26/08/2013

“A letra fria de uma lei não vai mudar a realidade" Entrevista de Jean Wyllys


Entrevista de Jean Wyllys - Deputado Federal (PSOL-RJ) para o site O Tempo

O senhor considera que o julgamento dos acusados de matar Igor é emblemático?

O julgamento da morte de Igor é paradigmático. É explicito que o crime foi motivado por homofobia, ou seja, um motivo torpe, cruel. Essa motivação já está prevista no Código Penal. O júri em si não vai impedir que outros “Igors” sejam mortos. Entretanto, o julgamento pode sugerir uma reflexão e estimular a punição dos responsáveis por crimes similares.

Que resultado o senhor espera do júri?

Espero que os jurados compreendam a dor de uma mãe que perdeu o filho por causa da homofobia. Minha expectativa é que os réus sejam condenados.

Qual a opinião do senhor com relação à criação de uma lei que criminaliza a homofobia?

Considero que criar um dispositivo legal que criminalize a homofobia é válido, mas não acho que vai resolver o problema. A homofobia continuará sendo reproduzida nas igrejas e nas famílias. Não podemos cair na armadilha de que a letra fria de uma lei vai mudar a realidade. Um adulto que mata ou agride um gay foi um adolescente que não aprendeu a respeitar as outras pessoas.

Qual seria o caminho para a redução dos crimes contra gays?

É preciso desconstruir esse preconceito nos três níveis da educação: básico, médio e superior. A estrutura das políticas públicas deve ser revisada. Em algumas cidades do Brasil, não existem cinemas ou teatros, e isso precisa mudar. Os jovens precisam ter contato com a cultura para enxergar o outro com sensibilidade. Qual o papel do poder público nessa mudança? As polícias e outras autoridades precisam ter a sensibilidade para perceber a relação da homofobia com determinados crimes. (AD)

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