25/09/2014

ESTUDO: PERMITIR QUE GAYS DOEM SANGUE PODERIA SALVAR 1,8 MILHÕES DE VIDAS NOS EUA

 
Visto no Spotniks

Cientistas norte-americanos cruzaram dados sobre doações de sangue e restrições; resultados desafiam leis de prevenção ao HIV.
 
Pesquisadores da Universidade da California, nos Estados Unidos, divulgaram um estudo sobre o impacto da proibição de gays doarem sangue, que existe desde 1983 no país. Os dados mostram que 615 mil bolsas de sangue deixam de serem coletadas todos os anos devido a restrição imposta pelo governo. Isso representa mais de 290 mil litros de sangue que não são coletados anualmente.
 
“A Cruz Vermelha Americana sugere que cada doação de sangue tem o potencial para ser usada em procedimentos de salvamento de vidas em três pessoas. Nossas estimativas sugerem que suspender a proibição das doações de sangue […] poderia ajudar a salvar as vidas de mais de 1,8 milhão de pessoas”, diz Ayako Miyashita, co-autor do estudo.
 
A proibição foi imposta pela Agência Federal de Administração de Drogas e Alimentos (FDA), após a descoberta da transmissão do HIV por transfusões de sangue. A medida, no entanto, tem sido questionada por médicos da Associação Americana de Médicos (AMA), que em julho do ano passado acusaram-na de “discriminatória” e “sem bases científicas”
 
Em contraste, no Reino Unido, gays podem doar sangue desde que estejam a pelo menos 12 meses sem manterem relações sexuais. No Canadá, são necessários pelo menos cinco anos.
 
No Brasil, o Ministério da Saúde proíbe que homens homossexuais e bissexuais doem sangue desde 1993, pela Portaria 1.366/93. A medida imposta no Brasil é tão restritiva quando a norte-americana, e tem sido criticada por não levar em conta o comportamento de risco, mas a simples opção sexual. Mesmo após sucessivas discussões e tentativas de revogar a proibição, ela permanece e foi reforçada em 2004 pela Resolução nº 153 da ANVISA, que confirmou a vontade dos burocratas de manter os gays longes das salas de doação de sangue.
 
Nos Estados Unidos, não é diferente. O porta-voz da FDA disse que a agência não possui planos para rever a proibição enquanto não surgirem evidências científicas comprovando que a restrição não diminui o risco de infecção por HIV.
 
Os pesquisadores ainda divulgaram outras estatísticas: restringir as doações para homossexuais que estão há 12 meses sem manterem relações sexuais já traria um ganho adicional de 317 mil bolsas por ano; caso a restrição fosse similar às leis canadenses (5 anos), os bancos de sangue receberiam mais 293 mil bolsas de sangue por ano. Para chegar a estes resultados, o estudo levou em consideração dados coletados por pesquisas realizadas pela Universidade de Chicago entre 2008 e 2012, com margens de erro de 1%, para mais ou para menos.

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