20/06/12

"Política e pornografia" Por Zé Roberto Pereira



Por Zé Roberto Pereira via Facebook

Eu sempre gostei da pornografia. Não daquele tipo humilhante e machista, claro, mas nunca consegui simpatizar com os argumentos dos conservadores que insistem em ver ali uma deturpação dos valores do sexo; ora, se o sexo é uma coisa de adultos, encaremos como tal, explorando as complexas relações que nossas mentes são capazes de compor, bem além do papai-e-mamãe – e o que a... pornografia faz nada mais é expor essas relações sem pudores. Eu prefiro isso a repressões mudas e totalitárias.

É claro que existe o risco da pornografia ruim, aquela que desmistifica os corpos envolvidos a ponto de torná-los meros objetos não de prazer, mas de uma obssessão violenta e depressiva. No fundo da pornografia ruim está a crença de que nada vale a pena, nem uma boa trepada.

Olhando para aquela foto do Haddad com o Lula e o Maluf, não pude deixar de pensar nisso. Sem discussões ideologicas aqui: se à direita e a à esquerda (vixe, não acredito q usei esses termos) a putaria rola solta, porque vamos agora ficar discutindo o rigor do matrimônio?

O que assusta pra mim é o poder imagético daquela foto, desde já uma das mais impressionantes do novo século. Uma imagem que certamente transcende os personagens que ali estão, fazendo tanto referência ao famoso aperto de mão de Arafat e Rabin, observados por Clinton (em 93), quanto a futuros acordos cujos bastidores são maiores que a superfície dos pixels. No nosso caso tupiniquim, é patético ver o frágil Haddad tentando se apresentar como forte, enquanto Lula e Maluf se esforçam para parecer coadjuvantes – enquanto os rabos de suas serpentes chacoalham.

Sim, sabemos que esse tipo de coisa acontece todo dia. Mas ver isso assim, exposto em rede nacional, é um pouco como ver o pior tipo de pornografia estampada no jornal. Sinceramente, tanto faz de que lado você esteja, ou esteve – eu não quero ver a mãe do meu pior inimigo dando pra um cavalo, é uma imagem que me ofende como homem antes do que como cidadão. O cinismo dessa imagem transcende qualquer ideologia, e é um comentário sobre os personagens que estão nela e fora dela, sobre situacão e oposição. Muito mais do que discutir política, ela corrói o pouco de crença que cada um tem na estrutura como um todo, deixando um vazio sombrio. Nos tira o tesão e torna tudo apenas fisiologia.

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