No papel de artista gay, Irandhir Santos se destaca em 'Tatuagem'

Em Gramado, ator fala sobre seu personagem no filme de Hilton Lacerda.
Para ele, longa trata de 'amor' e 'amizade' e levanta discussões atuais

Irandhir Santos e Jesuíta Barbosa em cena de 'Tatuagem' 
Visto no G1

Reconhecido por seus papéis em “Tropa de Elite 2”, “O Som ao Redor” e “Febre do Rato”, Irandhir Santos também deixa sua marca em “Tatuagem”, exibido na noite de domingo (11) no Festival de Cinema de Gramado, na serra gaúcha. Tanto que já é apontado como favorito a levar para casa o Kikito de melhor ator pela interpretação de um artista gay, pai de um filho e espécie de líder de uma trupe de artistas populares.

No filme ambientado no ano de 1978 em Recife, Irandhir interpreta Clécio, performer e agitador cultural que coordena o cabaré Chão de Estrelas, um espaço anárquico frequentado por artistas, intelectuais e o público gay, onde a contestação ao regime militar vigente é feito por meio do deboche. Nesse ambiente, Clécio mantém um relacionamento com Paulete (Rodrigo Garcia) até que se apaixona pelo jovem soldado Fininha (Jesuita Barbosa).

Em entrevista ao G1, o ator conta que não fez nenhuma preparação especial para o papel, além de debruçar-se sobre o roteiro e fazer recortes e colagens. Mas que dessa vez o personagem só ganhou forma quando todos os atores do cabaré foram reunidos para algumas semanas de ensaios antes das filmagens. Ali, diz Irandhir, ele teve chance de conviver com os atores e desenvolver a naturalidade e intimidade com que eles aparecem em cena.

“O filme está centrado nessa tríade, fala de amor e amizade desses três personagens. Havia uma preocupação em dar uma característica de grupo ao núcleo do Chão de Estrelas. Então, o Hilton a produção do filme levaram os atores para esse espaço para que a gente tivesse essa vivência cotidiana. Quando tive acesso ao o Rodrigo e ao Jesuíta, tive o estímulo inicial para construir esse papel. Foi determinante para mim”, conta. 

Assim como “Flores Raras”, o filme que abriu o Festival de Gramado, fora de competição, o primeiro longa-metragem de ficção de Hilton Lacerda (roteirista de “Amarelo Manga” e “Baixio das Bestas”) também tem um relacionamento homossexual como fio condutor. Se no longa de Bruno Barreto as protagonistas eram mulheres e as cenas de sexo eram apenas sugeridas, em “Tatuagem” eles são homens e as cenas, mais explícitas.

Para Irandhir Santos, “Tatuagem” é um filme que trata de “afeto, amor e amizade”. Mas também é filme político, que além da questão homossexual levanta discussões sobre a liberdade em um sentido mais amplo, representabas basicamente nas esquetes teatrais e apresentações musicais do elenco do Chão de Estrelas, que pontuam todo o filme.

“A estreia de ‘Tatuagem’ [com lançamento comercial previsto para a 1ª quinzena de novembro] vem em um momento incrível para fomentar essas discussões. Não só a questão gay, mas também a liberdade de expressão. Isso é engraçado, porque a história do filme se passa na década de 1970, em plena ditatura militar. E ainda hoje esses temas ainda persistem e precisam ser discutidos e avaliados”, conclui o ator.

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