29/11/2013

Crítica: Preconceituosa e rasa, comédia 'Crô' é falta de respeito com o público

 
Publicado pela Folha
Por Alexandre Agabiti Fernandez
 
Personagem coadjuvante da novela "Fina Estampa", exibida recentemente pela Rede Globo, o mordomo Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) é a figura central desta comédia constrangedora.
 
O roteiro, escrito por Aguinaldo Silva, também autor da novela, é um festival de grosseria e preconceito em que o humor brilha pela ausência.
 
Crô é aquela velha caricatura de homossexual, baseada em trejeitos cheios de afetação afeminada nos gestos e na voz, frívolo a não mais poder. Como se não bastasse, o resto dos personagens também é composto por caricaturas: são peruas, nordestinos, bolivianos, homofóbicos e homossexuais enrustidos.
 
 
Depois de herdar a fortuna da patroa que idolatrava, Crô tenta ser cantor, cabeleireiro e estilista de moda. Fracassa e começa a se aborrecer, solitário em sua mansão.
 
Mas depois de sonhar com a mãe, percebe que a única tarefa que desempenha bem é a de mordomo. Ele resolve entrevistar potenciais candidatas a patroa para escolher aquela que merecerá a excelência de seus serviços.
 
A antipática Vanusa (Carolina Ferraz), uma das candidatas, tem uma fábrica de roupas que usa mão de obra escrava. O assunto é grave, mas aqui é levado na base da zombaria, do descompromisso, como se fosse apenas mais um motivo para avacalhar.
 
O final feliz --abrupto e forçado-- é outra bobagem. Obtusa, desrespeitosa e sem graça, a comédia é uma agressão ao bom senso e à inteligência do espectador.
 
CRÔ - O FILME
DIREÇÃO Bruno Barreto
PRODUÇÃO Brasil, 2013
CLASSIFICAÇÃO 12 anos
 
 

2 comentários:

Anônimo disse...

Nossa! Bruno Barreto fazendo isso?!
Decepção! Deve estar precisando de grana.

Anônimo disse...

Não dava pra esperar nada melhor do que isso, realmente!

Marcador Em Destaques