Psiquiatra gay é eleito novo presidente da Associação Mundial de Psiquiatria



O psiquiatra inglês de origem indiana Dinesh Bhugra, 61, é conservador sobre a sua sexualidade, a qual chama de assunto privado, mas é bem claro quando entende que a luta pela qualidade de vida da população homossexual precisa mudar alguns preceitos pelo mundo. “Ser gay é uma importante parte de mim, mas uma parte privada”, disse o professor de King´s College, em Londres, eleito presidente da mais importante associação de psiquiatras do mundo, com mais de 200 mil membros.

“Ainda há países que veem a homossexualidade como doença”, afirmou ele que é membro do Conselho de Saúde do Reino unido. Apesar de assumido em seu círculo de amigos e família, sua sexualidade só veio à tona em recente entrevista ao jornal The Guardian. Nela, o psiquiatra afirmou que defende uma visão mais ampla da psiquiatria, considerando as variantes sociais e uma inserção maior do tema nas escolas e vida das pessoas.

Sobre seu caminho pessoal de aceitar sua homossexualidade ele afirmou: “Não foi difícil, eu dei um significado ao que sentia”. Seu companheiro de mais de 30 anos de união, Mike, foi quem o ajudou a se entender e se assumir. “Meu pai pirou completamente e minha mãe foi prática e perguntou quem ia cuidar de mim quando eu fosse idoso”, contou o médico. “Nós precisamos nos posicionar”, afirmou o professor de Psiquiatria e Diversidade, afirmando que a população gay é mais vulnerável na saúde mental e que os índices de suicídio deveriam ser melhor acompanhados.

Ao ser questionado, ele afirmou que acredita que a Psiquiatria deva desculpas pelos tratamentos de choque e torturas impostas a diversos seguimentos ao longo da história. “Não há dúvida que a psiquiatria sempre se escondeu em sua própria glória. Eu acredito que deveríamos pedir desculpas para todas as áreas, não um pouco apenas, como no tratamento às mulheres. Eu lembro de ver uma paciente ser admitida em um hospital psiquiátrico quando ela tinha 16 anos por que engravidou fora do casamento. Ela morreu lá dentro aos 80 anos”, afirmou Bhugra. Ele contou ainda que foi vítima de bullying na faculdade por causa de seu sotaque.

Em uma de suas maiores bandeiras, ele defende que escolas deveriam ter profissionais da saúde com conhecimentos em saúde mental pois três quartos das desordens psíquicas ocorrem entre 15 e 24 anos. “Este seria um grande passo a frente”, afirmou ele.

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