13/11/2014

Gaspard Ulliel comenta nu frontal e sexo gay em 'Saint Laurent': 'Foi fácil'


Do G1
Por Cauê Muraro

'É mais difícil ficar nu emocionalmente', diz ele ao G1 em entrevista em SP. Ator e diretor falam sobre cinebiografia do estilista; estreia é nesta quinta.

Gaspard Ulliel acha que foi fácil ficar pelado e fazer nu frontal em “Saint Laurent”, que estreia nesta quinta-feira (13). Difícil foi se mostrar “emocionalmente despido”, filosofa ao G1. Protagonista do longa, o ator e modelo francês visitou o Brasil com o diretor Bertrand Bonello. A rodada de entrevistas aconteceu durante a São Paulo Fashion Week, na semana passada. 


Entre uma conversa e outra no espaço patrocinado por um shopping, Ulliel posa para fotos com fãs que circulam com taça de espumante numa mão e smartphone na outra. Ele não tira o sorriso – nem os óculos escuros – do rosto. Com eles, estampou campanhas de marcas famosas como Hugo Boss. Nem parecia que, de madrugada, tinha participado de um evento semelhante no Rio.

O longa se concentra em dez anos da vida do celebrado estilista Yves Saint Laurent (1936-2008). Cobre o período de 1967 a 1976. “Foi a época mais louca e criativa da carreira dele”, explica Bonello. Há cenas de desfiles e de ateliês de costura. Mas há mais cenas em boates, festas fechadas aditivadas com álcool, drogas (Saint Laurent era viciado em pílulas) e sexo – nada explícito. A passagem do nu frontal é coestrelada pelo belga Jérémie Renier, intérprete de Pierre Bergé, marido e chefe dos negócios da marca Saint Laurent.

Gaspard Ulliel fala sobre Saint Laurent (Foto: Divulgação)

Dizendo que Renier é seu “amigo de muitos e muitos anos”, Ulliel conta que não teve dificuldades em estabelecer “essa intimidade”. Primeiro, por razões profissionais: “É parte do trabalho de um ator, então ok. Se meu personagem sente atração por homem ou por mulher, não faz diferença para mim.” Depois, bem-humorado e rindo, dá um motivo extra: “Temos visto tantas atrizes nuas, chegou a hora de vermos mais atores nus também.” Ele [diretor] conseguiu sentir a química. Lembro-me de olhar para Louis, ele olhar de volta, e ficou óbvio que queríamos o beijo" Gaspard Ulliel, ator

O ator diz que que perdeu 12 kg para o papel. “Foi interessante não apenas para ficar perto da verdadeira silhueta do Yves Saint Laurent, mas também para chegar ao primeiro dia de filmagens com um corpo que já não era mais o meu”, justificou. “Esse corpo foi criado para o personagem e iria definitivamente afetar o jeito que me movia e ocupava os espaços.”

Sempre que possível, Ulliel tenta dar um tom reflexivo às respostas. “No fim, percebi que a maior parte do trabalho foi pesquisar nas minhas memórias e na minha percepção da vida. Era para tentar abraçar o personagem do jeito mais orgânico e sincero”.

Na opinião dele, a participação em “Saint Laurent” vai “influenciar expectativas para o futuro” e renovar seu “grau de exigência artística”. “Tem ecos na minha pessoal. Estou para completar 30 anos e cheguei a um ponto da carreira em que encontrei respostas para muitas das minhas perguntas”, reconhece. “Sinto-me mais confiante e estável.” Antes, ele havia atuado em "Hannibal – A origem do mal" (2007), em que faz a versão jovem do psicopata canibal Hannibal Lecter. É o mesmo personagem vivido por Anthony Hopkins em "O silêncio dos inocentes" (1991).

Louis Garrel e Gaspard Ulliel se beijam no filme 'Saint Laurent' (Foto: Divulgação)

“Saint Laurent” tem no elenco rostos franceses conhecidos e admirados. Léa Seydoux (“Azul é a cor mais quente”) vive Loulou de la Falaise, espécie de musa de Saint Laurent. O galã Louis Garrel (“Os sonhadores”) interpreta o controverso modelo Jacques de Bascher, amante do estilista. Ulliel cita uma cena específica na qual troca um beijo demorado com Garrel. “Não estava no roteiro, foi o Bertrand que chegou para nós uma noite e perguntou se tudo bem”, recorda, destacando que o diretor tem especial talento para “ficar organicamente perto” dos seus atores. “Assim, ele conseguiu sentir a química naquela noite entre mim e Louis. Lembro-me de olhar para Louis, ele olhar de volta, e ficou óbvio que queríamos.”

Ao contrário de Rénier, Garrel não era um amigo de Ulliel. “Não o conhecia antes das filmagens. Foi mais assustador, porque começamos já nas cenas íntimas”, descreve. “Mas no final foi fácil. De repente, tudo ficou gracioso, simples, fluido e suave. Gostei de trabalhar com Louis, porque é um desses atores que surpreendem seus parceiros e o diretor. Está sempre inventando coisas e tentando propor coisas a cada cena – é estimulante”.

Diretor sem paciência

Enquanto Ulliel estava solícito, Bonello tinha cara de cansado, não estava exatamente disposto e demonstrava relativa impaciência. “É o meu filme mais pessoal”, comentou. E por quê? “Porque é o que mais se parece comigo”, resumiu, sem detalhes. Questionado sobre uma afirmação anterior, a de que seu filme não pretendia ser “a última palavra sobre Yves Saint Laurent”, respondeu: “Não tenho grandes questões como esta, sabe? São esmagadoras. Não posso respondê-las”.

Na hora de falar sobre o Oscar – “Saint Laurent” foi o escolhido pela França para tentar vaga na disputa de filme estrangeiro –, Bonello diz que se sente “honrado” e isso é tudo. Acha difícil que a estatueta venha. Mas se interessa em saber qual é o representante brasileiro (“Hoje eu quero voltar sozinho”). Ao saber que o Brasil jamais levou o prêmio, demonstra surpresa: “Mas ‘Cidade de Deus’ não ganhou?! Pensei que tinha ganhado”.

O ator francês Louis Garrel interpreta o controver modelo Jacques de Bascher em 'Saint Laurent' (Foto: Divulgação)

Léa Seydoux, Gaspard Ulliel e Aymeline Valade em cena de 'Saint Laurent' (Foto: Divulgação)

O ator francês Gaspard Ulliel posa durante apresentação de 'Saint Laurent' no Festival de Cannes deste ano (Foto: Valery Hache/AFP)

O ator francês Gaspard Ulliel (à esquerda) e o ator belga Jérémie Renier durante apresentação em Cannes (Foto: Valery Hache/AFP)

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