José de Abreu: "Eu sou gay, sim. (...) Tenho muitos amigos gays, a maioria do elenco da Globo é gay... "

 
Publicado pelo Extra
 
Longe da TV desde “Avenida Brasil”, quando fez o catador de lixo Nilo, José de Abreu estreia nos cinemas na próxima sexta-feira, com o filme “Meu pé de laranja lima”. A carreira artística vai muito bem, obrigado. Mas pode em breve sair de cena por um tempo para dar início à carreira política do ator. Em 2014, ele deve surgir como candidato à deputado federal pelo Rio.
 
— Eu tenho que conversar com a Globo. Seis meses antes de começar uma campanha a pessoa tem que estar fora do ar. São nove meses fora do ar ao todo. Então, vai depender do trabalho que eu fizer. Uma minissérie de três meses dá tempo, mas novela já não dá — explica José, garantindo que não vai deixar a carreira de ator nem a emissora: — Nunca! Eu não saio da Globo nem morto. E a Globo não tem o menor interesse em me mandar embora. Já conversei com dois diretores. Então, nem penso nessa possibilidade.
 
Bastante ligado à política nacional, Zé de Abreu chega a mudar o tom da voz quando o assunto é Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara:
 
— É uma vergonha nacional! É negócio de doido isso, inacreditável. O cara mente descaradamente. Até a mãe dele já o desmentiu!
 
Lúcia Maria Feliciano, mãe do deputado, fazia abortos em mulheres nos anos 70. No início deste mês, Marco Feliciano disse que “via fetos serem arrancados de dentro das mulhares”. Em entrevista à Folha de São Paulo, Lúcia confirmou a prática, mas garantiu que o filho jamais viu um aborto, já que era recém-nascido na época.
 
— Tudo isso me dá muito desgosto — diz Zé de Abreu.
 
Sobre a declaração de Feliciano de que sairia da CDH caso José Genuíno e João Paulo Cunha, condenados no Mensalão, deixassem a Comissão de Constituição e Justiça, o ator é objetivo:
 
— Uma coisa não tem nada a ver com a outra — diz o petista, amigo de José Dirceu há quase 50 anos.
 
Mesmo diante dessas decepções, José de Abreu segue na ideia de se candidatar à deputado federal:
 
— Claro que tudo isso faz diminuir a vontade. Mas esse lance todo não é uma vontade que partiu de mim. Foi uma coisa que partiu do Lindbergh (Farias, senador). Eu liguei para o Lula, encontrei com ele e ele achou a ideia boa. Mas numa segunda vez ele disse que, já que a situação política aqui no Rio está meio complicada, era melhor deixar para decidir mais para frente. Tenho até outubro para resolver.
 
Polêmicas no Twitter
 
Bastante ativo no Twitter, o ator chegou a usar pseudônimos para postar no microblog na época das eleições 2010.
 
— Era desrespeito à Lei Eleitoral. Artistas não podem se meter com política enquanto estão no ar. E eu estava no ar em “Malhação”. Então, não podia. E ninguém sabia que era eu. Usava Marcos Ovos, Zé Bigorna... Dilma me chama até hoje de Marcos Ovos. Quando saí de “Malhação”, esperei cinco dias e troquei o Zé Bigorna pelo Zé de Abreu — conta o ator, que tem hoje quase 74 mil seguidores: — São poucos. O Rafinha (Bastos), por exemplo, tem milhões! Mas meus seguidores têm qualidade. Eu tenho praticamente os melhores seguidores do Brasil. Não é quantidade, é qualidade.
 
Seus tweets já foram parar até na Justiça. Esta semana, mais um processo foi parar nas costas do ator por parte de Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal — é a segunda vez que o ministro processa José de Abreu.
 
— Por uma coisa que eu escrevi dia 10 de dezembro no Twitter que foi claramente uma brincadeira — diz o ator, que naquele dia escreveu “E o Gilmar Mendes que contratou o Dadá? 19 anos de cadeia pro contratado. E pro contratante? Domínio do fato?”.
 
“Sou muito claro em minhas atitudes”
 
Uma das maiores polêmicas de José de Abreu no Twitter foi quando o ator revelou ser bissexual: “Sou bissexual e daí? Posso escolher quem eu beijo?”.
 
— E essa não foi a maior... — garante o ator, que chegou a discutir política com João Barone, baterista dos Paralamas: — Aquilo foi uma bobagem. Ele é mal informado. Parece roqueiro de direita... Não entendo isso.
 
Apesar de tanta polêmica, Zé afirma que não se arrepende de nada.
 
— Absolutamente! Sou muito claro em minhas atitudes. Eu sou gay, sim. Eu não tenho relação com homem, mas quantas vezes tem que dar a bunda para ser gay? Tenho muitos amigos gays, a maioria do elenco da Globo é gay... É essa sensação de minoria que eu tenho. Eu não posso dizer que sou negro nem que sou pobre. Então vou ser gay ou bi.
 
 

Comentários

  1. Fui homofóbico por toda a minha vida, inclusive depois de minha conversão cristã em outubro de 1989. Confesso que me sentia deveras infeliz por ser homofóbico, nutrir uma aversão estúpida por uma pessoa (gay) que só deseja ser ela mesma, livre.
    Não sou gay (se fosse, atualmente assumiria, já que sou libertário o suficiente para sair de dentro de qualquer armário); se algum imbecil quiser me considerar como gay por eu ter abandonado a homofobia, que se dane, não tô nem aí, o que me interessa é ser livre, já que Cristo realmente me libertou, também 'só quero ser feliz, andar tranquilamente neste "mundo" que eu nasci, e poder me orgulhar e ter a consciência que o "povo" tem seu lugar"
    Por isso compreendo perfeitamente o ator José de Abreu, a Daniela Mercury e muitas outras pessoas... Paz!!!
    Reverendo Beto Coelho, FCC
    Igreja Anglicana do Brasil (IAB)
    "Uma Igreja 100% Inclusiva"

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Respeitamos opiniões contrárias às postagens contidas nesse site, mas solicitamos que evitem utilizar esse espaço para fazer propagandas, incluir conteúdos que não tenham vínculo com as postagens ou que visem agredir quem quer que seja. Obrigado!