LAERTE E A POLÍTICA DA SUTILEZA


Por Bruno Torturra para o Fluxo

"Tem um modo de ver as coisas que é árido, que é azedo. Que busca a defesa de bandeiras absolutamente legítimas, mas de uma forma em que você exclui todo mundo que não está na sua cartilha. Eu acho isso um perigo."

Na semana em que direitos LGBT tomam o debate eleitoral, e Marina Silva é apontada por muitos como uma representante do conservadorismo evangélico nas urnas, Laerte Coutinho falou ao Fluxo. E buscou abrir outro flanco na conversa.

Das maiores cartunistas do Brasil, Laerte tornou-se um dos símbolos e das vozes mais atuantes em nome dos direitos da comunidade LGBT no Brasil após vir a público como mulher.

Gay? Trans? Travesti? Crossdresser? Laerte quer escapar dos rótulos que tentam enquadrá-la. Desde os anos 70, quando na militância de esquerda comunista no Brasil, cobravam sua clara definção: era Trotskista, Maoista, Stalinista?

Em uma hora de entrevista, Laerte Coutinho avalia a figura e as posições de Marina Silva. Do que está em jogo nos projetos de governo para liberdades civis. Fala sobre Malafaia, sobre polarização e a perda de sutileza e da complexidade no debate eleitoral. Discute um pouco do seu passado na esquerda clássica e como certos padrões se repetem hoje no ativismo LGBT. Declara seus votos e conta porque considerou, mas desistiu, de concorrer ao Congresso.

E com seu humor e leveza de sempre, tenta abrir mais questões do que fechá-las. Algo raro, e extremamente necessário, em tempos de opiniões tão herméticas e estridentes.

PS: Equipamentos sobrecarregados no Fluxo. Ainda não conseguimos finalizar a parte 5, em que Laerte fala o estado do humor no Brasil. Aguarde!











Apresentação e montagem: Bruno Torturra
Câmeras e áudio: Carol Quintanilha, Fernanda Ligabue e Laura Escorel
Gravado na Balsa, no prédio Farol.

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