Por Dirceu Cateck
Dica de Augusto Martins
Quando se diz que a homofobia mata, muitos se limitam ao sentido literal da
expressão de forma unilateral. Pensam que se refere apenas aos crimes que são
cometidos contra as pessoas homossexuais por terceiros. Mas existem outros graus
de violência e formas de matar e morrer.
A homofobia internalizada presente
no subconsciente coletivo é a que acaba com milhares de pessoas, de maneira
invisível, pois é camuflada e disfarçada.
Penso nos gays que não foram
capazes de dar o passo decisivo e se limitaram a acreditar que ser homossexual
realmente é algo inferior. Nos que ficaram encerrados dentro deles mesmos,
remoendo culpa, ódio e rancor. Nos que assumem e seguem as normas da sociedade,
que se casam e constroem famílias.
Percebo que há muitos homossexuais que não
tiveram coragem de enfrentar o entorno inóspito para os gays. Mas analisando de
forma pragmática, considero a auto-repressão mais cruel. A eterna contenda entre
assumir um comportamento aceitável ou reconhecer a própria identidade e se
liberar de culpas.
Não há como negar que aprendemos que ser homossexual é
algo menor, que está errado, que "contraria a natureza de Deus" e que é motivo
de repúdio. Nos inculcam valores homofóbicos desde que nascemos.
Muitos
somos capazes de questionar essa ditadura. Como é possível ignorar as nossas
sensações e sentimentos? Por que não beber água quando temos sede?
A
homofobia mata também de forma invisível aos olhos dos demais. Quantos gays
reprimidos que se horrorizam com a liberdade dos que se atreveram a contradizer
as regras sociais?
Quantos gays acabam cometendo suicídio quando descobrem a
sua sexualidade? Sem contar os que vivem uma vida que não lhes correspondem
realmente. Pessoas que não aceitam o desejo por outras do mesmo sexo e que
assumem compromissos com o sexo oposto apenas para serem aceitos
socialmente.
Dentro de cada quarto de uma pessoa homossexual reprimida está o
fel da tristeza, seja ela solitária ou compartilhada.
Quando falo sobre a tristeza de não aceitar o que se é, sempre acabo lembrando
do filme "Beleza Americana", mas especificamente do personagem de
Chris Cooper, o coronel aposentado do exército que é a personificação da
violência gerada pela falta de auto-aceitação. Por viver reprimido, ele acaba
sendo o algoz da película.


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