08/12/2014

Dama na Suíça, Roberta Close completa 50 anos, e amigos entregam que ela não quer voltar ao Brasil com medo do preconceito

 
 
Visto no Extra
 
Dama na Suíça, Roberta Close completa 50 anos, e amigos entregam que ela não quer voltar ao Brasil com medo do preconceito

Nos anos 80, a mulher mais bonita do país era uma transexual. E quem se importava? Muitos. Mesmo assim, ela virou musa, modelo, atriz, ganhou fama, dinheiro e até uma música. Tudo por sua simpatia e uma beleza exuberante. Muitos closes se passaram de lá para cá, e Roberta Gambine Moreira, que completa 50 anos hoje, ainda não conseguiu vencer o seu maior inimigo: o medo do preconceito.
 
Por causa dele, essa carioca do Bairro de Fátima, que virou uma mania nacional quando surgiu, prefere viver fora do Brasil, na cidade de Zurique, na Suíça, longe dos holofotes e ao lado do marido, um alto funcionário da Nestlé, o suíço Roland Granacher, com quem está casada há 20 anos.
 
 

Com o tempo, as vindas à terra natal foram se resumindo a uma por ano. Cada vez menores são também suas aparições e o interesse de Roberta Close em estar em evidência. Magoada com a mídia brasileira, ela evita dar entrevistas — negou todos os nossos pedidos —, principalmente se for para falar de um assunto que sempre quis esquecer: ter nascido Luiz Roberto.
 
A última passagem por aqui foi em setembro, quando veio visitar o pai e resolver um problema no apartamento que ainda possui no bairro de Cosme Velho. Um dos motivos que colaboraram para o seu afastamento foi uma foto sua, publicada há um ano e meio no Instagram do estilista Walério Araújo.
 
 

“Ela ficou muito chateada, primeiro comigo, achando que eu tinha divulgado a imagem para a imprensa. Depois, com os comentários atacando ela e enfatizando suas transformações no rosto”, entrega o profissional. Para os que convivem com Roberta, tudo não passou de uma grande bobagem. “Ela não tem menor problema em assumir que aplicou botox. Continua uma mulher lindíssima, como exatamente há 20 anos”, afirma Walério.
 
 

Roberta Close é descrita hoje pelos amigos como uma mulher sofisticada. Dona de casa e falando cinco idiomas (português, francês, italiano, inglês e alemão), ela passa a maior parte do tempo se cuidado e viajando com o marido pela Europa, onde é bastante conhecida. Frequentadora das rodas da alta sociedade europeia, Roberta chama a atenção pelo glamour. “Ela foi lapidada, foi aprendendo com o tempo. Hoje, ela se veste muito bem, está chiquérrima. Tem classe, porte”, avalia Kelly Cunha, sua melhor amiga. “Roberta é uma verdadeira dama europeia. Foi para a Suíça e conquistou uma cultura generalizada”, completa a travesti e amiga Rogéria.
 

Outra grande companheira de Roberta foi Monique Lafond. As duas eram unha e carne em 1986, quando trabalharam juntas na peça “Uma vez por semana” (a primeira da carreira da transexual), e acompanhou de perto toda o seu preparo psicológico para fazer a cirurgia de mudança de sexo, o que aconteceria três anos depois, na Inglaterra.

“Foi um processo difícil. Mas o desejo de ela se tornar mulher era maior do que tudo”, lembra a atriz. O mais difícil mesmo ainda estava por vir. “Roberta foi muito julgada, sacaneada, sofreu muito por ser transexual. Voltar ao Brasil virou um grande trauma para ela. Na Suíça, ela é uma mulher, e ninguém fica questionando sobre isso”, afirma outra amiga, a transformista Isabelita dos Patins.


Roberta Close, segundo os próprios amigos, sempre almejou fama e dinheiro. Tentou e conseguiu o que queria. “Ela seria sucesso de novo se quisesse fazer alguma coisa. É muito carismática, linda e talentosa”, acredita Monique Lafond. Mas Roberta não está mais disposta a pagar o alto preço da fama.

“Ela não quer ser alvo de preconceitos. Está muito feliz do jeito que está, casada e com a vida longe dos holofotes. Não tem interesse em aparecer. Todas as vezes que ela vem ao Brasil, ela se sente triste. Fazem questão de falar do fato de ela ter sido homem, e pouco da trajetória dela como mulher, da luta dela com o próprio corpo. Existe uma coisa muito machista e conservadora no Brasil. Isso trouxe uma mágoa muito grande apara a minha tia”, afirma a sobrinha Carolina Gambine, de 22 anos, e que mantém contato quase que diário com a tia.

 
 

Bastante ligada à família, Roberta tem mais dois sobrinhos, o pai e um irmão no Rio. A mãe, de quem ela era muito ligada, faleceu há cinco anos. “Foi um baque muito grande para ela”, lembra a amiga Kelly. “Roberta me disse que a única coisa que a prende aqui é a família, se não, ela não voltaria nunca mais”, acrescenta a cantora e travesti Divina Valéria, que teve um encontro com a ex-modelo há três meses, durante um voo para o Rio.

Festeira assumida, segundo a sua sobrinha, Roberta comemora a chegada dos seus 50 anos viajando. “Ela sempre gostou de comemorar aniversário, de sair para festas, mas esse ano ele vai festejar viajando com o marido”, conta Carolina.
 

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