13/10/2014

20 histórias reais que mostram que as agressões psicológicas sofridas por gays são tão traumáticas quanto as físicas


Algumas das coisas que gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros vivem comprovam que homofobia vai além do espancamento.

Por Iran Giusti para o BuzzFeed
 
No começo da semana passada um conhecido virou notícia ao ser espancado na Rua Augusta, um dos pontos mais conhecidos de São Paulo pela diversidade. No fim da semana, no Facebook, um amigo relatou como foi coagido e ameaçado por um grupo de homens em Natal, RN, em uma viagem de férias que fez com o namorado.

O relatório sobre violência homofóbica no Brasil da Secretaria de Direitos Humanos de 2012 registrou 27 denúncias por dia no ano. 83,2% delas foram relativas a violências psicológicas: humilhação, hostilização e ameaças e 32,68% violência física.

O movimento LGBT, composto de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros vem sendo pauta nos últimos anos. Na televisão, emissoras contemplam personagens gays em suas novelas e programas. Artistas têm assumido sua orientação sexual, no caso mais emblemático, a cantora Daniela Mercury se tornou símbolo da diversidade ao comunicar sua união com a jornalista Malu Verçosa.

Leis de criminalização da homofobia e identidade de gênero têm sido debatidas e pauta nas campanhas eleitorais. O casamento gay se tornou uma realidade graças ao Supremo Tribunal Federal.
Porém ainda estamos longe de vivermos livres. Prova disso são os relatos colhidos pelo BuzzFeed Brasil para criação dessa lista que mostram que o cotidiano dos LGBT é um emaranhado de coerções e desconforto, e claro, discursos como o do candidato a presidência Levy Fidelix durante os dois debates finais do primeiro turno.

Essas são algumas das muitas situações que a maioria dos LGBT passam todos os dias:
 
1 . “Mesmo namorando há dois anos me informaram que não poderia doar sangue porque era gay. Nem colheram para testar, foi tão constrangedor que nunca mais tentei.” Carlos Neto, 31, São Paulo.

2. “Eu e meu namorado temos receio de andar de mãos dadas em muitos pontos da cidade por medo de sermos vítima de agressões verbais ou mesmo físicas mas nossa melhor resposta tem sido ignorar e permanecer de mãos dadas mesmo sem saber como esses homofóbicos vão reagir.” Gustavo Nogueira, 27, Porto Alegre.

3. “Um homem me encoxou no ônibus lotado e quando tentei sair começou a me chamar de ‘viadinho de merda’, ‘sujo’. Quando respondi ele me deu um tapa na cara. Depois que eu revidei tiraram ele do ônibus.” Yuri Franco, 20, São Paulo.

4. “Já cansei de ir pra praia e me gritarem ‘mocinha’, ‘madame’ e ‘viadinho’. Toda semana, já até me acostumei.” Diego, 26, Rio de Janeiro.

5. “Estava andando na Paulista com minha ex-namorada quando um cara puxou meu cabelo e disse ‘Você não merece ter cabelo comprido. Quer ser homem vai cortar esse cabelo’. Minha ex empurrou ele, que deu um tapa na cabeça dela e começou a dizer: ‘lésbica nojentas’, ‘vocês têm que morrer’. Vimos que ele tinha um canivete e nos afastamos em direção ao metrô com medo de sermos seguidas.” Carolina Dalge, 23, São Paulo.
 
6. “Volto da faculdade com um amigo e todos os dias as pessoas gritam do ônibus “Olha o Félix e o Nicco” ou “vai bichas”. Geralmente respondo na lata, não deixo quieto”. Leonãm Dias, 21, São Luís.

7. “Em plenos Jardins, em São Paulo, não consigo dar dez passos em paz com meu namorado sem ter alguém falando algo. É muito constrangedor, me sinto reprimido por uma coisa nata. A mesma coisa se eu sofresse preconceito por ter olhos castanhos, sabe?” Augusto Paz, 25, São Paulo.

8. “Uma vez uma menininha ficou falando para mãe que eu e meu namorado éramos estranhos, fazendo cara feia. A mãe só mandou ela ficar quieta e não explicou que aquilo era errado”. Pedro Cerqueira, 25, São Paulo.

9. “Tava beijando um cara em uma galeria na Rua Augusta quando um segurança ‘me convidou a sair do local’. Ele falou que sabia que estava errado mas só cumpria ordens, até me indicou a delegacia mais próxima para denunciar”. Bruno Palma, 29, São Paulo.

10. “Dois caras que eu fiquei piraram quando descobriam que eu era bissexual e chegaram a perguntar se eu poderia ter passado alguma doença. Falavam que não poderiam confiar em mim porque eu era bi”. Fernanda, 33, São Paulo.
 
11. “Sempre me olham atravessado, no ônibus e no metrô parece que as pessoas têm medo de alguém como eu sentar perto”. Carol Caixeta, 25, São Paulo.

12. “Aos 22 anos fui expulsa da república que morava (mas não sai), aos 32, fui chamada de ‘big shoes’ por um médico e julgada por uma auxiliar de enfermagem no hospital”. Jana Leslão, 36, Guarujá.

13. “Entreguei meu documento com o nome masculino na imobiliária e pedi que me chamasse de Viviany porque sou travesti. A corretora disse que não e que me chamaria pelo nome do documento.” Viviany, 26, São Paulo.

14. “Na época de escola me chamavam constantemente de Sarita, por causa da novela ‘Explode Coração’. Além disso, na rua me xingavam tanto que comecei a ficar com medo de sair”. Roberto, 28, Curitiba.

15. “A escola foi um momento muito difícil, até os 15 anos me chamavam sempre de ‘viado’, ‘bicha’ e eu não entendia direito e nem porque achavam errado gostar de outro menino”. Marcelo, 28, São Paulo.
 
16. “‘Era você o viadinho que tava beijando ali? E por que mostrou a camisa? Tá querendo o que?’ Essas foram as últimas palavras até um deles me empurrar para outro, que empurrou para outro até que um último acertou um soco no meu rosto.” João Felipe Toledo, 33, Rio de Janeiro, foi agredido no sambódromo do Rio por um grupo mesmo depois de mostrar uma camisa da campanha “Rio Carnaval Sem Preconceito”.

17. “O gerente de um bar falou que eu não poderia abraçar minha namorada. Quando perguntamos o porque, disse que seguia ordens e que se estivéssemos incomodadas era melhor nos retirarmos. Chamamos a polícia mas ninguém veio”. Thetta Kimura, 29, São Paulo.

18. “Eu estava beijando meu namorado em um bar quando o atendente começou a jogar pedras de gelo na gente. Levantamos e fomos embora. Nunca mais voltei e passei a evitar bares que não fossem GLS” João Lucas, 27, São Caetano.

19. “Eu me sinto coagida a não expressar a minha sexualidade em público. Acabo sendo ultra discreta para não ser agredida verbal ou fisicamente. Mesmo assim percebo olhares tortos em shoppings. É difícil” Débora, 25, São Paulo.

20. “Com 16 anos meus pais me deixaram em um sítio por um ano onde fiquei sem estudar, ver amigos. Eles são muito religiosos. A relação só melhorou quando mudei de estado.” Andêrson, 26, Maringá.

Nenhum comentário:

Marcador Em Destaques