28/11/2013

Há dez anos, o prefeito de Berlim já dizia: "Sou gay e está bem assim"


Publicado pela Folha 
Por Carolina Vila-Nova 

O ano é 2001. Na cerimônia de indicação de sua candidatura pelo Partido Social Democrata (SPD) à prefeitura de Berlim, Klaus Wowereit sai do armário: "Sou gay, e está bem assim" ("Ich bin schwul, und das ist auch gut so"). Silêncio, depois aplausos. 

Com essa frase, ele sinalizava o que queria para a cidade: a quebra de tabus, o ousado, a tolerância, a abertura. E esvaziava o que via como um iminente ataque da imprensa conservadora.

Dez anos depois, Wowereit (pronuncia-se "voverait"), 58, ainda está à cabeça da Rotes Rathaus, a prefeitura da capital alemã. Em setembro, foi eleito para o terceiro mandato consecutivo. Sob ele, Berlim mudou. De decadente, tornou-se um ímã para artistas, estilistas, escritores.

Ao longo dos anos no poder, Wowereit teve muitas caras e seu mote do primeiro mandato foi a célebre frase "Berlim é pobre, mas sexy". Endividada, a metrópole lutava para lidar com o legado da reunificação, com fim dos subsídios, com a fuga da empresas, com bairros detonados pelos anos de descuido.

Para alarme dos conservadores, deu as boas-vindas a um congresso de fetichistas e disse que a cidade precisava do dinheiro do turismo.

Amigo de celebridades e presente às baladas -foi fotografado tomando champanhe de um escarpim vermelho-, ganhou da imprensa a alcunha de "Partymeister" (alusão a "Bürgermeister", prefeito em alemão). 

Na Berlim desencanada, talvez isso tenha garantido sua popularidade, a despeito das medidas impopulares que tomou, como o corte no salários do funcionalismo público e nos subsídios.

Ao começar seu segundo mandato, em 2006, havia mudado de tom. Disse que estava velho para baladas e tornou o guarda-roupa mais sóbrio. E adicionou um complemento à sua célebre frase: "preferia ser rico e sexy a ser pobre e sexy". Seu slogan de campanha foi "Uma Berlim consequente".

PREFEITO PERFEITO

Wowereit é berlinense de Tempelhof (ex-Berlim Ocidental), bairro de classe média baixa. Criado pela mãe solteira, mais novo de cinco irmãos, foi o primeiro da família a chegar ao secundário.

 Aos 19 anos, após passagem pela Juventude Socialista, já fazia parte do SPD. Formou-se em direito pela Universidade Livre de Berlim.

Seu ídolo é Willy Brandt, que foi prefeito de Berlim Ocidental e o chanceler (premiê) da Alemanha Ocidental responsável pela aproximação com o Leste, nos anos 1970.

Sua página oficial diz que é solteiro. Mas, desde 1993, ele vive com o neurocirurgião Jörn Kubicki, seu "companheiro de vida". E, desde 2004, mora no Ku'Damm, o boulevard chique, centro da ex-Berlim Ocidental, um fascínio de infância.


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