Jornalista diz ter sido vítima de ataque homofóbico em boate em SP

 
Publicado pelo UOL
 
O jornalista Murilo Aguiar, 25, está "indignado". Ele denuncia ter sido agredido com socos e, antes, ter sido alvo de comentários homofóbicos dentro de uma boate LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) na área central de São Paulo. O caso, segundo ele, aconteceu no último fim de semana e está sendo investigado pela polícia.
 
Murilo relata que foi com três amigos (dois homens e uma mulher) a uma festa no clube Yatch, no bairro Bela Vista, local onde já havia estado outras três vezes.
 
Ele conta que estava na fila do banheiro quando uma funcionária da limpeza disse gritando para a amiga dele "próximo".
 
"Eu respondi 'calma', e a funcionária falou 'calma não; isso aqui é banheiro, tem de ser rápido; estou trabalhando'. Eu retruquei: 'eu sei que você está trabalhando; eu também trabalho", relembra a conversa.
 
Segundo o jornalista, a princípio ele não notou que ao lado da funcionária um outro funcionário da limpeza acompanhava o diálogo.
 
"Ouvi ele [o funcionário] afirmar 'é por isso que todo gay tem HIV; gay tem de ser mais humilde, tem de ler mais a Bíblia'. Simplesmente ignorei e entrei no banheiro", lembra.
 
"Todo gay tem HIV"
 
Quatro horas depois, Murilo relata que estava na área destinada aos fumantes quando o mesmo funcionário passou pelo grupo.
 
"Comentei com meus amigos que tinha sido aquele que havia feito os comentários. Ele então começou a dizer 'todo gay tem HIV, toda gay é esnobe. Você viu o jeito que você falou com ela [a funcionária]?", conta.
 
O jornalista diz que teve um rápido bate-boca com o funcionário da boate, que logo depois se afastou do grupo.
 
Um amigo, segundo Murilo, comentou em seguida sobre como deveria ser ruim ter preconceito contra gays e trabalhar em um local frequentado por esse público.
 
"O funcionário voltou e, gritando, disse: 'eu não sabia que hoje era festa gay; se soubesse não teria vindo. Se eu pudesse, daria um tiro na sua cabeça'. Então eu perguntei: 'você está louco, gata?", lembra o jornalista. De acordo com Murilo, o funcionário o derrubou no chão e começou a dar socos.
 
O jornalista teve dois dentes quebrados e escoriações pelo corpo. Ele denunciou o funcionário da boate por agressão no 78º DP (Jardins) e pretende acionar a Justiça contra a boate por danos morais.
 
Dono de boate lamenta agressão
 
O empresário Facundo Guerra, um dos sócios da casa noturna, afirma estar indignado com o que aconteceu. "Estou revoltado por isso ter ocorrido dentro da casa que controlo, cuja maioria dos sócios é gay", lamenta.
 
Ele explica que o funcionário denunciado pelo jornalista é terceirizado. O empresário tem a intenção de acionar judicialmente a empresa para a qual o agressor trabalha. Facundo revelou que não pretende mais contratar terceirizados.
 
Na opinião de Facundo Guerra, o próprio cliente poderia ter evitado o ocorrido, avisando a gerência do clube sobre os comentários feitos pelo funcionário.
 
"Ele poderia ter notificado logo a casa. Qualquer comentário [homofóbico] teria causado o desligamento dele [agressor] e inclusive da empresa", sugere. O empresário diz que lamenta o que aconteceu. "Estamos solidários à vítima", afirma.
 

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