16/08/2013

Isinbayeva ateia mais fogo à inflamável relação entre Rússia e comunidade gay


Visto no Terra

Nesta quinta, Yelena Isinbayeva, estrela russa do salto com vara, lançou a mais recente partícula inflamável sobre a cada vez mais tensa relação entre governo russo e homossexuais. Desde junho, quando o presidente Vladimir Putin promulgou uma lei que estigmatiza a comunidade gay e proíbe a distribuição de informações sobre homossexualidade para menores de idade, a polêmica só faz crescer. O texto prevê multa – que pode chegar a R$ 70 mil -, detenção de 15 dias ou expulsão do país para quem fizer apologia ou fornecer informações sobre gays, lésbicas, bissexuais e transexuais para menores de idade.

Melhor saltadora da história, admirada por seus feitos no esporte tanto quanto pela beleza estonteante, Isinbayeva aproveitou a coletiva de imprensa durante o Campeonato Mundial de Atletismo de Moscou para endossar seu apoio ao governo russo e criticar a sueca Emma Green-Tregaro, do salto em altura, que apareceu com as unhas pintadas nas cores do arco-íris, em apoio ao movimento gay. 

O tratamento preconceituoso e cruel dado a homossexuais em território russo não é novidade. Longe disso – homossexulidade era crime no país até 1993 e considerada uma doença mental até 1999. Mas alguns motivos em especial fazem a comunidade internacional levantar a voz contra Putin agora: o Miss Universo, programado para novembro próximo, os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, que acontecem em 2014, e a Copa do Mundo de 2018. 

Em 1980, quando o país recebeu os Jogos Olímpicos pela última vez, enfrentou um boicote motivado pela invasão soviética ao Afeganistão. Se depender da comunidade gay, que começa a se movimentar, desta vez não será diferente. Segundo o jornal New York Times, bares gays no Ocidente estão boicotando a vodka russa como forma de chamar a atenção para sua causa. Se vai surtir efeito, ainda é cedo para dizer. O fato é que este não é um movimento isolado. Fifa e Comitê Olímpico Internacional já cobraram explicações das autoridades russas.

No mundo das celebridades, a pressão veio por parte de Andy Cohen, que decidiu abandonar o posto de co-apresentador do Miss Universo, função que exerceu nos dois últimos anos, por medo das leis russas. Cohen, que é homossexual, disse que não se sentiria seguro no país. “A lei diz que todo mundo sob suspeita de homossexualidade pode ser preso. Eu não sinto que é certo, como um homem gay, eu pisar na Rússia”, afirmou ao E!News.

Obama também foi chamado a comentar o tema em recente entrevista a Jay Leno no Tonight Show. Embora diga ser contra o boicote aos Jogos de Sochi, ele garantiu “ninguém se sente mais ofendido do que eu pela legislação antigays e lésbicas que estamos vendo na Rússia” e afirmou esperar que Putin e seu governo evitem qualquer tipo de discriminação durante o evento esportivo. No entanto, se o comportamento do líder russo depender da boa relação entre ambos, parece que o melhor para a comunidade gay é se manter o mais longe possível da terra dos czares.

É difícil dizer se o povo apenas repete o discurso das autoridades, como pareceu fazer Isinbayeva hoje, ou realmente acredita que as escolhas sexuais não são um direito individual. O fato é que uma pesquisa recente aponta que 88% dos russos aprova a recente legislação. Aqueles que discordam já sabem que serão punidos. Como no caso do apresentador Anton Krasovsky, demitido depois de revelar ser gay ao vivo no canal KontrTV. Em entrevista à CNN, ele afirmou ter sido demitido na mesma noite em que fez a declaração.

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