09/06/2013

Mesmo sem direito legal, casal gay realiza casamento simbólico na Itália

 
Publicado pelo iGay
Com informações do The New York Times
 
União de Massimiliano Benedetto e Giuseppe Ilaria expõe situação do país predominantemente católico, um dos poucos da Europa que não garante direitos legais aos parceiros homossexuais
 
 
Em quase todos os sentidos, o casamento foi bem tradicional. Como não poderia deixar de ser, a trilha sonora era de música era romântica. Trocando anéis de brilhantes, os noivos disseram seus votos com os olhos mareados, selando a união com um beijo apaixonado debaixo de uma barulhenta salva de palmas.
 
Mas do ponto de vista legal, o matrimônio de Massimiliano Benedetto e Giuseppe Ilaria , realizado no último mês de maio, foi puramente simbólico, já que o país deles, a Itália, não reconhece legalmente o casamento gay.
 
 
"Esta celebração não é legal", constata Imma Battaglia , uma das mais proeminentes ativistas dos direitos dos homossexuais da Itália. Foi ela quem oficiou a cerimônia em um hotel de luxo de Roma. "Gays são acusados ​​de representar algo perigoso para a família. Mas é exatamente o contrário disso. Massimiliano e Giuseppe estão apenas cumprindo um desejo que reforça o conceito de família", constata ela.
 
Apesar de não ser legal, o gesto de Massimiliano e Giuseppe representa um ato político, para que a Itália legalize o casamento gay, como já fizeram recentemente o Uruguai e a Nova Zelândia.
 
 
A Itália é um dos poucos países da Europa que não reconhece de nenhuma maneira as uniões do mesmo sexo. Há anos, as tentativas de legalizar o casamento gay naufragam no parlamento italiano. Os partidos de centro-esquerda são indiferentes ao assunto, enquanto os de centro-direita o trata de maneira hostil.
 
"Nós amamos nossos meninos, como um italiana me sinto um pouco envergonhada", confessa Marinella Benedetto , a mãe de Massimiliano, que o acompanhou o filho até o altar. "Mas os tempos estão amadurecendo para a mudança, que só precisa de um empurrão para ir para frente", prossegue, esperançosa.
 
 
Quando o anunciou a cerimônia, o casal foi parar nas manchetes dos jornais italianos. "Um amigo nosso, que veio de Nova York para o casamento, me disse que não conseguia entender toda a polêmica que nossa união provocou", revela Massimiliano.
 
"Muita gente nos perguntou: 'Por que vocês não se casam no exterior?'", conta Giuseppe. "Mas é importante para nós que a cerimônia fosse em Roma, para que nossas famílias pudessem participar. Não fazia sentido ser algo diferente disso", responde o questionamento.
 
 
Organizador de casamento para parceiros do mesmo sexo, Egizia Mondini classificou o casamento de Massimiliano e Giuseppe como parte de uma revolução cultural maior. No entanto, ele se resigna diante da falta de reconhecimento legal do amor dele e do seu marido. "Meu companheiro tem os mesmos direitos que uma babá teria sobre a nossa filha”, lamenta.
 
Curiosamente, o povo italiano parece ser mais progressista que os seus políticos. Um estudo de 2011, feita pela agência de estatísticas Istat, mostrou que 63% dos italianos são a favor de que casais gays tenham os mesmos direitos que os pares heterossexuais.
 
 
"Nossos políticos não tiveram a coragem de lutar contra este problema", aponta Giuseppina La Delfa , presidente da Famiglie Arcobaleno, uma associação de pais gays. "Eles colocaram suas carreiras em primeiro lugar, eles têm medo de perturbar a opinião pública”, acrescenta.
 
Alguns críticos locais, apontam a influência religiosa do Vaticano sobre os políticos como o principal obstáculo para a aprovação de legislação dos direitos dos homossexuais. Por outro lado, outros formadores de opinião dizem que isso é só uma desculpa.
 

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