11/02/2013

Bento XVI anuncia renúncia e abre expectativa: será que o novo Papa será menos intolerante?


Por Homorrealidade

O Papa Bento XVI anunciou na manhã desta segunda-feira (11) que vai renunciar a seu pontificado em 28 de fevereiro. O principal representante da Igreja Católica alegou que, aos 85 anos de idade, não tem mais forças para seguir no cargo. O Vaticano afirmou que o papado, exercido pelo teólogo alemão desde 2005, vai ficar vago até que o sucessor seja escolhido, o que se espera que ocorra "o mais rápido possível" e até a Páscoa, segundo o porta-voz Federico Lombardi. Para o movimento LGBT a notícia abre uma boa expectativa, já que o novo papa pode ser alguém mais jovem e talvez com a mente menos contrária à igualdade de direitos para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
 
O atual discurso da Igreja Católica, que tem mais de 1,3 bilhão de seguidores no mundo, prega que as tendências homossexuais não são propriamente um pecado, mas que os atos homossexuais são, e que as crianças devem crescer em uma família tradicional, com um pai e uma mãe.
 
Intensificando esse olhar preconceituoso, Bento XVI já chegou a afirmar que o “homossexualismo”, termo pejorativo associado a uma doença, é “essencialmente ruim”. Logo no início de seu papado, em 2005, ele anunciou que as portas dos seminários estariam fechadas para os que “praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais ou apóiam a chamada cultura gay”. Em plena celebração da Jornada Mundial da Paz, o pontífice ordenou que paróquias de todo o mundo lessem uma mensagem homofóbica. Foram as declarações mais fortes já proferidas por um pontífice contra a homossexualidade. Até mesmo em datas de discurso pacífico como ano novo e o natal, ele reafirmou que o casamento homossexual é uma das ameaças à família tradicional, pondo em xeque "o próprio futuro da humanidade". Segundo Bento, a educação das crianças precisa de "ambientes" adequados, e "o lugar de honra cabe à família, baseada no casamento de um homem com uma mulher".
 
Para muitos militantes LGBT, desde que a luta pelos direitos das minorias sexuais foram iniciadas, a igreja católica nunca teve um papa tão intolerante à causa quanto Bento XVI. Vale lembrar que o mesmo papa também insiste em ser contrário ao divórcio, ao uso do preservativo e da pílula anticoncepcional, contrapondo-se à opinião e à prática pessoal da maioria dos católicos que ainda conferem poder à igreja.
 
Com a renúncia de Bento XVI, o movimento LGBT fica na expectativa do anúncio de um novo papa menos rígido, que possa fazer interpretações da Bíblia mais humanitárias e generosas, além de compreender o amor de Jesus Cristo como algo verdadeiramente sem fronteiras ou regras tão conservadoras.
 
Mesmo para quem não é católico, essa decisão faz diferença, pois a igreja ainda exerce muito poder nas decisões políticas de diversos países do mundo, sendo historicamente uma das principais motivadoras do preconceito contra LGBTs.
 
O nome do novo papa deve ser confirmado até o final de março.

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