Por Ítalo Damasceno Especial para o Homorrealidade
Essa semana, mais uma
vez, eu vou falar de um filme de Xavier Dolan, AMORES IMAGINÁRIOS (2010). E mais uma vez, eu vou tentar não falar
de mim mesmo. No post semana passada eu não fui muito eficiente nesse propósito,
mas dessa vez eu vou tentar com mais afinco. Vamos ver se agora eu consigo.
Fracis
(Xavier
Dolan) é amigo de Marie (Monia
Chokri). Eles conhecem Nicolas (Niels
Schneider). Ambos o tratam com desdém, mas apenas para disfarçar a grande atração
que sentiram por ele. A partir daí se desenrola uma competição velada, uma
guerra fria entre os dois amigos, pelo coração de Nic. Os dois são pessoas que já sofreram muito com relações não
correspondidas e isso os afeta de diferentes maneiras. Além do mais, o fato de
não se saber o que exatamente quer Nic,
nem se ele é gay, nem se ele se sente atraído por algum deles, só comprova
ainda mais como os amigos criam – e, acredito eu, todos nós na mesma situação –
verdadeiras histórias de amor com alguém que não sente nada por eles. E como,
baseados nesse fictício romance, são/somos capazes de destruir coisas tão
concretas – como uma amizade tão bonita.
Marie
é
uma mulher incrível: inteligente, sensível, se veste e se porta como Audrey
Hepburn e ainda fuma compulsivamente no filme. Frank é bonito, super legal, culto e conta com riscos na parede do
banheiro as vezes em que ele se declarou para alguém e a pessoa disse não estar
interessada.
Quem
não brigaria com a melhor amiga por um gato desses? Ainda mais coberto de
marshmallow...
O filme, mais uma vez,
é lindamente executado. A estória principal ainda é recheada de depoimentos de
pessoas que estão na mesma situação dos protagonistas – a questão do amor
imaginário, não da amizade. O tempo todo há uma atmosfera de Julis e Jim: uma mulher para dois, um
clássico do cinema francês dirigido por François Truffaut, acho que o filme
mais famoso sobre triângulo amoroso que envolve dois amigos. Também paira o
tempo inteiro a sensação de “tragédia vai acontecer e vai ser feia”. Sem contar
a música de Dalida (link abaixo) que exprime exatamente como o amor pode nos
reduzir a nada – e como a gente se deixa levar a esse nada.
Vencedor de Cannes, o
filme ainda conta com a participação de Anne Dorval e Louis Garrel, fazendo uma
pontinha bem safada na última cena do filme.
Para você que sempre se pergunta “Por que não eu?”, o filme não vai te dar
essa resposta, mas ele mostra bem o que se sente numa situação dessas e como
ela sempre se repete com as mesmas pessoas. Acho que isso é um bom primeiro
passo para não se deixar cair na armadilha de um amor imaginário. Mas a gente
sempre cai de novo...
“Que colar lindo.”/ “Gostou? São verdadeiras.”
Trailer
Trilha sonora do filme
Para os meus amores imaginários. Amo vocês.
*ÍTALO DAMASCENO é advogado; essa semana fica mais velho, mas a cada aniversário se sente mais jovem; e usou esse filme pra dar em cima de um gatinho durante o carnaval. E deu certo!!!



Um comentário:
Ô bicho piranho! kkkkkkkk Adorei o texto!
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