27/02/2013

O impacto do casamento gay na saúde de lésbicas, bissexuais e gays

 
Publicado pela Folha
Por Cláudia Collucci
 
Políticas favoráveis ou contrárias ao casamento gay podem ter impacto na saúde das minorias sexuais, revelam recentes estudos que avaliam as implicações de legislações no dia a dia das pessoas.
 
Um exemplo foi o que aconteceu após as eleições de 2004 nos EUA. Catorze estados aprovaram emendas constitucionais para limitar a definição de casamento para a união entre um homem e uma mulher, o que significou, na prática, banir o casamento gay.
 
Um estudo acompanhou a saúde mental de lésbicas, gays e bissexuais (LGB) que viviam nesses estados e descobriu que essas pessoas apresentam maiores taxas de transtornos psiquiátricos do que as pessoas LGB que vivem em estados sem tais alterações.
 
Os pesquisadores também avaliaram uma amostra de indivíduos antes e após a mudança que vetou o casamento gay: os casos de transtornos de humor aumentaram 38%, os de transtornos por uso de álcool em 42% e os de transtornos de ansiedade generalizada deram um salto de 248%.
 
Mas o inverso é verdadeiro? Uma legislação que permite o casamento gay pode ter um efeito protetor sobre a saúde mental de gays e lésbicas?
 
Um outro estudo feito em Massachusetts, publicado no ano passado, tentou responder essa questão. O trabalho analisou 1.211 homens homossexuais e bissexuais durante os 12 meses antes e 12 meses após a votação de 2003 para legalizar o casamento gay.
 
Os resultados mostraram que, nos 12 meses seguintes à mudança na lei do casamento, as visitas médicas por problemas físicos entre homens gays e bissexuais diminuíram 13%, e os custos em saúde apresentaram queda de 10% (em comparação aos 12 meses anteriores à mudança na lei).
 
Visitas ao médico associadas a problemas de saúde mental entre os homens gays e bissexuais também caíram 13%, e os custos em saúde 14%.
 
Estudos desse tipo têm limitações metodológicas, e os resultados não podem ser generalizados a todas as pessoas. Do ponto de vista individual, também há outros fatores que poderiam influenciar a saúde mental dos homossexuais e bissexuais.
 
Mas, de qualquer forma, é importante esse conjunto de evidências que começa a se formar sobre o impacto de determinadas leis na saúde das pessoas.
 
Cláudia Collucci é repórter especial da Folha, especializada na área da saúde. Mestre em história da ciência pela PUC-SP e pós graduanda em gestão de saúde pela FGV-SP, foi bolsista da University of Michigan (2010) e da Georgetown University (2011), onde pesquisou sobre conflitos de interesse e o impacto das novas tecnologias em saúde. É autora dos livros "Quero ser mãe" e "Por que a gravidez não vem?" e coautora de "Experimentos e Experimentações". Escreve às quartas na Folha.
 
 

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