"Maria Gadú é só alegria" Por Patrícia Teixeira


Por Patrícia Teixeira para O Dia 

As paredes são coloridas, cheias de penduricalhos.Vinis, bonecos, instrumentos musicais e até um pedaço de papel higiênico com uma poesia escrita chamam a atenção. Na mesa grande de madeira, que fica num canto de seu apartamento, na Urca, Maria Gadú é maquiada e penteada antes de sua entrevista para O DIA . Ela mudou. Cinco anos atrás, o tênis All Star, a camisa larga e o boné eram sua marca registrada. Gadú está mais segura. A cantora acaba de lançar o CD ‘Nós’, uma compilação de composições de diversos artistas, entre eles Ana Carolina, Moska e Eagle-Eye Cherry. O novo álbum é motivo de comemoração. Mas não é o único. Há um ano e meio, Gadú se casou com a produtora Lua Leça.

A felicidade é tanta que a cantora não se inibe ao falar do relacionamento. “Estou casada com a Lua vai fazer um ano. Não tenho problemas em falar sobre isso. Acho supernatural, é uma coisa que a gente abre para os outros. Somos um casal mesmo, não tem o que esconder. Moramos juntas, trabalhamos juntas e saímos juntas”, declara. “Vivo uma vida normal e eu não encaro esse lance da sexualidade como notícia. Saber se sou gay, hétero ou bi não vai mudar a vida de ninguém, nem a minha”. 

Não muda, mas Gadú muda. Ela adora se reinventar para não cair no tédio. Enquanto estiver viva, ela garante, vai se transformar quantas vezes for preciso. “A gente vai saindo da juventude, vai entrando na casa dos 30 e começa a mudar um pouco de novo. Estou mais à vontade, e aí vem esse lance de maquiagem, das roupas. Os amigos ajudam, dão toque. Se estou viva, é para mudar mesmo. Que tédio seria ficar igual a vida toda. Não me arrumo para fazer show ou para aparecer na mídia. Se vou sair, tomar um chope com um amigo, passo um corretivo, um pó. Comecei a aceitar isso na minha vida. Não faço nada pensando em agradar a ninguém. Tudo meu é muito espontâneo. Me permito mudar só porque estou viva. Até morto muda”, diverte-se. 

'Camaleônica' 

“Sempre fui meio camaleônica. Já passei por várias fases, desde a hippie vegetariana que usava saia longa, piercing e dreadlocks no cabelo, até um visual mais rock’n’roll. Quando comecei a minha carreira, passava muito tempo focada no som, não tinha esse lance estético. Primeiro, me preocupei em ganhar intimidade com a banda, com o palco e com o meu público”, explica. 

Tanta intimidade rendeu à cantora cinco álbuns lançados, um por ano, mais de dez músicas em trilhas de novelas e uma legião de fãs que fazem parte da carreira da menina ‘jeca’ — como ela se autodefine ao fazer poses para as fotos — de 26 anos, nascida em São Paulo. “Tem várias Marias nesse novo CD. Cada canção eu canto de um jeito diferente. Todos os meus projetos saíram de uma fase minha muito doida. No primeiro, lançado em 2009, eu estava saindo da adolescência e, neste, estou prestes a fazer 27 anos”, conta. Gadú também acaba de produzir o novo álbum de seu amigo Leandro Léo. “Foi a minha primeira produção. Fiz pela intimidade que tenho com ele e estou muito feliz com esse trabalho”. 

Vocais com Gil e Milton 

O novo CD, Gadú vê como um presente. “É como se fosse um arquivo. Esse lançamento é a reunião de tudo que gravei fora da minha discografia. Até que resolvemos juntar todas as minhas participações em projetos de outros artistas nesse CD. Todas essas canções foram convites que recebi com muito carinho. A maioria das músicas é inédita, mas também tem alguns clássicos. São maravilhosas. Nem sabia que isso ia ter o peso de um disco”, comenta. 

Aceitar cantar em italiano junto com a Banda Inventário foi mais fácil do que segurar o choro na hora de dividir os vocais com Gilberto Gil e Milton Nascimento. “São muitas histórias legais por trás desse disco. Fui convidada para cantar ‘Camaleonte’ bem na hora da gravação, de supetão. Sorte que eu falo italiano. Posso dizer também que foi muito emocionante cantar ‘Lamento Sertanejo’ com Gil e Milton. Ainda tem a música ‘Buquê’, que eu cantava com a Camila Wittmann quando tínhamos uma banda, aos 15 anos”, recorda. 

Prestes a interpretar canções de Cazuza no palco do Rock in Rio e no projeto ‘Banco do Brasil Covers’, Gadú ainda quer voar mais alto, literalmente. “Eu quero tudo e não quero nada. Minhas vontades vêm conforme tenho espaço para elas. Não sei por qual motivo, mas meu sonho é andar de balão. Acho a coisa mais linda aqueles festivais de balão que acontecem na Capadócia. Um dia ainda vou realizar”.

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