13/04/12

"PRISCILLA, MY QUEEN" Por Ítalo Damasceno

Por Ítalo Damasceno - Especial para o Homorrealidade 


Um filme que já virou um clássico gay e, para mim, o que dá mais orgulho, um clássico do cinema como um todo. Tão engraçado quanto emocionante, PRISCILLA, A RAINHA DO DESERTO (1994) foi bem inovador na forma de apresentar a vida dos homossexuais.

Duas drag queens – Hugo Weaving e Guy Pearce – e uma transexual – Terence Stamp – embarcam numa viagem cruzando a Austrália para fazerem um show em Alice Spring. Para chegar até lá, eles cruzam um enorme deserto em um ônibus velho e super decorado, batizado de Priscilla. As peripécias que eles aprontam ao longo da viagem e as revelações de como chegaram até aquele momento são compartilhadas com os espectadores. Mas não se engane, nem todos os segredos são revelados. Sempre surge uma nova surpresa.

Enquanto viajam ao som de clássicos gays, como I will survive e músicas do Abba, essas três figuras encontram de um tudo pela estrada. Desde festas animadíssimas com povos indígenas até a violência da intolerância.


O que eles aprontam, não está escrito.

Pelo que eu me lembro da época, poucos filmes haviam feito uma abordagem tão aberta e sincera da cultura gay, obtendo uma receptividade tão grande. Ele popularizou a figura das drags, dando visibilidade a elas e mostrando que são pessoas como quaisquer outras com problemas na vida, angústias e amigos com quem contar nestes momentos difíceis. Contudo também possuem um senso de humor tão brilhante quanto os paetês das suas roupas e são verdadeiros artistas.

Recentemente, Priscilla foi transformado em musical e há uma montagem dele se apresentando em São Paulo e, o que deu pra ver pelas fotos, bem fiel ao filme, com os figurinos e as músicas selecionadas. Quem estiver por lá, vale a pena conferir.

Um dado curioso é que os três atores principais do filme não tem um histórico de filmes de comédia. Guy Pearce ganhou notoriedade no filme Amnésia; Hugo Weaving é o rei elfo da saga O senhor dos anéis e o Agente Smith da trilogia Matrix; e Terence Stamp é ninguém menos que o misterioso sedutor do filme Teorema, de Pasolini, já tratado aqui em um post anterior.

Então, embarque nessa louca viagem que vai te levar onde você jamais imaginou chegar: mais perto do seu coração.
Trailer

Uma das músicas mais bregas que eu já vi em um dos melhores créditos de abertura que eu já vi


*ÍTALO DAMASCENO é advogado; afirma que só trabalha naquilo que gosta e não se importa com dinheiro (mas é tudo mentira); e está precisando de uma sessão de descarrego, pois ele anda com um olhar de “seca pimenteira”. Cuidado!

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