Por Felippe Brana para o Trend Coffee
Dica de Augusto Martins
Emocione-se com 4 filmes gays focados em dramas familiares
Quando dividi com vocês alguns filmes que indiquei a um amigo ávido
por referências cinematográficas gays, recebi várias mensagens bem
bacanas sobre os diversos títulos citados e, claro, sugerindo vários
outros longas que ficaram de fora da nada curta lista que preparei
naquele primeiro post.
Foi assim que tive a ideia de não só buscar referências pessoais de
filmes super interessantes para dividir com vocês como também selecionar
vários longas citados entre comentários do post anterior. Tá preparado
para mais algumas incríveis dicas de cinema gay? Dá só uma olhada no que
eu reservei para vocês:
“Sim, eu amo um homem. E sei que você não pode suportar. Mas é assim.
Não é uma questão de ser gay ou não, é apenas uma questão de amor”.
Apenas Uma Questão de Amor‘ (‘Juste Une Question
D’Amour’) é um drama produzido para televisão francesa que causou muito
burburinho por lá, quando foi lançado em 2000. No longa, Laurent é um
jovem de 23 anos que vive um namoro de fachada com a melhor amiga para
evitar que seus homofóbicos pais descubram sua homossexualidade. Se já
era difícil manter essa situação, tudo fica ainda mais complicado quando
o jovem se apaixona por Cedric, um homem maduro e bem resolvido à
procura de alguém com quem possa ter uma relação honesta e verdadeira,
longe de segredos e mentiras.
A identificação com o drama do protagonista e sua família homofóbica é
imediata e você facilmente toma para si o sofrimento do jovem em não
ser aceito por todos que ama. Laurent viu seus pais e seus tios
expulsarem de casa seu primo gay e deixá-lo morrer sozinho em um
hospital e, mesmo com o apoio de Cedric, sente não estar preparado para
enfrentar essa situação.
A mesma sensação de não pertencer àquela família e não ser aceito por
ela é vivida por Bobby, protagonista do longa também produzido para TV ‘Orações Para Bobby’.
“Eu não vou ter um filho gay”
A frase acima foi a última coisa que Mary (Sigourney Weaver, em uma
atuação fantástica) disse ao filho antes de seu suicídio, aos 20 anos, e
‘Orações Para Bobby’ é exatamente como você viu no trailer: intenso,
delicado e absolutamente sincero.
Baseado em fatos reais, ‘Orações Para Bobby’ foi indicado ao Emmy e
Globo de Ouro em 2010 e não tenho o menor receio em dizer que poucos
filmes gays são tão incríveis e emocionantes como esse. O drama de Bobby
procurando entender porque é ‘diferente’, enquanto a família tenta
‘consertá-lo’ é de uma sensibilidade tocante. De uma forma comovente,
vemos uma mãe que, através da fé e com o coração repleto de remorso e
dúvidas, procura uma forma de fazer do superar a perda de Bobby e,
principalmente perdoar a si mesma por não ter estado ao lado dele quando
mais precisou. Ver a transformação de Mary, antes uma mulher religiosa e
homofóbica e hoje alguém lutando arduamente pelos direitos dos
homossexuais como uma forma de honrar o nome do filho, faz você terminar
de ver ‘Orações Para Bobby’ com uma imensa esperança por um mundo
melhor e uma vida sem medo e vergonha.
A próxima dica não é necessariamente um drama gay, mas a história sobre um jovem e sua difícil relação com a mãe. ‘Eu Matei a Minha Mãe’
até expõe a homossexualidade de Hubert, mas é a dificuldade em conviver
com a mãe Chantale o grande foco desse filme canadense escrito,
dirigido e protagonizado por Xavier Dolan, além de ser baseado em suas
próprias experiências.
A impressão que eu tive ao ver o longa de Dolan é que por muito pouco
‘Eu Matei a Minha Mãe’ não cai em um melodrama caricato e se isso não
acontece é certamente pelas atuações de Dolan e Anne Dorval (que
interpreta com maestria Chantale, a mãe) além de sabermos que toda
aquela intensidade vista em cena é a história real do escritor. Vale
ressaltar também que se sua relação com a mãe torna-se tão problemática
com o passar do tempo, deve-se também ao contraponto direto com a feliz e
tranquila casa do namorado Antonin, onde o jovem vive com uma mãe
liberal que aceita que o filho leve o namorado, fume maconha e tenha uma
liberdade por vezes sufocante, ao ser comparada com o mundo depressivo e
escuro onde Hubert vive com Chantale.
Ao falar ‘eu não nasci para ter uma mãe’, Hubert expõe todos os
medos, angústias e revoltas de um jovem de 17 anos e esses são os
grandes momentos do filme, aqueles em que Hubert desabafa olhando para a
câmera com a melancolia e depressão que vemos também em suas grandes
explosões com Chantale. Só não deixe-se enganar ao imaginar que o ódio
crescente de Hubert pela mãe vem da falta de amor por ela. Claro que o
jovem a ama muito, ou não poderia odiá-la tanto, e com tanta vontade.
Um post com três filmes tão intensos e dramáticos pede ao menos uma dica divertida e sendo assim prepa-se para ‘O Primeiro que Disse’!
Tommaso precisa então assumir os negócios da família e de alguma
forma ajudar o irmão, mas as coisas fogem do controle quando seus amigos
e namorado resolvem visitá-lo, levando um caos cômico para aquela
pequena cidade.
Essa é uma ótima dica se você procura uma divertida comédia de
costumes, além de expor de uma forma mais tranquila e natural o grande
medo de assumir-se gay em uma família intolerante e conservadora. Ah,
não dá para esquecer que em meio a todo o caos da família Cantone,
Tommaso ainda fica confuso quando a seus sentimentos pela jovem Alba (e
vamos combinar.. pode nunca ter acontecido com você, mas é mais natural
do que você imagina, afinal não é uma questão de ser gay ou não.. é uma
questão de amor, lembra?)
E essas foram as dicas que o Trend Coffee selecionou para você focadas no drama família x mundo gay. Mas calma, eu sei que há diversos outros filmes gays que você está louco para ver por aqui então fica tranquilo que estamos preparando outros posts com outros temas interessantes! Agora eu deixo vocês com uma das melhores frases que eu já vi em um filme gay (e olha que foi dita por um pai homofóbico!):
They don’t reproduce but there are more and more of them.
Ah, dois dos filmes mencionados nesse post podem ser vistos completos no Youtube:
Faz a pipoca, aperta o play e divirta-se!

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