"O primeiro casamento gay da TV brasileira: a ficção segue a realidade" Por Vitor Angelo

 
POR VITOR ANGELO para o BLOGAY (FOLHA)

A TV Globo sempre teve como postura imagética, muito mais do que lançar novidades (o cinema ainda continua com este papel), de acompanhar de perto os últimos acontecimentos sociais e comportamentais. Não existe nenhuma aleatoriedade no fato do mais importante noticiário da emissora, o “Jornal Nacional”, vir antes de sua principal atração no campo da ficção, a novela das 21h (antiga “novela das 8”).
 
E sempre foi assim:  a novela “Dancin’ Days” veio na rasteira da febre da disco music internacional. O seriado “Malu Mulher”, de 1979, veio no encalço do divórcio, que tinha sido aprovado no país em 1977. E não foi diferente com as cenas do casamento de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), na novela “Em Família”, que foi ao ar nesta quarta-feira, 16.  Elas seguem a conquista dos homossexuais pelo direito de se casarem que começou, em 2011, com o reconhecimento da união homoafetiva pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
 
Com esta decisão, foi abrindo juridicamente espaços para o chamado casamento gay. Desde então, o Jornal Nacional já fez várias matérias tanto sobre cerimônias de união entre homossexuais como sobre a vida de casais do mesmo sexo. Até que foi noticiado o casamento de Daniela Mercury e Malu Verçosa, em 2013. A representação do casamento de Clara e Marina, com certeza, foi inspirada nas fotos da união da cantora baiana com a jornalista: as duas com vestidos parecidos, o modo como entraram juntas na cerimônia e a aprovação da família e amigos.
 
As cenas, muito bem delicadas e em tom afirmativo, com apoio de familiares, inclusive do filho de Clara, demonstram ali que está sendo feita uma projeção de uma realidade possível e já noticiada (é claro que existem outras situações em que  a reação aos casais homoafetivos podem fazer a homofobia gritar mais alto, mas hoje já não é a única nem a mais importante, como sinaliza a novela e também as matérias jornalísticas que a antecederam)
 
“Se todos tem os mesmo deveres porque não ter o mesmo direitos”, diz Helena (Julia Lemmertz) explicando porque na sociedade laica, os gays também podem se casar. O tapa na cara dos fundamentalistas vem com a frase da juíza: “A partir de agora, vocês formam uma família legítima perante à nossa sociedade e à nossa lei civil”.
 
Família legítima… Neste momento, a ficção explica melhor o que os noticiários não conseguem e os fundamentalistas querem negar.

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