02/03/12

"AMORES IMAGINÁRIOS" Por Ítalo Damasceno



Por Ítalo Damasceno Especial para o Homorrealidade

Essa semana, mais uma vez, eu vou falar de um filme de Xavier Dolan, AMORES IMAGINÁRIOS (2010). E mais uma vez, eu vou tentar não falar de mim mesmo. No post semana passada eu não fui muito eficiente nesse propósito, mas dessa vez eu vou tentar com mais afinco. Vamos ver se agora eu consigo.

Fracis (Xavier Dolan) é amigo de Marie (Monia Chokri). Eles conhecem Nicolas (Niels Schneider). Ambos o tratam com desdém, mas apenas para disfarçar a grande atração que sentiram por ele. A partir daí se desenrola uma competição velada, uma guerra fria entre os dois amigos, pelo coração de Nic. Os dois são pessoas que já sofreram muito com relações não correspondidas e isso os afeta de diferentes maneiras. Além do mais, o fato de não se saber o que exatamente quer Nic, nem se ele é gay, nem se ele se sente atraído por algum deles, só comprova ainda mais como os amigos criam – e, acredito eu, todos nós na mesma situação – verdadeiras histórias de amor com alguém que não sente nada por eles. E como, baseados nesse fictício romance, são/somos capazes de destruir coisas tão concretas – como uma amizade tão bonita.

Marie é uma mulher incrível: inteligente, sensível, se veste e se porta como Audrey Hepburn e ainda fuma compulsivamente no filme. Frank é bonito, super legal, culto e conta com riscos na parede do banheiro as vezes em que ele se declarou para alguém e a pessoa disse não estar interessada.

Quem não brigaria com a melhor amiga por um gato desses? Ainda mais coberto de marshmallow... 

O filme, mais uma vez, é lindamente executado. A estória principal ainda é recheada de depoimentos de pessoas que estão na mesma situação dos protagonistas – a questão do amor imaginário, não da amizade. O tempo todo há uma atmosfera de Julis e Jim: uma mulher para dois, um clássico do cinema francês dirigido por François Truffaut, acho que o filme mais famoso sobre triângulo amoroso que envolve dois amigos. Também paira o tempo inteiro a sensação de “tragédia vai acontecer e vai ser feia”. Sem contar a música de Dalida (link abaixo) que exprime exatamente como o amor pode nos reduzir a nada – e como a gente se deixa levar a esse nada.

Vencedor de Cannes, o filme ainda conta com a participação de Anne Dorval e Louis Garrel, fazendo uma pontinha bem safada na última cena do filme.


Para você que sempre se pergunta “Por que não eu?”, o filme não vai te dar essa resposta, mas ele mostra bem o que se sente numa situação dessas e como ela sempre se repete com as mesmas pessoas. Acho que isso é um bom primeiro passo para não se deixar cair na armadilha de um amor imaginário. Mas a gente sempre cai de novo... 


 “Que colar lindo.”/ “Gostou? São verdadeiras.”

   
 Trailer

 Trilha sonora do filme

 Para os meus amores imaginários. Amo vocês. 


*ÍTALO DAMASCENO é advogado; essa semana fica mais velho, mas a cada aniversário se sente mais jovem; e usou esse filme pra dar em cima de um gatinho durante o carnaval. E deu certo!!!

Um comentário:

ЯH* disse...

Ô bicho piranho! kkkkkkkk Adorei o texto!