10/01/2014

Funcionários pedem que travesti não use banheiro feminino em shopping

Publicado pelo G1
 
Na última quinta-feira (9), a funcionária de uma lanchonete do Shopping Barra, em Salvador, não compareceu ao trabalho, por causa de um abaixo-assinado feito por funcionários do shopping pedindo que ela não usasse mais o banheiro das mulheres do local por ser uma travesti.
 
De acordo com o teor do documento, eles alegam que encontrar a funcionária dentro do banheiro é constrangedor.
 
Em nota, o shopping disse que não vai adotar nenhuma postura contra o direito à dignidade humana garantido pela constituição. Ou seja, funcionários e clientes devem utilizar o banheiro em que se sentirem à vontade.
 
Alguns clientes concordam com o posicionamento do shopping, outros não. "Todo mundo tem sua individualidade dentro do banheiro, respeitando também, acho que não tem problema nenhum não [em usar o banheiro feminino]", disse a professora Elaine Passos. Já o cantor Mateus Galiza acha que, se a travesti é homem de natureza, deve usar o banheiro masculino.
 
Bethânia Ferreira, defensora pública, disse que a travesti não pode ser impedida de utilizar o banheiro. "As pessoas não circulam sem roupa em um banheiro feminino. As pessoas usam espaços adequados para utilização do banheiro feminino e, no momento que elas circulam, nas áreas comuns do banheiro, você não consegue identificar se essa pessoa seria um travesti ou se essa pessoa seria uma mulher. Se ela for impedida de usar o banheiro feminino, isso pode gerar uma ação indenizatória, por tratar-se de um ato de discriminação e preconceito", afirma Bethânia.
 
A vice-presidente da Associação Nacional dos Travestis (Antra), Milena Passos, definiu a atitude dos funcionários como transfobia, que é o ódio ou repúdio à travestis ou transexuais. "Ela [travesti funcionária do shopping] não quer aparecer por vários motivos, com medo de ser prejudicada no ambiente e trabalho. Em pleno século XXI, isso acontecer é um absurdo", conclui.
 

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