20/05/12

"Família vs Mundo Gay" Por Felippe Brana



Por Felippe Brana para o Trend Coffee
Dica de Augusto Martins 

Emocione-se com 4 filmes gays focados em dramas familiares

Quando dividi com vocês alguns filmes que indiquei a um amigo ávido por referências cinematográficas gays, recebi várias mensagens bem bacanas sobre os diversos títulos citados e, claro, sugerindo vários outros longas que ficaram de fora da nada curta lista que preparei naquele primeiro post.

Foi assim que tive a ideia de não só buscar referências pessoais de filmes super interessantes para dividir com vocês como também selecionar vários longas citados entre comentários do post anterior. Tá preparado para mais algumas incríveis dicas de cinema gay? Dá só uma olhada no que eu reservei para vocês:

“Sim, eu amo um homem. E sei que você não pode suportar. Mas é assim. Não é uma questão de ser gay ou não, é apenas uma questão de amor”.

Apenas Uma Questão de Amor‘ (‘Juste Une Question D’Amour’) é um drama produzido para televisão francesa que causou muito burburinho por lá, quando foi lançado em 2000. No longa, Laurent é um jovem de 23 anos que vive um namoro de fachada com a melhor amiga para evitar que seus homofóbicos pais descubram sua homossexualidade. Se já era difícil manter essa situação, tudo fica ainda mais complicado quando o jovem se apaixona por Cedric, um homem maduro e bem resolvido à procura de alguém com quem possa ter uma relação honesta e verdadeira, longe de segredos e mentiras.


A identificação com o drama do protagonista e sua família homofóbica é imediata e você facilmente toma para si o sofrimento do jovem em não ser aceito por todos que ama. Laurent viu seus pais e seus tios expulsarem de casa seu primo gay e deixá-lo morrer sozinho em um hospital e, mesmo com o apoio de Cedric, sente não estar preparado para enfrentar essa situação.  

A mesma sensação de não pertencer àquela família e não ser aceito por ela é vivida por Bobby, protagonista do longa também produzido para TV ‘Orações Para Bobby’



“Eu não vou ter um filho gay”

A frase acima foi a última coisa que Mary (Sigourney Weaver, em uma atuação fantástica) disse ao filho antes de seu suicídio, aos 20 anos, e ‘Orações Para Bobby’ é exatamente como você viu no trailer: intenso, delicado e absolutamente sincero. 

Baseado em fatos reais, ‘Orações Para Bobby’ foi indicado ao Emmy e Globo de Ouro em 2010 e não tenho o menor receio em dizer que poucos filmes gays são tão incríveis e emocionantes como esse. O drama de Bobby procurando entender porque é ‘diferente’, enquanto a família tenta ‘consertá-lo’ é de uma sensibilidade tocante. De uma forma comovente, vemos uma mãe que, através da fé e com o coração repleto de remorso e dúvidas, procura uma forma de fazer do superar a perda de Bobby e, principalmente perdoar a si mesma por não ter estado ao lado dele quando mais precisou. Ver a transformação de Mary, antes uma mulher religiosa e homofóbica e hoje alguém lutando arduamente pelos direitos dos homossexuais como uma forma de honrar o nome do filho, faz você terminar de ver ‘Orações Para Bobby’ com uma imensa esperança por um mundo melhor e uma vida sem medo e vergonha. 

A próxima dica não é necessariamente um drama gay, mas a história sobre um jovem e sua difícil relação com a mãe. ‘Eu Matei a Minha Mãe’ até expõe a homossexualidade de Hubert, mas é a dificuldade em conviver com a mãe Chantale o grande foco desse filme canadense escrito, dirigido e protagonizado por Xavier Dolan, além de ser baseado em suas próprias experiências. 


A impressão que eu tive ao ver o longa de Dolan é que por muito pouco ‘Eu Matei a Minha Mãe’ não cai em um melodrama caricato e se isso não acontece é certamente pelas atuações de Dolan e Anne Dorval (que interpreta com maestria Chantale, a mãe) além de sabermos que toda aquela intensidade vista em cena é a história real do escritor. Vale ressaltar também que se sua relação com a mãe torna-se tão problemática com o passar do tempo, deve-se também ao contraponto direto com a feliz e tranquila casa do namorado Antonin, onde o jovem vive com uma mãe liberal que aceita que o filho leve o namorado, fume maconha e tenha uma liberdade por vezes sufocante, ao ser comparada com o mundo depressivo e escuro onde Hubert vive com Chantale. 

Ao falar ‘eu não nasci para ter uma mãe’, Hubert expõe todos os medos, angústias e revoltas de um jovem de 17 anos e esses são os grandes momentos do filme, aqueles em que Hubert desabafa olhando para a câmera com a melancolia e depressão que vemos também em suas grandes explosões com Chantale. Só não deixe-se enganar ao imaginar que o ódio crescente de Hubert pela mãe vem da falta de amor por ela. Claro que o jovem a ama muito, ou não poderia odiá-la tanto, e com tanta vontade.

Um post com três filmes tão intensos e dramáticos pede ao menos uma dica divertida e sendo assim prepa-se para ‘O Primeiro que Disse’!



‘O Primeiro que Disse’ conta a história de Tommaso Cantone (Riccardo Scamarcio), jovem que, após um período estudando em Roma, volta à sua cidade natal no interior da Itália disposto a assumir-se gay para sua família burguesa e tradicional. O que ele não esperava era que seu irmão Antônio se antecipasse e saísse do armário antes dele, sendo expulso de casa pelo patricarca. 


Tommaso precisa então assumir os negócios da família e de alguma forma ajudar o irmão, mas as coisas fogem do controle quando seus amigos e namorado resolvem visitá-lo, levando um caos cômico para aquela pequena cidade.

Essa é uma ótima dica se você procura uma divertida comédia de costumes, além de expor de uma forma mais tranquila e natural o grande medo de assumir-se gay em uma família intolerante e conservadora. Ah, não dá para esquecer que em meio a todo o caos da família Cantone, Tommaso ainda fica confuso quando a seus sentimentos pela jovem Alba (e vamos combinar.. pode nunca ter acontecido com você, mas é mais natural do que você imagina, afinal não é uma questão de ser gay ou não.. é uma questão de amor, lembra?)


E essas foram as dicas que o Trend Coffee selecionou para você focadas no drama família x mundo gay. Mas calma, eu sei que há diversos outros filmes gays que você está louco para ver por aqui então fica tranquilo que estamos preparando outros posts com outros temas interessantes! Agora eu deixo vocês com uma das melhores frases que eu já vi em um filme gay (e olha que foi dita por um pai homofóbico!):
They don’t reproduce but there are more and more of them.
Ah, dois dos filmes mencionados nesse post podem ser vistos completos no Youtube:

Faz a pipoca, aperta o play e divirta-se!

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