Torcedores de Cruzeiro e Galo criam páginas contra homofobia e sexismo

 
Publicado pelo Globo Esporte
 
Em um momento no qual se discute amplamente na sociedade, principalmente nas redes sociais, a atuação do deputado Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, acusado de declarações racistas e homofóbicas, o mundo do futebol não ficou indiferente. Estão no ar, na internet, páginas para combater não só a homofobia, mas também o sexismo, a discriminação contra o sexo oposto. Para muitos, o futebol, até hoje, é um esporte fortemente associado ao universo masculino. As iniciativas contra o preconceito partiram de torcedores do Cruzeiro e Atlético-MG.
 
Segundo um dos idealizadores da página do Cruzeiro, a Cruzeiro/Anti-homofobia, a ideia surgiu diante do cenário atual brasileiro, em que líderes religiosos dão declarações polêmicas sobre os homossexuais.
 
- Frente à realidade do Brasil hoje, com as declarações polêmicas de pastores famosos como o Marco Feliciano e o Silas Malafaia, e tendo em vista o preconceito que existe no futebol, se mostrou necessária a criação de um canal que lute contra isso também nesse âmbito. A manifestação e indignação das pessoas são e sempre foram muito importante para acabar com a intolerância e o preconceito. E não podemos mais tolerar a falta de respeito e tudo que incite à violência no futebol.
 
A “Cruzeiro/Anti-homofobia”, criada nesta quinta-feira, já tem mais de 500 apoiadores da causa. Na descrição da página, os idealizadores explicam que a iniciativa não se estende apenas à torcida, mas que o discurso pode ser ampliado. E lembram: combate à homofobia não precisa ser exclusivo dos homossexuais:
 
“Essa página é um movimento anti-homofobia e anti-sexismo no futebol brasileiro e no geral, organizado por torcedores do Cruzeiro, mas que não se restringe aos mesmos. Futebol é diversidade e não um ambiente hostil que incita violência e preconceito. Por acreditarmos que o futebol expressa de forma muito clara a heteronormatividade gritante em nossa sociedade, decidimos nos posicionar e discutir dentro das próprias torcidas a homofobia e o culto ao machismo nos estádios, mesas de bar, centros acadêmicos e quaisquer outros lugares. Nesse sentido, essa página propõe-se a debater os preconceitos de gênero e articular politicamente os torcedores do Cruzeiro para ações críticas. Não é preciso ser gay para apoiar o combate à homofobia”.
 
A diretoria do Cruzeiro, procurada, não falou sobre a iniciativa.
 
Galo Queer
 
 
 
Torcedores atleticanos também têm uma página que defende os mesmos princípios, a “Galo Queer”. Queer, em inglês, é uma das várias palavras usadas para se referir ao homossexual. Aberta no dia 9, mais de 2500 pessoas já apoiaram a iniciativa. Na descrição do perfil, eles falam:
 
“GaloQueer é o movimento anti-homofobia e anti-sexismo no futebol dos torcedores do Atlético Mineiro, vulgo Galo Doido. Porque paixão pelo Galo não tem nada a ver com intolerância”.
 
A diretoria do Atlético-MG, procurada, afirma que é a favor de qualquer iniciativa que venha a combater qualquer tipo de preconceito.
 
 

Comentários

  1. Achei um ponto negativo a diretoria do time não se expor, o que adianta levantar bandeira por um time cujo topo prefere se anular?

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