30/06/12

Rio: Casos de homofobia devem ser notificados pelos hospitais, diz Prefeitura


Publicado pelo O Dia

A Prefeitura do Rio, através da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS), lançou na última quinta-feira, um conjunto de ações para combater a homofobia no município do Rio em comemoração ao Dia Mundial da Cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), celebrado em 28 de junho.

Estiveram presentes no Palácio da Cidade, em Botafogo, o prefeito Eduardo Paes, o coordenador especial da Diversidade Sexual, Carlos Tufvesson, o secretário municipal de Saúde e Defesa Civil, Hans Domann, a secretária municipal de Assistência Social, Fátima Nascimento e a delegada chefe da Polícia Civil, Marta Rocha.

Na ocasião, o prefeito Eduardo Paes assinou um decreto que torna obrigatório o preenchimento de formulário específico na rede de saúde para a notificação compulsória mediante ciência nos casos de registro de ódio homofóbico. Tal decisão é pioneira no país e será efetivada não só em todas as unidades de saúde pública e privada da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil.

“O dia de hoje lembra nossos compromissos com os Direitos Humanos. Essa questão da diversidade sexual é respeitada e exigida pela Polícia Civil. Hoje, a Prefeitura dá um grande ensinamento ao povo dessa cidade e ao Brasil com a necessidade da notificação obrigatória. Com isso, nós teremos a ideia real do tamanho desse crime, do desrespeito aos direitos humanos. Talvez essa decisão da notificação tenha sido a mais sábia e a mais acertada”, elogiou a delegada Marta Rocha.

Entre os presentes no Palácio da Cidade para assinatura do decreto do Prefeito estavam Lucinha Araujo, Lenny Niemeyer, Yara Figueiredo, Jacob e Simone Orlean, Glorinha Pires Rebelo, André Piva, Antonia Fontenelle, Marcelo Faustini, Bayard Tonelli, Betina Durovni, Christina Moreira e Vanja Ferreira, entre outros muitos convidados.

Dentro desse pacote de ações, foi também assinada por Tufvesson e pela secretária municipal de Assistência Social, Fátima Nascimento a resolução que renova e garante a continuidade do projeto DAMAS, que capacita profissionalmente travestis e transexuais e auxilia em sua inserção no mercado de trabalho.

“Após pesquisa entregue a esta Coordenadoria pelo grupo TransRevolução, que apontava que 95% das travestis e transexuais que se prostituem gostariam de serem inseridas no mercado de trabalho, não temos como não continuar esse importante e pioneiro projeto da prefeitura do Rio”, afirma o coordenador especial da Diversidade Sexual, Carlos Tufvesson, que completa: “O DAMAS reacende a cidadania dessas cidadãs que fazem parte do recorte de gênero que mais sofre preconceito em toda a nossa sociedade”.

Vale ressaltar que o DAMAS foi retomado no início de 2012, teve seu conteúdo pedagógico reformulado e aumentou a carga-horária semanal. O projeto DAMAS funciona hoje com duas turmas de 20 alunas cada e com essa resolução, iniciará seleção para a formação de mais duas turmas.

Também foi apresentado na tarde desta quinta-feira, a campanha “Discriminação: sem denúncia, não há solução”, mais uma vertente do programa Rio Sem Preconceito, criado e dirigido pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual. De 28 a 30 de junho, será realizada intensa panfletagem com distribuição de material gráfico em locais de frequência LGBT da cidade nas zonas Sul, Norte, Oeste e no Centro da cidade, reforçando a importância de se exercer a cidadania através da denuncia em caso de violação dos direitos civis.

“A ausência de cidadania imposta à comunidade homossexual – cerceada de diversos direitos civis – faz com que violações a sua cidadania não sejam denunciadas. De nada adianta termos leis de proteção se elas não forem reivindicadas”, conclui Tufvesson.

Será reforçada aos cidadãos a existência da lei 2475/96 que proíbe terminantemente a discriminação aos LGBTs nos bares, restaurantes e comércio em geral, assim como também nas repartições públicas municipais. Carlos Tufvesson e a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual também receberam uma moção de louvor oferecida pela Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a vereadora Teresa Bergher.

“A Coordenadoria cumpre um papel que é muito mais importante do que as iniciativas que a gente tem nessas datas especiais, como trazer permanentemente para o município esse tema. O fundamental é tratar esse tema de maneira concreta. O Rio é uma cidade aberta. Não vamos tolerar uma cidade com nenhum tipo de manifestação de preconceito, de ódio, de violência contra os direitos das pessoas porque essa é uma cidade que recebe todos muito bem. O Rio vai prosseguir sendo a marca da diversidade, da cidade aberta, que a gente sempre foi”, encerrou o prefeito Eduardo Paes.

Sociedade ainda vê homossexualidade como doença, diz conselho de Psicologia


Publicado no Correio Braziliense

Descrente de que o Congresso Nacional aprove projeto de decreto legislativo que, entre outras coisas, permitiria que psicólogos tratassem homossexualismo como doença, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) promete continuar punindo, com base no Código de Ética da categoria, profissionais que recomendarem tratamentos terapêuticos com o objetivo de reverter a orientação sexual de seus pacientes.

“O conselho tem agido com rigor para enquadrar os profissionais que pregam a cura da homossexualidade, levando para seus consultórios, como um atrativo, o sofrimento psíquico daqueles que não tem seus direitos respeitados”, afirmou nesta quinta-feira (28/6), a vice-presidente do órgão, Clara Goldman. Para Goldman, o Projeto de Decreto Legislativo nº234/11, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), além de inconstitucional, é produto do pensamento homofóbico que persiste em parcelas da sociedade brasileira. “A proposta de curar só existe porque a sociedade ainda vê a homossexualidade como uma doença, disseminando o preconceito em relação aos homossexuais. Quando a sociedade entender o direito humano à livre orientação sexual, estas supostas terapias não terão mais sentido”, disse Clara logo após se reunir, em Brasília, com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

O projeto de Campos, que já vem sendo chamado de Projeto da Cura Gay, propõe a suspensão da validade de dois artigos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, em vigor desde 1999. Um dos trechos da Resolução nº 1/99 que o deputado quer suprimir é o Artigo 3º, que estabelece que os psicólogos não deverão exercer qualquer ação que favoreça que comportamentos ou práticas homoeróticas sejam vistas como patologias (doenças), nem adotarão ação coercitiva a fim de orientar homossexuais para tratamentos não solicitados. O outro artigo, o 4º, proíbe os psicólogos de se pronunciarem, participarem ou se expressarem publicamente ou nos meios de comunicação de massa de modo a reforçar preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

Clara Goldman disse não acreditar que o Congresso aprove as mudanças defendidas por Campos e outros parlamentares que, segundo ela, visam “facilitar a liberação das supostas terapias de reversão da homossexualidade”. “A resolução do conselho não vai ser alterada. Isso exorbitaria o papel do Parlamento, que não tem o poder de interferir na definição de um corporação profissional. Os psicólogos continuarão a prestar seus serviços profissionais com base no Código de Ética da categoria e atendendo a todas as pessoas. O conselho não deixará de enquadrar todos os profissionais que venderem a ideia da cura da homossexualidade”.

Para o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, o projeto parlamentar é um acinte à cidadania. “Querer curar o que não é doença é charlatanismo. É uma iniciativa de um grupo restrito de fundamentalistas, totalmente inconstitucional. Temos muitas doenças a serem curadas, urgências que justificariam uma audiência pública, como a questão do crack e da mortalidade infantil. Nos recusamos a discutir com esse povo”. Já para o deputado João Campos, inconstitucional é a resolução do conselho. “Ela fere a autonomia do paciente”, disse o parlamentar durante audiência pública realizada pela Comissão de Seguridade da Câmara dos Deputados para discutir sua proposta.

Casamento gay: para cada casal, uma sentença


Publicado na Veja

Um ano depois do primeiro casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, a ausência de uma lei que regulamente a questão faz os casais dependerem do entendimento de juízes para conseguir mudar de estado civil

Há um ano, no dia 28 de junho de 2011, Luiz André e José Sérgio Souza Moresi interrompiam o expediente normal do Cartório de Registro Civil da cidade de Jacareí, a 84 quilômetros de São Paulo, para realizar a cerimônia improvisada que celebrou a entrega da primeira certidão de casamento entre pessoas do mesmo sexo no país. A data não poderia ser mais emblemática: nesse mesmo dia se comemora o Dia Mundial do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).

O primeiro casamento civil gay foi impulsionado pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida em maio daquele ano, que reconheceu as uniões estáveis homoafetivas. “Se é uma união estável, com todos os direitos e obrigações, é possível converter em casamento”, explica Maria Berenice Dias, presidente da Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Parecia um grande passo, que encheu de esperança o movimento LGBT. Um ano depois, porém, a falta de uma lei que regulamente o tema faz com que todos os pedidos que chegam aos cartórios acabem estacionando na mesa de um juiz – e é ele quem decide se autoriza ou não o casamento. Com isso, a mesma questão acaba gerando decisões diferentes pelo país.

“Se o legislativo não se pronuncia sobre o tema, a questão fica à mercê de decisões judiciais que criam um cenário de insegurança jurídica”, observa Suzana Viegas, professora de Direito Civil da Universidade de Brasília (UNB). “É isso o que tem prevalecido neste um ano do marco inicial do reconhecimento dos direitos homoafetivos.”

Um artigo de Suzana foi citado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovisk durante o julgamento de maio do ano passado. Embora a sentença não abordasse diretamente a questão do casamento civil – que garante mais direitos aos cônjuges que a união estável –, ela possibilitou interpretações que culminaram em outra decisão importante. Em outubro de 2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o casamento de duas mulheres no Rio Grande do Sul. 

Ainda assim, não foi suficiente para esclarecer a questão no âmbito jurídico. “Alguns oficiais não chegam nem a aceitar o pedido no cartório”, afirma Maria Berenice. “Em outros casos, o Ministério Público se manifesta contrário. Alguns juízes negam por puro preconceito.” A principal justificativa para as recusas está no artigo 226 da Constituição Federal, que afirma que a união estável acontece entre “homem e mulher”.

Constituição

O principal argumento dos juristas é que, ao entrar na alçada do poder legislativo, o Supremo exacerbou suas funções e afrontou a Constituição. O advogado da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Hugo Sarubbi Cysneiros, alerta que a decisão do STF abre um precedente “perigosíssimo”: o Judiciário instituir um direito novo sobre os temas que o Legislativo se nega a aprovar. “Imagine se a lógica for essa, quando o Congresso não aprova, o Judiciário aprova à força”, observa Cysneiros. “Esse é o caminho pavimentado para todo tipo de arbitrariedade”.

Cysneiros também ressalta que a decisão do Supremo não tratou do casamento homossexual e, por isso, não pode ser usada como argumento para a autorização dessas uniões. "Os ministros deixaram claro que a instituição do casamento não era a pauta daquele julgamento”, afirma. “Porém, muitos juízes usaram o raciocínio de que aquilo que a Constituição não proíbe, ela permite. O que é um verdadeiro absurdo. Os legisladores foram claros ao estabelecer as hipóteses do que é a base da família na Constituição e ela não contempla o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Elas podem ser unidas, mas não casadas".

Para o juiz Márcio Martins Bonilha Filho, da 2ª Vara de Registros da Capital, “o casamento é um ato solene regrado no Código Civil”. Essa é a justificativa por ter negado 15 pedidos de conversão de união estável em casamento na cidade de São Paulo. “Não só eu, como juízes de outras comarcas, interpretamos que haveria necessidade do legislador estabelecer critérios para regularizar esses casamentos”, diz. “Hoje não há lei. O que há são pronunciamentos e interpretações. Acredito que seja necessário haver uma prévia amarração jurídica legal para se estabelecer o formal enlace matrimonial entre homossexuais”.

Os mais prejudicados pela falta de legislação acabam sendo os próprios homossexuais. Luiz André e Sérgio entraram com o pedido de casamento na mesma época que Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais (ABGLT) e seu companheiro. Enquanto o primeiro casal levou pouco mais de um mês para ter a certidão, Toni, que vive no Paraná, ainda não conseguiu converter a união estável em casamento – o que ele chama de “homofobia institucionalizada”. O casal está junto há 23 anos e, recentemente, adotou um filho.

Outros críticos da decisão do STF acusam o movimento gay de fugir do debate com a sociedade. “A maioria do Congresso não quer o casamento entre pessoas do mesmo sexo", argumenta o vereador Carlos Apolinário (DEM-SP), que no ano passado propôs a criação do Dia do Orgulho Hetero – a proposta chegou a ser aprovado na Câmara, mas foi vetada pelo prefeito Gilberto Kassab. “Só que os gays querem enfiar isso goela abaixo do Congresso e da sociedade. Eles querem encurtar o caminho fazendo imposições por meio das decisões do STF e sem um debate”.

Normas - Enquanto a situação não se decide nas câmaras legislativas de Brasília, dois estados brasileiros resolveram normatizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo com deliberações de seus Conselhos Superiores da Magistratura. A recomendação de aceitar os pedidos de casamentos homossexuais no civil vale desde janeiro deste ano nos cartórios de Alagoas. No fim de maio, norma semelhante foi adotada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, baseada no julgamento de um recurso apresentado por um casal da cidade de Bauru.

O Grupo Gay da Bahia (GGB) encaminhou um pedido à Corregedoria do Tribunal de Justiça do estado para que o mesmo fosse adotado nos cartórios baianos. “Já se passaram seis meses e até agora não houve nenhuma resposta”, afirmou Luiz Mott, fundador do GGB. A assessoria de imprensa do TJ-BA foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Mato Grosso do Sul: Homofobia é tema do Cineclube


Publicado no Correio do Estado
Indicação de Augusto Martins

O Conselho Regional de Psicologia da 14ª Região (CRP-MS), em parceria com a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), exibe neste sábado (30) no projeto Cineclube o filme "Filadélfia", abordando a homofobia. A sessão é gratuita e começa às 14h, na sala Rubens Corrêa do Centro Cultural José Octávio Guizzo.

O filme "Filadélfia" (EUA/Drama/1993/125min/13anos) apresenta o efeito social da AIDS, a questão do preconceito, sua dor e suas origens contra homossexuais e a relação mútua e confusa do preconceito frente a estas questões na sociedade do final do século XX.

Após a apresentação do filme, o público presente participa de um debate, cuja mesa de discussão é composta por profissionais de diversas áreas de conhecimento. E para auxiliar os estudantes universitários com as atividades extracurriculares, o CRP-MS ainda fornece uma declaração de participação no Cineclube.

O Centro Cultural José Octávio Guizzo está localizado na Rua 26 de Agosto, 453. Mais informações podem ser obtidas no CRP-MS através do telefone 3382-4801.

Dilma manda acelerar Plano Nacional Contra a Homofobia


Publicado no Lado A

Deu na coluna do jornalista Roldão Arruda, do Estadão, que a presidenta Dilma Roussef pediu na semana passada ao Palácio do Planalto para cobrar da Secretaria de Direitos Humanos mais agilidade no lançamento do 2.º Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. O primeiro plano, de 2009, foi considerado um fracasso em execução, e foi substituto do programa Brasil Sem Homofobia, em 2004, também muito criticado por não efetivar as conquistas de direitos ou ações afirmativas, que sempre encontram dificuldades de aplicação nos estados ou entram em desacordo com os setores religiosos e conservadores.

A presidenta teria adiantado para agosto o lançamento do Plano que estava previsto para dezembro. Todavia, segundo fontes consultadas pela Lado A, em razão do volume de trabalho e dos muitos grupos envolvidos, o plano não deve sair antes das eleições. Até julho, porém, a Secretaria de Direitos Humanos, por meio da ministra Maria do Rosário, deve apresentar a conta e as ações que envolvem o plano que conta com o envolvimento de 18 ministérios. 

Uma das conquistas previstas com o envolvimento direto do Palácio do Planalto no tema é uma estatística oficial da homofobia no país. Há dados não oficiais e que encontram críticas quanto a metodologia usada. Uma vez havendo dados oficiais, os números teriam maior credibilidade. Quanto a polêmica do tema em ano de eleições municipais, não se sabe qual o objetivo deste movimento do Palácio, se é a aprovação na surdina ou o apenas uso da pauta, sem aprovação rápida do plano, em campanha eleitoral.

Clipe Especial: "Vida de Deputete"

29/06/12

Mulher de gêmeo morto por homofobia pede justiça


Publicado pelo Extra

Quando imagino minha vida daqui para frente, penso em tristeza. Será muito triste criar meu filho sozinha, sem ele (Leonardo). O sonho dele era ter um filho, mas fizeram isso e ele não pôde nem conhecer - lamenta N. G., de 15 anos, grávida de três meses de José Leonardo da Silva, 22. Leonardo morreu após ser agredido por um grupo que confundiu ele o irmão gêmeo, José Leandro da Silva, com um casal gay, na saída de uma festa, no domingo, na cidade de Camaçari, na Grande Salvador, na Bahia.

Muito abalada, a jovem tenta entender o porquê das agressões.

- Não tem explicação mesmo. Se eles fossem (homossexuais), não precisava ninguém fazer isso. Violência gratuita.

Ela cobra das autoridades punição para todos os envolvidos na morte do marido. - Oito pessoas participaram das agressões e apenas três foram presas. Espero que os outros sejam identificados e punidos. Eles tiraram a vida de um inocente, homem honesto e trabalhador. Têm de pagar pelo que fizeram - ressaltou.

A viúva lembra que Leonardo estava tão feliz com a gravidez que já havia até escolhido os nomes para a criança: Alejandro, se menino, e Rose para menina.

Maria Lucineide Neto, mãe da garota, pretende ajudar a filha a criar a criança. ..... - A vida dela está destruída. Como ela vai cuidar dessa criança sozinha? Só Deus. Vou ter que correr atrás de psicólogo para ela, mas não vai se recuperar nunca.

Segundo ela, a família de Leonardo está revoltada com os boatos de que o jovem foi assassinato porque era comparsa de um bandido conhecido como Felipe, morto recentemente. Revolta maior, diz Maria, é da mãe da vítima, que sempre orientou os gêmeos a serem trabalhadores e respeitar as pessoas.

- Desde pequenos, foram criados trabalhando. Vendiam 'geladinho' aos 10 anos de idade - conta.

A Bahia registrou 15 mortes por homofobia esse ano. Em 2011, o estado teve, pelo sexto ano consecutivo, o maior número de mortes (28) por homofobia do Brasil, à frente de Pernambuco (25) e São Paulo (24). Os dados são do levantamento anual feito pelo Grupo Gay da Bahia. No Brasil, foram 266 homicídios em 2011. Este ano, já são 104 mortes contabilizadas em todo o país.

- Casos como esse em Camaçari revelam que a homofobia pode causar danos a qualquer pessoa. É mais sério do que se pensa - afirma o professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e membro do Conselho Nacional LGBT Leandro Colling.

Homossexual assumido, o produtor Benin Ortiz, 24 anos, foi vítima de homofobia aos 14 anos, dentro da escola, quando um garoto, que já o perseguia, deu um chute na barriga dele. Benin, que morou em Londres e Tel Aviv, fica “espantado” com a forma como tratam a questão no Brasil.

- A população é ignorante. Não entende que existem várias formas de amar - aponta. Benin.

Ativistas e pessoas que sabem os males da homofobia torcem pela aprovação do projeto de lei que criminaliza a prática. Mas a votação do projeto no Senado foi adiada para 2013, por divergências provocadas, na maioria, pela bancada evangélica.

Parada Gay na Espanha promove corrida de salto alto


Publicado no G1

Homens com sapatos de salto disputaram corrida nas ruas de Madri. Evento fez parte das comemorações do orgulho gay na capital espanhola.


Competidores na largada da corrida disputada nesta quinta (28) pelas ruas de Madri. (Foto: Daniel Ochoa de Olza/AP)


Garoto olha para os sapatos dos competidores espanhóis. (Foto: Daniel Ochoa de Olza/AP)

Haja paciência: Câmara discute reversão da homossexualidade


Visto na Band

Ânimos exaltados marcaram a primeira audiência pública realizada na Câmara dos Deputados para debater o PDC (Projeto de Decreto Legislativo) 234/11, que pretende alterar a Resolução 01/99 do CFP (Conselho Federal de Psicologia) proibindo tratamentos de reversão da homossexualidade. Manifestantes discutiram com a psicóloga Marisa Lobo, defensora de que a mudança da orientação sexual é possível e deve ser tentada se o paciente estiver de acordo.

O PDC 234 é de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), pertencente à bancada evangélica, e tramita na Comissão de Seguridade e Família da Câmara. A proposta, cujo relator é o deputado Roberto de Lucena (PV-SP), ainda não foi apreciada em outras comissões. Para João Campos, os artigos 2º e 3º da resolução do CFP, que vedam a chamada “cura gay”, são abusivos. “Ela [a resolução] fere a autonomia do paciente, pois proíbe o atendimento no caso de ele ser homossexual”, afirmou.

Também contrária à resolução do conselho, Marisa Lobo afirmou que o psicólogo não pode negar atendimento ao paciente que deseje mudar sua orientação sexual. “Eu tenho que dar ouvidos a esse sofrimento psíquico”, disse a psicóloga. A fala de Marisa provocou reações acaloradas em parte da plateia. Irritada com as manifestações, a psicóloga rebateu. “Todo mundo que discorda de vocês, vocês dizem que é homofóbico”.

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), defendeu que o motivo real de sofrimento psíquico é o preconceito da sociedade, não a orientação sexual. “Quem nasce em uma cultura homofóbica e é injuriado desde criança, é lógico que vai ter uma percepção negativa de si”, disse. Ele e a deputada Erika Kokay (PT-DF) criticaram a ausência de representantes dos movimentos LGBT na mesa. “A audiência foi composta de forma parcial. Há uma posição predominante dos próprios autores do projeto”, reclamou Erika.

Conselho Federal de Psicologia recusou convite para participar das discussões sob a mesma alegação de falta de diversidade. “Quatro dos cinco profissionais convidados para a mesa indicam posicionamento favorável à suspensão dos artigos”, justificou o órgão em nota de repúdio.

Por telefone, a vice-presidente do CFP, Clara Goldman, negou que a Resolução 01/99 traga alguma forma de cerceamento no atendimento a pacientes com identidade LGBT. “O que ela proíbe é que [a homossexualidade] seja trabalhada como doença”, afirmou.

Representante da Companhia Revolucionária Triângulo Rosa, o estudante de serviço social Luth Laporta, 19 anos, estava entre os manifestantes contrários à suspensão da resolução do CFP. “As pessoas não conseguem ser felizes com sua sexualidade por causa da opressão. Isso vem de a sociedade não permitir que elas sejam como são e não do fato de ser homossexual”, disse.

A psicóloga Lorena Lucena, 26 anos, também acompanhou a audiência e classificou como “fraca” a argumentação de Marisa Lobo. “Estamos desconstruindo o ser ou não homossexual como algo patológico. O papel do profissional [da psicologia] é dar ouvidos ao sujeito, não reforçar o preconceito da sociedade”.

Nívea Stelmann engravidará de gay em curta-metragem


Visto na Caras

Nívea Stelmann (38) gravará no próximo final de semana um curta-metragem, ainda sem título definido, do diretor Marcio Augusto. No filme, ela fará a amiga de um homossexual.

“A história é engraçada porque é sobre uma mulher descolada que vai morar com um amigo gay e acaba engravidando dele no final”, disse a atriz. “Eu amo o universo gay. Tenho muitos amigos e todos os meu maquiadores e cabeleireiros são gays”, acrescentou.

Para esse papel, ela contou que não precisou fazer laboratório. “Todos os personagens a gente sempre se entrega com muita pesquisa, mas essa personagem vai mais de feeling. É uma brincadeira”, contou.

“O Beijo da Mulher Aranha”, por Ítalo Damasceno


Por Ítalo Damasceno*

Um filme brasileiro, falado em inglês e com personagens de nome espanhol, é assim a salada de O BEIJO DA MULHER ARANHA (1985), do diretor Hector Babenco a partir da adaptação do livro de Manuel Puig.

Em uma cela de prisão, se encontram Valentín Arregui (Raul Julia) e Luís Molina (William Hurt, papel que lhe rendeu o Oscar). Valentín é um preso político – típico do período vivido pela América Latina na época em que o filme foi feito -, já Molina é um homossexual notório e foi preso por se envolver com um garoto menor de idade. Para passar o tempo e ajudar a aguentar o calor, Molina conta a estória de um filme antigo que ele adorava, A verdadeira glória dela. Ele o conta cheio de detalhes, provavelmente criados por ele próprio.

Valentín, como um bom preso político cheio de ideias marxistas, analisa a estória com o olhar crítico e aponta mil e um defeitos: o filme foi feito por nazista, é antissemita, inverossímil, etc. Mas para Molina nada disso importa, só interessa como o filme é lindo e tem uma bela história que o faz sonhar a noite, e durante o dia também. Pouco a pouco, ele vai trazendo a presença da Mulher Aranha (Sonia Braga) para dentro da cela, para desespero de Valentín.



A mulher aranha e os dois prisioneiros.

Essa relação na cadeia vai tomando rumos inesperados, fazendo o visionário perceber que sua moral pode estar errada e o sonhador, que o mundo não é feito de sonhos. Que é necessário ver a realidade em que se está de vez em quando. E, paralelamente a tudo isso, o espectador vai ficando ansioso para saber qual será o destino da mulher aranha.

A estética queer e a relação dos dois prisioneiros são o toque gay do filme. As interpretações são tão marcantes e a estória envolvente que o filme se tornou um símbolo desse movimento. Mas não parece que este tenha sido a intenção dos produtores, porém assim como o filme contado dentro do filme, seus criadores nazistas jamais imaginariam que sua criação ia embalar a amizade entre aqueles dois prisioneiros. Este é o poder da arte.


Trailer


Música inspirada no filme.


*ÍTALO DAMASCENO é advogado; pretende adotar um corte de cabelo argentino; e diz que, se sua vida atual fosse transformada num filme, a trilha sonora seria a 9ª sinfonia de Beethoven.

28/06/12

Suspeita de Homofobia: Irmãos são agredidos ao andarem abraçados; um morreu!


Visto no G1
Indicação de Augusto Martins

Dois irmãos gêmeos foram agredidos ao andarem abraçados próximo a um evento junino em Camaçari, município na região metropolitana de Salvador, segundo informações da 18ª delegacia da cidade. Um dos rapazes, de apenas 22 anos, não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo. O crime ocorreu na madrugada de domingo (24).

A delegada responsável pela unidade policial, Maria Tereza Santos Silva, trabalha com a suspeita de homofobia. Ela conta que oito pessoas participaram das agressões aos rapazes, que foram socorridos pelo Samu para o Hospital Geral de Camaçari (HGC). "Assim que soubemos do ocorrido iniciamos as investigações. Cinco jovens estão custodiados aqui na delegacia, todos já foram ouvidos, mas eles não apresentam justificativa para as agressões, além de não possuírem passagem anterior pela polícia. Trabalho com a suspeita de homofobia", indica a delegada.

O sobrevivente da agressão sofreu fraturas no rosto e já teve alta médica. De acordo com informações de familiares, ele seguiu para Pernambuco na tarde de segunda-feira (25), onde foi realizado o enterro do irmão morto. A família ainda não retornou para Camaçari.

Primeiro casamento gay do Brasil completa um ano


Visto no Vermelho
Indicação de Augusto Martins

Na quarta-feira, 27, o casal Luiz André Sousa Moresi e Sérgio Sousa Moresi se encontraram com o promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bedinarsk e com o juiz da 2ª Vara da Família, Fernando Henrique Pinto, que autorizaram a conversão da união estável dos dois em casamento civil. Na ocasião, eles requisitaram a segunda via da certidão de casamento.

O encontro no cartório de Registro Civil de Jacareí foi carregado de simbolismo pela conquista que é considerada um marco histórico para o movimento LGBT brasileiro. Luiz André Sousa Moresi, 38 anos, ativista social, presidente do PCdoB de Jacareí, e Sergio Sousa Moresi, 28 anos, cabeleireiro, continuam casados e fazendo planos para o futuro,”como adquirir a casa própria, avançar nos estudos e manter a família unida”, diz trecho do release encaminhado pela assessoria do casal. 

Luiz André, que é militante LGBT, enfatiza a importância desse momento “porque representa uma data importante e histórica, um marco na conquista dos direitos e cidadania da comunidade homossexual”. Desde 1995 o movimento luta para o reconhecimento da união homo afetiva quando, através da então deputada federal Marta Suplicy, apresentaram proposta de lei no Congresso Nacional. De lá para cá pouco se avançou e foi preciso manifestação do Supremo Tribunal Federal que equiparou a união estável homo afetiva com a heterossexual. 

“Quando saiu a decisão do Supremo Tribunal Federal corremos para fazer o contrato da nossa união estável, queríamos garantir os nossos direitos, mas sentimos que faltava algo, que nem todos os direitos estavam garantidos, era preciso então conseguir o casamento civil”, lembrou Luiz André, que por participar de listas de discussões do movimento LGBT, ficou sabendo do entendimento de alguns juristas da possibilidade da conversão da união estável em casamento. 

Sergio conta que ficou muito emocionado e animado quando procuraram o oficial do Cartório de Registro Civil Marcelo Salaroli de Oliveira, que também teve o mesmo entendimento,. “Separamos nossos documentos e demos entrada no proclama que foi publicado em jornal local, o primeiro passo para o reconhecimento pleno de nossa cidadania”, contou Sergio, que não esconde a alegria pelo acontecido.

A determinação de Luiz André e Sérgio tem inspirado a oficialização de diversas uniões homo afetivas. Neste ano muitos outros casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo foram realizados no Brasil, em várias cidades. Na região do Vale do Paraíba Paulista, cerca de 40 casais já efetivaram o casamento e só em Jacareí foram 13, entre casamento direto e conversão de união estável. 

Luiz André orgulha-se do despacho do juiz Fernando Henrique Pinto, porque foi “uma decisão de vanguarda que garantiu direitos e igualou parcela considerável da população. Foi a abertura de portas para outras conquistas, como a dupla maternidade ou paternidade, adoção, além de se ter uma certidão, mudar o estado civil e não precisar buscar novamente a Justiça para garantir outros direitos”, afirmou o ativista.

Documentário: conheça a histórica rebelião LGBT de Stonewall


Por Homorrealidade


A Rebelião de Stonewall foi um conjunto de episódios de conflito violento entre LGBTs e a polícia de Nova York. Tudo começou no dia 28 de Junho de 1969, num confronto iniciado no bar Stonewall Inn, conhecido como reduto gay. Até então, a homossexualidade era vista como perversão, distúrbio e doença por boa parte da sociedade. Porém, naquela noite, há exatos 43 anos,  um grupo de gays, lésbicas, travestis, transexuais e simpatizantes resolveram dar um basta na omissão e se revoltaram contra a polícia que novamente tentava invadir o bar para espancar e humilhar os frequentadores. O episódio, que impulsionou o movimento LGBT e ficou marcado como o dia do orgulho gay, é apresentado no documentário abaixo. Conheça detalhes dessa importante história!

 

28 de Junho: Dia do Orgulho Gay e da Consciência Homossexual


Por Luiz Mott*

Todos os oprimidos têm um dia de luta: 8 de março, Dia da Mulher; 19 de abril, Dia do Índio; 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Faz sentido existir também um Dia dos Homossexuais? Sim! Os gays também têm seu dia – 28 de Junho.

Os gays, lésbicas, travestis e transexuais representam mais de 10% da população mundial. No Brasil, são mais de 20 milhões de seres humanos desprezados, discriminados, violentados, assassinados. Só nos últimos 30 anos mais de 3500 homossexuais foram barbaramente executados, vítimas da homofobia – a intolerância à homossexualidade. A cada novo dia um LGBT é assassinado no Brasil! Por que tanto desprezo e violência? Simplesmente porque os homossexuais são considerados marginais, doentes, pecadores, e nossa sociedade cristã legitima o terror contra os gays, lésbicas e transgêneros.

As causas da homofobia já foram detectadas pelos cientistas sociais: de um lado, a mentalidade machista que confere apenas ao “sexo forte” a hegemonia social, relegando para a condição de subumanos quem não é macho: as mulheres, tornadas “sexo frágil”, e o “terceiro sexo”, os gays. Do outro lado, explica-se a homofobia pela reconhecida insegurança dos machões – face ao estilo de vida revolucionário dos gays – que vêm nos homossexuais perigosa ameaça a sua hegemonia, posto abdicarem do privilégio de dominar as fêmeas em função de viverem uma relação igualitária com outros machos.

A moderna psicanálise ensina que todos aqueles que odeiam e querem a destruição dos homossexuais, no fundo, têm mal resolvida sua própria (homo)sexualidade, vingando-se nos homossexuais egossintônicos seus desejos homoeróticos reprimidos.

Por que um Dia da Consciência Homossexual?

Os gays lutaram duro para ter um dia no ano. Tudo começou em 28 de junho l969, em Nova York, quando os homossexuais, cansados de apanhar da polícia, que toda noite invadia seus espaços de lazer, reagiram e ganharam a batalha contra a prepotência policial. Nos anos seguintes, os LGBT do mundo inteiro adotaram 28 de junho como o “Dia do Orgulho Gay”, também chamado de Dia da Consciência Homossexual.

Nas principais cidades do mundo, os gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e simpatizantes enchem as ruas proclamando: é legal ser homossexual! Em S. Francisco, Nova York, nas principais cidades do Canadá e da Europa, autoridades e políticos se juntam a milhões de homossexuais que saem às ruas para defender seus direitos de cidadania.

No Brasil, desde 1981, o Grupo Gay da Bahia comemora esta data e, nos últimos anos, as paradas GLBT se espalharam pelo resto do país. Mais de um milhão de pessoas participam todos os anos das paradas de SP, RJ, Salvador, Fortaleza, Belém.

Por que não ter vergonha de ser e defender o homossexual?

Foram necessários muitos anos de resistência, luta e contestação para que chegasse um dia, na década de 60, em que os negros pudessem declarar: “negro é bonito!”. Serão necessárias ainda quantas gerações para que todas as pessoas reconheçam que mulheres e homossexuais devem ter os mesmos direitos que os machões; que a cor escura da pele do índio ou do negro não implica em inferioridade?

Não existe raça superior, não existe sexo superior, não existe sexualidade/gênero superior. Sexo é prazer, comunicação, vida. A livre orientação sexual é um direito inalienável de todo ser humano, seja homossexual, bissexual ou heterossexual.

Ser homossexual não é doença: desde l985, o Conselho Federal de Medicina, desde 1993, a Organização Mundial da Saúde e, desde 1999, o Conselho Federal de Psicologia excluíram a homossexualidade da classificação de doenças. Ser homossexual não é crime e teólogos modernos defendem que o amor entre pessoas do mesmo sexo não é pecado. A discriminação sim é proibida pela Constituição.

O que querem os LGBT?

O povo LGBT quer simplesmente ser tratado como ser humano, com os mesmos direitos e deveres dos demais cidadãos. Queremos cidadania plena! Os gays não desejam mudar a orientação sexual de ninguém, mas também não aceitam que queiram “curá-los” ou “convertê-los” – do mesmo modo como os negros e índios lutam para que sejam respeitados na sua especificidade pluricultural.

Neste Dia Mundial do Orgulho Gay e Consciência Homossexual, em todo o Brasil, nas Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e em Brasília, estão sendo lidos discursos como este, rompendo a conspiração do silêncio e do ostracismo que até hoje paira contra mais de 10% de cidadãos e cidadãs homossexuais, cujo único “pecado” é amarem seus semelhantes.

Que chegue logo o dia em que não mais seja necessário que os negros, índios, homossexuais e mulheres tenham apenas um dia especial no ano para denunciar o preconceito e discriminação de que são vítimas. Que nos unamos contra o preconceito e a ignorância para que seja logo realidade o que nossa Constituição Cidadã prognosticou em seu Artigo 3º, incisos I e IV: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:”… “construir uma sociedade livre, justa e solidária”, promovendo “o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Equiparação da homofobia ao crime de racismo e casamento igualitário já! Direitos iguais, nem menos, nem mais!

Luiz Mott é secretario de Direitos Humanos do Grupo Gay da Bahia e Professor Titular do Departamento de Antropologia da UFBa

Homorrealidade comemora 2 anos!!!


Neste Dia do Orgulho Gay, o Homorrealidade também completa dois anos de existência. Nosso espaço foi mobilizado a partir de uma notícia trágica – a morte do jovem Alexandre Ivo, vítima de homofobia no Rio de Janeiro -, mas acabou envolvendo muitos outros temas, além da violência cometida contra LGBTs.

Por coincidência, nossa primeira postagem foi justamente no dia da histórica revolta de Stonewall, fato que impulsionou o movimento LGBT em todo o mundo. Um dia importante para a história da humanidade e, em outra proporção, um dia importante para a nossa equipe de amigos e colaboradores.

Foram mais de 3.200 postagens até hoje, entre textos próprios e reproduções de artigos, matérias ou vídeos de interesse de LGBTs. Diversas postagens são indicadas pelos nossos próprios leitores, que entendem esse espaço como uma reunião de tudo que seja do interesse público de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, assexuais e héteros simpatizantes. 

Nesses dois anos, ganhamos novos amigos, colaboradores e inúmeros momentos de alegria e aprendizado com as interações que esse espaço proporcionou. Já registramos mais de 620 mil acessos, o que evidencia o sucesso dessa bonita colaboração. 

Queremos continuar fazendo parte desse movimento que luta pela liberdade e igualdade de condições entre héteros e LGBTs. Temos certeza que, pouco a pouco, conseguiremos garantir direitos humanos para TODOS dos humanos, independente da sua diversidade.

Muito obrigado pelos acessos, indicações, discussões, carinho e atenção de todos!

Beijos e abraços!

Equipe Homorrealidade!

Trilha Especial: "Birthday", The Beatles!!!




 

27/06/12

'Biscoito do orgulho gay' gera guerra de comentários no Facebook


Publicado no Terra 
Com informações da BBC Brasil 

 Uma campanha do biscoito Oreo no Facebook com a imagem de um biscoito com um recheio nas cores do arco-íris - o tradicional símbolo gay - foi "curtida" por mais de 200 mil internautas e teve mais de 60 mil comentários. 

A imagem do biscoito de chocolate, postada na segunda-feira, aparece acima da data "25 de junho" e da palavra "orgulho", em referência ao Dia do Orgulho Gay, seguida ainda da frase "Orgulhosamente apoie o amor!". O Dia do Orgulho Gay na verdade é celebrado em 28 de junho, mas o mês de junho tradicionalmente é o mês do orgulho gay em diferentes partes do mundo. O biscoito multicolorido foi especialmente criado para a campanha e não está à venda. 

A página do Oreo conta com quase 27 milhões de seguidores. A maior parte dos que comentários deixados abaixo da imagem do biscoito multicores foram positivos, mas muitos foram críticos em relação à campanha publicitária. A internauta Judith Farry deixou o seguinte comentário: "Obrigado...e esse é o mais LINDo biscoito que eu já vi". Rebecca Hoffman comentou que "já não é sem tempo que marcas passem a mostrar apoio às coisas que importam para elas. Todo mundo tem a sua opinião e a Oreo está mostrando a sua". 

Passagens bíblicas

Muitos cristãos evangélicos condenaram a iniciativa postando passagens da Bíblia. Beth Hart afirmou que "Deus, em seu infinito amor diz que a homossexualidade é sodomia, é uma abominação à luz do Deus divino. O amor é a verdade". 

Alguns deixaram comentários abertamente homofóbicos, como Andy Fischer, dizendo que "homens brancos, asiáticos e latinos irão reconquistar esse nosso grande país e expulsar os maricas que estão tentando espalhar sua doença na mente de nossas crianças. Oh, que dia feliz seria esse!". 

 Basil Maglaris, diretor-assistente de Assuntos Corporativos da Kraft, que possui a Nabisco, empresa que produz o Oreo, afirmou que a imagem do biscoito foi uma homenagem ao Mês do Orgulho Gay. "Como empresa, a Kraft Foods tem uma história de orgulho em celebrar a diversidade e a inclusão. Nós acreditamos que o anúncio do Oreo é um divertido reflexo dos nossos valores", afirmou Maglaris.

O anúncio integrou a celebração de 100 anos da Oreo. A companha vem postando novos conteúdos diariamente, para marcar o aniversário. Muitas grandes empresas enviaram representantes para paradas gays realizadas nos Estados Unidos no último final de semana, entre elas a Bud Light, a Wells Fargo, a Johnson & Johnson e a Coca-Cola.

O anúncio do Oreo já desencadeou outra campanha, uma petição online defendendo a criação real do biscoito arco-íris. Os defensores da iniciativa alegaram motivos ideológicos, bem como de consumo: "1. Os gays merecem direitos iguais. 2. Ele parece ser delicioso. Por favor, assine aqui e diga que você quer ver o 'Oreo Gay' nas prateleiras muito em breve!".

Entidade pede que TJ-RS adote a carteira de nome social



O Observatório contra a Homofobia irá pedir formalmente ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que adote a Carteira de Nome Social, instituída pelo governo do estado por meio do Decreto 49.122, de 17 de maio de 2012. A cobrança será feita diretamente ao corregedor-geral da Justiça em exercício, desembargador Voltaire de Lima Moraes, em audiência marcada para às 17h de quinta-feira (28/6), Dia do Orgulho Gay.

O documento permite que o membro da comunidade formada por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) possa ser chamado pelo ''nome de guerra'', e não apenas pelo nome de registro no cartório. Se aceita pelo tribunal a sugestão, os autores, réus, testemunhas ou partes do processos seriam notificados por este segundo nome, que os identifica mais apropriadamente.

Conforme o Departamento de Direitos Humanos da Associação dos Juízes do RS (Ajuris), que criou o Observatório, o objetivo é assegurar o direito à identidade de gênero e minimizar o preconceito sobre o tratamento nominal. Assim, os travestis e e transsexuais poderiam incluir o nome social nos registros estaduais relativos a serviços públicos prestados no âmbito do Poder Executivo. A iniciativa pioneira do governo gaúcho já foi adotada por Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.

“Cabe ressaltar que tal providência em nada afeta a segurança jurídica, eis que as carteiras serão expedidas pelo Departamento de Identificação do Instituto Geral de Perícias, da Secretaria de Segurança Pública, havendo vinculação com o Registro de Identidade”, diz o texto do ofício que será entregue ao desembargador.

Além da Ajuris, o Observatório conta com a participação do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Secretaria de Segurança Pública, da Brigada Militar e de representantes de movimentos sociais. A finalidade inicial do grupo é acompanhar a apuração das práticas delitivas e ações discriminatórias contra a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). Com informações da Assessoria de Imprensa da Ajuris.

Clique aqui para conhecer o modelo da carteira

Gays vão ao Supremo para transformar homofobia em crime análogo ao racismo


Visto no Último Segundo

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT) ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) querendo que a homofobia seja interpretada como crime de racismo com base no artigo 5º da Constituição.

Os representantes da ABGLT alegam que a lei contra a homofobia tramita há aproximadamente dez anos no Congresso Nacional, sem qualquer resultado. Eles acreditam que caso o STF entenda que a discriminação contra gays, lésbicas e transgêneros tenha punição semelhante à discriminação racial isso vai criar uma jurisprudência e pode agilizar a tramitação da lei contra homofobia. “Não é porque não existe uma lei específica que não temos direitos”, afirmou Tony Reis, presidente da ABGLT.

A ação tem como relator o ministro Ricardo Lewandowski e na semana passada ele pediu maiores informações à Advocacia Geral da União (AGU) e ao Congresso Nacional. Até agora, não existe data para que o caso entre na pauta de julgamento do STF.

Pela petição da ABGLT, eles querem que seja utilizado pelo código penal a mesma punição em crimes de racismo, atos como violência física, discursos de ódio, homicídios e “a conduta de 'praticar, induzir e/ou incitar o preconceito e/ou a discriminação' por conta da orientação sexual ou da identidade de gênero, real ou suposta, da pessoa”.

No mandado de injunção impetrado no STF, o advogado da ABGLT argumenta que a interpretação da homofobia como crime análogo ao de racismo é uma medida “absolutamente necessária para que não seja inviabilizado faticamente o exercício da cidadania da população LGBT brasileira na atualidade, bem como de seu direito fundamental à segurança”, Paulo Roberto Vecchiatti.

“A homofobia e a transfobia constituem espécies do gênero racismo, na medida em que racismo é toda ideologia que pregue a superioridade/inferioridade de um grupo relativamente a outro (a homofobia e a transfobia implicam necessariamente na inferiorização da população LGBT relativamente a pessoas heterossexuais – que se identificam com o próprio gênero)”, explica o advogado na petição ao STF.

Juridicamente, o pedido toma como base direitos fundamentais à segurança, à liberdade de orientação sexual e identidade de gênero e a obrigatoriedade estatal de prover proteção à toda a população.

Segundo informações da ABGLT, somente no ano de 2011, ocorreram aproximadamente 5 mil registros de casos de homofobia em todo o Brasil. No ano passado, com base em números do Grupo Gay da Bahia (GGB), ocorreram 114 assassinatos ligados à homofobia. Em 2010, foram registrados 260 homicídios.

Silas Malafaia mostra "ex-travesti" em seu programa


Publicado pelo A Capa
Dica de Augusto Martins

É impressionante a determinação de Silas Malafaia em mostra que existe “cura para a homossexualidade”. Ou melhor, nas próprias palavras do pastor, “cura não, libertação”.

“A igreja evangélica não usa essa palavra cura, a igreja evangélica usa a palavra libertação. Ninguém pode acusar a igreja evangélica de obrigar pessoas aquilo que elas não querem, isso é uma acusação falsa de ativistas gays que querem colocar um preconceito sobre a igreja evangélica”, declarou o pastor, na abertura de seu programa Fala Malafaia, no último domingo (24), cujo convidado foi um “ex travesti”.

Joide Miranda, que diz ter trabalhado por anos como travesti na Europa, afirmou que ao contrário do que muitos acreditam, ele não nasceu homossexual.

Segundo o depoimento, Miranda sofreu abuso sexual aos 6 anos, sentiu ausência de uma figura paterna, já que seu pai era alcoólatra, e isso fez com que ele começasse a sentir atração por pessoas do mesmo sexo.

“Hoje eu afirmo pra essa sociedade que ninguém nasce homossexual, há uma base para se entrar na homossexualidade”, declarou Joide Miranda, que hoje é pastor.

O “ex-travesti” disse ainda que sua mãe “orou por sete anos” para a sua “conversão” e que um filho homossexual faz o “sangrar o coração de uma mãe”.

“Hoje vemos a mídia fazendo apologia em relação a homossexualidade, dizendo que os pais tem que aceitar, mas só um pai, só uma mãe que tem um filho homossexual dentro de casa sabe como sangra o coração”, afirmou Miranda.

Confira abaixo o programa de Silas Malafaia com o “ex-travesti”.

Budapeste sedia "Eurogames" do movimento LGBT


Publicado na Exame
Com informações da EFE

A partir desta quarta-feira, Budapeste, na Hungria, receberá a 14ª edição dos chamados "Eurogames", que são considerados os jogos olímpicos continentais do movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), com a participação de aproximadamente 3,5 mil atletas de toda a Eurocopa.

Durante cinco dias de evento, serão 18 modalidades, entre elas, futebol, tênis, atletismo e ciclismo. Simultaneamente, estão programados seminários, exposições, exibição de filmes, concertos de música.

Os organizadores esperam que o evento atraia cerca de 10 mil pessoas, o que poderia significar receitas de mais de 5 milhões de euros (mais de R$ 12 milhões) para a capital húngara. Estima-se que 90% dos atletas venham de fora do país, em sua maioria da Alemanha, Reino Unido, Holanda e Rússia.

Entre as principais discussões que serão travadas durante o evento, são a cooperação entre as organizações dos diferentes países do continente, especialmente os do Leste Europeu, onde são registrados grande número de casos de discriminação.

No próximo sábado, no encerramento dos jogos, um desfile de moda será realizado no "Eurogames Village", uma espécia de vila olímpica da competição.

26/06/12

Por que os gays são gays?


Publicado pela SuperInteressante
Por Eduardo Szklarz

A ciência está cada vez mais próxima de explicar um dos maiores mistérios do comportamento humano.

Bar depois do expediente, cervejinha gelada, papo animado sobre colegas de trabalho. De repente, alguém faz a revelação bombástica: “Sabe o fulano? É gay!” Você provavelmente já participou de uma conversa como essa. Ela acontece todos os dias, nos melhores bares e também nas melhores famílias. Depois do silêncio, a mesa se divide entre os completamente surpresos e os que “sempre tiveram certeza, estava na cara que ele era”. Até que alguém finalmente pergunta: “Mas por quê? O que levou fulano a ser diferente da maioria?” E começa a rodada de especulações: “A culpa é da mãe repressora.” “Ele foi violentado pelo pai.” “Não gostava de futebol.” “É genético, desde pequeno tinha trejeitos afeminados.” “Só é gay porque está na moda.”

Pois as mesas de bar mais uma vez provam estar entre as entidades mais antenadas do planeta. O debate sobre a origem da orientação sexual é hoje um dos mais quentes da ciência – e também um daqueles em que os resultados parecem mais surpreendentes. Historicamente, as respostas se dividiam entre os que defendiam que uma pessoa nasce gay e as que sustentavam que nos tornamos gays, bi ou heterossexuais dependendo do ambiente em que vivemos.

Mas, nos últimos anos, pesquisadores começaram a apontar novos – e surpreendentes – caminhos. As maiores novidades vêm dos estudos biológicos. Eles indicam que a formação da sexualidade acontece antes do nascimento – em parte pelos genes, mas também por fatores que atuam no desenvolvimento do feto. Não há nada comprovado e ainda falta muito a ser desvendado, especialmente sobre a influência do ambiente onde a criança é criada em sua sexualidade. Mas as evidências estão causando uma revolução no pensamento científico. E se comprovadas, poderão subverter noções básicas que construímos ao redor dos gays.

Que importa?

Muita gente acredita que a ciência deveria deixar essa polêmica de lado. O argumento é que gays existem e pronto – não há nada além disso para entender. Para elas, perguntar sobre o que leva uma pessoa a ser gay é uma atitude preconceituosa que supõe que a heterossexualidade não precisa de explicação. Cientistas, no entanto, defendem a necessidade de pesquisa, argumentando que elas podem acabar – ou pelo menos diminuir – preconceitos. “Os homossexuais são muitas vezes acusados de exibir um comportamento não natural. A única maneira de refutar essa acusação é pesquisar as causas das diferentes orientações sexuais”, diz a bióloga transexual Joan Roughgard, professora da Universidade Stanford e autora do livro Evolution’s Rainbow (“Arco-Íris da Evolução”, sem tradução em português), em que analisa cerca de 300 casos de comportamento homossexual entre animais. Para o antropólogo Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia, as pesquisas são importantes porque desconstroem a noção religiosa milenar de que homossexualidade é um comportamento diabólico e patológico. “Se comprovarem que há uma raiz genética, estará claro que a homossexualidade está nos próprios desígnios do Criador”, afirma.

Outro argumento pró-pesquisas diz que saber a origem do próprio comportamento aplaca um pouco a ansiedade. “Vemos a preocupação do homossexual em não ser discriminado, mas também a dos pais, que se sentem responsáveis e querem entender até que ponto esse sentimento procede”, diz Carmita Abdo, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenadora do projeto Sexualidade, maior pesquisa já feita sobre os hábitos sexuais dos brasileiros.

As tentativas de explicar a origem da homossexualidade incluem teorias que vão da mitologia à sociologia. No século 19, psiquiatras concluíram que ser gay era um transtorno mental causado por equívocos na criação da criança – e essa idéia reinou na maior parte do século 20. Mas se essa teoria estivesse correta, então seria possível evitar e até reverter quadros homossexuais. Ao perceber o fracasso total das terapias de “cura”, em 1973, a Associação Psiquiátrica Americana achou melhor retirar de sua lista de distúrbios mentais a atração sexual por pessoas do mesmo sexo. Foi quando o termo mudou de nome: homossexualismo deu lugar a homossexualidade – porque o sufixo “ismo” denota doença. A essa altura, os cientistas já consideravam ser gay uma variação absolutamente natural do comportamento humano.

Até que em 1991 o neurocientista anglo-americano Simon LeVay, gay declarado, anunciou ter encontrado diferenças em cérebros de homens gays e héteros. LeVay examinou o hipotálamo, zona-chave da sexualidade no cérebro, e descobriu que a região chamada INAH-3 era entre 2 e 3 vezes menor nos gays. Era a primeira indicação da origem biológica da homossexualidade. Mas, como várias pesquisas da área, a de LeVay tinha limitações: os gays do estudo haviam morrido em decorrência da aids e talvez a doença fosse responsável pela diferença. E, mesmo que essa diferença não estivesse relacionada com a aids, era impossível determinar se ela era causa ou conseqüência da experiência gay. Apesar das dúvidas, a descoberta abriu caminho para estudos que reforçam a suspeita de que a homossexualidade vem do útero. “Minhas pesquisas sugerem que algo acontece muito cedo na vida dessas pessoas, provavelmente na vida pré-natal”, diz LeVay.

Mas o quê? Parte da resposta veio em 1993 com as pesquisas de Dean Hamer, do Instituto Nacional do Câncer, nos EUA. Hamer percebeu que dentro das famílias havia muito mais gays do lado materno. A descoberta atraiu sua atenção para o cromossomo X (mulheres têm dois cromossomos X, enquanto os homens têm um X e um Y). Em seguida, a descoberta: usando um escâner, Hamer viu que uma região do cromossomo X, a Xq28, era idêntica em muitos irmãos gays. O que ele descobriu não foi propriamente um único gene gay, mas uma tira de DNA transmitida por inteiro. A notícia provocou rebuliço, e não era para menos. Mesmo contestada por outros estudos, a conexão entre genes e orientação sexual sugere que as pessoas não escolhem ser homossexuais, mas nascem assim. A comunidade gay começou a ver na ciência a resposta contra a idéia de que seu comportamento era “antinatural”.

Resposta genética?

Patrick e Thomas são gêmeos, têm 7 anos, olhos azuis e cabelo ondulado. Cresceram na mesma casa, criados pelos mesmos pais. À primeira vista, é impossível distingui-los. Mas passe algum tempo com eles e você verá que Patrick é sociável, atento e pensativo, enquanto Thomas é espontâneo e adora brincar de luta. Quando tinham 2 anos, Patrick encontrou os sapatos da mãe e gostou de calçá-los. Aos 3, Thomas disse que o revólver de plástico era seu brinquedo favorito. Aos 5, Thomas se fantasiou de monstro no Halloween; Patrick quis se vestir de princesa. Ridicularizado pelas risadas do irmão, decidiu ser Batman. Patrick sempre brincou entre meninas, nunca meninos. Os pais deixaram que ele fosse ele mesmo em casa, mas mantiveram alguns limites em público com medo de que seu comportamento feminino o expusesse. Funcionou até o ano passado, quando o orientador da escola ligou dizendo que ele deixara os colegas incomodados: insistia que era uma menina.

A história de Patrick e Thomas foi revelada pelo jornal Boston Globe. Como os demais gêmeos univitelinos (gerados pelo mesmo óvulo), os garotos são clones genéticos. Se a homossexualidade fosse mesmo causada por um cromossomo, os dois deveriam ter a mesma orientação sexual. Segundo estudos recentes, como o do psiquiatra americano Richard Green, garotos como Patrick têm até 75% de possibilidade de ser homossexuais quando adultos. Thomas aparenta ser heterossexual.

O caso de gêmeos com orientação sexual diferente mostra que, sozinha, a genética não explica a homossexualidade. Mas isso não significa que a criação tem todas as respostas. Afinal, antes mesmo de falar, Patrick já exibia traços femininos. Há mais dicas nessa charada: os pesquisadores americanos Michael Bailey, da Universidade Northwestern, e Richard Pillard, da Universidade de Boston, analisaram gêmeos e viram que, entre bivitelinos, se um deles é gay, o outro tem 22% de possibilidade de também ser. Para os univitelinos, a probabilidade sobe para 52%.

São números bastante superiores à taxa de homossexualidade entre a população, que seria de 10% de acordo com o famoso e polêmico Relatório Kinsey, dos anos 40, e entre 2% e 5% segundo pesquisas mais recentes. Bailey e Pillard, portanto, praticamente provam a existência de um componente genético para a homossexualidade. Ao mesmo tempo, praticamente provam, também, que os genes não dão conta de tudo. “Os estudos com gêmeos feitos até agora nos permitem uma estimativa de que até 40% da orientação sexual venha dos genes”, diz o pesquisador Alan Sanders, da Universidade Northwestern, EUA. Para aprofundar suas pesquisas, Sanders está recrutando voluntários, inclusive brasileiros, para o maior estudo genético sobre homossexualidade já realizado. “A meta é selecionar 1 000 pares de irmãos gays bivitelinos”, afirma. “Em irmãos assim, espera-se uma variação genética de 50%. Vamos analisar todo o genoma para saber se a variação é maior.”

O que mais está em jogo?

Se os genes não explicam tudo, que outros elementos explicariam? Um deles parece ser o desenvolvimento biológico do feto ainda no útero. E é dessa área que vêm saindo as pesquisas mais promissoras. Uma delas é a teoria dos hormônios pré-natais. A idéia é que os hormônios sexuais masculinos (andrógenos) se conectam às partes responsáveis pelos desejos sexuais no cérebro e influenciam seu crescimento, tornando o cérebro mais tipicamente masculino ou feminino. A conexão dependeria das proteínas receptoras de andrógenos (AR, na sigla em inglês). Imagine que cada célula do cérebro seja uma casa. As ARs funcionariam como o portão dessas casas, que controla a entrada de pessoas. Sabe-se que a quantidade e a localização desses portões são diferente nos homens e nas mulheres. Cientistas já constataram, por exemplo, que o hipotálamo masculino tem mais ARs que o feminino.

Essa teoria supõe que a homossexualidade nos homens é causada por “portões” que restringem a entrada de andrógenos nas regiões responsáveis pela sexualidade, formando um cérebro submasculinizado. Nas mulheres, esses portões facilitariam entradas maiores, construindo uma estrutura supermasculinizada. Tudo conseqüência do número de ARs de cada feto – o que talvez se deva à carga genética.

Os cientistas advertem que esse processo é complexo. Em todo caso, as pistas da ação dos hormônios pré-natais estão por todo lado. Por exemplo, na nossa mão. Homens geralmente têm o dedo indicador um pouco menor que o anular, enquanto nas mulheres o comprimento costuma ser igual. Richard Lippa, da Universidade Estadual da Califórnia, notou que essa diferença no tamanho dos dedos tende a ser maior nos gays que nos héteros. Em outra pesquisa, Dennis McFadden, da Universidade do Texas, observou que lésbicas são menos sensíveis que as outras mulheres a sons baixos.

Mas é preciso cautela: correlações entre interesse sexual e traços físicos estão longe de ser provadas. Também vale lembrar que os hormônios importantes não são os que circulam no nosso sangue quando adultos – cujos níveis são iguais em homossexuais e héteros – mas os que atuaram no período de gestação.

O novo desafio dos pesquisadores é entender quais as origens de um fenômeno recém-descoberto: a existência de irmãos mais velhos parece afetar a sexualidade dos mais novos. É o chamado “efeito big brother”. O cientista canadense Ray Blanchard acompanhou 7 mil pessoas e viu que a maioria dos gays nasce depois de irmãos homens e heterossexuais. Blanchard e o colega Anthony Bogaert calcularam que cada irmão mais velho aumenta em 33% a possibilidade de o menor ser gay. Um garoto com 3 irmãos mais velhos tem o dobro de possibilidade de ser gay que outro sem irmão mais velho. Um garoto com 4 irmãos mais velhos tem o triplo. Ter irmãs mais velhas não altera a probabilidade de o menino ser gay.

Para alguns, a explicação está na convivência familiar: depois de dar à luz vários homens, a mãe trataria o caçula como a menina que ela não teve. Os irmãos mais velhos também tenderiam a “dominar” o mais novo, influindo em seus sentimentos sobre si e os demais. Outra hipótese vem da biologia. “Os fetos masculinos talvez acionem uma reação imunológica na mãe ao produzirem substâncias que ameaçam seu equilíbrio hormonal”, diz o cientista Qazi Rahman, da Universidade de East London. Segundo ele, o corpo da mãe acionaria um alarme para produção de anticorpos contra proteínas ou hormônios do bebê. Cada novo feto masculino intensifica a resposta, e o acúmulo de anticorpos redirecionaria a diferenciação tipicamente masculina para uma mais feminina, gerando orientação homossexual nos filhos seguintes.

Como os outros pesquisadores, Rahman não nega que fatores ambientais possam entrar na equação. O problema é que ninguém sabe exatamente quais são eles. Não há provas, por exemplo, de que o abuso sexual na infância causa homossexualidade. O número de gays não é maior em lares chefiados por mulheres nem entre filhos criados por casais gays. Tampouco há mais casos de homossexualidade após períodos de guerra, quando os pais se ausentam de casa, o que enfraquece as hipóteses sobre dinâmicas familiares. Nem mesmo a teoria de Sigmund Freud encontra sustentação científica. O pai da psicanálise dizia que mães superprotetoras e pais ausentes poderiam levar o filho a ser gay. Mas ao invés de encontrar a causa, Freud possivelmente enxergou a conseqüência: a superproteção da mãe não seria a origem da homossexualidade, mas um ato de defesa para um filho que é rejeitado pelo pai por se comportar, desde cedo, de maneira feminina. Antes que você deixe de lado as explicações psicológicas, é bom ler o que vem a seguir.

Do exótico ao erótico

“Fatores biológicos (como genes e hormônios) são certamente responsáveis por mais de 50% da orientação sexual”, diz Dean Hamer. Ou seja: até mesmo o pai do “gene gay” admite que há espaço para fatores psicológicos. É justamente por apostar na interação entre biologia e ambiente que a teoria “exótico se torna erótico” vem chamando a atenção dos estudiosos. Seu autor, o psicólogo Daryl Bem, da Universidade Cornell, no estado de Nova York, afirma que os indivíduos são atraídos por outros de quem se sentiram diferentes na infância. Daryl diz que fatores biológicos atuam na formação da sexualidade ao agir sobre o temperamento da criança, predispondo-a a realizar certas atividades mais do que outras.

Assim, um menino que gostar de luta, futebol e esportes competitivos tipicamente masculinos conviverá num grupo com o mesmo perfil. Outro garoto que preferir bonecas e socialização mais calma, tipicamente feminina, encontrará colegas que também preferem a Barbie. Para esse garoto que convive entre amiguinhas e brinca com bonecas, a figura exótica que despertará sua atenção sexual será um menino. No caso de meninas homossexuais, se inverteriam os papéis. “Isso ocorre porque nossa sociedade polariza as diferenças de gênero. Se não as polarizasse tanto, mais homens e mulheres escolheriam parceiros com base em outros atributos além do sexo biológico”, diz Daryl. Isso significa que, apesar de a ciência estar caminhando para a noção de que a homossexualidade é inata, a biologia não é completamente determinante. “Essa predisposição para a homossexualidade vai se manifestar ou não dependendo das experiências de vida da pessoa”, diz a psiquiatra Carmita Abdo. Tudo indica que a homossexualidade é mesmo o resultado da interação de 3 fatores: biológicos, psicológicos e sociais, mesmo que esses dois últimos ainda precisem de mais evidências. Enquanto elas não aparecem, é melhor você ser menos taxativo nas suas conversas de mesa de bar.

Terapia para gays?

Robert Spitzer é o psiquiatra que encorajou a Associação Psiquiátrica Americana a retirar a homossexualidade da lista de transtornos mentais. Graças a ele, não se pode dizer hoje que ser gay é doença. Por isso, Spitzer causou espanto ao afirmar, em 2001, que sessões de terapia podem mudar a orientação sexual de um gay. Ele chegou a essa conclusão ao entrevistar pessoas que diziam ter deixado a homossexualidade após o tratamento. “A medicina não trata apenas das doenças”, diz. A Super conversou com Ben Newman, diretor de um site que oferece apoio não religioso a pessoas que querem mudar de orientação sexual. “Com um terapeuta que entendia o que eu passava e respeitava meus valores descobri que não tinha desejo por sexo, mas uma necessidade de amizade e identidade masculinas”, diz Newman. Mas é preciso extrema cautela nesse assunto.

Muitos psicólogos dizem que a pesquisa de Spitzer tem problemas metodológicos. “Terapias de conversão não funcionam e só causam mais sofrimento”, diz a psicóloga Adriana Nunan, da PUC-RJ. O Conselho Regional de Psicologia desaconselha tratar a homossexualidade. “O que se trata é o desconforto de ter essa condição”, diz a psiquiatra Carmita Abdo.

O gene gay e a evolução

O desafio dos que apóiam uma base genética para a orientação sexual é explicar a permanência e adaptação dos genes gays ao longo da evolução. “Ser atraído pelo sexo oposto é útil porque leva o indivíduo a gerar filhos – por isso os genes da heterossexualidade dominam o planeta. Mas como os genes da homossexualidade também parecem existir, é provável que sirvam ou tenham servido a algum valor reprodutivo ao longo da evolução”, diz o cientista inglês Qazi Rahman. Talvez os animais possam dar a resposta. O biólogo americano Bruce Bagemihl analisou 450 espécies e constatou que elas não fazem sexo só para produzir filhotes. Mais de 70 tipos de aves e 30 de mamíferos “casam-se” com indivíduos do mesmo sexo. Muitas vezes, para ter prazer. Para a bióloga Joan Roughgarden, a homossexualidade é um traço natural que mantém indivíduos unidos através do contato. Para ela, não há diferença entre jogadores de futebol que se tocam para funcionar melhor como equipe e duas pessoas que se acariciam intimamente. “Estamos muito preocupados com o contato genital, mas tudo não passa de intimidade física”, diz.

Para saber mais
Born Gay - Glenn Wilson e Qazi Rahman, Peter Owen, Londres, 2005 www.ingentaconnect.com/content/klu/aseb - Archives of Sexual Behaviour (Arquivos de comportamento sexual) www.gaybros.com - Site da pesquisa genética que vai contar com 1 000 pares de irmãos gays e busca participantes do Brasil.