31/10/11

Relato da noite em que cortaram o som de Solange Tô Aberta!

Por Jota Mombaça para o Substantivo Plural
Dica de @jotamombaca_

Queer é um adjetivo da língua inglesa que, se traduzido literalmente, significa “estranho, esquisito”, mas pode também designar “bicha, viado”. No campo da antropologia, as Teorias Queer são aquelas responsáveis pelo estraçalhamento do binarismo de gênero (masculino-feminino) impregnado às perspectivas universalista e relacional. Os Estudos Queer, ou Transviados (como gosta de traduzir Berenice Bento), portanto, estão atentos à imensa diversidade e ao trânsito de identidades que caracteriza a sexualidade humana de um modo geral.

Solange Tô Aberta! é a banda Queer Punk de Pedro Costa (cuja atual “definição de gênero” é bicha-trans-lésbica), que tocou nessa quinta-feira, na última Noite Cultural (termo usado para substituir a palavra “festa”, que é execrada pelos bobões da academia) do XV ENEARTE (Encontro Nacional de Estudantes de Arte) realizado na UFRN. A banda de Pedro se apropria da estética do Funk Carioca (eletrônico, escrachado, etc) para reclamar o espaço negado à experiência queer. Longe de ser politicamente correto, ele agride deliberadamente os bons costumes com sua putaria politizada (mas não panfletária) e sai a distribuir tapas na cara da nossa sociedadezinha injusta e frágil. Mas não é fácil fazer o que ele faz. E isso ficou claro na noite de quinta-feira.

Marcado para as 23hrs, o show da STA! foi escanteado para as 2 da manhã. Mas isso não foi problema, ou pelo menos não teria sido se na hora do show não tivesse havido tanta resistência (do técnico de som? do dono do Circo da Luz? da produção do ENEARTE?) em fazer com que a base eletrônica da música de Pedro pudesse ser ouvida a contento. O papo era aquele do horário avançado, dos limites impostos pela UFRN, etc… Mas a Leilane Assunção puxou o microfone e lembrou algo que os responsáveis pelo ENEARTE parecem ter esquecido: “a natureza do estudante é a insubmissão.” Só então deram a Pedro o som.

Mas ainda assim o show não conseguiu transcorrer sem constantes interrupções de um ou outro “responsável pelo evento” que ficava ali zanzando com cara de preocupação, eventualmente interrompendo a apresentação para falar alguma coisa ao Pedro, que, no palco, BOTOU PRA FODER apesar dos pesares. Cheguei a ouvir, nos bastidores, uma das figuras da produção comentar com a outra que se dali caísse algum vídeo no youtube e alguém da reitoria visse, eles (os estudantes responsáveis pelo ENEARTE) estariam fodidos. Mas que bando de covardes acatando o fascismozinho mal-disfarçado dos babacas da instituição!

A certa altura, quando Pedro já estava de calcinha no palco, e o público em êxtase no centro da arena, foram avisá-lo que lhe restavam apenas mais 15 minutos de apresentação. Então ele decidiu deixar Fuder Freud (minha música preferida) para lá e partir direto para a Dança da Passiva, encerrando assim seu conturbado show. No entanto, no meio da música, quando o público, que estava no chão, subiu ao palco (do mesmo modo como Pedro desceu à arena várias vezes, desconstruindo a hierarquização artista-público que se materializa na mais-altura do palco) para dançar o último Funk-Punk da noite, ocorreu a cena mais absurda que eu já vi nesta (merda de) cidade: os seguranças subiram ao palco para tanger para baixo artista e público, criando uma confusão que culminou no truculento corte do som de Pedro.

Acreditem: CORTARAM O SOM DA FESTA! Mesmo assim não conseguiram cortar a garganta da platéia nem a de Pedro, que seguiu cantando a Dança da Passiva apesar do som cortado. No fim, ainda comentou, antes de ir embora: “liga não, gente… eu tô acostumado… aconteceu a mesma coisa em Brasília…”

Mas eu digo que não dá para não ligar. O fato de que o único queer escrachado (porque de Macho Transtornado o paraíso está cheio) a subir ao palco das “Noites Culturais” do ENEARTE tenha sido também o único artista a ter o show dificultado neste mesmo palco é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar.

CUCETA – A Cultura Queer de Solange Tô Aberta

Trilha Especial: Marisa Monte - "O Que Você Quer Saber De Verdade"

Confundido com gay, homem fica com braço quebrado e perde dente em SP

Visto no Gay1

Espancado na região da Paulista, ele afirma que não é homossexual. Vítima foi agredida na madrugada deste sábado (29) na Brigadeiro.

Um rapaz de 28 anos que pede para não ser identificado teve braço esquerdo quebrado, sofreu um corte no queixo e perdeu um dos dentes caninos após sofrer agressão em um local próximo à esquina da Avenida Brigadeiro Luís Antônio com a Avenida Paulista, por volta das 3h30 deste sábado (29). O delegado do 36º Distrito Policial - Vila Mariana registrou o caso como lesão corporal. O rapaz, que deu entrevista ao lado da namorada, afirmou que não é homossexual, mas pode ter sido confundido pelo agressor. "Não sou, mas por conta de ter bastante desse público na região podem ter achado que eu era", afirmou.

A vítima conta que estava na casa de um amigo e quando retornava a pé para sua residência na mesma região encontrou o grupo formado por três rapazes e uma menina. Um único homem - careca, com 1,80 metro de altura e camiseta vermelha - o agrediu. Depois de chutar a vítima o homem tentou encontrar dinheiro em seus bolsos. Os outros tentaram impedir a agressão. A sequência de chutes só parou porque pessoas de um estacionamento próximo, armadas com barra de cano, afugentaram o grupo.

"Um dos rapazes falou alguma coisa para mim que eu não entendi. Eu perguntei para ele o que era. Ele disse que ia me bater e começou a me xingar de viadinho, bichona. Eu tentei sair correndo. Ele me passou uma rasteira e caímos os dois no chão. Eu estava de costas e ele começou a me chutar. Eu falando para ele parar e ele não parava. Os outros amigos que estavam com ele falaram para ele parar, mas ele não parava. Uma hora o pessoal do estacionamento do supermercado viu e vieram com um pedaço de cano. Eles fugiram", contou.

Segundo a vítima, testemunhas disseram que já tinham visto o grupo do agressor na mesma rua. A Polícia Militar foi chamada e levou a vítima ao Hospital do Servidor Público, onde recebeu atendimento. Imagens de segurança podem ajudar a esclarecer o caso. O rapaz diz que ele e sua namorada foram ao hipermercado neste sábado tentar obtê-las, mas não conseguiram.

Morador na região, ele afirma que o crime ocorreu por falta de policiamento. "Falta segurança. Moro na região e não vejo polícia passar. Tá muito dificil viver em São Paulo. Mesmo que fosse homossexual não seria motivo para ter apanhado. Tantas outras pessoas passaram por isso e quantas ainda vão passar?", questiona. Procurada a assessoria da Polícia Militar na tarde deste sábado, mas ainda não obteve resposta.

PI: Matizes critica enfraquecimento das políticas públicas para LGBTs

Visto no Gay1

'A Câmara Municipal de Teresina aprovou somente em 2011 dois projetos de lei em benefício'

Aconteceu na última quarta-feira (26/10) a II Conferência Estadual de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Piauí realizada no Auditório Cajuína do Centro de Convenções do Atlantic City. Durante o evento, a militante do Grupo Matizes e articuladora da Liga Brasileira de Lésbicas, Marinalva Santana, criticou a atual conjuntura governamental do estado.

“Nos últimos anos, as políticas públicas piauienses, que eram exemplo para os demais estados do Brasil, agora não passam de saudosismo. É por isso que estamos aqui, para cobrar que o governo tome uma atitude republicana e implemente as propostas aqui aprovadas”, declarou Marinalva Santana.

Presente também nas discussões da conferência, a vereadora Rosário Bezerra (PT) ressaltou a importância do Poder Legislativo contribuir para a garantia dos direitos LGBT. “A Câmara Municipal de Teresina aprovou somente em 2011 dois projetos de lei em benefício a esta população. Foi instituído o Dia Municipal de Combate à Homofobia e inserimos a Parada da Diversidade no calendário anual da capital”, cita a vereadora.

A Conferência Estadual LGBT encerrou na tarde de quarta-feira (26) com a aprovação das propostas a serem pleiteadas no encontro nacional, que acontece em dezembro deste ano, em Brasília. Dezesseis delegados serão eleitos para representar o Piauí no cenário nacional.

Trilha Especial: The Black Keys - "Lonely Boy"

30/10/11

Trilha Especial: Adele - "One and only"

Denúncia de homofobia poderá ser feita em Telecentros de São Paulo



Visto no Estadão

A Prefeitura de São Paulo disponibilizará, a partir do dia 8 de novembro, uma ferramenta para o registro de denúncias de combate à homofobia e crimes de racismo via internet. As denúncias deverão ser feitas por meio do preenchimento do formulário disponível no site da Secretaria de Participação e Parceria (SMPP), mas o acesso à ferramenta só será possível nas unidades de Telecentros de São Paulo. A medida pretende facilitar a ação do Poder Público para coibir atos discriminatórios.

Ao fazer a denúncia, é preciso especificar detalhes dos fatos ocorridos como local, horário, pessoas envolvidas, o tipo de discriminação sofrida e outras informações que o denunciante julgar relevantes. Todas as informações encaminhadas são sigilosas.

Atualmente, a SMPP disponibiliza este serviço mediante atendimento pessoal, no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate a Homofobia e no Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate ao Racismo. Para a utilização dos Telecentros é necessário agendar um horário via telefone ou pessoalmente. A lista completa das unidades está disponível no site do Telecentro (www.telecentros.sp.gov.br).

Veja notícia no Estadão: clique aqui!

Em blogs e livros, pais se abrem sobre crianças que desafiam padrões de gênero




Visto no Estadão

Quando CJ tinha dois anos e meio, sua mãe percebeu algo diferente. Ele preferia bonecas Barbie e fantasias de princesas aos tradicionais brinquedos de menino.

A mãe se alarmou e procurou ajuda especializada, mas decidiu não reprimir o comportamento de CJ, nem esconder a preferência do filho.

Ao contrário: levou o tema para a internet, com o blog Raising My Rainbow - Adventures in raising a slightly effeminate, possibly gay, totally fabulous son ("Criando meu arco-íris - As aventuras de criar um filho incrível, levemente afeminado, possivelmente gay").

A mãe, uma californiana que se identifica apenas como "CJ's mom", compartilha com leitores suas dúvidas e descobertas no dia a dia de CJ, uma criança que especialistas chamam de gender non-conforming, ou seja, que não se encaixa em um estereótipo claro de gênero.

O caso de CJ é um entre dezenas de outros pais norte-americanos que, diante de filhos que gostam de brinquedos associados ao gênero oposto ou que desde pequenos se declaram como sendo do sexo oposto, decidiram não esconder o assunto. Têm, em vez disso, vindo a público em livros, blogs e entrevistas, aumentando o debate em torno do assunto nos EUA.

Para esses pais, o objetivo é mostrar que não têm vergonha de sua prole e, sobretudo, tentar promover a tolerância, para proteger seus filhos de preconceito e das agressões físicas e psicológicas comumente sofridas por pessoas com dificuldade em se adequar a padrões claros de gênero.

A jornada dessas famílias costuma ser repleta de angústia, incertezas e questionamentos - inclusive quanto a tratamentos hormonais às vezes indicados para as crianças.

Transgênero x homossexual

Crianças como CJ são as que definem a si próprias, às vezes em seus primeiros anos de vida, "fora das tradicionais (classificações) de menino ou menina", explica o livro Gender Born, Gender Made, da médica Diane Ehrensaft.

Isso não quer dizer que elas vão se tornar homossexuais. "Gênero e sexo são coisas completamente separadas", explica à BBC Brasil a médica Jennifer Hastings, especialista ligada ao centro americano Gender Spectrum (www.genderspectrum.org). "Se sou um homem transgênero, posso me interessar sexualmente por outro homem, por uma mulher ou por ambos."

Mas como se manifesta essa desconformidade de gênero em crianças?

Alguns casos são semelhantes aos de CJ: uma criança que costuma dar mais interesse aos brinquedos e às atividades relacionadas ao sexo oposto.

Mas há as que vão além e, desde cedo, insistem em que nasceram no corpo errado.

Quanto aos motivos disso, não há consenso entre especialistas, que estudam causas em alterações cerebrais, genéticas ou hormonais.

Uma dessas crianças é Jackie, de 10 anos, nascido Jack em Ohio. Em entrevista recente à rede de TV americana ABC, seus pais contam que, com um ano e meio de idade, ele se recusava a usar roupas de meninos. Uma semana antes de completar dez anos, com lágrimas nos olhos, ele chamou os pais e disse: "Não posso mais viver assim. Sou uma menina".

Desde então, a família ajuda Jack em sua transição para Jackie, permitindo que a agora menina use roupas femininas e se apresente assim ao resto da família.

A decisão não foi fácil. Os pais sofreram críticas dentro e fora da própria família, e temem o preconceito que Jackie deve enfrentar no mercado de trabalho e em suas relações pessoais futuras.

Pais consultados pela BBC enfrentam dúvidas semelhantes e dizem que, ao mesmo tempo em que receberam respostas positivas à iniciativa de lançar blogs e livros, também encampam uma luta diária para defender seus filhos e a decisão de se abrir a respeito disso.

Questionada sobre por que decidiu conta sua história na TV, a mãe de Jackie, Jennifer, respondeu à ABC: "Não acredito que nós tenhamos que nos esconder. A qualidade de vida dos transgêneros pode melhorar se soubermos mais a respeito".

'Menino princesa'

O pensamento é parecido ao da mãe de CJ, que começou a escrever seu blog Raising My Rainbow para buscar pessoas em situações semelhantes e para advogar por seu filho, prevendo as dificuldades que ele deve enfrentar ao crescer.




"Me preocupo muito com o futuro dele. Quero criar uma pessoa confiante, que possa lutar pelos seus direitos e pelos das outras pessoas", disse a mãe à BBC Brasil.

No blog, ela diz que, ao permitir que CJ se expresse como deseja, está dando a ele "o melhor presente de sua vida: a liberdade de ser quem ele foi feito para ser".

"Não estou aqui para mudá-lo; estou aqui apenas para amá-lo", prossegue.

Nos EUA, o assunto ganha evidência com entrevistas como a de Jackie e sua família, com blogs como o Raising My Rainbow e com o lançamento de livros como My Princess Boy, de Cheryl Kilodavis.

Kilodavis é mais uma mãe que se surpreendeu quando seu filho caçula, Dyson, se interessou por vestidos de princesas. A princípio, ela resistia. "Não, princesas são meninas", dizia ela. Ao que o menino respondeu: "Então, eu sou um menino princesa".

Daí nasceu o livro, criado por Kilodavis como uma espécie de manual para as pessoas que conviviam com Dyson, com um pedido para que não o discriminassem. Ela não sabe se seu filho será uma criança transgênera - até o momento, ele se enxerga como menino -, mas diz que escreveu o livro (a ser lançado internacionalmente em 2012) para promover a aceitação de "qualquer tipo de diferença".

"Queremos apoiar e amar nossos filhos, não escondê-los e calá-los, destruir seu espírito", diz ela à BBC Brasil.

A história recebeu ampla divulgação nos EUA, e Kilodavis tem feito desde então uma série de entrevistas e palestras no país. "Para ser aceito (pelas diferenças), é preciso se expor", justifica.

Para a autora, um dos motivos pelo qual o livro se tornou tão comentado foram casos cada vez mais comuns de suicídio e tentativa de suicídio no país entre pessoas - adultos e crianças - que não se encaixam em definições claras de gênero e comportamento.

"Se você continua dizendo que a criança está errada (em seu comportamento transgênero), ela vai desaparecer em si mesma. E isso é difícil de desfazer", opina Jennifer Hastings.

Tratamento hormonal

Há casos em que o interesse por brincadeiras do sexo oposto passa com o tempo; há outros em que esse comportamento pode ter uma causa psicológica que, se investigada com ajuda de especialistas, pode ser identificada e trabalhada, explica o psicólogo brasileiro Rafael Cossi. Cada caso é um caso. E há muitos em que a criança parece estar manifestando, sim, que é transgênero.

No caso de Jackie, isso significou não apenas vestir-se como uma menina, mas também começar a tomar bloqueadores hormonais, que impeçam que seu corpo masculino se desenvolva na puberdade. O passo seguinte será ingerir hormônios femininos. Quando for mais velha, ela pode optar por fazer uma cirurgia de mudança de sexo.

A questão está longe de ter consenso entre os médicos, e há uma ala que critica a alteração de hormônios em crianças tão jovens.

A médica Diane Ehrensaft, por sua vez, defende que o procedimento pode ser revertido, se a criança assim desejar.

Em meio a polêmicas e preconceitos, especialistas e famílias consultados pela BBC Brasil afirmam que o tema tem sido tratado mais abertamente - até mesmo no Brasil, onde o aconselhamento a transgêneros é ainda raro em caso de crianças.

"À medida que a sociedade tolera mais os gêneros intangíveis, com suas diferenças, essas pessoas conseguem circular com mais facilidade", diz Rafael Cossi, autor de Corpo em Obra, que trata do transexualismo.

Para Ehrensaft, porém, o crucial continua sendo a aceitação familiar. "As dificuldades (para pessoas transgêneras) ocorrem o tempo todo. Muitas crianças se sentem tristes por não terem nascido com o sexo que queriam e chegam a perguntar 'Por que Deus errou (meu gênero)?'. Mas nada é pior do que a rejeição dos pais. Nesse caso, os resultados são realmente dolorosos." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Veja notícia no Estadão: clique aqui!

"Viva a diferença" Por Ricardo Guimarães


Por Ricardo Guimarães para a Revista TRIP

Ilustração Rodolpho Parigi



Luto pela possibilidade da sutil diferença entre todos nós. O resto é a vulgaridade do igual



Caro Paulo,



Como todo ser nascido homem, sempre busquei a confirmação de que de fato eu era um homem como esperavam que um homem fosse. Era questão de preencher as expectativas de como se definia homem. Não foi fácil, principalmente porque eu era filho de uma família de seis filhos, todos homens. E com muitas referências legais do que era ser homem na geração anterior.



Eu sempre me conferia com o que se dizia ser homem. Para meu tormento, eu nem sempre acertava. Eu não jogava futebol, não gostava de carros nem queria ser engenheiro; era canhoto, gostava de ler, de cinema... enfim, um menino esquisito, sensível, com grande chance de ser viado.



Com o tempo fui descobrindo que eu estava muito mais certo do que a régua que me atormentava. E acabei construindo, dia a dia, o ser humano que sou. Mas minha vida importa menos do que o que eu aprendi com ela.



Se eu fosse veado



Durante o tempo em que me perguntava quanto homem eu era, aprendi a respeitar a diversidade, não por virtude, mas por interesse, como garantia de que, se eu fosse veado, teria um mundo que me aceitaria como eu era.



Não precisei da tal garantia, mas tive um grande aprendizado que me tornou uma pessoa mais inteligente, mais bem informada, mais íntima da vida. Por isso agradeço todo o tormento que tive por não ser um homem como se esperava que um homem fosse.



Acredito na possibilidade de dois homens ou duas mulheres serem felizes como um casal. Até porque vejo isso acontecer com amigos e amigas. Luto por seus direitos. Mas, mais que isso, luto contra qualquer tipo de estereótipo ou preconceito que impeça a manifestação natural e espontânea do ser humano em todas as suas nuances e possibilidades. Luto pela possibilidade da sutil diferença entre todos nós. Aí reside a vida no seu maior potencial de beleza e encantamento. O resto é a repetição e a vulgaridade do igual.



Cada vez que vejo um executivo tentando preencher uma expectativa para a qual ele não tem o potencial, me vejo nele como aquela criança sofrida por não preencher as expectativas dos outros. Tenho dó, pena, e me dá vontade de sair metralhando todos esses consultores “heterofóbicos” que escrevem livros de aeroporto com modelos de “como subir na vida”.



Eduquei meus filhos para a diversidade não porque a diversidade é uma causa nobre, mas porque acredito que a felicidade deles reside no exercício pleno da sua individualidade. Aliás, é isso que nos põe juntos nesta trincheira querida que é a nossa Trip.



Ricardo.



*Ricardo Guimarães, 62, é presidente da Thymus Branding. Seu e-mail é ricardoguimaraes@thymus.com.br e seu Twitter é twitter.com/ricardo_thymus

MOSAICO LGBT - Algumas das principais notícias da semana!



Por Élio Farias/ Equipe Homorrealidade

Contrariando Marilac, hoje não fizemos algo de diferente. O resumo das notícias da semana segue o padrão comum. Então vamos aos principais acontecimentos do universo LGBT que registramos por aqui. Para acessar as matérias, basta clicar no título de cada nota ou nos links do texto!

(1) Um Casamento sem precedentes!
Pela primeira vez, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o casamento civil de um casal de lésbicas gaúchas, em julgamento concluído na terça (25). A decisão pode favorecer outros casais gays que desejam requerer o casamento em registro civil. Isso porque a decisão abre o tal “precedente”, ou seja, outros tribunais e cartórios podem se basear no caso do STJ para adotar posição semelhante. Esperamos que sim.

(2) Nós já somos casadas, mon amour!
A França voltou a debater o casamento gay, ainda não reconhecido no país. Tudo por conta de um casal bastante incomum. O engenheiro Wilfrid casou-se com Marie-Jeanne há alguns anos e tiveram até filhos, numa relação aparentemente heterossexual. Só que depois do casamento, ela assumiu ser lésbica e ele resolveu viver sua transexualidade, passando por uma cirurgia de mudança de sexo. Sim, mudou de sexo, mas não mudou o desejo. Os dois... digo, as duas querem continuar juntas, com identidades femininas e não querem que seu casamento seja anulado. O debate segue quente por lá...

(3) De homofóbico a aliado!
O primeiro ministro do Zimbábue, Morgan Tsvangirai passou a defender os direitos dos homossexuais. Em entrevista a BBC News, ele disse que direitos gays são direitos humanos, e que devem ser respeitados no país. No passado, Morgan concordava com o presidente Robert Mugabe, que condenava publicamente homossexuais. Entre outras coisas, esse presidente dizia que gays eram ‘piores do que cães e porcos’ e promulgou leis que tornaram ilegais as demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo.

(4) Tia Soyonara!
Uma professora transexual mineira foi a primeira a ter nome social registrado no Estado. A partir do próximo mês, Soyonara Nogueira, 37 anos, passa a ter seu nome feminino na folha de pagamento e no registro de presença da escola onde atua na rede estadual de Uberlândia. Mais uma vitória LBGT!

(5) Ele sabe quem faz gol contra
Neto, ex-jogador e atual comentarista de futebol na Band, abriu o verbo para o jornal “O Estado de São Paulo” na última segunda (24). Disse que é comum dirigentes dos times de base se aproveitarem sexualmente de alguns jovens jogadores, que cedem ao assédio sexual por desejarem ingressar nas categorias profissionais. Mesmo sem revelar nomes, Neto deixou transparecer que já conheceu histórias de alguns desses dirigentes. Esse é o lado triste de alguns homossexuais que não sabem lidar de forma saudável com a própria orientação. Lamentável.

(6) Homofobia estilo Inquisição!
O crime foi no penúltimo sábado (22), mas continuou repercutindo durante a semana. Um gerente de hotel, Stuart Walker, de 28 anos, foi encontrado morto por populares na Escócia após ser espancado, amarrado num poste e queimado vivo. Tudo indica que ele tenha sido assassinado simplesmente por ter orientação homossexual. Absurdo e inacreditável.

(7) Maria da Penha nele!
Uma juíza de Anápolis (GO) aplicou a lei Maria da Penha em favor de uma transexual que sofreu agressões do seu ex-companheiro. A magistrada proibiu o réu de frequentar o domicílio, o trabalho e a escola da vítima e de aproximar-se dela ou de seus familiares a uma distância inferior a mil metros, sob pena de prisão preventiva. A medida visa evitar que as agressões voltem a se repetir. Justo!

(8) BBB – Bonito, Bombado e B... ???
Parece que a produção do BBB 12 (TV Globo) está procurando um homossexual com perfil mais masculino. Além disso, tem que ser bonito, carioca e assumido. Em contraponto, o diretor Boninho deseja também um outro participante com perfil homofóbico. Parece que a produção quer mesmo investir no tema. Já pensou se a homofobia do outro participante tiver base num desejo incubado e, naquele isolamento, brotar um desejo recíproco? Será que a Globo sustenta?

(9) Vai rolar uma festa Gay, absolutamente!
A produtora da Vodka Absolut inovou e resolveu celebrar seus 30 anos de Marketing focado em consumidores gays nos Estados Unidos. A empresa está investindo cerca de US$ 4 milhões em um conjunto de iniciativas com o tema “Absolut Outrageous” (algo como “Absolut Escandalosa”), que traz o subtítulo “Celebrating 30 years of going out and coming out” (algo como “celebrando 30 anos saindo do armário”). Dá até vontade de tomar um porre!

(10) A reincidência de Ashton Kutcher
O ator Ashton Kutcher aumentou seu currículo no quesito beijo entre homens. Na última segunda, dia 24 (hum...), seu personagem Walden, na série “Two and a half men”, deu um beijo na boca de Alan (Jon Cryer). Há quem desconfie que a cena foi mais uma estratégia da emissora para reverter a queda na audiência da série. Mas não foi a primeira vez que Kutcher encenou cena parecida. Nós até postamos uma outra mais antiga no site. Será que funciona?

(11) Martin pensava que era gay!
Na segunda (24), o Vocalista da banda Coldplay, Chris Martin, afirmou ao tabloide inglês “The Sun” que já pensou ser gay quando era mais novo. Disse que suas bandas preferidas nessa época eram "U2 e cinco homens bonitos vindos de Stoke e Manchester". E foi justamente a beleza dos moços que o fizeram questionar sua real sexualidade... Pelo visto, ele vai acabar passando essa dúvida para o público!

(12) Lutz pensa que não é!
Kellan Lutz, que interpreta o vampiro Emmett Cullen em "Crepúsculo", negou ao site "Radar Online" que seja gay, mas revelou que não tem nada contra os homossexuais. Inclusive disse preferir morar com gays porque, segundo ele, esses são mais organizados, cuidadosos e limpinhos. E atraentes, né, Kellan?

(13) Nanini sabe que é!
O ator Marco Nanini, que interpreta atualmente o Lineu do seriado “A Grande Família” (TV Globo), assumiu sua homossexualidade publicamente à revista “Bravo” desta semana. Mesmo que muita gente venha com aquele papo de “Ah, todo mundo já sabia e blá, blá, blá”, é ótimo saber que um ator talentoso e com histórico incrível também tenha orientação homossexual. Mais uma referência interessante para que as pessoas mudem seu olhar preconceituoso sobre os LGBTs. Bravo!

O Mosaico fica por aqui! Uma ótima semana para todos!

29/10/11

Vodka Absolut comemora 30 anos de relacionamento com o público gay nos EUA



Visto no site da Exame

Rio de Janeiro - A Absolut inovou e resolveu comemorar uma data de um posicionamento de mídia. A marca está celebrando seus 30 anos de Marketing focado em consumidores gays nos Estados Unidos, segundo o site do The New York Times.

A empresa investe cerca de US$ 4 milhões em um conjunto de ações com o tema “Absolut Outrageous”, algo como Absolut Escandalosa, focadas na cor rosa e com a assinatura “Celebrating 30 years of going out and coming out”, ou “celebrando 30 anos saindo do armário”, em uma tradução livre.



O início do histórico da Absolut com a temática começou com anúncios em revistas norte-americanas focadas no público homossexual, em 1981, época em que a escolha do target era bem incomum. As primeiras iniciativas foram seguidas por eventos em bares, doações a organizações que lutam pela causa e, mais recentemente, o patrocínio de programas no canal de TV paga Logo, direcionado para telespectadores LGBT.



As comemorações focam na mensagem de que a Absolut foi a primeira grande marca a se comprometer a investir neste mercado, estando presente na mídia gay continuamente. Entre as ações, estão propagandas na internet e em outdoors, com imagens coloridas do fotógrafo David LaChapelle, eventos com performances de artistas e ativação no Facebook. O objetivo é relembrar a herança da empresa aos consumidores de longa data, mas com iniciativas que atraiam a geração mais jovem.



Veja notícia na Exame: clique aqui!

Casal de transexual e lésbica franceses tenta reverter veto a casamento gay



Visto na Reuters Brasil
Por Pierre-Henri Allain e Brian Love)

RENNES, França - Um cidadão francês que mudou de sexo para se tornar mulher, mas permaneceu com sua esposa, com a qual é casado há 15 anos, e seus filhos, está buscando o reconhecimento legal de seu status alterado, em um caso que pode reabrir o debate sobre a proibição ao casamento homossexual na França.

Wilfrid Avrillon, um engenheiro de computação de 41 anos, tornou-se Chloe Avrillon após uma operação da troca de sexo há cinco anos e ainda mora com a esposa Marie-Jeanne, uma lésbica, e seus três filhos no oeste da França.

Avrillon apresentou seu caso a uma corte em uma audiência a portas fechadas na quinta-feira e agora está à espera de uma decisão em meados de dezembro, disse o advogada dela.

"Nós estamos esperando há anos o reconhecimento das famílias como a nossa, que podem ser atípicas, mas funcionam bem", disse Chloe Avrillon a repórteres.

Uma proibição constitucional da França para os casamentos homossexuais foi confirmada pela mais alta autoridade constitucional do país em janeiro passado, em um caso apresentado por duas mulheres.

O caso de Avrillon é diferente na medida em que o casamento precedeu a mudança de sexo.




O advogado Emmanuel Ludot disse que as autoridades judiciais não levantaram objeções durante a audiência de quinta-feira diante do pedido de seu cliente para que sua mudança de sexo de masculino para feminino fosse reconhecida, e tampouco sugeriram que o casamento fosse anulado.

Os conservadores que governam a França são contra o casamento gay, mas o socialista François Hollande, que segundo pesquisas de opinião tem chances de derrotar o presidente Nicolas Sarkozy nas eleições presidenciais do próximo ano, é favorável a uma mudança de lei para torná-lo legal.

Veja notícia na Reuters Brasil: clique aqui

Marco Nanini sai do armário e diz que gosta de meninos

Dica do Querido @drehmontaldi

O ator Marco Nanini falou sobre sua vida amorosa pela primeira vez em entrevista à revista “Bravo”. O Lineu do seriado “A Grande Família” assumiu sua homossexualidade durante um conversa com o repórter da publicação.

“Às vezes, pintam umas namoradas, uns namorados... namoradas, não. Namorados... mas, se não pintam, sem problemas. Já vivi o que necessitava viver nessa seara”, confessou.

Nanini também falou sobre a inconstância que é a carreira artística. “Comparo o sucesso com a luz de um daqueles holofotes giratórios. Num momento, o foco ilumina você. No momento seguinte, o abandona e não volta nunca mais”, disse.

O veterano, que está há 11 anos no humorístico global, disse que está preparado para o anonimato. "Todo artista em evidência deveria se preparar para quando o sucesso se retirar. Eu tento, seja garimpando outros interesses, seja tratando os elogios com maturidade”, explicou.

"O Gaydar do MIT" Por Ronaldo Lemos

Por Ronaldo Lemos para a Revista TRIP
Ilustração Rodolpho Parigi

Dois pesquisadores americanos afirmam que é possível determinar se alguém é gay a partir de seus dados no Facebook

"Gaydar” é o nome que se dá à suposta habilidade de saber se alguém é gay só de olhar para a pessoa (o termo vem de gay + radar). O que em geral não passa de pura especulação ganhou contornos sérios na internet. Dois pesquisadores do MIT inventaram um Gaydar baseado nas informações disponíveis no Facebook. Descobriram que é possível determinar com rigor estatístico se alguém é gay com base nos dados usualmente compartilhados pelo site. Um dos critérios adotados é o percentual de amigos gays. Segundo a pesquisa, se a pessoa tem mais de 4,5% de amigos gays, esse é um indício praticamente conclusivo da sua orientação sexual (a pesquisa só vale para homossexuais masculinos).

Esse tipo de estudo desmente o famoso cartoon da revista New Yorker, que mostra um animal de estimação no computador dizendo: “Na internet ninguém sabe que você é um cachorro”. Como disse o pesquisador Andrew Odlyzko, “as pessoas não só sabem que você é um cachorro, como sabem a sua idade, raça, doenças e preferências em termos de comida de cachorro”.

O fato é que hoje é possível classificar todo mundo que está na rede com enorme precisão. A orientação sexual da pessoa é apenas um exemplo dentro de um universo de informações que podem ser descobertas. Por exemplo, há empresas que dividem as pessoas por perfil socioeconômico. O grau de precisão é de assustar. Uma matéria do Wall Street Journal mostrou que é possível saber coisas como “fulana é mãe solteira que ganha cerca de US$ 50 mil por ano, faz compras no WalMart e gosta de alugar DVDs para o filho”.

Microdiscriminação

O problema desse tipo de microclassificação é permitir formas de microdiscriminação inimagináveis. Por exemplo, isso já é usado para determinar o tipo de anúncio que aparece na internet para você. O que em si já traz uma questão: sem maiores cuidados, alguém olhando quando outro alguém acessa o Facebook pode saber muito só de ver os anúncios que são mostrados do lado do perfil. Além disso, empresas podem se recusar a entrevistar um candidato a emprego por causa da orientação sexual. Planos de saúde podem excluir portadores de determinadas doenças ou bancos criarem regimes de crédito diferenciados a partir das informações.

Por isso, a questão da privacidade não se resume a uma questão de constrangimento pessoal. Ela é muito mais ampla. É preciso determinar o que é justo ou injusto no uso desse tipo de classificação que hoje é feita cotidianamente, com base em dados obtidos na rede. Há ferramentas para controlar isso, como tornar obrigatório tratar grupos idênticos de forma idêntica. O que não dá é ignorar que o problema já existe.

*Ronaldo Lemos, 34, é diretor do Centro de Tecnologia da FGV-RJ e fundador do site www.overmundo.com.br. Seu e-mail é rlemos@trip.com.br

28/10/11

Dedilhadas51 - PSC e a família, carta ao jornal e festchééénhas

Partido Social Cristão discrimina gays até na propaganda partidária

Visto na Revista Lado A

“Homem + Mulher + Amor = Família”, afirma o comercial do Partido Social Cristão (PSC), o PSC, exibido já a várias semanas em horário nobre. As chamadas causaram desconforto em parte da comunidade gay que sentiu homofobia. Apesar de discreta, a afirmação do partido corresponde ao posicionamento de vários de seus representantes, muitos deles pastores de igrejas evangélicas. Usando o símbolo do peixe, simbolizando Cristo, o partido quer colocar os ensinamentos bíblicos acima da Constituição Federal, ignorando a separação do Estado e da Igreja, o chamado Estado Laico.

No site do PSC, apesar do discurso de um partido que coloca o ser humano em primeiro lugar, em maio deste ano, depois da decisão do Supremo Tribunal Federal em reconhecer a legalidade das uniões do mesmo sexo, o partido emitiu nota “repudiando” a decisão da Corte Constitucional. Diz a nota do PSC: “O Partido Social Cristão repudia a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que equipara as relações estáveis de heterossexuais e de homossexuais. A Corte Suprema do País adotou uma posição contrária aos anseios da maioria esmagadora da população brasileira”. Zequinha Marinho, do PSC do Pará, foi além: “Duas pessoas do mesmo sexo podem viver juntas o tempo que quiser, trabalhar e criar as mais diversas situações, mas nunca formarão uma família do ponto de vista da Constituição Brasileira, e também do ponto de vista da constituição divina, que é a Bíblia Sagrada.”

O partido defende em seu site a “Família Cristã”, que, segundo eles, baseados na Bíblia, não inclui casais do mesmo sexo. Com esse pensamento, eles apóiam a Marcha pela Família, que pede que a homofobia não se torne crime no país. Eles defendem ainda o direito de menosprezar e discriminar o homossexual abertamente, exatamente como fizeram em seu comercial, buscando respaldo na liberdade de expressão e liberdade religiosa. Quando a presidente Dilma anunciou a suspensão dos materiais didáticos para diminuir o preconceito nas escolas, o partido apoiou a decisão da presidenta e subjulgou o material – decisão, aliás, provocada após muitos dos políticos do PSC terem ataques e ameaçarem o governo. Onde há algum direito sendo reconhecido aos homossexuais, lá está o partido sob a alcunha de defensor da família e das palavras divinas. Outro local onde sempre é possível encontrar o PSC, é do lado que sairá vencedor das eleições. O partido cresce, com seu rebanho eleitoral que ignora escândalos de corrupção como o caso do pastor da Assembléia de Deus e deputado federal do Paraná, Takayama, que contratou funcionários fantasmas quando deputado estadual e pode pegar 12 anos de prisão, se condenado pelo STF.

Membros do partido afirmam que não são homofóbicos, mas que defendem o ponto de vista cristão. Sob o slogan bíblico “Deus fez Macho e Fêmea”, rejeitam o reconhecimento dos direitos dos homossexuais. Como usam a frase missão do partido “O ser humano em primeiro lugar”, logo, rejeitam também a humanidade dos homossexuais. Ora, em outro tempo, um partido político já pregou a superioridade divina. O tal partido excluiu outro grupo, utilizando um poder divino supostamente a eles consagrado e começaram retirando-lhes a dignidade, a humanidade, criticando suas atitudes e negando-lhes que pudessem circular livremente em público – era uma afronta a educação das crianças puras, argumentavam – pois poderiam contaminar a população majoritária e decente. Depois, os concentraram em bairros selecionados para que lá pudessem fazer as coisas abomináveis que tinham como costume. Depois, foram enviados a campos de concentração e mortos em câmaras de gás.

Jornalista acusa a TV Bloomberg de demiti-lo por ser gay

Visto no GAY1

O ex-diretor-geral da TV Bloomberg, Brian Martinez, apresentou um processo contra a emissora, alegando que a demissão, no começo do mês, está relacionada à sua orientação sexual. Martinez alega que houve discriminação por parte da empresa. De acordo com o jornal The Village Voice, o jornalista afirma que depois de uma briga com seu parceiro, o empregador o considerou mentalmente incapacitado para seguir na empresa.

Entretanto, Martinez alega que o médico que o diagnosticou não verificou nenhum tipo de anormalidade. A Bloomberg se manifestou por meio de nota e negou qualquer atitude de discriminação.

"Durante 10 anos em que Brian atuou na companhia, ele declarou abertamente sua opção sexual (sic) e recebeu diversas promoções. Sempre nos preocupamos em oferecer benefícios também aos parceiros de nossos empregados, inclusive patrocinamos a mudança de seu noivo de Tóquio a Londres".

A emissora conclui, apontando que "qualquer indício de que sua demissão esteja relacionada ao fato de ser gay é ridículo para qualquer pessoa que conheça o jornalista e esta empresa".

"A ostensiva onipresença da homofobia" Por Ivone Pita

Por Ivone Pita para o POLÍTICATICA - GAY1

A violência homofóbica está em todos os lugares. Em nossas próprias casas, em nossas famílias, na escola, no trabalho, na rua, pode estar em um ônibus, no cinema, no teatro, na praia ou em uma caminhada pelo calçadão. A violência homofóbica tem muitas formas e graus de expressão e não tem alvo certo. Como toda violência, torna-se descontrolada e, incontrolável, atinge qualquer um, em qualquer lugar e sob qualquer circunstância. A homofobia é um monstro cruel e de muitas faces - uma criatura implacável, de muitos braços, muitas pernas e muitas cabeças – vazias ou cheias de questões mal resolvidas, de ordem sexual, psicológica e social, perpassa todas as classes, todas as instâncias, tem muitas habilidades e acha até que pode ficar invisível, passar despercebida. Não, não fica. Ela passa despercebida apenas aos mais desavisados. Para nós, seus alvos preferidos, mas não exclusivos, ela é bem chamativa, feia e assustadora.

E, sim, temos medo. Muito medo. Não um medo infundado, paranóico, inventado ou apenas suposto. Nosso medo é muito concreto e nos chega através de palavras violentas, cerceamentos, sangue, dentes arrancados, carne rasgada, órgãos esmagados e ossos quebrados, quando não com a cara da morte. Mas depois tudo se transforma em estatística. E eu quero rostos, quero vozes, quero histórias. Eu quero ver a gente que só quer amar. Quero ver as pessoas que por ousarem ser quem são, foram agredidas, apanharam e sobreviveram. Quero ver como carregam suas dores. Quero ver como andam pelo mundo, como caminham entre as gentes. Como olham para o mundo, o que pensam. Quero que nos digam por quais transformações passaram. Quero que venham a público falarem de seu enfrentamento cotidiano do medo, do rancor, do constrangimento, da vergonha, da raiva, da sensação de impotência. Todas essas coisas que ninguém quer ver, das quais ninguém quer saber.

A violência que sofremos nos chega sob tantas formas e por tanto tempo. Quando cada caso de agressão, de desrespeito, de morte, de ofensa de negação de direitos termina em apenas um apanhado de números. Quando anúncios espalhados em outdoors dizem que não deveríamos existir. Quando todos nos dizem quem podemos ou não amar. Quando por toda nossa infância, adolescência e juventude nos cobram a respeito de quem namoramos. Quando não podemos ser quem somos no trabalho. Quando temos de esconder quem somos na escola. Quando somos perseguidos na vizinhança, na família, no colégio, na faculdade. Quando procuram e propõem nossa cura. Quando não podemos beijar livremente quem amamos nas ruas. Quando andar de mãos dadas se torna uma temeridade. Quando mesmo um falar ao telefone precisa ser cercado de cuidados e disfarces. Quando nos apontam por nossas roupas, quando somos as personagens principais de piadas caricaturais, ofensivas, que ridicularizam e estigmatizam.

Em todos os modelos de vida e janelas para o mundo, seja na TV, em filmes, revistas ou qualquer outro meio, se não somos estigmatizados ou esmagados pela heteronormatividade, sofremos, no mínimo, omissão. Desde muito cedo, de lembranças imemoriais, nos ensinam que somos um erro, um pecado, uma doença, uma abominação, uma aberração, uma perversão ou quaisquer outros dos tantos nomes com os quais se esmeram em nos rotular. Por tudo isso, é surpreendente que resistamos tanto a tantas intimidações, sem nos tornarmos pessoas absolutamente inseguras, vulneráveis e de baixíssima auto-estima. É incrível superarmos tanta estigmatização e não aceitarmos viver segregados. É de uma força admirável que consigamos construir relações afetivas saudáveis, vidas profissionais de sucesso, carreiras sólidas, amizades duradouras e constituir família. É fantástico não enlouquecermos, não sucumbirmos à opressão que nos é imposta desde nossa mais tenra idade, sem data para término e por todos os dias de nossas vidas. É absolutamente admirável nosso enfrentamento diário e mais ainda por se dar entre risos, danças, amores, alegria e uma inabalável crença em um futuro melhor. Sim, termine de ler este texto, corra para o espelho, se olhe bem nos olhos, olhe bem mesmo, fixamente, e vá lá, você tem todo o direito de dizer: eu sou foda!

Siga @ivonepita no twitter e seja amiga no facebook.

"The gay from Ipanema" Por Alê Youssef

Por Alê Youssef para a Revista TRIP
Ilustração Rodolpho Parigi

Em ilhas de liberdade como a rua Farme de Amoedo, no Rio, é possível sentir o bem-estar que só a a civilidade do respeito às diferenças pode proporcionar

Estou implantando o Studio RJ, versão carioca do Studio SP, e por isso mesmo tendo o imenso prazer de passar dias inteiros de frente para a praia de Ipanema, conhecendo a rotina e entendendo os hábitos desse bairro tão emblemático. Muito próxima ao meu novo local de trabalho está a famosa rua Farme de Amoedo, conhecida como o mais importante point gay do Rio de Janeiro e talvez de todo o Brasil.

Em uma extensa faixa de areia de Ipanema, ao redor de onde a rua desemboca na praia, é possível ver centenas de lindas bandeiras do arco-íris e sentir um pouco do bem-estar que só a civilidade do respeito às diferenças pode proporcionar. Sensação igual a essa pode-se ter andando pelas charmosas ruelas do Marais em Paris, pelas históricas calçadas do Castro em San Francisco ou pela animadíssima rua Frei Caneca em São Paulo. Às vezes tenho até certa pena daquela parcela tosca de preconceituosos da sociedade que simplesmente não pode sentir essa sensação de orgulho da própria condição humana, que esses pequenos espaços de liberdade, cabeça aberta e resistência podem proporcionar.

Ecos dessa conquista de territorialidade estão espalhados por todo o país. Nas paradas gays, que já fazem parte das agendas de todas as cidades, nas diversas mídias especializadas que refletem sobre a questão, na iniciativa de empresários que focam o trabalho no universo LGBT, na bombação da noite gay e nos diversos eventos culturais que celebram toda essa cena.

Homofobia é crime

Há mais de 15 anos acompanho de perto a discussão política sobre o tema e posso afirmar que todas as conquistas recentes são fruto da explosão comportamental de uma parcela da sociedade civil. Por meio da exposição de hábitos, rotinas e estilos de vidas, ela conseguiu vitórias sustentadas por uma espécie de bom-senso coletivo, que nasce, creio eu, justamente dessa compreensão sobre como é melhor viver em um mundo, ou andar em ruas, onde exista o respeito.

Apesar das atuações importantes de parlamentares dentro do Congresso Nacional – como Marta Suplicy, ainda como deputada e hoje como senadora, e de Jean Willys, deputado que vem se destacando com um mandato firme e participativo – , a bancada conservadora impede avanços e impõe acordos que deformam propostas legislativas e avanços importantes, como a necessária lei que criminaliza a homofobia.

Entretanto, a causa LGBT vai colecionado vitórias junto à sociedade civil e avançando da maneira que pode. A recente decisão que oficializou o casamento gay no Brasil, por exemplo, é fruto de um processo de ocupação de espaço nos corações e mentes dos brasileiros. Os ministros do Supremo Tribunal Federal que julgaram a questão com certeza têm alguma forma de contato com o universo LGBT, seja por convivência com algum familiar ou amigo, seja por adorarem o clima dos cafés do Marais.

Sei que ao lado da Farme os pitboys homofóbicos ocupam outra parte da praia e que ao virar na esquina da avenida Paulista um gay vindo da Frei Caneca pode ter que enfrentar a fúria burra de um skinhead. Há muito caminho a percorrer e muito trabalho político a fazer. Eleger mais representantes gays para os espaços de poder, para que os temas urgentes sejam aprovados sem o patrulhamento dos radicais conservadores de plantão, ainda é o caminho mais óbvio dentro da atual lógica política.

De toda forma, fica a esperança de que no mundo novo que se desenha, onde novas formas de participação definirão os rumos das políticas públicas, a sociedade irá reinventar maneiras de conduzir suas causas e levantar suas bandeiras. Nesse mundo, os direitos dos homossexuais são os mesmos direitos dos ambientalistas, que são os mesmos direitos da mulher, que são os mesmos direitos de liberdade de expressão, que são os mesmos direitos de quem luta por uma sociedade menos opressora e mais evoluída.

* ALÊ YOUSSEF, 36, é sócio do Studio SP e um dos fundadores do site Overmundo. Foi coordenador de Juventude da prefeitura de SP (2001-04). Seu e-mail é ayoussef@trip.com.br. Seu Twitter é @aleyoussef

"COMO FOI A SUA PRIMEIRA VEZ?" Por ÍTALO DAMASCENO

Por ÍTALO DAMASCENO especial para o Homorrealidade


No final do ano de 1999, eu saí de casa para ver o maior sucesso do cinema na época: O Sexto Sentido. Chegando lá, qual não foi minha frustração ao chegar no Box de compra de ingresso e a atendente me dizer sem dó, nem piedade: JÁ ESTÁ TUDO LOTADO! Que ódio! Mas pensei: “Já que estou aqui mesmo, vou ver outro filme.” E dentre as opções, escolhi o mais desconhecido e com cartaz mais estranho: American Pie – o primeiro da saga. Assisti e me diverti muito. Voltei pra casa ainda rindo das loucuras, pois é um gênero de filme que eu sempre gostei, mas que andava meio sumido das prateleiras desde o final dos anos 80.

Continuei acompanhando a série, mais por carinho nostálgico do que por gostar propriamente dos filmes. Afinal, a identificação era total: jovens virgens, loucos para experimentar as sensações do amor e do sexo. Apesar de não gostar tanto dos outros filmes, continuei fã do gênero, por isso foi com grande felicidade que encontrei Another gay movie, uma versão gay dos filmes de picardia adolescente, como Porky´s.

O enredo é típico. Quatro amigos (sempre quatro), cada um com seu estilo – a bee espalhafatosa, a bee nerd e bem dotada, a bee com cara de hétera e a bee mais comum, que é o protagonista –, fazem um pacto (adivinha qual!): perder a virgindade até o final do verão (dãããã). Até que aconteça o grande final, muitas confusões acontecerão. Ao longo do filme, eles contam com a ajuda da amiga lésbica, que é mais homem do que eles quatro juntos; com o pai de Andy, que se torna ridículo ao tentar fazer o papel de “pai-participativo”; e o professor de matemática, interpretado pelo hilariante Graham Norton. Graham é apresentador de um talk show na Inglaterra que tem uma mesa cheia de Barbies nuas no cenário, os convidados dão entrevistas enquanto tomam vinho ou uísque, e que prega peças nas pessoas nas ruas. É muito bom. (veja um trechinho do programa dele no final do post)

O filme é bem legal. Poderia passar na Globo, assim como o American Pie. Tem momentos ótimos, mas o que eu acho mais interessante é a sacada de fazer um filme de comédia sobre adolescentes gays, no melhor estilo heterossexual. E mostrar que peripécias sexuais podem acontecer com qualquer uma das orientações possíveis.

O filme até ganhou uma continuação, Another Gay Sequel: Gays Gone Wild. Eles prometeram, no final do segundo filme, um terceiro em que eles vão para o espaço. Até agora, estamos no aguardo.


Trailer do filme


Um pedacinho do programa Graham Norton

*ÍTALO DAMASCENO é advogado; se sente extremamente sexy sempre que assiste Presença de Anita; e, assim como a Juma Marruá que vira onça, ele vira um tuiuiú quando fica bravo.

27/10/11

Fofura do Dia: a carinha de susto do filho do Elton John!

Por Rafael Maia para o Papel Pop

O bebê Zachary do Elton John e do marido dele, David Furnish, acabou de entrar para a lista das criancinhas mais fofas de celebridades. Ou eu tô exagerando?

Dá uma olhada na carinha que ele fez quando os papais saíram de um hotel em Nova York há poucas horas atrás e deram de cara com os flashes dos fotógrafos! Hahaha!

Elton John e a família estão na cidade porque, na noite de quarta-feira, eles participaram de um evento da fundação de combate a AIDS criada pelo músico britânico.

O bebê Zachary nasceu no natal passado na Califórnia de uma mãe que serviu de barriga de aluguel. Fala sério, queremos mais baby Zachary! \o/

‘BBB 12’ procura gay assumido, bonitão e sem dar ‘pinta’

Visto no GAY1

Nada de pintosa! A próxima edição do “BBB” terá um gay assumido nem um pouco afeminado. O perfil “Serginho” não terá vez na 12º edição. E as exigências não param por aí: o rapaz tem que ser lindo, alto, sarado e carioca. Para confrontá-lo, a produção busca também um perfil de um homem másculo, com idade aproximada de 35 anos e homofóbico. Mas encontrar esses dois perfis não tem sido tarefa fácil para os olheiros.

Os finalistas, selecionados pelos olheiros, serão apresentados a Boninho para o veredicto no próximo mês. A ordem dada é sigilo total. A produção acompanha de perto o perfil dos possíveis candidatos pelo Facebook.

Ashton Kutcher encena beijo gay em 'Two and a half men'.



Visto no Extra

A queda na audiência da nona temporada de"Two and a half men" parece ter mobilizado os roteiristas. No capítulo exibido nos Estados Unidos, nesta segunda-feira, Ashton Kutcher e Jon Cryer protagonizaram um beijo gay. Ainda não há previsão de ir ao ar no Brasil.

No episódio, Walden (Kutcher) flerta com a personagem de Rachel Maddow, mas ela ignora completamente suas investidas e dispara: "Vou ter que soletrar para você?", tascando um beijaço na namorada.

Para não ficar por baixo, Walden fala: "Ah, você achou que eu estivesse interessado em você!". É nessa hora que ele rouba um beijo de Alan (Jon Cryer).





UPDATE
Mas não foi a primeira vez que o astro encenou um beijo com outro homem:

Primeiro Ministro do Zimbábue muda de ideia e passa a defender direitos gays



Visto no Eleições Hoje

Primeiro Ministro do Zimbábue diz que direitos gays são direitos humanos

O primeiro ministro do Zimbábue, Morgan Tsvangirai mudou de idéia e se declarou em favor dos direitos dos homossexuais, e disse que agora quer que eles sejam protegidos na nova constituição. Em entrevista a BBC News, ele disse que direitos gays são direitos humanos, e que devem ser respeitados pelo povo do país. “É um assunto muito controverso na África. Minha atitude é de esperar que a constituição virá com liberdade de orientação sexual, contando que não interfira na vida de outras pessoas. Para mim, eles são direitos humanos”, disse.

No passado, Morgan havia concordado com o presidente (homofóbico) Robert Mugabe, que condenou publicamente homossexuais, dizendo que eles eram ‘piores do que cães e porcos’. Ambos, anteriormente, haviam se recusado a garantir direitos para os homossexuais na nova constituição que está sendo desenhada e será colocada em votação popular no próximo ano. De acordo com a leis promulgadas por Mugabe, em 2006, é ilegal o sexo e demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo, como abraçar, andar de mãos dadas, ou beijar.

Veja notícia no Eleições Hoje: clique aqui!

JN explica a decisão do STJ sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Visto no site do JN no dia 26 de outubro

Para quem não domina os termos usados no judiciário, o significado prático do voto dos ministros no STJ não ficou muito claro. Vamos entender a decisão:


"Homossexualidade é tema?" Por André Caramuru Aubert

Por André Caramuru Aubert para a Revista TRIP
Ilustração Rodolpho Parigi

Não deveria ser. O assunto só estará resolvido quando não precisar mais ser debatido ou defendido

Na sofisticada Inglaterra das primeiras décadas do século 20, viveu Marguerite Radclyffe-Hall, uma talentosa escritora de família aristocrática. Ela publicava (belos) poemas, ensaios e romances, era razoavelmente lida e bastante respeitada pela crítica. Lésbica, se vestia como homem e era chamada, pelos amigos, de John. Num mundo onde ainda não havia tabloides e as elites não eram perseguidas pelas lentes dos paparazzi, John era aceita em seu meio. Mesmo quando seduziu a esposa de um poderoso almirante ela foi tolerada. Mas quando, em 1928, ela publicou O poço da solidão, seu 13º livro, um romance que foi considerado de temática lésbica, aí o caldo entornou. O livro foi censurado nos Estados Unidos e na Inglaterra e depois, graças à polêmica, tornou-se um best-seller mundial. O barulho que causou foi suficiente para que a mídia transformasse O poço numa espécie de bíblia da homossexualidade feminina e para que Radclyffe-Hall entrasse para a história como “uma importante escritora lésbica”.

Ora, a homossexualidade precisa deixar de ser tema. Ou, em outras palavras, o tema da homossexualidade só estará resolvido quando não precisar mais ser debatido e defendido. Quando a Trip não precisar mais ter uma edição com esse assunto estampado na capa. Quando a orientação sexual de cada um não for motivo de vergonha nem de orgulho. Quando ninguém mais pensar nisso na hora de qualificar uma pessoa. Quando a orientação sexual não for mais relevante no julgamento dos indivíduos do que (parafraseando Bob Marley em “War”) a cor dos olhos.

E essa é uma tarefa na qual nossa sociedade terá que abrir caminhos. Não adianta procurar na história ou na antropologia os argumentos em defesa dessa causa, pois
o que se encontrará são, ao longo do tempo, as mais diversas atitudes. Fala-se muito dos gregos e dos romanos antigos como entusiastas da homossexualidade ou, talvez melhor, da bissexualidade. Mas, ao que tudo indica, a coisa era um pouco mais complicada. Em todo caso, eles eram bem mais liberais do que a turma da outra tradição cultural que pesa sobre nós, a judaico-cristã. Esta, incorrigível adepta do hábito de se meter na vida alheia, em geral preferiu tratar da homossexualidade na base da paulada, quando não da fogueira. O fato é que, independentemente de como nossos avós se comportaram com relação ao tema, estamos, agora, por nossa conta.

Com todos os defeitos que têm, as sociedades ocidentais (Brasil incluído) estão entre as mais tolerantes da história. As atitudes contra minorias religiosas, étnicas e de orientação sexual têm sido bastante combatidas, com variados graus de sucesso, mas numa curva de melhora constante. Em 1990 a Organização Mundial de Saúde deixou de considerar a homossexualidade como uma doença ou um desvio de conduta. A democracia, não custa lembrar, é menos a vontade da maioria (que facilmente se transforma em ditadura) do que o respeito às minorias. Em todo caso, no ponto em que estamos, embora sejam fundamentais ações do estado, da mídia, de escolas etc., a tarefa cabe principalmente a cada um de nós. Exercitando-nos na prática da tolerância todos os dias, o tempo todo. Até que chegue o dia em que Marguerite “John” Radclyffe-Hall seja lembrada apenas como uma grande escritora que tratou, entre outros temas, do amor.

*André Caramuru Aubert, 48, é historiador e trabalha com tecnologia. Seu e-mail é acaramuru@trip.com.br

Trilha Especial: Beyoncé - "Party" ft. J. Cole

26/10/11

"Casamento sem escala" Por Maria Berenice Dias

Por Maria Berenice Dias

O Superior Tribunal de Justiça acabou de admitir que os noivos, mesmo sendo do mesmo sexo, podem requerer a habilitação para o casamento diretamente junto ao Registro Civil, sem precisar antes comprovar a união para depois transformá-la em casamento.

Antes não havia nada.

Até parece que amor entre iguais não existia.

Na vã tentativa de varrer para baixo do tapete os homossexuais e seus vínculos afetivos, a Constituição Federal admite a conversão em casamento somente à união estável entre um homem e uma mulher.

Diante da total omissão do legislador, que insiste em não aprovar qualquer lei que assegure direitos à população LGBT, o jeito foi socorrer-se da justiça.

Assim, há uma década o Poder Judiciário, ao reconhecer que a falta de lei não quer dizer ausência de direito, passou a admitir a possibilidade de os vínculos afetivos, independente da identidade sexual do par, terem consequências jurídicas. No começo o relacionamento era identificado como mera sociedade de fato, como se os parceiros fossem sócios. Quando da dissolução da sociedade, pela separação ou em decorrência da morte, dividiam-se lucros. Ou seja, os bens adquiridos durante o período de convivência eram partilhados, mediante a prova da participação de cada um na constituição do “capital social”. Nada mais.

Apesar da nítida preocupação de evitar o enriquecimento sem causa, esta solução continuava provocando injustiças enormes. Como não havia o reconhecimento de direitos sucessórios, quando do falecimento de um do par o outro restava sem nada, sendo muitas vezes expulso do lar comum por parentes distantes que acabavam titulares da integralidade do patrimônio.

Mas, finalmente, a justiça arrancou a venda dos olhos, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) consagrou a inserção das uniões homoafetivas no conceito de união estável.

Por tratar-se de decisão com efeito vinculante – isto é, nenhum juiz pode negar seu reconhecimento – os magistrados passaram a autorizar a conversão da união em casamento, mediante a prova da existência da união estável homoafetiva, por meio de um instrumento particular ou escritura pública. Assim, para casar, primeiro era necessária a elaboração de um documento comprobatório do relacionamento para depois ser buscada sua conversão em casamento, o que dependia de uma sentença judicial.

Agora o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acabou de admitir que os noivos, mesmo sendo do mesmo sexo, podem requerer a habilitação para o casamento diretamente junto ao Registro Civil, sem precisar antes comprovar a união para depois transformá-la em casamento.

Ou seja, a justiça passou a admitir casamento sem escala!

Só se espera que, diante de todos esses avanços, o legislador abandone sua postura omissiva e preconceituosa e aprove o Estatuto da Diversidade Sexual, projeto de lei elaborado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que traz o reconhecimento de todos os direitos à comunidade LGBT e seus vínculos afetivos.

Com certeza é o passo que falta para eliminar de vez com a homofobia, garantir o direito à igualdade e consagrar o respeito à dignidade, independente da orientação sexual ou identidade de gênero.

Enfim, é chegada a hora de assegurar a todos o direito fundamental à felicidade!

Maria Berenice Dias - Advogada. Ex-desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Vice-Presidente Nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

Ex-jogador Neto diz que dirigentes abusam sexualmente de jovens jogadores

Visto em A CAPA

Neto, ex-jogador e atual comentarista de futebol na Band, disse que a "homossexualidade é comum nas categorias de base" do futebol brasileiro. A declaração foi feita em entrevista para o jornal "O Estado de S.Paulo".

Quando questionado por que é mais comum gays entre os jogadores de base do que nas categorias profissionais, Neto disse que o motivo é o assédio sexual. Segundo ele, desde a década de 80, quando era jogador, os dirigentes se aproveitam da vulnerabilidade dos atletas em início de carreira em troca de favores sexuais.

"Muita gente usa o poder como diretor, como técnico, como outras coisas, para usar do benefício sexual com os meninos", disparou o ex-atleta, que afirmou ter conhecimento de várias histórias como essa.

"Essas coisas não são divulgadas, mas quando eu trabalhei como gerente de futebol [no Guarani] e quando fui jogador, a gente sabia disso. É velado. Para falar a verdade, é uma coisa muito séria, que o ministro dos Esportes e as autoridades deveriam olhar mais".

O comentarista também afirmou que já teve amigos e colegas de trabalho que passaram por essa situação. "Ah, se eu estou falando isso é porque já, né? Mas eu não vou falar", declarou, encerrando o assunto.

Chris Martin: "Take That me fez questionar a minha sexualidade"

Visto no Quem Online

Vocalista da banda Coldplay e marido de Gwyneth Paltrow afirmou que pensou ser gay quando mais novo

Chris Martin falou em entrevista ao tablóide inglês "The Sun", durante o Q Awards, realizado na noite de segunda-feira (24), em Londres, que questionou sua sexualidade quando mais novo por causa da banda Take That.

O vocalista da banda Coldplay e marido da atriz Gwyneth Paltrow afirmou que suas bandas preferidas quando mais novo eram " U2 e cinco homens bonitos vindos de Stoke e Manchester". "Não tenho medo de admitir. Eles fizeram eu me questionar, 'será que sou gay?'", disse.

Chris Martin fez a revelação ao apresentar o prêmio para Gary Barlow, por suas conquistas no mundo da música. Coldplay faturou o prêmio de melhor banda.

"O amor não obedece regras doutrinárias" por Flávio Alves

Por Flávio Alves para o Super Ideias Canhotas

á disse aqui no Canhotas que não gosto de falar de religião, no texto A César o que é de César disse que já perdi muito em razão de diferenças religiosas, portanto, evitava participar de qualquer debate que enveredasse para uma discussão que tivesse a Bíblia ou alguma divindade como fundamento.

Compartilhei aqui que perdi amigos, que tive problemas na família, entre outras coisas por causa de religião, e hoje, refletindo melhor, tenho a convicção de que perdi parte importante da minha vida.

Resolvi voltar ao assunto, pois, há cerca de um mês, um casal de pastores resolveu me converter, e ao verem que não teriam mais uma ovelha no rebanho passaram a me desqualificar, contestar minhas publicações nas redes sociais e pregar contra a homossexualidade e contra o caráter laico do Estado Brasileiro.

Tentei fazer o debate, disse que respeitava o direito deles de professar uma fé, de ter uma religião, mas que exigia respeito ao meu direito de não ter religião nenhuma, inclusive de não ser cristão, não adiantou, logo, volto ao tema.
Nasci em uma família de tradição católica, ou seja, a religião, os ritos, a liturgia sempre fizeram parte da minha vida desde as minhas lembranças mais antigas. Meus pais participavam de tudo na igreja, por diversas vezes dormi em bancos de igreja durante as missas e encontros. Fui batizado, fiz a primeira comunhão, tudo certinho, conforme a igreja exigia. Deixei o catolicismo antes de me crismar, eu devia ter uns 18 anos.

Sempre tive um conflito imenso, sempre me senti diferente e ser diferente pesava muito na minha relação com a Igreja. Minha vida religiosa era falsa, minha fé era torta, eu vivia em um ambiente que era hostil ao que eu realmente sou, e vivia me escondendo, morrendo de medo de ser descoberto. A idéia do Deus onipresente, onisciente e onipotente, me apavorava e me enchia de culpa. Deus sabia que eu era falso. Pânico!

Me lembro de uma aula de catecismo quem que a professora dizia que tudo o que acontece no mundo está na Bíblia, que Deus previa tudo. Aí a catequista se vira para o grupo e diz: “Deus previu até a existência das bichas, até as bichas estão na Bíblia, eram os eunucos!”, depois disse que Deus destruiu Sodoma e Gomorra por causa das “bichas”, ou seja, o negócio era sério.
Mais medo, tive fantasias horríveis sobre a homossexualidade, morria de medo de me tornar uma “bicha”, hoje dou risada disso.

Rezei muito, implorei para Deus para não ser assim, fiz promessa, me penitenciei. Participava de grupos de oração, e pedia muito para deixar de ser gay. Sofria demais com isso, levava uma vida dupla, me escondia e começava a concluir que minha vida religiosa era uma grande farsa.

Um dia uma possibilidade de abriu, me fizeram a proposta de entrar para o seminário, ou seja, uma saída honrosa para quem sabia que nunca teria uma vida heterossexual. Passei a justificar meu desinteresse por namoros com mulheres a partir de minha vocação sacerdotal.

Lógico que essa ideia não foi muito longe, não aconteceu, pois o peso da máscara que eu carregava me cansou, rompi com a Igreja por não ver mais sentido em tudo aquilo que era dito ali, por não me sentir mais parte daquele espaço, e por ter a consciência de que nunca seria aceito como sou por aqueles que se diziam meus irmãos.

Como disse, o medo de ser descoberto sempre me perseguiu. Esse temor me acompanhou durante muito tempo, e o medo de ser quem eu realmente sou, de me aceitar, gostar de mim exatamente como sou, me perseguiu durante anos, mesmo depois de ter saído da Igreja. Palavras como aberração, abominação, pecador, viraram sinônimos da maneira como eu me via.

Não quero com este texto dizer que a religião é ruim, que as LGBTs não devem acreditar em nada, ou que devem deixar de freqüentar suas comunidades. Ou ainda, que as experiências religiosas são ruins para todas as pessoas. Não são! Foi ruim para mim!

Hoje existem comunidades dirigidas aos homossexuais, algumas congregações vêm ampliando sua compreensão de mundo e incluindo homossexuais. Existem grupos dentro de igrejas tradicionais e novas denominações que atuam pelo fim da discriminação e combatem o preconceito, que acreditam ser possível conciliar uma boa vida religiosa com o que realmente se é.

A Diversidade Católica e a Igreja Crista Contemporânea são exemplos de trabalho religioso sério voltado para a população LGBT. Sem contar as comunidades espíritas e as religiões de matriz africana que sempre foram mais abertas à participação dos homossexuais.

Falando de mim, hoje lido de uma maneira mais filosófica com a minha religiosidade, acredito na humanidade, em valores humanos como a solidariedade, a honestidade, a compaixão, a amizade, o amor, e faço o possível para exercitar e dar sentido a este lado humano.

Tento até hoje rever meus valores, me livrar das amarras que a religião me colocou, tento resignificar o que aprendi no meu tempo de vivência religiosa, dar novos sentidos e me humanizar cada vez mais.

Acredito principalmente no amor, sentimento este que quando surge é incondicional, livre de amarras e que não obedece a nenhuma regra doutrinária. E em não havendo regras para amar, amamos como podemos, amamos como somos.

Penso que o amor é essencialmente cuidado. Conforme a definição do teólogo Leonardo Boff, CUIDADO significa: [...] desvelo, solicitude, diligência, zelo, atenção, bom trato. Como dizíamos, estamos diante de uma atitude fundamental, de um modo de ser mediante o qual a pessoa sai de si e centra-se no outro com desvelo e solicitude (...) a atitude de cuidado pode provocar preocupação, inquietação e sentido de responsabilidade, e por sua própria natureza, cuidado inclui pois duas significações básicas, intimamente ligadas entre si. A primeira, atitude de desvelo, de solicitude e de atenção para o outro. A segunda de preocupação e de inquietação, porque a pessoa que tem cuidado se sente envolvida e afetivamente ligada ao outro. (BOFF, 1999, p. 91-92).

E é assim que pretendo levar minha “religiosidade”, me dedicando ao meu próximo, cuidando daqueles que me são caros, respeitando as diferenças e participando da luta por mais democracia, por um pais que seja justo e garanta condições de vida digna a todos os brasileiros.

Isso passa por combater pessoas ou grupos que se utilizem da religião ou de dogmas religiosos para sustentar preconceitos, oprimir pessoas, defender seu direito de discriminar, agir politicamente e afrontar nossa Constituição.

Meu país virou minha religião.

E hoje só tenho a certeza de que vou amar sem regras e dar combate a todo e qualquer tipo de discriminação e preconceito e a toda forma de opressão. Simples assim!

Referência:

BOFF, L.; Saber Cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. Petrópolis/RJ: Editora Vozes, 1999.