Maria Eduarda fala sobre papel gay e diz que já foi cantada por uma mulher

 
Publicado pelo Ego
 
"Uma personagem instigante", é assim que Maria Eduarda, 31 anos, define Vanessa, a produtora de "Em Família" que irá perturbar a relação entre Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller). "Na Vanessa, o mais desafiador é a forma como ela é apaixonada pela Marina, como ela administra esse amor não correspondido. E vai ser duro vê-la junto com Clara", conta a atriz, que se inspirou no filme "Azul é a cor mais quente", para compor a personagem.
 
"O filme conta uma história de amor muito bonita entre duas mulheres.Tudo feito com muita delicadeza, muita sensibilidade. O olhar apaixonado entre as duas é algo que eu busco na Vanessa, esse olhar de desejo, tudo de uma forma muito sensível e de bom gosto”.
 
Maria Eduarda diz também que na vida real nunca passou pela experiência de um triângulo amoroso, como acontecerá com Vanessa na trama. "Nunca fiquei nessa situação. Não conseguiria ficar do lado de alguém que eu percebesse que não me queria mais. Ou eu partia para outra, ou ficava um tempo em casa, mal, sozinha... (risos)".
 
O convite para participar da novela é literalmente uma história a parte para a atriz. Fã de Manoel Carlos desde pequena, Maria Eduarda quase não acreditou quando foi abordada pelo autor em uma livraria no Rio de Janeiro. "Até o Maneco chegar do meu lado e falar: ‘oi, posso falar com você?', eu tinha certeza de que não era comigo. Ele veio falar que estava me assistindo em 'A Vida da Gente' e me elogiar, dizer que era meu fã. Eu gaguejei e disse: ‘Meu Deus, é um sonho meu fazer uma novela sua..’, aí ele me disse: 'é um sonho? Então é fácil de resolver’ e disse que tinha umas coisinhas para mim e que a gente voltava a se falar. E realmente a gente voltou a se falar, um ano e meio depois”, comemora.
 
É a primeira vez que Maria Eduarda interpreta um papel homossexual e para ela a experiência não poderia ser melhor: "Acho interessante abordar esse tema. Quanto mais se toca no assunto, mais tenta-se fazê-lo ser encarado de forma natural e sem preconceitos. Abordar o homossexualismo na televisão é um serviço social. Fico feliz de estar participando disso", diz a atriz, que lamenta que o assunto ainda seja mal visto por algumas pessoas: "Acho que o preconceito ainda existe e é infinitamente grande. Acho que você tratar isso de uma forma natural, como realmente é, casais se relacionando, é um caminho. É uma esperança de que isso seja visto de uma maneira natural”.
 
Maria Eduarda conta que já foi cantada por uma mulher durante o carnaval e encarou a situação da melhor maneira possível: "Eu estava na quadra da Mangueira e demorei muito tempo para perceber o que estava rolando. A gente foi conversando muito ao longo da noite e quando eu achei que tinha encontrado uma nova amiga, ela se declarou. Achei muito divertido. Falei para ela que tinha adorado conhecê-la, mas que eu era heterossexual e que, inclusive, estava namorando. Foi algo normal, acontece".
 
Tranquila, a ruiva diz que não teme ser aborda nas ruas com possíveis críticas de um público um pouco mais conservador: "Acho que tudo é possível, principalmente quando você trata de um assunto polêmico e delicado, como ainda é o homossexualismo no Brasil. Eu estou preparada para isso, mas tomara que não aconteça, tomara que o público receba a Vanessa positivamente, goste e torça por ela".
 

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