15/09/2013

Campanhas vão reforçar combate à homofobia em Recife

 
Publicado pelo Diário de Pernambuco
 
Neste domingo, desde o meio-dia,  milhares de pessoas participaram da 12ª edição da Parada da Diversidade, um megaevento pela tolerância e contra a homofobia que acontece anualmente em Boa Viagem. Em meio ao crescimento da mobilização pelos direitos homoafetivos, surge uma outra boa notícia. As ações contra a homofobia no estado acabam de ganhar um reforço no orçamento. O Consulado dos Estados Unidos no Recife vai investir US$ 14,8 mil em um projeto apresentado pelo Instituto Papai, ONG com 16 anos de atuação na capital. A ONG venceu outras sete propostas sugeridas por instituições dos estados de Alagoas e Sergipe. A ideia é combater o preconceito contra a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis) em três eixos: campanhas na mídia, sensibilização de jovens estudantes e fortalecimento de lideranças. O projeto começa a sair do papel no mês que vem e deve ser concluído em dez meses. Dados do Centro Estadual de Combate à Homofobia apontam que, este ano, 30 homossexuais foram assassinados em Pernambuco.
 
Thiago Rocha (foto acima), coordenador de projetos de educação sexual do Papai, disse que uma das estratégias principais da campanha é lançar vídeos na web para aproveitar o grande alcance que a internet tem junto à população. “Também há previsão de lançarmos o material na TV. Não queremos que seja apenas mais uma campanha”, avisa. A coordenação do Papai defende que a discussão do tema na escola também é uma forma eficiente de combater a homofobia. “É importante pôr fim à violência em suas raízes”, acrescenta Thiago Rocha.
 
O terceiro eixo do projeto, o fortalecimento de lideranças, é uma das principais áreas de atuação da ONG desde sua fundação. Glauber dos Santos, 24 anos, por exemplo, conheceu o trabalho do Papai quando tinha 16 anos. Conta que lá aprendeu noções de direitos humanos, prevenção, sexualidade, gênero e sensibilização junto à comunidade. “Percebi que posso colaborar ensinando o que as pessoas ainda não sabem”. O resultado da capacitação foi a formação do grupo Gaymado, uma referência a um jogo de queimado composto apenas por homossexuais que acontecia na Praça da Várzea.
 
Glauber aprendeu noções de direitos humanos, prevenção,
sexualidade e gênero. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press
 
Na opinião da cônsul Usha Pitts, a ideia da campanha foi o que mais pesou a favor do projeto do Papai. “Uma campanha midiática é importante na região Nordeste, principalmente quando falamos do interior, onde a violência é ainda maior”, destacou. Segundo ela, o apoio financeiro segue uma política já desenvolvida nos Estados Unidos de apoio à população LGBT. “O governo americano reconhece que os direitos LGBT também são humanos”, diz Brian Bedsworth, da área de assuntos políticos e econômicos do consulado.
 
Além do apoio financeiro, o consulado auxilia instituições que lidam com a população LGBT através de palestras com pessoas que estudam o tema, por exemplo. O edital que abriu inscrições dos projetos foi lançado pelo consulado em julho para toda a região Nordeste, com exceção da Bahia.
 
 
 
 

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