06/05/2013

Artigo: "Vista uma calça, por favor!"

 
Publicado pelo TOM
Por Guy Franco
 
Bom mesmo é ser gay; você pode bater no namorado, usar as roupas dele, além de não existir aquela pressão para pagar a conta do outro no restaurante. Vantagens econômicas e práticas – nem todos têm saco de enfrentar a burocracia de conquistar uma mulher. Homossexualidade, pelo menos a do homem, costuma estar ligada à preguiça de se chegar a uma vagina. E como se ganha tempo com isso!
 
Fosse seguir o manual de comportamento da causa LGBT, ficaria agora de sunga e falaria sobre homofobia. Não faço. Prefiro usar este espaço para avisar que está passando “Twin Peaks” no Canal Viva. Aos que esperam uma teoria fazendo ponte entre crimes de ódio e descaso das autoridades, que deem uma volta por blogs do meio – são os mais coloridos e sem-vergonhas. O que não falta na internet são Datenas descamisados para a solução dos problemas do mundo moderno.
 
Vim aqui para falar de gay e, se acabei falando de homofobia, foi porque a comunidade funciona assim. O próprio uso da palavra “comunidade”, antes associada a gente descalça e encardida, foi expropriado pelos gays, tentando nos convencer de que existe uma tal de identidade homossexual por aí. Do pouco que entendo sobre o tema, posso dizer que tem a ver com abdome trabalhado, cantoras que sobem no palco de lingerie e, claro, a violência contra homossexuais. Ainda que eu acredite que a homossexualidade seja de nascença, não me desce de jeito nenhum a ideia de que a identidade homossexual venha junto de brinde – não posso acreditar que Madonna esteja em nosso DNA nem que bebês gays são dados às vilãs de novelas mexicanas. Se identidade homossexual existe, então é coisa que se pega pelo ar. O que pode, isso sim, é o gay ser mais vulnerável ao mal; o efeito é que acabam gostando de mulheres que ciscam enquanto cantam Single Ladies ou qualquer coisa do tipo. A teoria que compro é esta: se gostassem de mulher, perceberiam o que fica ridículo nelas, e o que não é capaz de provocar uma ereção.
 
Por esse lado, ser gay é uma liberdade e tanto. Como não querem ir para a cama com as mulheres, não se importam quando elas se vestem de galinha e se movem e cacarejam como uma. Na verdade, até gostam; e fazem questão de que todos saibam disso. As mais espertas aproveitam para ganhar a vida em cima desse ponto fraco de grande parte dos gays, que é a adoração por uma diva. Sim, isso desmente o que acabei de dizer ainda há pouco: ser gay é uma liberdade e tanto. Ih, nem é. Existe um padrão de comportamento a ser seguido. Por exemplo: se você é gay, mas não se atualiza semanalmente com os tombos de celebridades e subcelebridades, e desconhece os escândalos protagonizados por elas, cedo ou tarde a comunidade LGBT invalida sua CNH (Carteira Nacional de Homossexualidade) e tira todos os seus direitos e privilégios. Comigo foi assim.
 
Mas entendo. Para boa parte da comunidade, essa tal de identidade homossexual é tudo o que eles têm. Precisam defendê-la. Alguns, se deixassem de ser gays, não seriam mais nada. Conheço gente que, se perdesse a homossexualidade em um acidente de trânsito, desapareceria do mundo, deixando no lugar, no chão, uma mancha do que um dia foi um comentário divertido sobre o cabelo da falecida Hebe Camargo. E às vezes nem isso. Não fosse a homossexualidade, seriam ocos, vazios. Um furinho neles e voariam despirocadamente, como um balão de festa infantil – nada contra balões de festa infantil, tenho até amigos que são.
 
O problema da identidade homossexual é que ela não costuma ser divertida assim o tempo todo; nem sempre estão fazendo graça com gente famosa ou trocando a letra de musicais da Disney por palavras obscenas para jogar no YouTube. Infelizmente, uma hora é preciso entrar no assunto sério, que sustenta toda a comunidade LGBT: a homofobia. Então, interromperão a dublagem de Cher bem no meio de “Believe”, e, ainda de peruca e usando salto alto, baterão no microfone e alertarão sobre este grande mal da década.
 
Basta uma calça
 
Portais gays levam a identidade homossexual tão a sério que não conseguem falar sobre crimes homofóbicos sem que exista um banner piscando com propaganda de uma balada ao lado da notícia. Você entra nesses sites para ler sobre a morte violenta de um rapaz pelo próprio primo, pois este descobriu que o outro era gay, e lá está o anúncio de uma sauna com um homem pelado e excitado olhando para você. O curioso é que na maioria das vezes esses textos são escritos por militantes da causa LGBT. Ouço vozes chorosas dizendo: “Ah, mas esses sites precisam ganhar dinheiro de alguma maneira!” Sim, concordo, mas não dá para esperar que esse tipo de texto chegue muito longe. No máximo, serve para deixar mais indignado quem já é gay e tem por hábito se indignar com esse tipo de notícia. Não seria mais interessante causar indignação em quem não é do meio e não está acostumado a ler sobre o assunto? Não é preciso de muito esforço para fazer isso acontecer – basta uma calça.
 
Quem não é gay não está interessado em ver homem pelado enquanto lê seu texto. Custa pôr uma roupa quando pretende tratar de um assunto sério? Quando gritam pedindo pelo fim da homofobia, o mínimo que se espera da pessoa é que ela esteja cobrindo os pelos do corpo. Do contrário, poucos vão prestar a atenção no que você fala. “Está na hora do governo e da sociedade começar a nos levar a sério” – diz um homem de sunga segurando uma bandeira com o arco-íris. Então, tá. Aguarde sentado, de preferência em uma poltrona e com uma revista de sudoku em mãos.
 
Meu ponto é: ao mesmo tempo em que a identidade homossexual é libertadora, também pode ser uma prisão. Se tudo o que o sujeito faz está apoiado nessa identidade, ele só vai conseguir a atenção dos mesmos. Não tem problema nenhum andar com os mesmos, mas, se ele quer a atenção de mais gente para a sua causa, que me parece ser o caso da maioria, vai precisar de uma calça. Não é diversidade se o sujeito só anda em gueto.
 
 
Guy Franco é blogueiro e colunista da revista Alfa. Assina o blog Canudos Coloridos.

3 comentários:

eduardo maior disse...

Este texto demonstra um total desconhecimento da "comunidade gay" pelo autor. Se é que existe tal identidade, pois é interessante lembrar que gays são uma diversidade em si. Não bastasse isso, o cara desconhece também técnicas de protesto. Deveria ler mais antes de começar a escrever sobre questões sociais tão complexas.

AugustoCrowley disse...

Tenho que concordar!

X Tudiull disse...

A muito tempo quero comprar uma sunga igual a essa :( impossível de encontrar .

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