira a criar animosidades. Mas o que obstrui a extensão da cidadania a grupos minoritários no Brasil é uma interpretação equivocada dos parlamentares fundamentalistas. E eu faço uma distinção: existem parlamentares cristãos que não são fundamentalistas. Os fundamentalistas são aqueles que nem sequer querem sentar para um debate. Nenhum valor cristão está sendo violado, é uma questão de tratamento civil. Como pedir, hoje, para os negros sentarem nos bancos traseiros dos ônibus. É simples assim. Não estou fazendo uma crítica dos cristãos de uma maneira geral.

Mas há quem argumente que o casamento é uma instituição que nasceu com a religião, e que não pode ser dissociada de sua origem. Uma pessoa que não quer dissociar o casamento civil da relação religiosa é alguém que quer fundar um estado teocrático, que vai contra o princípio republicano: a ideia de que estado e igreja vivem separados, e de que o estado não tem paixão religiosa nem pode se orientar por princípios de uma religião. Ainda mais num país diverso culturalmente, com a pluralidade religiosa com a nossa. É um absurdo.

O senhor rompeu com a Igreja Católica por causa da homossexualidade?

Eu me engajei muito cedo no movimento pastoral da Igreja Católica. A teologia da Libertação é muito forte, especialmente nos bolsões de pobreza. Muito cedo, eu me engajei na fé católica e no movimento pastoral. Era uma igreja muito mais comprometida com a questão social, entendia que a gente precisava construir aqui o reino dos céus. Mas chegou um momento em que, do ponto de vista pessoal, o Cristianismo já não me dava mais as respostas que eu queria. Na medida em que o papa insiste numa demonização da homossexualidade, não me cabia mais seguir. E aí me abri para as regiões afro-brasileiras. Estudei isso, sou professor de cultura brasileira. E hoje eu posso dizer que sou um simpatizante dessas religiões.

O senhor disse ser o primeiro homossexual militante e “sem homofobia internalizada” a chegar ao Congresso. Foi uma referência direta ao ex-deputado Clodovil?

O Clodovil nunca teve um engajamento gay. Ele acabou fazendo um ativismo involuntário, porque era homossexual assumido e estava na TV. Ele era adorado pelas senhoras que votaram nele, pelas donas de casa. Se o Clodovil se levantasse como um ativista, não seria adorado pelas senhoras. O Clodovil tinha homofobia internalizada. Ia a público se colocar contra as bandeiras do movimento. Não foi uma nem duas vezes que ele deu declarações à imprensa contra o casamento gay. Fazia até deboche disso. “Detonou” a parada do orgulho gay, quando foi perguntado. Embora fosse homossexual assumido, ele não levou essa discussão para o Congresso Nacional. Eu tinha até uma relação pessoal com ele, era um cara que me respeitava bastante, mas a verdade é que ele não carregava nem defendia essas bandeiras.

Em seu discurso, o senhor lembrou fases da sua vida, mas não fez referência ao Big Brother Brasil. Como vê a participação no progama?

Minha participação no Big Brother tem uma grande relevância na minha vida e na vida de muita gente, levou para a sala de estar um debate que ninguém tinha travado, sobre a representação da homossexualidade na TV. Entrei não em busca de fama imediata ou efêmera na carreira artística, entrei em busca de um objeto de estudo e porque queria estudar o reality show – é meu objeto de doutorado. De bônus, veio o impacto político. Em todos os lugares em que eu vou as pessoas falam da importância da participação, de ampliar o leque de representação da homossexualidade. Tenho o maior orgulho de ter feito aquele programa, mas não fiz uso disso na minha campanha. A candidatura aconteceu seis anos depois da minha participação, depois de uma ausência voluntária minha do show business. Não tem porque agora eu ficar ressuscitando isso em cada entrevista que dou. O Big Brother é uma obsessão de vocês, jornalistas. Qual é a relevância disso hoje, ainda mais nesse outro espaço que eu ocupo?

Ser colocado na lista dos famosos da Câmara, junto com deputados como Romário e Tiririca, é um incômodo?

Não me sinto incomodado, só acho que não há termos de comparação entre a gente, a não ser por essa coisa sem consistência da fama. Fora isso não, existe coincidência entre nossa história de vida, nossas propostas, nossas campanhas, nossos partidos. Não há qualquer termo de comparação. Acho legítimo que os dois estejam lá. A Constituição garante o direito de se candidatar para representar os interesses do povo brasileiro. Acho lamentável que a imprensa fique dando atenção demasiada e jocosa aos nossos mandatos e esqueça de vigiar os outros deputados. Não somos nós que vamos fazer negociatas. Não fomos nós que fomos eleitos pela força da grana, pela compra de votos.

União estável dos homossexuais foi tema de debate na Globo News

Na última quarta (23), especialistas debateram a possibilidade do reconhecimento da união de pessoas do mesmo sexo como união estável. O programa foi motivado pela notícia de que, no mesmo dia, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisaria um caso de partilha de bens de um casal homossexual no Rio Grande do Sul.



Dos seis ministros do STJ que votaram na quarta-feira (23) sobre o tema, quatro foram favoráveis e dois contra. A votação foi interrompida pelo ministro Raul Araújo, que pediu vistas do processo que analisa o caso. Restam ainda três votos de ministros. Basta mais um voto a favor e a união estável para homossexuais vira jurisprudência no Brasil.O presidente do STJ só vota se houver empate. Não há data para o prosseguimento da apreciação do caso.

"Programa da Silvetty": Ioio Vieira de Carvalho fala de carnaval, samba, suor e cerveja

Visto em A CAPA

Nesse programa Silvetty Montilla já está em ritmo de Carnaval e recebe a ilustre Ioio Vieira de Carvalho, uma mulher do povo, do samba, suor e cerveja.

Ioio fala sobre as três escolas nas quais vai desfilar em São Paulo, além do Baile da Diversidade e outros fervos carnavalescos. Silvetty aproveita para avisar por onde andará durante a Folia de Momo, e convida o público para encontrá-la.

Confira a entrevista completa a seguir:


Blue Space SP completa 15 anos e quer se renovar cada vez mais

Por Hélio Filho para o Mix Brasil

Quando abriu a Blue Space em São Paulo, o empresário Vitor Sofredini acreditava que sua casa duraria no máximo três anos, mas ele viu esse prazo ser multiplicado por cinco e agora prepara seu mundo azul para o aniversário de debutante – que, claro, vai contar com o nonsense, logo hilário, futebol das drags. Ícone máximo dos shows transformistas, a Blue pode ser chamada de exceção em um ramo de negócios tão efêmero quanto a diversão que proporciona.

O dono da casa azul de esquina mais famosa da noite paulistana, que chegou a ter outra iniciativa gay – sem sucesso – antes da Blue, credita o sucesso ao investimento constante em melhoria da infra-estrutura, ao esmero com cada detalhe dos shows de drag e à atenção constante ao som que está tocando na pista. “Penso em todos os segmentos, afinal o show é 40 minutos, e as pessoas ficam na casa cinco, seis horas.”

Na entrevista a seguir, Vitor relembra os melhores momentos desses 15 anos de história e mostra sob qual ritmo dançam os pelo menos 17 profissionais responsáveis por colocar a casa em funcionamento todo sábado e domingo – o dia mais famoso. Confira o bate-papo que a gente teve com ele em seu escritório na casa azul em uma chuvosa tarde paulistana. No álbum, momentos marcantes dessa trajetória:

Aniversário da Blue é sinônimo de futebol das drags, que dia vai rolar neste ano?

Este ano o aniversário vai ser depois do Carnaval, que é no começo de março. Nunca cai em março, mas neste ano caiu. Vamos fazer o aniversário nos dias 19 e 20 de março, sábado e domingo. Vai ter o futebol no domingo à tarde. A gente já realiza isso há 15 anos, desde o primeiro ano a gente faz o futebol.

Como era aqui há 15 anos? Por que você decidiu abrir a Blue neste endereço?

Na verdade já tinha uma boate gay aqui que chamava Anjo Azul. Fechou, não rolou. Tinha clube nos Jardins, você ia lá no Massivo por exemplo, não tinha estacionamento. Então você acabava achando um lugarzinho na rua, pagava trinta reais pro cara cuidar do seu carro, e ele nem cuidava. Então muita gente deixava de ir pra boate, porque naquele tempo não era chamado de balada. Aqui era bom, tinha estacionamento para mil carros na rua.

A Anjo Azul chegou a fechar e você abriu ou continuou as atividades dela?

Fechou e já estava há um tempo fechada, não lembro quantos meses. Então o povo tinha até esquecido, nem chegava a lembrar muito. O forte da Anjo Azul era no domingo, por isso que eu comecei no domingo também. Falei: vou dar uma continuidade no trabalho, só que sempre visando essa linha de shows. Eu sempre gostei muito de shows, e na época que eu abri a Blue São Paulo estava muito carente de shows, não tinha mais nada na verdade. Desde o primeiro domingo eu comecei já com balé, com bastante humor, que eu sei que o público gosta. Fazendo uma coisa um pouco diferente.

Você sempre acreditou no potencial do show de drag, na coisa teatral em cima do palco mesmo em uma época na contramão.

Sabe o que acontece? Alguém tem que manter a tradição. O show de drag é uma cultura quer não pode parar. Hoje é drag, antigamente era transformista, hoje tudo é drag, até as humoristas. Não pode parar essa cultura, é uma coisa forte, bonita nossa, tanto que eu nunca parei. Mesmo nos momentos em que ouvia coisas como que eu era retrógrado, que estava investindo em shows quando ninguém mais fazia isso.

Mas se você investe é porque tem uma demanda do público, não é?

Sim, tem um público que consome esse tipo de espetáculo. Tem quem gosta e tem quem não gosta, essa é a verdade. A Blue é uma opção de onde vai ter esse show. Mas ao mesmo tempo a gente não descuida do som, temos grandes DJs como o Robson Mouse, o Hebert Ton e o Breno Barreto. Não descuidamos da pista, da qualidade do som. Eu reputo como um dos melhores sons de São Paulo. Na iluminação nós temos um show room. Tem um painel de led de alta definição na cabine que poucos clubes em São Paulo têm, não penso só no show. Penso em todos os segmentos, afinal o show é 40 minutos, e as pessoas ficam na casa cinco, seis horas.

E você levou isso para Brasília agora também.

Vou contar a verdade. A gente tentou levar show pra lá no começo, mas quem conseguiu levar mesmo foi nossa parceria de sexta-feira com a Let’s Club. A gente tentou e não deu certo. As pessoas não responderam como a gente esperava. Então você tem que fazer o quê o público gosta. Aí começamos a fazer essa festa de sexta com show e deu certo. A gente tem que dar os méritos para quem merece. Alguns shows vão daqui prontos, outros são produzidos lá. 99% das drags que vão são daqui. Eles são muito competentes, fazem uma festa temática toda sexta-feira, decoram a boate toda.

A Blue tem um elenco cheio de estrelas drag queens. Elas estão aqui há muito tempo. Como é essa relação?

Vira uma família. Para você ter uma ideia, a mais nova que tem na casa é a Striperella, que está aqui há mais de três anos. É difícil eu dizer por que elas ficam. A gente procura fazer daqui um bom lugar para trabalhar. Acho que elas se sentem valorizadas. Porque você não joga um artista no palco sozinho e fala ‘bate cabelo e se vira, viado’. Não, a gente dá todo o apoio, a estrutura. Tem um palco que gira, um elevador que sobe, um que desce, painel de led. Tem equipe de produção atrás, tem balé, tem figurino. Isso valoriza o trabalho delas.

São quantas pessoas para fazer palco girar, bicha subir, luz acender?

A Blue é uma família, mas também é uma empresa. Então a gente tem uma equipe de funcionários registrados, com plano de saúde, tudo direitinho dentro da lei. Eu tenho uma pessoa que faz toda essa engenharia de palco, faz girar tudo. Tem o decorador, que é o Alex, que é gerente da casa também. E tem uma equipe que entre coreógrafos, pessoas que montam a parte técnica, deve ter mais de 17 pessoas no total. Só na parte técnica dos shows são seis pessoas. Tem ainda pessoas que filmam, que ficam na cabine... Tem empregos diretos e indiretos, bastante gente sobrevive do trabalho aqui da Blue Space.

E tem também essa característica de muito tempo com todos os funcionários?

Sim, até mesmo nessa coisa de compras, de gráfica, a gente tenta fidelizar. Porque suponhamos que o cara vem me entregar a bebida e naquela semana eu não tenho como pagar, nunca aconteceu, mas se um dia acontecer eu tenho certeza de que ele deixa a bebida e vem receber depois. Ele me conhece, eu compro dele há mais de dez anos. Se eu precisar da gráfica com urgência eu tenho certeza de que vão me entregar. Fidelizar é muito bom.

Isso é muito difícil no mundo da noite onde boate abre e fecha em dois segundos.

Mas eu acho que hoje os clubes estão mais estáveis. Nós temos 15 anos, a The Week acho que vai fazer sete, no centro a Danger já tem cinco, seis anos. A Cantho fez três anos. Você vê que os clubes com estrutura vieram e ficaram. Tem que investir. O que não dura muito são aqueles clubinhos de moda. É moda por três meses só. O público que vai em casa que é moda troca de lugar quando surge outro lugar da moda. Acho que tem mais profissionalismo hoje em dia. Cada um no seu segmento está fazendo muito bem, porque o público gay é muito exigente, não aceita mais ter um sonzinho de garagem.

Por isso tem que ter palco que gira, bicha que sobe... Já aconteceu algum bafo nessa engrenagem?

Já. O palco uma vez parou. Uma das coisas mais legais que aconteceu aqui foi uma vez que a Talessa Top foi fazer um show e era uma música da Marisa Monte. Na época era MD, e o MD é uma fita cassete melhorada. Então parou no meio do show. O pessoal continuou cantando e ela fazendo o número até o final com o balé, isso foi lindo. Já parou o palco no meio, foi uma semana depois da estreia. É mecânico, pode falhar. A cortina uma vez estava subindo e parou na metade. Nós corremos e arrancamos a cortina fora porque o show tem que continuar. O elevador que vem do chão já parou na metade também, o pior é que foi no primeiro número. É mecânico, ao vivo!

Tem uma história bem conhecida de quando a Márcia Pantera sofreu um acidente, se mobilizaram pela recuperação dela...

Aí já não foi tão engraçado. Essa mobilização foi uma idiotice que um fulano fez pra prejudicar a gente. Aconteceu um acidente com ela. A gente tinha um balancinho que descia do camarote e ela sentou e na hora de mexer a engrenagem ela enrolou o braço no cabo, e não segurou na barra de ferro. A mão dela prendeu na engrenagem. Não conseguia parar aquilo, aí o cabo de aço subiu e a mão dela ficou dentro da roldana. Demorou até a gente perceber o que estava acontecendo com a música alta, o povo gritando. Aí imediatamente ela foi pra Santa Casa e nós demos toda a assistência do mundo para ela, não faltou nada para ela. Mas tem pessoas que se aproveitam da situação para prejudicar os outros. Aí resolveram fazer uma festa beneficente para ela – que não precisava. Não foi ninguém na festa. Hoje em dia está tudo bem, ela continua trabalhando aqui, está tudo ótimo. Foi muito chato, muito triste, a gente não culpa ninguém, mas tentaram usar isso para ferrar com a gente, foi uma coisa pessoal. Me deu vontade de largar tudo vendo a maldade de algumas pessoas. Mas aí passou o tempo, ela foi muito bem tratada, não faltou nada para ela. Foi tudo muito bem feito. Aí fizemos uma festa da volta dela, A Volta da Pantera. E a figura que fez todo o alarde estava no camarote.

Tem muito famoso que vem aqui também, não é?

Ah, tem muita gente. Cauã, Grazi, Geisy. Tem gente que vem e não gosta de ser fotografada. Nem sei te dizer quanta gente já veio nesses 15 anos. Tem gente que vem disfarçada, tem gente que vem e a gente acaba nem incomodando. Os que gostam de aparecer a gente brinca no show e tudo. Até mesmo o falecido Clodovil quando veio ficou no camarote quieto, ninguém fez alarde. Ele veio para ver o show. Vem também gente disfarçada, mas não posso falar o nome. Vem com boné, cachecol, gola alta. Uma vez a gente tinha programado para a Thalia Bombinha fazer a Wanessa Camargo, na época ainda era Camargo. Com o bonezinho que ela usava e tal. E foi incrível porque a Wanessa estava aqui, pareceu combinado, e não foi. Ela assistiu e adorou. Acho que nessa época ela nem imaginava ainda em trabalhar com música eletrônica.

Você estava falando de maldade? Como lidar com egos, com o veneno gay?

Olha, veneno é uma coisa que não me atinge porque eu já tomei uma vacina poderosa que é muita oração. Sempre pedindo a Deus para me proteger desses olhos maldosos. O ego aqui a gente tem que administrar, lá fora eu nem saio muito então estou meio imune a isso. Aqui é como administrar um hospício, porque artista tem a sensibilidade à flor da pele, por isso ele é artista. Então você precisa saber entender aquele momento. Tem dia que a pessoa vem aqui e está mais revoltada, às vezes mais feliz. É difícil, mas eu dou um jeito. E trabalha com a gente quem quer, de vez em quando você precisa fazer valer a voz do pai, do patrão, depende do momento, do que está acontecendo. Mas a gente tem umas regras aqui, ninguém fez, mas elas existem implicitamente.

Que tipo? Existe uma guerra de drags?

Aqui não pode ter fofoca, não pode ter briga, todo mundo tem que se respeitar e se ajudar. Então o que é bacana, pelo menos aqui, é que uma drag ajuda a outra a se vestir, coisa que antigamente não existia não. Agora não tem guerra de drag aqui não. Isso foi sendo construído pela nossa maneira de ser, de tratar. Se eu estou te tratando bem, te ajudando, colaborando, por que você vai estragar o nosso ambiente? É cultivar um lado humano, porque eles são humanos. Eu sempre digo que o show de drag sempre dá certo porque eu sou fã dos shows. Eu gosto de show, eu fico na cabine vibrando quando é legal. Às vezes até exagero nos elogios, mas é porque eu gosto.

Mas tem muita gente que gonga, tem preconceito.

Tem muita gente que não dá valor a isso, acha que simplesmente bota peruca, se veste de mulher e vai pro palco. Não é assim. Você imagina que se todo mundo colocasse um salto e uma peruca e fosse pro palco não tinha público. Não é qualquer uma. De vez em quando aparece gente aqui dizendo que é drag, que faz show. Não faz show, não sabe nem dublar direito. Até bater o cabelo é uma arte. A transformação é tão fantástica, é arte pura. Todas elas viajam o Brasil inteiro, elas vão para lugares inusitados como Santarém, Rio Branco, Macapá. É impressionante.

Já teve algum caso muito grave de violência?

Nunca, nunca. Raramente tem, briga, e é daquelas de namorado ciumento. É muito difícil alguém brigar aqui. Não temos histórico de agressão por parte de segurança, por exemplo. Teve um caso muito engraçado que a gente foi na delegacia da qual a gente está subordinado aqui na região e o delegado me pediu para contar onde era essa casa. Ele se perguntava como que tinha uma casa noturna há dez anos na região dele e nunca havia tido uma ocorrência. Eu acho que o gay sai para se divertir, não para brigar.

Vem mais 15 anos por aí?

Se Deus quiser. Enquanto eu aguentar, porque eu não sou mais criança, mas tem quem continue se eu decidir parar. A gente não sabe quanto tempo dura uma boate. Eu abri a Blue Space com a pretensão de ficar três anos, que é o que durava um clube na época, não durava mais do que três, quatro anos. A Gents quando abriu revolucionou, eu achei que iria durar 50 anos. Acho que foram cinco só. A fila anda. É por isso que todo ano a gente gasta uma grana aqui no aniversário mudando a boate toda. A gente só não muda as pessoas. Led novo, pintura nova, tudo novo. Porque eu posso ficar velho, mas a casa não pode. Mudamos o logo, vamos mudar o site. Você tem que modernizar, mas o conceito continua o mesmo. É legal o público saber que a gente investe o dinheiro de volta nele.

Instituições de saúde e de direitos lgbt se unem por dark rooms mais seguros

Visto no Mix Brasil

O Programa Estadual de prevenção às DSTs/AIDS, Casarão Brasil, Câmara de Comércio GLS e Abrat - Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes apresentarão estratégias de prevenção aos responsáveis e representantes de estabelecimentos que possuam dark room na cidade de São Paulo.

O objetivo do encontro também é firmar parcerias para distribuição gratuita de preservativos e lubrificantes.

O encontro acontecerá no dia 1o de março, terça, às 18 horas no Casarão Brasil - Rua Frei Caneca 1057.

Maiores informações no 11 3873.2050

Lésbicas do DF fazem funk divertido e assumidíssimo.

Por Irving Alves para o Mix Brasil

Na última semana o clube paulistano Glória abriu suas portas para um verdadeiro fenômeno da música e da web no Brasil. As brasilienses do Sapabonde foram convidadas para animar a festa OuiOui e mostraram porque vêm fazendo o maior sucesso na web.

Já nos apelidos, elas já mostram que querem mesmo é se divertir. Mary Versátil, Nina Afeta as Mina, Carol Bitch, Holy Maria, Sereia, Tava G, Jubinha e Luara Marola de Fogo ficaram conhecidas depois de postar no Youtube o vídeo de "Eu Goxxto desse baile", brincadeira que acabou dando certo.

Nas letras de funks despretensiosos, compostos muitas vezes em mesas de bar, elas atacam o machismo que domina o gênero musical. Todas bem jovens, as meninas usam muito a web e redes sociais para divulgar seu trabalho. A estratégia está dando certo. O Sapabonde já gravou um EP pelo coletivo "Funk na Caixa", com a participação de grandes DJs. Em março sai o segundo trabalho.

Abaixo você assiste ao vídeo de "Eu Goxxto desse baile":



Parlamentares EVANGELICOS demonstram ODIO e PERSEGUEM explicitamente aos GAYS BRASILEIROS no Congresso Nacional


Por Carlos Alexandre Neves Lima para o Direitos Fundamentais LGBT

O título aparenta ser descomedido, mas para ser realista não é possível sintetizar de outra forma.

Como explicar que apenas parlamentares evangélicos, contando explicitamente com sua bancada de políticos que pertence a frente parlamentar evangélica, persigam os homossexuais no intuito de retirar um direito reconhecido, pelo Poder Executivo, exclusivamente a este segmento da sociedade ?

Numa sociedade justa a perseguição a evangélicos, felizmente, é considerado um crime gravíssimo, mas qual a consequência quando ocorre o contrário e estes que figuram como perseguidores? Nenhuma.

Se a intolerância for contra os homossexuais, não há lei que os impeçam.

Eles estão garantidos por lei que não podem sofrer discriminação, e, por outro lado, estão livres, pela ausência de lei, para perseguirem homossexuais.

Uma coisa é a legítima defesa de seus dogmas religiosos e considerarem pecado a prática homossexual (mediante o seu entendimento bíblico), outra bem diferente é ultrapassarem os muros de suas igrejas, se instalarem no poder público para, tomados pelo poder, se valerem do cargo ocupado para perseguirem explicitamente um segmento da sociedade brasileira que não seguem suas doutrinas religiosas.

A notícia que circula no congresso em foco é que um Deputado Federal da Assembleia de Deus tenta derrubar portaria que permite a homossexuais declararem companheiros como dependentesa, conforme se transcreve:

“Nesta sexta-feira (25), o deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF) entrará em contato com o presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso, deputado João Campos (PSDB-GO). Eles vão discutir medidas para cassar a possibilidade prevista na entrega das declarações de IR, que começa daqui a quatro dias.

Fonseca diz que vai tomar uma das três medidas sugeridas na nota: ajuizar uma ação popular contra a permissão de dedução tributária, apresentar um projeto de decreto legislativo para suspender a medida da Receita ou pedir que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, compareça à Câmara para prestar explicações.

João Campos afirmou que vai conversar antes com o colega para avaliar se a Frente Evangélica vai tomar alguma medida conjunta. Por sua vez, Fonseca tem certeza de que parlamentares evangélicos e até católicos vão apoiar qualquer medida para barrar a inclusão de homossexuais como dependentes nas declarações do Imposto de Renda.”

No dicionário Hoaiss o significado da palavra “perseguição” é a “intolerância contra algum conjunto, organismo ou grupo social”

Pelo que se extrai da notícia acima, o presidente da Frente Parlamentar Evangélica (João Campos do PSDB-GO) se dispôs a discutir com o deputado que integra a referida Frente religiosa (Ronaldo Fonseca do PR-DF) medidas para cassar a possibilidade das declarações em conjunto de IR de casais homossexuais.

Não estamos falando do direito ao livre pensamento e convicções religiosas, nem de uma mera posição contrária aos interesses de gays. Aqui o que se constata é uma ação conjunta, dentro do Congresso Nacional, de um determinado segmento religioso que não se limita a desejar que não sejam conferidos direitos aos cidadãos LGBT, mas que ainda segue no encalço destes para retirar minguado direito, por obvia intolerância, sob pretexto da fundamentos normativos.

Portanto, é exatamente aquela definição do termo “perseguição”. Aparentemente Parlamentares Evangélicos perseguindo Homossexuais e discutindo a possibilidade de todos os demais políticos evangélicos, e até eventuais “católicos” (logo, igualmente religiosos), participarem em conjunto, para o mesmo fim, contra uma minoria social especifica, os homossexuais.

Se a iniciativa da aludida Frente Parlamentar se concretizar não resta outra alternativa senão buscar socorro nos organismos de direitos humanos internacionais e em seus tribunais.

Não dá para ficar de braços cruzados.

Esse fato noticiado revela que não se trata apenas da discussão da legalidade de um direito dos homossexuais. O olho do furacão é algo muito maior e bem mais grave.

Há tempo eles se unem e publicamente atuam de forma frontal contra qualquer direito que favoreça LGBTs. Além da declaração conjunto do Imposto de Renda, também são contra todas as pretensões desta comunidade específica, seja a criminalização da homofobia, adoção, a união estável, o casamento ou qualquer outro direito que não seja a "conversão do gay", e recentemente, apesar de já se dizerem contra, solicitaram em nome da Frente Parlamentar Evangélica kit contra a homofobia do MEC para "avaliar".

Os homossexuais já fizeram parte do grupo de perseguidos no período de Hitler, na Alemanha. Em pleno 2011, num país em manifesto desenvolvimento e cheio de diversidade como o Brasil, se não é crime previsto no Código Penal (porque eles lutam para que não passe o PLC 122 que pretende criminalizar a discriminação aos homossexuais), ao menos a conduta da perseguição ainda é moralmente intolerável, além de ser um crime universal contra os direitos humanos.

O Congresso Nacional é responsável pelos atos e omissões que ocorrem no mesmo. Não pode compactuar com a tergiversação de religiosos travestidos de políticos. Os congressistas têm obrigação de saber que o estado é laico e que, para normas constitucionais e universais, os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e igualdade são prioridades, inclusive, acima de princípios importantíssimos como do livre pensamento e da liberdade religiosa. Estes últimos princípios têm limites, e aqueles, à priori, não.

Fonte: Congresso em Foco

27/02/11

Companheiro de ex-capitão do Exército vai receber pensão



Visto no site do Jornal Hoje

A Justiça determinou o pagamento de uma pensão militar ao companheiro de um ex-capitão do exército. Ele terá direito a um terço do benefício. O restante será dividido entre as duas irmãs do militar.

Foram 35 anos de união. "Nos conhecemos e nunca mais nos separamos. Era um amor verdadeiro", diz José Américo Grippi, aposentado.

O capitão do exército, Darci Teixeira Dutra morreu há 12 anos. Deixou casa, sítio, apartamento e dois carros. Tudo ficou com duas irmãs do capitão.

A primeira luta de José Américo foi pela partilha dos bens. Brigou na Justiça e conseguiu metade do patrimônio do ex-companheiro. Ao Exército, ele fez o pedido da pensão militar, que foi negado. E aí recorreu à justiça outra vez.

José Américo conseguiu o direito à parte da pensão. A Justiça decidiu que ele vai receber um terço do benefício. Segundo o Exército, o primeiro pagamento vai ser feito no começo de março.

A decisão foi comemorada pelo movimento gay. “A gente espera que essa decisão da Justiça sirva, inclusive, de encorajamento ao Congresso Nacional para que a nossa lei de união estável de casamento civil seja finalmente votada", diz Marcos Trajano, presidente do Movimento Gay em Minas Gerais.

“Essa é a mensagem que eu passo para as pessoas que também têm a mesma coragem que eu tive e que vão à luta por seus direitos”, declara o aposentado.

Jean Wyllys reage à ofensiva evangélica contra gays

Para frear contestação de benefício no Imposto de Renda para casais homossexuais, deputado ameaça questionar falta de prestação de contas por parte das igrejas. Ele diz que crítica a portaria da Fazenda “mascara” homofobia

Por Edson Sardinha e Eduardo Militão para o Congresso em Foco

Primeiro gay a se eleger deputado federal defendendo a bandeira dos homossexuais, Jean Wyllys (Psol-RJ) anuncia uma contra-ofensiva à iniciativa de parlamentares evangélicos de tentar derrubar a principal novidade da declaração do Imposto de Renda deste ano: a inclusão de parceiros homossexuais como dependentes para fins de dedução fiscal. O deputado disse que vai discutir esta semana com outras lideranças da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero), ainda em reestruturação, uma maneira de barrar o movimento articulado pelo deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF), que considera o benefício ilegal.

Jean Wyllys afirmou ao Congresso em Foco que pretende utilizar o mesmo argumento “legalista” do colega, que é pastor da Assembléia de Deus, para cobrar que as igrejas, que têm imunidade fiscal, passem a prestar contas à sociedade. “Posso recorrer também à legalidade para exigir do ministro da Fazenda que ele explique por que as igrejas não prestam contas à sociedade. Se os partidos políticos prestam, por que igrejas não?”, questionou.

Pastor da Assembléia de Deus, Ronaldo Fonseca tem em mãos desde a quinta-feira passada um parecer técnico elaborado na Câmara (leia a íntegra) que contesta a concessão dos benefícios aos homossexuais, conforme revelou o Congresso em Foco. O deputado do DF estuda recorrer à Justiça e apresentar um projeto de decreto legislativo para sustar os efeitos da portaria da Fazenda que garantiu o benefício aos homossexuais. Ele também cogita chamar à Câmara o ministro Guido Mantega para dar explicações sobre sua portaria.

Apoiado no parecer, o deputado alega que a medida é inconstitucional, viola o artigo 226 da Constituição e precisaria do aval do Congresso para entrar em vigor. Ronaldo busca apoio da Frente Parlamentar Evangélica, que deve se decidir sobre o assunto nos próximos dias. “Na canetada, eu não vou [aceitar], não. Tem de ter o debate”, disse Ronaldo Fonseca na quinta-feira.

“Motivação homofóbica”

“Ele disse que na canetada, não. Eu digo que no grito da falsa legalidade, nós também não vamos aceitar”, respondeu Jean Wyllys. Para o parlamentar, a ofensiva evangélica sobre o assunto tem motivação homofóbica. “A máscara do discurso deles é da legalidade, mas isso tem uma motivação homofóbica disfarçada”, acusou.

O deputado fluminense ressalta que a portaria que beneficia os homossexuais está amparada em parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda, que está ancorado, por sua vez, no artigo 87 da Constituição, que define os poderes de Estado, e também no artigo 5, que diz que “todos são iguais perante a lei” no Brasil. Para ele, a portaria da Fazenda é legal. “O direito é extensivo aos homossexuais. Em nenhum momento, a lei diz que companheiro ou companheira tem de ser heterossexual. Pode ser tanto homossexual ou heterossexual”, afirmou o deputado.

Jean Wyllys diz que vai tratar do assunto na terça-feira em reunião com a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e na quarta, com a senadora Marta Suplicy (PT-SP), responsáveis pela reativação da frente parlamentar que defende os direitos dos homossexuais. O deputado também rebate o argumento utilizado por Ronaldo Fonseca, sustentado no parecer da Câmara, de que o governo está abrindo precedente a outras categorias ao atender às reivindicações dos homossexuais.

Impacto

Ele conta ainda que pediu um estudo à sua assessoria técnica para levantar de quanto será a renúncia fiscal com a dedução do Imposto de Renda por parceiros do mesmo sexo. “O impacto será muito pequeno. A Receita só vai aceitar a inclusão como dependente de casais reconhecidos pela Justiça, que ainda são muito poucos no Brasil”, afirmou.

O deputado diz que não pretende tratar a bancada evangélica como “inimiga”, mas cobra respeito dos parlamentares religiosos à causa dos direitos humanos e civis e à tolerância de credo. “A liberdade religiosa deles, em geral, só vale para um lado, não pensam em termos de pluralidade. Eles vêm sempre agindo nisso. Com minha presença e por estar trabalhando na frente parlamentar, isso acirra mais os ânimos. Não sou inimigo, nosso espaço é do diálogo. Se eles tiverem projeto de interesse coletivo, vou defender. Mas eles têm de se abrir ao diálogo, e não ficarem presos a dogmas”, declarou.

A nota da Consultoria da Câmara ressalta que o artigo 226 diz que apenas “é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher”. Afirma ainda que a Lei de Responsabilidade Fiscal obriga toda concessão de benefícios fiscais, como a dedução de imposto para os gays, lésbicas e transexuais vir acompanhada de impacto orçamentário e fonte de compensação da receita a ser perdida. De acordo com o estudo, isso não aconteceu.

Nota técnica

A nota alega ainda que a concessão desse benefício aos homossexuais abrirá brecha para outros segmentos da sociedade exigirem novas isenções de imposto. O texto cita como exemplo os irmãos solteiros que moram juntos; os filhos solteiros que permanecem morando com os pais, às vezes adotando filhos; e as pessoas celibatárias que vivem juntas fraternalmente.

A consultoria da Câmara entende que o governo federal foi descuidado ao tentar encaixar os gays nas hipóteses de dedução de imposto. Em nota enviada ao site, a Procuradoria da Fazenda diz ter “plena convicção da constitucionalidade e legalidade de seu parecer”, que embasou a decisão do ministro Guido Mantega.

Haja Paciência: Senador Magno Malta diz que PLC 122 vai legalizar a Pedofilia e o Sadomasoquismo!

O Senador Magno Malta (PR-ES) resolveu seguir os passos do Deputado Bolsonaro (PP-RJ) e usar afirmações pra lá de preconceituosas para combater os projetos que visam garantir, na prática, a igualdade de direitos entre heteros e homossexuais. O alvo agora foi o PLC 122/06, que prevê a criminalização da homofobia e foi desarquivado recentemente pela Senadora Marta Suplicy (PT-SP). O excelentíssimo (hein?) Senador Magno Malta, que integra a auto-denominada Frente da Família, argumentou em entrevista para o Poder Online que a aprovação do projeto implicaria a legalização da pedofilia, do sadomasoquismo e da bestialidade. Vejam o vídeo abaixo.



Pelo visto, o Senador é daqueles que nunca se deu ao trabalho de estudar o que venha a ser orientação sexual ou mesmo sexualidade. Aliás, ele parece ser mais um daqueles que consideram a homossexualidade uma característica potencialmente contagiosa. Afinal, como ela poderia ameaçar a tal família? Só se os heteros, em debandada, resolvessem se tornar gays de uma hora para outra e desistissem de seus casamentos consagrados pela santa, amada e lucrativa igreja. Alguns até fazem isso, mas justamente porque nunca foram heteros. Falta alguém explicar isso para o parlamentar: “Não é opção, Senador, acorda!”

Condicionado pela visão antiquada e estreita de muitos líderes religiosos que o antecederam, o excelentíssimo (sério?) senador apenas reproduz o preconceito e demonstra seu despreparo para lidar com a diversidade sexual ou mesmo discutir o tema com argumentos mais realistas. A propósito, ele parece misturar “interesse público” com “interesse do público”, deixando de considerar as inúmeras mortes e malefícios sociais provocados pela homofobia. Quanto às relações feitas do projeto com atos de pedofilia, sadomasoquismo e bestialidade... bom, isso nem merece comentário. Dá até vergonha considerar!

Direto da Berlinale: Uma análise dos filmes LGBT que se destacaram no Festival de Berlim

Por Suzy Capó* para o site A Capa

Foi preciso o tempo de uma viagem intercontinental para ganhar uma perspectiva sobre esses dez dias de imersão no universo do cinema. Além da emoção estética proporcionada por cada um dos filmes assistidos, um festival internacional permite enxergar como os filmes de temática LGBT se inserem em um contexto maior. Quais são os temas comuns, que tipo de diálogo que se estabelece entre as produções experimentais e de baixo orçamento apresentadas na seção Forum e as grandes produções destacadas na competição?

Os relacionamentos, a necessidade de se conectar com o outro e de fazer dar certo esse encontro foram temas predominantes nos filmes a que assisti, inclusive em produções que não têm nada a ver com minha garimpagem LGBT, como, por exemplo, "The Future", de Miranda July. Tematicamente ele se aproxima de filmes como "The Mountain", de Ole Giaever, ainda que a abordagem formal seja totalmente diferente. Em ambos os filmes casais investem na reconstrução de seus relacionamentos.

A complexidade das relações humanas também é bem explorada tanto no drama adolescente "She Monkeys", de Lisa Aschan, quanto no quase thriller "Looking for Simon", de Jan Krüger. No primeiro, duas adolescentes tentam conciliar suas aspirações com os sentimentos confusos que sentem uma pela outra, enquanto no segundo uma mãe convoca o ex-namorado do filho para tentar descobrir o paradeiro do rapaz desaparecido há alguns dias. Durante a busca, eles acabam descobrindo aspectos desconhecidos de Simon, sugerindo que as pessoas trazem dentro de si um mistério muito maior do que se possa imaginar.

A necessidade de conectar-se com o outro é levada a extremos no primeiro filme polonês sobre o universo emo, "Suicide Room", de Jan Komasa, e no longa-metragem vencedor do Teddy Award, "Absent" (foto), de Marco Berger. Nesse último, um rapaz obcecado pelo professor coloca em risco a carreira do mestre para passar uma noite em sua casa. As consequências são outras, ainda mais extremas.

Já em "Suicide Room", um adolescente riquinho e mimado é tragado para dentro do second life, mais especificamente para um espaço que reúne suicidas, depois de um episódio que pode ser considerando como bullying na escola.

Por falar em bullying, filmes que falam da descoberta da sexualidade e que problematizam a homossexualidade dos personagens ficaram fora da seleção de longas deste ano. Mas questões relacionadas à identidade de gênero foram representadas em "Romeos", de Sabine Bernardi, e "Tomboy", de Celine Sciamma. Nesse último, de longe o filme que mais gostei entre os que concorrreram ao Teddy Award, uma menina aproveita a oportunidade de se "tornar" um garoto, quando sua família se muda para um novo bairro e ela é confundida com um menino por uma garota do prédio.

Além de apresentar um elenco excepcional, o filme da cineasta francesa tem todo um frescor e momentos de absoluto deleite cinematográfico, confirmando Celine Sciamma como um dos maiores talentos surgido nos últimos anos no cinema LGBT. Aliás, ela e Marco Berger, que também é diretor gay assumido e interessado em explorar aspectos da experiência homossexual. Os dois apresentaram em Berlim seus segundos filmes.

Enquanto Berger e Sciamma se destacaram por apresentarem propostas estéticas cheias de personalidade, o mesmo não pode se dizer dos documentaristas desta edição. Com exceção de Marie Loisier, que dirigiu o premiado "The Ballad of Genesis e Lady Jaye", Thunska Pansittivorakul, diretor de "The Terrorists" e de Tomer Heymann, com "The Queen has no Crown", pouco se ousou no campo do documentário. O que se viu foi uma sucessão de retratos de personalidades fascinantes, como por exemplo Bruce LaBruce, em formatos que cabem na tela de televisão.

Os curtas-metragens elegíveis ao Teddy Award também não entusiasmaram muito, tanto é que o júri resolveu dar o prêmio a dois filmes de Barbara Hammer, indicando que gostaria talvez de ter visto propostas mais inovadoras, perfeitamente possíveis no formato. Eu, particularmente, gostei bastante da maioria, e especialmente do fato de haver dois filmes chilenos concorrendo, muito bons por sinal.

De uma forma geral, a seleção deste ano foi morna. Olhando em retrospectiva, nenhum desses filmes viajou comigo de volta ao Brasil. É uma pena, pois frequento a Berlinale desde 2004 e nunca vi tanto destaque na mídia para a produção de cinema LGBT, em função dos 25 anos do Teddy Award. Por outro lado, o destaque alcançado por diretores jovens como Celine Sciamma e Marco Berger sugerem um futuro promissor para a representação queer no cinema.

* Suzy Capó é presidente da Festival Filmes, primeira distribuidora de filmes de temática LGBT no Brasil.

Livro britânico diz que Jesus pode curar homossexualidade

Por Irving Alves para o Mix Brasil

Um novo livro britânico é o mais novo inimigo da militância. E é fácil entender o porquê. Em "Where Is Your Brother" (Onde está seu irmão?"), a autora canadense Marion Heath conta uma história fictícia em que a religião faz com que um jovem hétero que virou gay volte a ser hétero novamente.

Confira a sinopse, que classifica o livro como uma "história poderosa envolvendo esportes de aventura, compaixão e redenção": "Ryan e seu amigo Tony, que gostam de canoagem, fizeram algumas escolhas erradas. Ryan vai morar junto com Tony, deixando sua esposa Janet e seus dois filhos adolescentes. Entretanto, a força interior de Janet impressiona Tony, que é levado a uma experiência dramática sobre a realidade e poder de Jesus. Sua vida se transforma e ganha novo significado".

Pois é, na trama o poder de Jesus é tão grande que faz com que um dos protagonistas "abandone a homossexualidade". A editora que topou publicar o livro, a Crossbridge Books é, obviamente, cristã. Sua diretora, Eileen Mohr, disse que pretende fazer um grande lançamento para a obra, por conta da "natureza da história".

"Esperamos que seja controverso, já que [o livro] afirma que Jesus pode curar homossexuais. E nós estamos prontos para a polêmica. Apesar de acreditarmos que algumas pessoas nascem com tendências homossexuais, muitos adolescentes são levados ao erro por toda a moda na mídia sobre homossexualidade", opinou Mohr.

A Fundação Gay e Lésbica, entidade do Reino Unido, se manifestou sobre o assunto, dizendo que o livro reforça o mito de que gays podem ser curados. "Esse tipo de terapia de conversão foi descreditada pela Associação Britânica de Conselheiros e Psicoterapeutas. O próximo livro da Sra. Heath poderia destacar que orientação sexual e religião não precisam ser sempre conflitantes. Muitos LGBT felizmente reconciliaram orientação sexual com sua fé, e não sentem que precisam ser curados", afirmou a organização por meio de um porta-voz.

Mapeamento cultural LGBT é destaque no Canal Futura

Por Hélio Filho para o Mix Brasil

O Canal Futura destacou na última segunda-feira, 21/02, em seu programa Conexão Futura o mapeamento cultural LGBT que está sendo realizado desde o começo deste mês vai passar por todo o Brasil. No estúdio, o coordenador da iniciativa, Sandro K, do grupo gaúcho Somos – Saúde, Comunicação e Sexualidade, contou mais sobre o quê vem por aí com a pesquisa, que resultará em um catálogo de cultura LGBT do Ministério da Cultura. Confira:



26/02/11

Autoridades e indústria pornô travam "guerra de camisinhas"

Por FERNANDA EZABELLA DE LOS ANGELES para a Folha.com

A indústria de filmes pornográficos nos EUA também vive seus dias de remakes e sequências. Mas as histórias não se repetem só nas telas e sim na vida real.

É a "guerra das camisinhas" travada entre os estúdios e as autoridades da Califórnia, que acaba de ganhar mais um capítulo.

A Procuradoria Geral de Los Angeles tem até meados de março para entregar um relatório sobre as estratégias e opções que a cidade tem para tornar obrigatório o uso de preservativos em todos os filmes produzidos na região.

Por ano, o mercado de cinema pornô movimenta mais de US$ 10 bilhões no sul da Califórnia e produz cerca de 10 mil filmes, com 1.200 atores em 200 produtoras.

No final de 2010, o ator Derrick Burts, 24, que trabalhava em filmes gays e heterossexuais, confirmou o teste positivo para HIV. A notícia interrompeu a produção de filmes, fechou a clínica responsável por testar os profissionais e trouxe de volta a discussão das camisinhas.

O mesmo aconteceu em 2009. Surto maior surgiu em 2004, quando cinco atores contraíram o vírus após rodarem cenas com o ator Darren James, que, por sua vez, pegou a doença provavelmente em filmagens de uma empresa americana no Rio.

"Gente que produz pornô e faz muita grana não quer mexer nos seus lucros", disse à Folha o vereador Bill Rosendahl, responsável pelo pedido do relatório aos procuradores da cidade.

"Mas eu me preocupo com a segurança dos artistas e da mensagem e imagem que eles passam para as pessoas que assistem aos pornôs."
Rosendahl, 65, é gay e perdeu um parceiro nos anos 80 por causa da Aids. Ele afirma que o lobby da indústria é forte em Sacramento, capital, o que dificulta o cumprimento de uma lei estadual de 2004 que já prevê o uso de preservativos nos sets.

Mas ele afirma que não vai desistir de criar regras mais rígidas em Los Angeles, onde estão concentrados os estúdios, na região de San Fernando Valley, com a ajuda da ONG Aids Healthcare Foundation, que tem cooptado ex-atores pornôs infectados para fazer campanha.

TESTE GRATUITO

Neste mês, 50 membros do grupo fizeram piquete na entrada de um grande evento que premia os filmes pornôs, em Hollywood. Distribuíram camisinhas e realizaram testes gratuitos de HIV em laboratórios instalados em vans.

"Anos atrás eu tentei fazer todo mundo usar camisinhas. Várias produtoras toparam, mas as vendas caíram drasticamente. Uma mudança seria difícil", disse um agente de atores pornôs ao "The New York Times".

Com a crise de 2010, a clínica sem fins lucrativos criada em 1998 para testar os atores pornôs perdeu sua licença e ficou fechada por dois meses. O local voltou a funcionar neste mês, sob nova direção e sem mais o status de ONG. Sharon Mitchell, cofundadora da ONG e famosa ex-atriz pornô, continua como presidente do grupo.

Doenças sexualmente transmitidas são diagnosticadas em um quarto dos atores a cada ano, de acordo com a Saúde Pública do Condado de Los Angeles. O número de casos de gonorreia é sete vezes maior do que no resto da população.

Orientação sexual, Identidade e Papel de Gênero: você sabe a diferença?

Por Élio Farias - Equipe Homorrealidade
A sexualidade humana se manifesta de maneiras tão diversas que é difícil classificá-las com precisão. O próprio movimento LGBT percebe essa dificuldade. Só no Brasil, ele já foi chamado de GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), passou para GLBS (incluindo os bissexuais), tornou-se GLBT (suprimindo os simpatizantes e incluindo os transgêneros), reorganizou-se como LGBT (valorizando a atuação das lésbicas) e há até sugestões para que se torne LGBTTIS (distinguindo travestis, transexuais, intersexos e retomando os simpatizantes). Mas será que conhecemos bem o significado desses termos? E a diferença entre “orientação sexual” e “identidade de gênero”? Os conceitos podem não ser uma unanimidade, mas nos ajudam a entender essas variadas manifestações do comportamento humano e evitar preconceitos.

Onde está a confusão?

Quem nunca viu um homem efeminado ou uma mulher masculinizada e logo pensou: “Esse aí é homossexual !”? Pois é... mas será que a orientação sexual de uma pessoa tem obrigatoriamente alguma relação com uma aparência mais feminina ou masculina? O senso comum pode até dizer que sim, mas a realidade diz o contrário. O que geralmente ocorre é um preconceito motivado pela confusão que as pessoas fazem entre “orientação sexual”, “identidade de gênero” e “papel social de gênero”, conceitos que nem sempre se combinam da mesma forma. Mas qual a diferença?

A primeira informação, a saber, é que a sexualidade humana envolve pelo menos quatro aspectos principais, que são distintos e se relacionam de formas diferentes de pessoa para pessoa. São eles:

1) Sexo biológico: refere-se ao sexo de nascimento, ou seja, se o indivíduo nasceu com sexo biológico masculino, feminino ou intersexo - termo preferível ao antigo “hermafrodita” e que envolve pessoas que nascem com características sexuais biológicas dos dois sexos.

2) Orientação sexual: refere-se à atração sexual (afetiva e/ou intelectual) que a pessoa possui por outras pessoas, ou seja, é por quem o indivíduo costuma se atrair. (mais aqui)

3) Identidade de Gênero: refere-se ao sentido psicológico de ser homem ou mulher, ou seja, é como o indivíduo se sente internamente, como sendo um homem, uma mulher ou nem uma coisa nem outra. (mais aqui)

4) Papel Social de Gênero: refere-se à sua adesão ao conjunto de comportamentos relacionados ao que se convencionou chamar de masculino ou feminino, dentro de um grupo ou sistema social. Ou seja, é a forma como o indivíduo se mostra para as demais pessoas do ponto de vista do gênero, se com uma aparência dita masculina, dita feminina ou uma mistura de ambas. (mais aqui)

Obs: Há teóricos que preferem chamar a “Identidade de Gênero” de “identidade sexual” e, por sua vez, o “papel social de gênero” de “identidade de gênero”. E outros, ainda, usam diferentes expressões. Como dito, os termos e conceitos estão em constante evolução. Ou seja, a diversidade também se reproduz nas nomenclaturas.

As diversas orientações sexuais

Um dos estudos mais famosos sobre orientação sexual foi apresentado pelo americano Alfred Kinsey, que definiu inclusive uma escala de comportamentos sexuais conhecida como Escala Kinsey. A partir dessa pesquisa, complementada pelo trabalho de diversos outros estudiosos que o seguiram, podemos dizer que existem cinco orientações sexuais mais comuns. São elas:

1) Assexualidade – é a orientação caracterizada pela indiferença à prática sexual, ou seja, o indivíduo não tem atração sexual nem por pessoas do mesmo sexo e nem por pessoas do sexo oposto. Há quem afirme que a assexualidade não é uma orientação sexual mas uma disfunção sexual, porém tal teoria não tem fundamentos comprovados. O indivíduo assexual, embora não tenha vontade de praticar sexo, pode ter atração afetiva, apaixonar-se e manter relacionamentos amorosos livres de sexo - com pessoas do mesmo sexo, do sexo oposto ou de ambos os sexos. (mais aqui)

2) Heterossexualidade - refere-se a atração sexual e/ou afetiva por pessoas do sexo oposto, sendo considerada a orientação sexual mais comum entre as pessoas. A heterossexualidade tem sido identificada, ao longo da história e na maioria das civilizações, como a "normal" ou "natural", por conta do potencial reprodutor da relação, repassando para as demais o título de "anormais" ou "antinaturais". Contudo, tem-se verificado uma mudança na forma como o assunto é abordado pela opinião pública, comunidade científica e poder político, reforçando-se a diferença entre "maioria" (a heterossexualidade) e "naturalidade" (inerente a qualquer orientação sexual). (mais aqui)

3) Homossexualidade - é a atração sexual e/ou afetiva por pessoas do mesmo sexo. Segundo a OMS, aproximadamente 10% das pessoas no mundo são homossexuais. No entanto, acredita-se que esse número possa ser maior, pois muitos homens e mulheres com essa orientação costumam omitir sua homossexualidade por conta do preconceito. Além do termo “homossexual”, os termos “gay” e “lésbica” são bastante utilizados para designar, respectivamente, o homem e a mulher com essa mesma orientação. No entanto, há quem afirme que “gay” não defina apenas a orientação sexual, mas também o jeito de ser visual, cultural e comportamental. O próprio significado original da palavra, sinônimo de “alegre” ou “jovial”, já demonstra essa diferença. (mais aqui)

4) Bissexualidade - consiste na atração sexual e/ou afetiva por pessoas de ambos os sexos, mesmo que, por vezes, esse desejo seja mais acentuado para um ou para outro. As pessoas que se afirmam bissexuais são, muitas vezes, as mais discriminadas. Muitos heteros e homossexuais costumam considerá-las como “indecisas” ou mesmo “covardes” por não assumir uma condição ou outra. No entanto, estudos apontam que isso é um equivoco, pois não devemos entender a sexualidade humana como uma condição entre duas alternativas únicas - a heterossexualidade e a homossexualidade -, mas como uma diversidade de alternativas entre elas. (mais aqui)

5) Pansexualidade - é uma orientação sexual mais abrangente que a bissexualidade (e por isso distinta dela) que se caracteriza pela atração sexual e/ou afetiva tanto por homens e mulheres com identidade e papel de gênero convencionais como também por aqueles com identidades e papéis diferenciados (transexuais, travestis, intersexos, entre outros). Desse modo, podemos dizer que a bissexualidade está contida na Pansexualidade, porém essa última envolve um universo de atração mais amplo. (mais aqui)

Obs: Considerando essas cinco categorias principais, vale lembrar que a “orientação sexual” nem sempre gera um “comportamento sexual” equivalente. Algumas pessoas, por medo, condicionamento ou repressão, acabam não expressando sua orientação sexual na sua prática sexual. Um exemplo são os homossexuais que fingem ser heteros, mantendo relações apenas com o sexo oposto (vulgo enrustidos). A esses, a psicologia chama de egodistônicos. De forma contrária, os egosintônicos seriam aqueles cujo comportamento está sintonizado com a sua orientação sexual – por exemplo, os homossexuais que vivem de fato relações homossexuais.

As diferentes Identidades e Papéis Sociais de Gênero

Os conceitos de “identidade de gênero” (como você se vê) e “papel social de gênero” (como você se mostra) são mais difíceis de subdividir separadamente porque há casos em que essa relação é bem aproximada.

Apresentamos aqui alguns conceitos conhecidos de identidades de gênero combinados com diferentes papéis sociais de gênero:

Masculino: É aquele homem (que pode ser hetero, homo, bi, pan ou assexual) que se veste e se comporta convencionalmente como a maioria dos homens atuais.

Efeminado: é aquele homem que, junto com o aspecto masculino, apresenta também características, mais ou menos acentuadas, do comportamento dito feminino (jeito de falar, gesticular, aparência sensível, gostos pessoais, etc). Embora muitos pensem que homens efeminados sejam homossexuais, isso nem sempre é verdade. Eles podem ter qualquer orientação sexual (hetero, homo, bi, pan ou assexual). Alguns teóricos não consideram o “ser efeminado” como um “papel social de gênero”, pois os indivíduos ditos efeminados nem sempre se consideram assim ou têm consciência de passar essa impressão. Outros já entendem que tal papel advém de uma identificação manifestada de forma inconsciente.

Feminina: é aquela mulher (que pode ser hetero, homo, bi, pan ou assexual) que se veste e/ou se comporta convencionalmente como a maioria das mulheres atuais.

Masculinizada: é aquela mulher que, junto com o aspecto feminino, apresenta também características, mais ou menos acentuadas, do comportamento dito masculino (jeito de falar, gesticular, aspecto bruto, gostos pessoais, etc). Embora muitos pensem que mulheres masculinizadas sejam lésbicas, isso nem sempre é verdade. Elas podem ter qualquer orientação sexual (hetero, homo, bi, pan ou assexual). Como no caso dos efeminados, há quem diga que o “ser masculinizada” não caracteriza um “papel social de gênero”, pois tais mulheres às vezes nem reconhecem apresentar essas características ditas masculinas.

Andrógino/ Pangênero: é o homem ou a mulher que apresenta aspecto físico e características comportamentais comuns tanto ao universo masculino (andro) quanto ao feminino (gyne). Assim sendo, torna-se difícil definir a que gênero pertence apenas por sua aparência. Emborra muitos pensem que um andrógino ou pangênero seja homossexual ou bissexual, isso nem sempre se aplica, pois o mesmo pode apresentar qualquer outra orientação sexual. Há também quem faça uma distinção entre “Androgino” e “Pangênero”, considerando o segundo mais abrangente. Às vezes o termo “andrógino” é usado para designar o “intersexual”, representando também, nesse caso, o sexo biológico do indivíduo. (mais aqui)

Transformista: é a pessoa que veste roupas usualmente próprias do sexo oposto com intuitos essencialmente artístico-comerciais, sem que tal atitude interfira necessariamente em sua identidade de gênero ou orientação sexual, que pode ser qualquer uma. A pessoa se transforma por tempo determinado, com intuito profissional. (mais aqui)

Drag Queen/ Drag king: é o artista performático (que pode ter qualquer orientação sexual) que se traveste do sexo oposto, porém de forma cômica e/ou exagerada, com o intuito geralmente profissional-artístico (para atuar em bares, boates, eventos, etc). Chama-se drag queen o homem que se veste com roupas femininas estilizadas, e drag king a mulher que se veste como homem. (mais aqui)

Travesti: É o homem ou a mulher que vive uma parte significativa do dia ou todo o dia como se fosse do sexo oposto. Além de se travestir com roupas do sexo contrário, é comum a utilização de um nome social, corte de cabelo, adoção de modos e de timbre de voz consoantes com o sexo almejado. O uso de hormônios e a realização de cirurgias estéticas, incluindo próteses de seios no caso dos homens, são muitas vezes utilizados. No entanto, os travestis não sentem vontade de realizar a operação de redesignação sexual, preferindo manter seus órgãos genitais sem alteração. Segundo a escala definida pelo sexólogo alemão Harry Benjamin, há três tipos de travestis: o pseudo travesti, o travesti fetichista e o travesti verdadeiro. (mais aqui)

Transexual: é a pessoa que possui uma identidade de gênero diferente do sexo designado no nascimento (sexo biológico), tendo o desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto. Chama-se “mulher transexual” o indivíduo que nasceu biologicamente homem, mas sente-se e transforma-se em mulher. E chama-se “homem transexual” quando nasce biologicamente mulher, mas sente-se e transforma-se em homem. Segundo a escala definida pelo sexólogo alemão Harry Benjamin, há três tipos de transexuais: o não cirúrgico, o de intensidade moderada e o de alta intensidade. (mais aqui)

Considerações Finais:
A equipe do homorrealidade espera não ter confundido a cabeça de seus leitores com tantos conceitos, até porque eles não são uma unanimidade como informamos. A sexualidade humana envolve aspectos muito subjetivos e torna-se improvável existirem definições perfeitas ou inquestionáveis. O mais importante é reforçar que essa diversidade existe e que nem sempre avaliamos as pessoas de forma devida. E aí? Dá pra julgar a sexualidade de alguém de maneira tão superficial?

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Juiz aplica Lei Maria da Penha para casal homossexual no RS


Visto no Folha.com

Com base na Lei Maria da Penha, a Justiça do Rio Grande do Sul concedeu medida protetiva a um homem que afirma estar sendo ameaçado por seu ex-companheiro.

A decisão, que impede que ele se aproxime a menos de cem metros da vítima, foi decretada na quarta-feira (23) e divulgada nesta sexta (25).

O juiz Osmar de Aguiar Pacheco, de Rio Pardo (144 km de Porto Alegre), afirmou na decisão que, embora a Lei Maria da Penha tenha como objetivo original a proteção das mulheres contra a violência doméstica, pode ser aplicada em casos envolvendo homens.

"Todo aquele em situação vulnerável, ou seja, enfraquecido, pode ser vitimado. Ao lado do Estado Democrático de Direito, há, e sempre existirá, parcela de indivíduos que busca impor, porque lhe interessa, a lei da barbárie, a lei do mais forte. E isso o Direito não pode permitir!".

Segundo a advogada especializada em direito homoafetivo e ex-desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Maria Berenice Dias, essa é a primeira aplicação da Lei Maria da Penha entre dois homens.

"Como se trata de uma lei protetiva da mulher, é uma analogia importante que fizeram, pois ela se aplica independente da orientação sexual", disse. Os casos anteriores da Lei Maria da Penha com pessoas do mesmo sexo envolviam apenas mulheres.

UNIÃO

O juiz também afirma que, em situações iguais, as garantias legais devem valer para todos, além da Constituição vedar qualquer discriminação, condições que "obrigam que se reconheça a união homoafetiva como fenômeno social, merecedor não só de respeito como de proteção efetiva com os instrumentos contidos na legislação."

Além de proibir a aproximação do companheiro que ameaçou a vítima, o juiz reconheceu a competência do Juizado de Violência Doméstica para cuidar do processo.

Por ANDRÉ MONTEIRO para a Folha.com/ Colaborou LUCIANO BOTTINI FILHO

“É possível ser muçulmano e gay”


Por Klaas den Tek (RNW)

O sul-africano Muhsin Hendricks é um religioso islâmico e gay. Ele dirige a fundação The Inner Circle, que ajuda muçulmanos que estão com dificuldade de aceitar a própria sexualidade. Hendricks veio à Holanda para espalhar um recado simples: “É possível ser muçulmano e gay!”

Esta é uma mensagem com a qual nem todo mundo concorda e é a razão para Hendricks não ser mais oficialmente um clérigo.

Muhsin Hendricks parece cansado. Ele veio à Holanda a convite da organização para direitos homossexuais COC e está com a agenda cheia. Há um grande público interessado no ”imam rosa”, como ele têm sido chamado.

Pecado


Mas todos os indícios de cansaço somem quando Mushin Hendricks fala sobre sua fé e sobre sua sexualidade. “Ser muçulmano e ser gay são duas identidades fortes. E penso que as duas são identidades inatas para mim, por isso em algum momento eu tive que conciliá-las.”

Isto não foi nada fácil para Muhsin Hendricks. Ele nasceu em uma família muçulmana ortodoxa na África do Sul. Seu avô era imam de uma das mesquitas mais importante da Cidade do Cabo. Muhsin descobriu ainda jovem que era diferente. Ele brincava com bonecas ao invés de carrinhos e era discriminado por ser muito feminino. Tudo isto, muito antes dele sequer saber o que era homossexualidade.

Muhsin Hendricks procurou conforto na fé apesar de vários muçulmanos acreditarem que não existe lugar para sentimentos homossexuais na religião. Relações sexuais entre dois homens ou duas mulheres são proibidas e são vistas como um dos piores pecados possíveis. Em alguns países islâmicos, inclusive, a punição pode chegar à pena de morte.

Sodoma e Gomorra


Muhsin Hendricks quis descobrir o que o Alcorão dizia sobre homossexualidade. Hendricks estudou o Islã no Paquistão. “Não parecia justo que um Deus misericordioso e compassivo me condenasse por algo que não escolhi.”

E Hendricks chegou a uma conclusão reveladora com seus estudos: em nenhum lugar o Alcorão diz que a homossexualidade é proibida. Nem mesmo na história de Sodoma e Gomorra. Hendricks refuta a interpretação de que Deus destruiu as cidades porque homens fizeram sexo uns com os outros. Ele diz que os moradores das cidades foram punidos por estupros e não por praticarem sexo consensual entre si.

Divórcio


O controverso clérigo argumenta ainda que existem um ou dois versos no Alcorão em que Alá reconhece a existência dos homossexuais. Um exemplo está no capítulo 24, verso 31. “Ele diz que as mulheres devem colocar mais roupas quando saem em público... Mas não na frente dos homens que não sentem atração por elas. Estes devem ser os gays”, comenta Hendricks dando uma risada.

Apesar das descobertas, Muhsin Hendricks não sentia ser possível reconhecer e expressar abertamente seus sentimentos homossexuais. Casou e teve três filhos. A esposa estava consciente sobre sua homossexualidade, mas mesmo assim tentou fazer com que a relação desse certo.

O conhecimento de Muhsin Hendricks sobre o Islã lhe rendeu respeito nas mesquitas da Cidade do Cabo, mas seus sentimentos não desapareceram. Seis anos depois, o casamento terminou em divórcio e foi neste momento que ele assumiu sua homossexualidade.

Satanista


A mãe de Muhsin desmaiou quando ouviu a notícia de que o filho era gay. No entanto, pouco a pouco começou a entender. Apesar disso, alguns membros da família não querem nem saber dele.

Muhsin Hendricks encontrou o amor da sua vida. Seu parceiro segue outra fé, o hinduísmo, e ainda não assumiu a homossexualidade.

O trabalho de Muhsin na mesquita terminou abruptamente. A crença na relação entre homossexualidade e o Islã não combinou com a doutrina oficial e ele foi acusado de “satanista”. Apesar de nunca ter sido ameaçado fisicamente, Mushin tem que suportar muitas agressões e críticas.

Ameaça


“Os imans me veem como uma ameaça à maneira como eles veem o mundo e o Islã. Eu não acho que eles devem se sentir assim. Estou apenas convidando-os a olhar sob outro ponto de vista. Na minha visão, muçulmanos gays podem continuar sendo muçulmanos e podem se aceitar como são.”

Muhsin Hendricks ainda se considera um religioso. Com a fundação The Inner Circle ele tenta ajudar muçulmanos a se assumirem, oferecendo workshops para que os jovens se tornem mais conscientes. Um destes workshops irá acontecer na Holanda e mais de sessenta pessoas já se inscreveram.

25/02/11

Casa Branca nomeia homossexual como secretário social


Visto no Diálogos Políticos

A Casa Branca anunciou nesta sexta-feira a nomeação de Jeremy Bernard como seu próximo secretário social, o primeiro homem e a primeira pessoa homossexual assumida designada para este cargo, que o torna responsável pela organização dos atos sociais presidenciais. Bernard trabalhava na embaixada dos Estados Unidos em Paris, onde exercia funções de assessor do embaixador americano.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em comunicado que Jeremy “lidera” a “visão da Casa Branca como a casa do povo, que celebra nossa história e nossa cultura de maneira dinâmica”.

Bernard terá como missão “exibir as artes e a cultura dos EUA” ao país e ao mundo “através dos vários eventos que se organizam na Casa Branca”, ressaltou Obama.

Por sua vez, o novo secretário declarou-se “profundamente honrado” pela nomeação e assegurou que “há muito tempo” admira “os programas educativos e artísticos que se transformaram em emblemas da Casa Branca de Obama”.

“Desejo continuar estes esforços nos próximos anos”, acrescentou.
Bernard será a terceira pessoa que ocupa a Secretaria Social da Casa Branca, depois que sua antecessora, Julianna Smoot, foi para Chicago para começar a preparar a campanha eleitoral de 2012.

A primeira secretária social de Obama, Desiree Rogers, renunciou ao cargo após o escândalo gerado quando um casal entrou sem convite no primeiro jantar de Estado organizado durante a atual Administração, em honra ao primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, em novembro de 2009.

A Secretaria Social é a responsável por planejar os atos sociais oficiais da Casa Branca e colaborar com o escritório da primeira-dama para coordenar seus detalhes, incluindo os menus que serão servidos até a lista de convidados.

Antes de se mudar para Paris no ano passado, Bernard trabalhou na Casa Branca como intermediário com o Fundo Nacional para as Artes.

Anteriormente, foi consultor financeiro da campanha eleitoral de Obama em 2008.
Entre 2001 e 2009 participou do comitê de assessoria presidencial para as artes do Centro John F. Kennedy, em um período no qual também fez parte do Comitê Nacional Democrata, o órgão diretor do Partido Democrata.

Também foi membro de um dos principais organismos em defesa dos direitos dos homossexuais dos EUA.

(Fonte: Agência EFE)

Justiça do Rio Grande do Sul dá guarda de criança a casal gay



A Justiça do Rio Grande do Sul concedeu nesta quinta a guarda provisória de um menino de quatro anos a um casal homossexual. A ação foi promovida pelo Ministério Público de Pelotas, no sul do Estado, que propõe ainda a adoção da criança.

Em 2010, ao julgar o caso de um casal de lésbicas do Rio Grande do Sul, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu que casais gays têm o direito de adotar crianças. Na época, o ministro João Otávio de Noronha disse que, embora a decisão tenha valido para um caso específico, teria forte influência em julgamentos futuros, em outras instâncias da Justiça. É o que acontece nesse novo caso, também do Rio Grande do Sul.

A decisão foi tomada pela juíza substituta da Vara Regional da Infância e Juventude, Nilda Stanieski. Ela acolheu o pedido do promotor José Olavo Passos, da Promotoria da Infância e da Juventude.

Há dois anos, o menino foi entregue ao casal pela mãe biológica, que disse não ter condições para criar o filho. Procurado, o Conselho Tutelar autorizou o casal a permanecer com o menino diante da situação em que ele se encontrava, com sarna, piolho e necessitando de atendimento médica. A mãe assinou um termo de entrega do menino ao casal.

O MP pediu a guarda provisória e entrou ainda com uma ação de adoção, para que a criança possa se tornar oficialmente filha do casal. De acordo com o promotor, o casal vive em união estável há oito anos. “Além disso, o menino está saudável e feliz, frequenta a escola, tem plano de saúde, está entrosado com a família do casal, convive com meninos e meninas e tem uma orientação psicológica completamente normal”, afirma.

Entrevista/Jean Willys: ‘Vou sentir saudade do CORREIO’

O agora deputado federal pelo Psol do Rio de Janeiro se despede da sua coluna no jornal baiano

Por Redação do CORREIO

Durante dois anos, o jornalista e escritor Jean Willys alimentou as edições do CORREIO com um ingrediente que sabe manusear como poucos: a provocação. Mas não a que é utilizada por incendiários imbuídos do simples desejo de carbonizar ideias e discussões.

Polêmico e contestador, o agora deputado federal pelo Psol do Rio usava a coluna que publicava às sextas-feiras como trincheira da reflexão contra o tédio mental do senso comum, através da defesa dos direitos dos homossexuais, ou da crítica ao gesso que uniformiza pensamentos.

Por conta de sua atividade no Congresso Nacional, o CORREIO perde - talvez temporariamente - a verve irônica do garoto pobre de Alagoinhas, intelectual por inquietação, e que ficou conhecido pela participação vitoriosa no Big Brother Brasil. Mas, antes da despedida, Jean Willys deixa de presente aos leitores um pouco do que faz sem medo: provocar.

Umas de suas bandeiras na Câmara é a defesa da união civil entre casais do mesmo sexo. Há ambiente favorável a propostas como essa no Parlamento?

Na verdade, estou dando um passo adiante. Vou propor a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do casamento civil. O Judiciário já está em vias de dar um parecer favorável à união estável, que vai valer em todo Brasil. A gente vai propor a alteração da Constituição.

Se o estado é laico e o casamento é civil, e os homossexuais têm todos os deveres civis, eles devem ter também todos os direitos civis. Quanto à existência de um ambiente propício, acredito que a eleição de uma presidenta sinaliza uma mudança de visão. Mas, se eu conseguir apenas pautar o debate, já será um ganho. Aliás, minha presença da Câmara é um ganho. Sou o primeiro homossexual assumido, não homofóbico e ligado o movimento LGTB (Lésbicas, Gays, Transgêneros e Bissexuais) a chegar ao Congresso.

E Clodovil não conta?

Clodovil era gay assumido, mas era homofóbico e tinha rancor contra sua própria condição, se colocava contra as bandeiras históricas do movimento. Por isso, fiz essa distinção.

Sente algum preconceito na Câmara?

Se há, não é expresso de modo que eu possa perceber. Os deputados, de uma forma geral, têm uma relação excelente comigo. O único que vejo como opositor é Jair Bolsonaro (deputado federal pelo PP do Rio), que se coloca contra as minhas bandeiras e até contra a minha presença no Congresso.

De onde vem essa oposição pública feita por Bolsonaro?

O Bolsonaro é um cara que caricaturiza o ódio que parte da sociedade tem a quem não se enquadra no modelo de gênero definido pela sociedade. Mas é um ódio que a gente vê em todos ao lugares.

Qual foi sua posição em relação ao salário mínimo?

O Psol é um partido de oposição. Agora, é preciso distinguir o que é oposição de esquerda, a que o Psol faz, da oposição de direita, que é a do DEM e PSDB. Nossa bancada propôs uma emenda para reajustar o mínimo para R$700. Colocamos na emenda que esse aumento seria retroativo para janeiro e fevereiro. Por isso, a Mesa Diretora da Câmara considerou nossa emenda inconstitucional. O curioso é que os deputados concederam para eles um aumento no apagar das luzes, e que foi retroativo. Eles podem fazer isso, mas para o trabalhador não.

Houve incômodo em ser comparado a outros candidatos celebridades, como Tiririca e Romário?

Não posso admitir que repórteres envolvidos na cobertura política cedam à ignorância, a não ser que seja algo orquestrado. Que editorialmente pensem: “Nós queremos desautorizar esse candidato, por que ele representa bandeiras que não podem chegar ao Congresso”. Do contrário, é pura ignorância me comparar a Tiririca e a Romário. É o jornalista não se prestar sequer a pesquisar minha biografia. Mas acho legítimo que Romário, Tiririca e qualquer outro se candidate. A Constituição garante a qualquer cidadão se colocar como representante dos interesses do povo. O que acho vergonhoso são as capitanias hereditárias que dominam o Congresso Nacional. Pessoas que saíram do ostracismo, mas que a força da grana dos seus pais garantiu um lugar aqui. Se 1,3 milhão de pessoas votaram em Tiririca, isso não pode ser reconhecido como mero equívoco. Tem que se entender o tipo de imagem que o Congresso passa para o imaginário popular.

Por que se candidatar pelo Rio de Janeiro e não pela Bahia, onde você nasceu?

Primeiro, por uma questão prática. Moro no Rio há seis anos. Mudei meu domicilio, meu título de eleitor e me filiei ao Psol do Rio. Também não era candidato a Assembleia Legislativa, era candidato a deputado federal, que embora represente o estado dele, está na Câmara, na verdade, para defender os interesses do povo brasileiro. Por outro lado, devolvo a pergunta. Se fosse candidato pela Bahia, eu seria eleito?

Tem assistido o Big Brother Brasil?

Não tenho mais tempo. A legislatura, as aulas, são atividades que me impedem de ver televisão como antes. Uma coisa que gosto mais que reality show é novela, e não tenho tempo mais para ver nenhuma.

O fato de ser ex-BBB lhe incomoda?

De jeito nenhum. Se me incomodasse, não teria ido ao programa. Só acho lamentável quando tentam me reduzir a isso de má-fé. Tenho o maior orgulho de ter participado do programa. Foi maravilhoso, me abriu portas profissionais. Não só pelo programa, mas por que sou Jean Willys.

E a literatura? Quando vai ressurgir o Jean escritor?

Estou em negociação com a editora Leia para publicar meu quarto livro, que tem o titulo provisório de Bahia, Minha Preta. É um conjunto de minhas melhores crônicas. Algumas das quais escrevi para o CORREIO ao longo desses dois últimos anos.

Do CORREIO, é a segunda despedida, já que o jornal teve seu nome no quadro de repórteres...
(interrompendo) Minha relação com o CORREIO é engraçada, de ida e volta. Foi o lugar onde cresci profissionalmente como jornalista, onde aprendi a fazer jornalismo bem. Estou me despedindo do CORREIO de novo por que a legislatura me impede de manter a coluna. Eventualmente, no futuro, se minha careira como parlamentar se encerrar neste mandato, fico feliz em saber que há espaço para o Jean Willys jornalista e escritor. Mas, vai me dar uma saudade grande. Adorava escrever a coluna e receber e-mails no dia seguinte. Muitos a favor, outros contra, mas sempre gerando o debate.

Quem vai sentir mais falta: Jean Willys dos leitores ou os leitores de Jean Willys?
(risos) Não sei, os leitores é que vão se manifestar. Sei apenas que vou sentir muita falta, porque era prazeroso escrever crônicas para o jornal, algo que dá um retorno sobre o que se escreve, se há reflexão, ódio ou amor. É o que sempre repito: não vim ao mundo para fazer sucesso, vim para fazer história.