Este professor de Natal está sendo ameaçado de morte pelo tio por conta da sua orientação sexual

 
Visto no site Apartamento 702
 
Em tempos de discussões sobre a importância da aprovação de uma lei que puna a homofobia no Brasil, um caso triste se desenrola em Natal.
 
O professor de teatro, Rodrigo Nascimento, fez um desabafo no Facebook sobre as ameaças de morte e as constantes agressões morais que sofre do próprio tio.

Desde criança ele é vítima de atos homofóbicos do familiar.
 
Agora chegou o seu limite depois de mais uma agressão verbal seguida de uma ameaça de morte, ocorrida neste final de semana.
 
Segue o relato completo do caso.
 
Uma história de homofobia

Peço a todos que costumam acompanhar minhas postagens aqui no face que não deixem de ler esta:
Geralmente, costumo contar as coisas de forma engraçada, até as situações mais difíceis conto com ironia, sarcasmo e tento rir e, quando posso, poetizar as minhas dores.

Hoje não tenho como contar essa história de modo engraçado, pois não é assim que a enxergo e todo o sofrimento trazido por ela me fazem apenas serrar os dentes num misto de raiva, frustração e sentimento de impotência.

Era uma vez... um menino que entre seus seis, sete, oito anos, quando ainda nem entendia o que era possuir orientação sexual diferenciada, sofria humilhações e era exposto por seu tio dentro e fora do ambiente familiar. Nunca tal criança pode compreender o que havia feito de errado ou como aquilo poderia ser justo, tendo em vista que seu comportamento não causava mal a ninguém, nem tinha sido escolha dela.

A questão é que infância e adolescência para essa pessoa foram recheados de culpa geradas pelas inúmeras agressões verbais sofridas dentro de casa. Avó, mãe e tia não compactuavam com as atitudes geradoras do sofrimento, no entanto, não conseguiam impedir que o tio da criança fizesse da vida dela um inferno.

No decorrer dos anos, quanto mais esse indivíduo se tornava consciente do que lhe fazia diferente, mais ele percebia que sua diferença não significava um status de inferioridade em relação a quem “se acha” superior; mais ele entendia que os preconceitos se estruturam sobre a ignorância; mais se tornava compreensível para ele que, no que diz respeito às relações humanas, é autoritário e arrogante querer determinar quem está certo ou errado; ele decidiu que o certo é aquilo que faz bem e o errado aquilo que faz mal a ele ou aos demais, e sua orientação sexual não causava danos a ninguém.

Aquele menino, agora adulto, consciente de quem era, superou a culpa que lhe foi incultada durante toda uma vida. No entanto, do outro lado sempre esteve o tio, cada vez mais preconceituoso, cada vez mais tirano, cada vez mais homofóbico. A avó do menino sentia dores e o coração acelerar quando o tio falava mais alto, vislumbrando a ocorrência de uma tragédia.

Um cachorro da vizinhança e o cachorro da família levaram uma surra do tio por estarem “fazendo amor”. Brincadeiras a parte, foi um momento de revolta grande das pessoas que presenciaram, pois os cachorros estavam apanhando sem defesa até se mijarem sem ter consciência do motivo.

O tirano, homofóbico e covarde foi ficando cada vez mais frustrado porque o rapaz conseguiu concluir uma faculdade, passou em concursos públicos para duas prefeituras, fez mestrado, passou em concurso público de Universidade e nunca foi demitido dos empregos. Enquanto o tirano nunca conseguiu concluir faculdade, nunca passou em concursos, seus empregos sempre foram conseguidos por outras pessoas e nunca por mérito dele e sempre foi demitido por fazer confusões ou por incapacidade.

O rapaz atraía a atenção de amigos e familiares por ter sido durante algum tempo ator e bailarino, era elogiado por sua escrita e sempre tratou com respeito e educação as pessoas com quem se relacionava em seus ambientes de estudo e trabalho. O homofóbico covarde só chamava atenção bebendo e fazendo confusão.

Isso tudo sempre levou o rapaz a pensar: se existe alguém que é mais útil e que se encaixa mais na vida em sociedade sou eu, o gay estudioso, trabalhador e que respeita o próximo, ou o hétero tirano e inútil descrito acima?

Então vieram as constantes agressões verbais, as agressões físicas e as constantes ameaças de morte. Da penúltima vez que ocorreu, o rapaz prestou queixa, fez B.O., fez exame de corpo de delito, mas a família fez de tudo para colocar panos quentes! O rapaz chegou a pensar: família tem disso, para o bem ou para o mal faz pactos que terminam beneficiando sempre os agressores e o tirano mais uma vez foi poupado de responder judicialmente e de sofrer uma vergonha pública pelo que tinha feito.

Mas ontem, dia 13/09/2014, o tirano, cada vez mais homofóbico, se é que isso seja possível, e embriagado, fez uma nova confusão, berrou os xingamentos para toda a vizinhança escutar, ratificou as ameaças de morte e tentou cometer as agressões físicas, que foram impedidas pela intervenção da minha mãe e do meu padrasto. Pois é, como o leitor que chegou até aqui já deveria supor, isso tudo tem acontecido comigo, Rodrigo Nascimento, dentro da minha casa, da minha infância até o dia de ontem.

Essa semana estou fazendo aniversário e decidi me dá esse presente: tornar isso público para que os possíveis comentários ou as manifestações de solidariedade possam envergonhar não só a esse como aos demais agressores que andam por aí vitimando pessoas por suas orientações sexuais; e o segundo passo dado será a tentativa de resolução judicial, mesmo sabendo que as leis brasileiras são demasiado brandas com esse tipo de agressão.

Sei que a família será contrária ao fato de tornar essa situação pública, mas acredito que não se trata de uma questão meramente familiar, trata-se, sim, de uma questão social, de uma luta que deve e precisa ser travada todos os dias dentro e fora de casa. As pessoas não podem ser julgadas, avaliadas e maltratadas por serem gays; os indivíduos são maiores e melhores que isso. Alguns poderão até dizer que estou me fazendo de vítima, mas não estou me fazendo, eu sou uma vítima!

Se algum de vocês conhece alguém que passa por uma situação desse tipo, ajudem! Uma palavra de apoio é suficiente para que a pessoa tenha coragem de seguir adiante no sentido de encerrar as agressões! Minha mãe, minha tia, meu padrasto e um primo foram fantásticos! Minha irmã Beatriz, que apesar do susto e do choro, teve mais uma vez um papel cômico na cena: mandava minha mãe chamar a Ronda Escolar. E meus vizinhos, cuja solidariedade e preocupação se mostraram no dia de hoje, aconselhando para que eu tomasse cuidado com as ameaças de morte.

Se alguém souber como agir para coibir isso dentro da lei agradecerei demais a ajuda. Também preciso de um bom advogado que saiba tratar desse tipo de causa.

Sem mais para o momento!
 
Em um dos trechos, Rodrigo explicao sobre o porquê resolveu deixar o caso público
 
Essa semana estou fazendo aniversário e decidi me dá esse presente: tornar isso público para que os possíveis comentários ou as manifestações de solidariedade possam envergonhar não só a esse como aos demais agressores que andam por aí vitimando pessoas por suas orientações sexuais; e o segundo passo dado será a tentativa de resolução judicial, mesmo sabendo que as leis brasileiras são demasiado brandas com esse tipo de agressão.

O professor fez um boletim de ocorrência por conta de agressões anteriores e contou que só não tinha ido mais à frente no caso por pressão da família, que colocava “panos quentes” na situação.
 
O caso deu matéria no Portal NoAr e está gerando repercussão nas redes sociais.
 
É muito triste ver que há gente sendo moralmente agredida por conta de algo tão ínfimo como é a orientação sexual.
 
Inclusive com ameaças de morte.
 
Nós aqui do Apartamento702 nos solidarizamos com a luta do Rodrigo Nascimento e somos contra qualquer tipo de homofobia ou discriminação de raça, religião.

Comentários

  1. Realmente isso precisa acabar, e a atitude dele e de respeito e desabafo, e um pedido de socorro, que se soma aos inúmeros. Quando vejo isso agradeço por ter tido apoio da minha família, alguns de um jeito meio torto, mas sem ameaças desse tipo. Que se faça justiça , mas acho que esse tio é doente. o próprio relato demonstra isso, pois o mesmo é recalcado em todos os sentidos. Não se realizou na vida profissional, deve ser mau amado e ainda presencia o gay vivendo aquilo que se espera de uma pessoa de bem.

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