Transexual brasileira traficada para a Itália recebe visto humanitário

 
Publicado pelo Terra
 
Kelly Ferreira da Cruz, 35 anos, mantém uma história de amor e ódio com a Itália. A primeira vez que chegou ao país europeu, em 2003 – ilegalmente – acabou presa depois que vizinhos a denunciaram após uma briga com seu ex-aliciador, em Florença. Originária de São Paulo, Kelly passou oito meses na cadeia, em Roma, até que foi liberada por ter colaborado com as autoridades italianas na identificação da rede de aliciadores, com ramificações no Brasil e na Itália.
 
“Conheci meu aliciador no Brasil. Ele pagou minha passagem quando vim pela primeira vez, era uma história de amor, não sabia que deveria me prostituir para sobreviver e, além disso, bancar aluguel e botar comida em casa para ele”, prossegue Kelly, que disse que a briga foi para “colocar um basta na situação”.
 
 
Por sua colaboração, Kelly recebeu o visto de permanência por motivos humanitários. Teve que comprovar que ao menos seus documentos brasileiros não eram falsos, que no Registro Civil brasileiro já era reconhecida como mulher, no entanto, ainda não havia sido submetida à Cirurgia de Redesignação Sexual (CRS).
 
Com a permanência na Itália garantida, Kelly continuou a se prostituir para levantar o dinheiro até fazer a CRS, o que aconteceu em 2006, no Brasil. Ficou sem voltar à Itália por seis anos quando, em 2011, voltou ao país para começar a estudar técnicas de manipulação de alimentos. Desde então, está longe do “lado negro”, como ela mesma disse. Com o diploma na mão, aguarda agora uma possibilidade de trabalho legal na Itália, contudo sabe que entrentará muitas dificuldades.
 
“Espero ser reconhecida como uma pessoa apta a trabalhar na Itália, mas não pelo lado escuro da prostituição, e sim pelos cursos que fiz, e ter um salário no fim do mês”, declarou Kelly.
 
 

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