Sheik pede desculpas pelo beijo, mas vai ganhar o Oscar Gay 2014


Visto na Band 

Emerson Sheik certamente não tinha a menor noção do tamanho da polêmica que iria causar o selinho que deu no amigo Isaac Azar, domingo, após o jogo do Corinthians com o Coritiba. Foi um gesto sem maldade, mas provocou uma avalanche de repercussões. No programa “Os Donos da Bola”, tratou de pedir desculpas, mas não demonstrou arrependimento: “O mundo do futebol é muito machista e em nenhum momento eu desrespeitei ninguém e se alguém se sentiu desrespeitado desculpa, pois lá era o Emerson pessoa e não o Emerson atleta e o Isaac é um cara que eu tenho um imenso carinho, pois agrega muito em minha vida e a esposa dele está grávida de 9 meses e as pessoas levaram para um lado negativo”, disse.

E para esquentar ainda mais a discussão, Emerson Sheik vai ganhar o Oscar Gay de 2014. Em entrevista ao UOL Esporte, o antropólogo, historiador e fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, ativista brasileiro conhecido no mundo todo, adiantou que o jogador será vencedor do Oscar Gay de 2014 na categoria personalidade. A premiação, criada pelo grupo baiano, dá o troféu Triângulo Rosa para famosos de todos os setores que deram apoio aos direitos humanos dos cidadãos LGBTs (no infográfico ao lado, extraído do jornal Lance, alguns selinhos que ficaram famosos no futebol).

“A atitude dele só faz bem para a tolerância e ajuda a minimizar o preconceito. É ótimo que dois heterossexuais troquem beijos na boca, ainda mais nessa onda do ‘Fora Feliciano’. Está na moda. E um selinho não é sinônimo de homoerotismo”. Mott ainda vê o esporte como um ambiente extremamente preconceituoso. “O esporte, que deveria ter como princípio a famosa citação ‘Mente sã, corpo são’, infelizmente tem a cabeça insana. O futebol é marcado pelo machismo onde jogadores que ousam ter mais jogo de cintura são hostilizados, técnicos dão declarações preconceituosas, embora a homossexualidade esteja presente em todos os lugares, inclusive no esporte e nas equipes: sejam jogadores, juízes, dirigentes… O futebol é um esporte que tem de superar esses equívocos de racismo, machismo e homofobia para contribuir para o progresso e não para a discriminação.”

Só há uma saída para Emerson virar o disco e mudar de assunto: é entrar em campo, jogar bem, fazer gols e voltar a ser o mesmo atacante decisivo que levou o Corinthians ao título da Libertadores 2012. E a primeira chance já é amanhã, contra o Liverdense, pela Copa do Brasil.
Vai que é tua, Sheik!

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