"A coragem e o pioneirismo do DR. ALAN HART o primeiro Homem Transexual Americano." Por Majorie Marchi

Visto em Mundo Trans por Majorie Marchi
 
Inspirada pela música do Rei “Roberto Carlos”, decidi apresentar este mês a história de um grande Cara, o Dr. ALAN HART e sua história de coragem, garra e muita competência. Sinto-me orgulhosa em poder apresentar este grande ícone da Transexualidade Mundial que merece todo nosso respeito e reverência.

Apesar dos avanços nas políticas públicas de saúde para Transexuais no SUS, Homens Trans ainda não se encontram totalmente contemplados e ainda carecem de apoio, voz, visibilidade e principalmente de políticas públicas inclusivas e específicas para que enfim possam encontrar a minimização do seu problema mais urgente que é a urgência da transformação corporal assistida, Dr. Alan abriu caminhos e se tornou uma importante referência positiva para gerações e gerações de futuros Homens Trans, convido 
tod@s a conhecerem um pouco da sua história.

 Dedico a coluna deste mês a todos os Homens Transexuais Brasileiros, mas em especial a três companheiros que são importantes referenciais para a discussão qualificada da Transexualidade Masculina no Brasil, Alexandre Peixe, Professor Guilherme de Almeida e ao querido João W Nery.

INFÂNCIA E FAMÍLIA

Dr. Alan L Hart respeitado médico, radiologista, escritor e pesquisador da Tuberculose, nascido em 04 de outubro de 1890 nos Estados Unidos, filha de Albert L Hart e Edna Hart e foi registrado com o nome de Alberta Lucille Hart , Alan perdeu o pai aos 2 anos de idade  vítima de febre tifoide, aos 5 anos sua mãe se casa novamente onde mudam-se para a fazenda de seus avós em Oregon.

Anos mais tarde Alan descreve a fase da infância na fazenda de seus avós como um dos momentos mais felizes de sua vida, pois recordava de vestir-se e brincar livremente como um menino sem sofrer nenhuma retaliação por isso.

Seus pais e seus avós não se importavam com sua expressão de gênero que divergia do convencional, sua mãe achava bobo seu desejo de comportar-se como menino. Outro fato marcante era a grande amizade que mantinha com o avô companheiro de brincadeiras e que o presenteava constantemente com brinquedos de meninos feitos a mão por ele mesmo.

O FIM DA ERA DOURADA

O falecimento de seus avós ocasionaram drásticas mudanças na sua vida, como a mudança para Albany, nesta ocasião Alan tinha 12 anos e foi imediatamente obrigado a se vestir constantemente como menina e frequentar a escola, lhe causado grande tristeza, pois somente durante as férias em retorno a fazenda lhe era permitido novamente, assumir o comportamento masculino utilizando as vestimentas e convivendo com os demais meninos. Este era o momento mais esperado do ano o seu momento de refugio das recentes imposições de gênero.

Aluno de destaque em toda sua vida escolar, na fase avançada do colégio foi autorizado a assinar alguns artigos e ensaios com nome masculino, tendo pouca rejeição de colegas e Professores para que isso acontecesse, o nome escolhido foi “ROBERT ALLEN BAMFORD JR” e usou por pouquíssimas vezes seu nome de registro em suas publicações apenas quando se viu obrigado em alguma ocasião.

Formou-se em 1912 no Albany College e concluiu seu doutorado em Medicina no ano de 1917 na Universidade de Stanford, onde amargou uma das suas maiores decepções ao ver que foi em vão seu esforço para conseguir que fosse emitido com seu nome social masculino seu diploma de medicina fato este que lhe rendeu muito mais que uma frustração, mas também uma série problemas futuros para conseguir trabalho na sua área, pois se apresentava como Robert e estava Alberta no diploma, onde foi obrigado a ter que aceitar um trabalho por um curto período na Cruz Vermelha em que tinha que frequentar  vestida com roupas femininas

Na fase adulta influenciado pelo de Martha Baer em 1907, que havia estabelecido importante precedente médico para cirurgias de mudança de sexo, pois combinou simultaneamente a atuação de psiquiatras, cirurgiões e juristas para transformar um corpo saudável de fêmea em macho, foi então que decidiu procurar ajuda psiquiátrica para orienta-lo quanto  as modificações corporais que havia decidido realizar objetivando encontrar-se.

Em 1917, Hart aproximou Dr. Joshua Gilbert, da Universidade de Oregon e solicitou a cirurgia radical para eliminar definitivamente  a menstruação e a possibilidade de engravidar, para convencer seu médico argumentou ao Dr. Gilbert  que uma pessoa anormal deveria ser esterilizada.

Dr. Gilbert foi inicialmente relutante, mas entendeu que Alan não era um doente mental e tinha uma misteriosa doença na qual ele não tinha explicação, escreveu em notas de casos publicados no Jornal de distúrbios nervosos e Mental, em 1920, que do ponto de vista sociológico e psicológico que ela [ALAN] é um homem, e que viver como uma era única chance de Hart para uma existência feliz,o melhor que pode ser feito.

Este foi o primeiro caso na América, onde um psiquiatra recomenda a remoção de um órgão saudável baseada unicamente na identificação de um indivíduo do sexo.

A DECISÃO FINAL

Não há evidencias que Alan utilizou hormônios durante seu tratamento, onde teve sua cirurgia de retirada do colo do útero dos ovários e trompas, concluída na Universidade de Oregon Medical School nas férias de inverno 1917-1918.

Em fevereiro de 1918 mudou seu nome legalmente se casou com sua primeira esposa, Inez Stark e mudaram-se para Gardiner Oregon, onde tiveram problemas por ter sua vida exposta por um antigo colega da escola de medicina, o que o obrigou a mudar-se para o interior e viver em constantes deslocações.

A insegurança financeira  acabou por findar com seu casamento em setembro de 1923,no ano de 1925 se divorciou e casou pela segunda vez com Edna Ruddick, união esta que durou até o fim de sua vida, neste mesmo ano mudou-se para Nova York trabalhar na Escola Trudeu de Tuberculose, onde fez a pós-graduação, trabalhou  de 1926 á 1928 como um clínico no Rockford sanatório TB em Illinois, Hart obteve um mestrado em Radiologia da Universidade da Pensilvânia,e em 1929 foi nomeado Diretor de Radiologia da Tacoma General Hospital ,durante a década de 1930 o casal mudou-se para Idaho , onde trabalhou durante os anos 1930 e início dos anos 1940, depois seguiu para Washington. Durante a guerra de Alan também era um conselheiro médico no Recrutamento do Exército, depois obteve um mestrado em Saúde Pública de Yale, foi nomeado diretor de Internação e Reabilitação para o Estado de Connecticut da comissão de Tuberculose.

Após a Segunda Guerra Mundial com a disponibilização de hormônios sintéticos no USA, Alan realizou o antigo sonho de ter Barba além de que obteve uma voz mais profunda, tornando-o mais confiante e suas aparições públicas mais fáceis.

 Hart dedicou grande parte de sua carreira à investigação e tratamento da Tuberculose. No início do século 20, a doença foi a maior causa de morte nos Estados Unidos. No início do século XX Raios X que foram usados para detectar fraturas e tumores, mas Alan descobriu seu potencial para a detecção de tuberculose, enfatizando a importância da detecção precoce e tratamento. Ele manteve esta posição para o resto de sua vida, e ainda hoje é creditado por ter sido fundamental para conter a disseminação da tuberculose, programas similares com base em sua liderança e metodologia nesse campo em outros estados também salvou milhares de vidas.

 Ao lado de sua prática médica e pesquisa, Hart seguiu uma segunda carreira como romancista. Ele tinha no início da vida publicada na escola, locais e revistas de faculdade, e mais tarde publicou quatro romances, principalmente sobre temas médicos. Durante os últimos seis anos de sua vida Hart deu inúmeras palestras, e dedicou todo o seu tempo livre para angariação de fundos para a investigação médica e de apoio a doentes com tuberculose avançada que não podiam pagar o tratamento.

Alan morreu de insuficiência Cardíaca em 1 de julho de 1962 seu desejo era que seu corpo fosse cremado e suas cinzas espalhadas sobre Puget Sound, onde ele e Edna passaram muitos verões juntos e felizes, disse uma vez em um discurso para estudantes de medicina, “Cada um de nós deve ter em conta a matéria-prima que a hereditariedade tratado nós no nascimento e as oportunidades que tivemos ao longo do caminho, e depois trabalhar por nós mesmos uma avaliação sensata de nossas personalidades e realizações “.
 
Eterno seja Dr.Alan Hart, VOCÊ é o CARA…

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