Casal russo foge da homofobia em Sochi para se casar em Buenos Aires

 
Publicado pelo G1
 
Um casal gay de Sochi, na Rússia, casou-se nesta terça-feira em um cartório de Buenos Aires, aproveitando a lei argentina de matrimônio igualitário em vigor há três anos.
 
Os russos Alexander Eremeev, de 47 anos, e Dimitri Zaitser, de 35, mudaram-se para a capital argentina há dois meses. Eles viviam na cidade-sede dos Jogos Olímpicos de inverno e a deixaram pouco antes do início da competição.
 
Eles disseram que se sentiam 'perseguidos pela homofobia' na Rússia, principalmente depois da aprovação da lei 'contra a propaganda homossexual' no ano passado. Promulgada por Vladimir Putin, a lei proíbe a 'difusão de relações não tradicionais entre menores de idade', segundo divulgou a imprensa na ocasião.
 
Com a ajuda de um intérprete e cercados por jornalistas e casais gays argentinos, Eremeev e Zaitser se casaram vestindo bermuda e colete, sem camisa por baixo e com flores com as cores da bandeira russa presas à lapela. Após a cerimônia, os noivos se reuniram com amigos em um restaurante para comemorar.
 
'Este casal saiu do próprio país em busca de um lugar onde podem realizar seus sonhos sem preconceitos', disse Diego de Jesús Arias, ativista que participou da cerimônia.
 
Direitos iguais
 
A lei argentina de 2010 prevê que casais homossexuais tenham os mesmos direitos que casais heterossexuais, o que inclui documentos e o direito de adoção de crianças.
 
'Eles estavam lindos e muito felizes', disse o argentino José Maria di Bello, que ajudou o casal russo a realizar a cerimônia.
 
Di Bello e o marido, Alex Freire, ficaram conhecidos por terem sido o primeiro casal gay a se casar no país, em 2009. Eles se uniram antes da lei nacional ser promulgada, em uma cerimônia na cidade de Ushuaia, na Patagônia argentina.
 
'Os dois leram sobre nosso casamento e a nova lei e decidiram vir para cá. Conhecemos eles na porta de um protesto na embaixada da Rússia aqui em Buenos Aires', afirmou Di Bello.
 
O casal russo já havia realizado uma cerimonia religiosa, mas sem registro oficial, na Tailândia. Ainda assim, o sentimento de perseguição em sua própria terra não desapareceu e eles decidiram ir para Buenos Aires, de onde continuam trabalhando, via internet, para uma agência de viagens.
 
'Agora, querem adotar um bebê e pedirão asilo à Argentina por meio da Comissão Nacional de Refugiados', disse di Bello.
 

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