05/08/2013

Livro (LGBT): "Mamães e Papais", de Emerson Machado

 
Visto no iGual
 
Emerson Machado, jornalista, morador de Curitiba, 22 anos, tem quatro livros publicados. O mais recente, “Mamães e Papais”, da editora mineira AAATCHIM!, fala sobre filhos adotados por casais homossexuais. No lançamento do livro, que aconteceu em junho em Curitiba, estiveram presentes vários casais gays que levaram seus filhos para comprar o livro.
 
Segundo Emerson, a lei não fala sobre gays adotando crianças. Aqueles casais que decidem adotar dão um drible no caminho legal e fazem a adoção em nome de um dos dois, como se fosse a ação de um solteiro, com toda a dificuldade que isso acarreta ao processo de seleção.
 
“Eu sou homossexual, tenho alguns amigos que querem adotar, já visitei orfanatos para saber como funciona e a questão é que não faltam crianças precisando ser adotadas e não faltam casais homossexuais querendo adotar. Eu próprio quero adotar uma criança, tenho vontade de ter uma família. Por que para mim tem que ser tão complicado?”, diz ele. ”Agora que os gays podem se casar, espero que a lei seja alterada com relação à adoção.”
 
Sobre “Papais e Mamães”, ele explica que é dedicado aos pais, mas escrito com uma linguagem de que as crianças gostam. “É indicado a partir dos 8 anos de idade, quando os pais tiverem que lidar com aqueles inevitáveis porquês. Trata a homossexualidade como uma coisa natural. É um fato da vida, não tem como fugir desse assunto.”
 
A literatura de Emerson é quase toda baseada na defesa de causas que ele considera importantes. Dois dos livros anteriores tratam de doação de órgãos (“Investigador de Sótãos” (2009) e “Rua Número 12” (2012)). O primeiro, “Nevon – O Pacto de Morte” (2008) é uma aventura fantástica voltada para os adolescentes.
 
Seu best-seller até agora é “O Investigador”, que vendeu 30 mil cópias e em 2011 foi selecionado pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), do MEC.
 
“Ainda não dá para viver dos livros”, conta ele. “Trabalho em uma multinacional, na área de comunicação.”
 
Leia a seguir um trecho de “Mamães e Papais”
 
— Você gosta de ter duas mães?
 
— Gosto — respondeu Otávio sem hesitar. — Elas cuidam de mim, me dão carinho e não deixam que falte nada. Imagine se eu ainda morasse no orfanato… Eu não estaria feliz como estou agora.
 
— E você não tem pena das outras crianças que não têm dois pais nem duas mães, ou nem pai e mãe?
 
— Eu tenho, disse Otávio. — Porque as minhas mães disseram que tem muitas mamães e papais que queriam ter filhos, mas não sei quem não deixa eles pegarem essas crianças não sei por quê.
 
— E as crianças continuam sem ninguém?
 
— Sim. Não é triste?
 
— Muito.

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