Alan Turing: Perdão para matemático que descodificou código nazi

 
 
Por AFP, traduzido por Susana Salvador 
Visto em DN GLOBO
Matéria sugerida por um leitor anônimo
 
O matemático britânico Alan Turing, que desempenhou um papel fundamental na descodificação do código da máquina Enigma, recebeu o perdão real, a título póstumo, mais de 60 anos após a sua condenação por homossexualidade.
 
Considerado o "Einstein da Matemática", este pioneiro da informática morreu em 1954, aos 41 anos, envenenado com cianeto. A tese de que se suicidou, normalmente falada, nunca foi formalmente provada.
 
Turing tinha sido condenado dois anos antes por "atentar contra a moral" e condenado a castração química por causa da sua homossexualidade, ilegal no Reino Unido até 1967.
 
Durante a sua vida, Turing desenvolveu as bases da informática moderna e defeiniu os critérios da inteligência artificial ainda em vigor: o famoso "teste Turing", que se baseia na capacidade de uma máquina em manter uma conversação.
 
Mas para a maioria das pessoas, o seu maior feito foi ter conseguido quebrar os códigos da máquina Enigma, usada pelos submarinos alemães que cruzavam o Atlântico Norte durante a II Guerra Mundial.
 
Alguns historiadores acreditam que foi este golpe de génio a precipitar a queda de Hitler, que de outra forma teria aguentado mais ou ou dois anos.
 
Alan Turing foi perdoado hoje, 59 anos após a sua morte, pela Rainha Isabel II. A proposta foi feita pelo ministro da Justiça, Chris Grayling, que definiu o matemático como "um homem excecional com um espírito brilhante".
 
"A sua genialidade foi usada em Bletchey Park [principal local de decifração britânico] durante a II Guerra Mundial, onde a sua contribuição foi decisiva para desvendar o código Enigma, contribuir para pôr fim à guerra e salvar milhares de vidas", afirmou o ministro.
 
"A sua vida foi mais tarde ofuscada pela sua condenação por homossexualidade, condenação que consideraríamos hoje injusta e discriminatória, e que agora é anulada", acrescentou.
 
Nos últimos anos, intensificaram-se as campanhas no Reino Unido para reabilitar a imagem de Turing, um excêntrico que usava máscara de gás quando andava de bicicleta para evitar a febre dos fenos.
 
Em 2009, o então primeiro-ministro, Gordon Brown, tinha pedido desculpas póstumas, reconhecendo que o matemático foi tratado "horrivelmente". Em 2012, ano do centenário do seu nascimento em Londres, onze cientistas britânicos, entre os quais Stephen Hawking, tinham pedido a anulação da condenação daquele que consideraram "o matemático mais brilhante dos tempos modernos".

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