Interpretando mulher no teatro, Sidney Sampaio dispara: 'Mais meia hora, nascia gay'


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Ao lado de Felipe Cunha, ator estrela peça 'As sereias da Zona Sul', sucesso nos anos 1980 com Miguel Falabella e Guilherme Karan.

Sidney Sampaio tem em seu currículo amoroso um casamento que não deu certo (com a mãe de seu filho, Leonardo) e um noivado que não foi à frente (com Carol Nakamura, de quem se separou em agosto). Ainda vivendo o luto do rompimento mais recente, o ator mergulhou de corpo e alma no trabalho e se preparou, durante dois meses, pra viver duas mulheres no espetáculo "As sereias da Zona Sul". Nesse momento, você pode até se perguntar: mas o que um cara com um histórico desses pode entender sobre o universo feminino? Sidney tem a resposta na ponta da língua.

"Sempre fui muito sensível. Brinco dizendo que mais meia hora, nascia gay (risos). Mas pesquisar mais a fundo o universo feminino para a peça me trouxe uma sensibilidade ainda maior. Estou mais afetuoso, mais amoroso, mais atento com as pessoas ao meu redor, e menos preocupado em atender as necessidades do Sidney agora", diz o ator, que está solteiro desde o rompimento com Nakamura. "Adoraria que o desfecho tivesse sido diferente. Estava nesse relacionamento com uma proposta, com sonhos, com um ideal. Mas as coisas são como são e nós entendemos que o melhor era seguirmos separados. Trabalhar com humor nesse momento foi providencial", conta.

"As sereias da Zona Sul"


Ao lado do ator e produtor Felipe Cunha, Sidney encarou o desafio de fazer a quarta montagem da peça, cuja estreia aconteceu em 1988 com Miguel Falabella e Guilherme Karan como protagonistas. Da montagem original, ficaram três quadros: "A sauna", "Cristal japonês" e "As sereias da Zona Sul" (que dá nome ao espetáculo). A direção continua sendo assinada por ninguém menos do que Jacqueline Laurence.

"É uma responsabilidade, mas acho que está bem claro na nossa cabeça, desde o início, que a direção é a mesma, o texto é o mesmo, mas os atores são diferentes. As energias, as doações são outras. Nos preocupamos em entender em que medida o Felipe e o Sidney podiam agregar, transformar e brincar com esse texto. Isso deu uma cara nova", garante Sidney. "Na época da estreia, o Guilheme e o Miguel dividiram um prêmio de melhor ator pela primeira vez na história. Esse texto é uma das referências do besteirol. Ele foi responsável por levar o Miguel a um dos grandes nomes da dramaturgia cômica brasileira e a torna Karan, que é um gênio, uma figura conhecida", relembra Felipe.

Durante dois meses, eles se dedicaram intensamente ao estudo dos três textos, devidamente atualizados por Falabella, e tentaram entender a essência de cada personagem para não cairem em uma interpretação de caricatura das quatro mulheres da peça: Hildinha Marmelo Baby e Ivete Mourão ("A sauna") e Nezi e Darlene ("As sereias da Zona Sul").

"Mais do que uma coisa coreografada, mecânica, a gente tentou entrar mesmo na compreensão máxima do que é aquele momento, de quem são aquelas pessoas, do peso que elas dão para a vida, e para certas situações. Isso, aos poucos, foi trazendo essas mulheres para perto da gente. A ideia não é se travestir, até porque fica claro que são dois homens ali no palco, não tem como enganar", conta Sidney. "Lemos muito, sentados, trabalhando frase por frase, palavra por palavra", relembra Felipe, que está há seis anos ininterruptos em cartaz.

Fazendo o que se chama de caminho inverso, da TV para o teatro, Sidney teve que aprender a andar de salto alto, a se maquiar e a sentar como uma mulher. Os movimentos das mãos também ficaram mais "redondos" e longos, como sugeriu Felipe, o mais experiente nos palcos. "Quando a mulher vai arrumar o cabelo, a mão começa na cabeça, passa na blusa, conserta o relógio, desce até a calça e acaba limpando a sandália (risos). Os movimentos são contínuos", explica Felipe.

"Estou em uma transição, até porque a vida do ator tem ciclos. Fiz muitas coisas da televisão, mas acho que estava faltando me aventurar em outros caminhos. Nesse momento, acho muito importante mostrar que estou aberto a desafios e a fazer algo que esteja fora da minha zona de conforto", completa Sidney.



O mergulho no universo feminino foi trão profundo que alguns trejeitos das personagens têm escapo no dia a dia dos atores. Felipe, por exemplo, passou a sentar com as pernas cruzadas; Sidney está mais longo nas frases. "Outro dia, minha mãe esperou eu terminar de falar sobre um assunto qualquer e soltou: 'E quem é essa mulher da peça que você está fazendo agora?'", relembra Sidney, aos risos, mostrando que tem encarado o desafio de viver uma mulher numa boa. "Só estou preocupado com o Leo [seu filho, de 3 anos, com a produtora Juliana Gama]. Como vou explicar isso para ele? Ele vai perguntar 'Papai, por que você está vestido de menina?' e vai me mandar tirar a roupa”, diz.

O espetáculo "As sereias da Zona Sul" estreou no última quinta-feira, 16, em Lages, Santa Catarina.

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