Faltou tesão?

 
POR NATALIA LEÃO para a GQ
 
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Tem coisa pior para um homem do que broxar? Tem, sim – nem começar a brincadeira por absoluta falta de desejo. Ao contrário do que se pensa, essa não é prerrogativa das mulheres. A classe masculina também pode sofrer do mal. O problema tem um nome até pomposo: desejo hipoativo. Nunca ouviu nenhum amigo reclamando dessa falta de vontade? Sim, o assunto ainda é tabu na mesa do bar.
 
“Os homens levam cerca de um ano para conversar sobre dificuldades sexuais, e para ir ao médico levam ainda mais tempo”, diz Aguinaldo César Nardi, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU ). Mesmo fugindo do assunto, dados médicos atestam que cerca de 20% dos homens podem apresentar diminuição do desejo sexual em algum momento da vida. É o que afirma Marco Scanavino, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do ProSex (Projeto Sexualidade) da USP .
 
Como dissemos acima, a queda de libido é bem diferente de impotência. A disfunção erétil é a dificuldade ou impossibilidade persistente de ter e manter uma ereção. Já a queda de libido está ligada à fase inicial da relação, de estímulo. É como nem dar a partida no carro. A má notícia é que o uso de medicamentos como o Viagra não é eficaz nos casos de desejo hipoativo; a boa é que os médicos identificaram uma lista de vilões capazes de acabar com seu tesão e apontaram o que você pode fazer para salvar seu apetite sexual.
 
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Estresse

Em alguns casos é o responsável pela diminuição do desejo sexual. “Seja porque o indivíduo se encontra extenuado e com pouca disposição para a atividade sexual, ou porque o estresse crônico às vezes resulta em redução dos níveis da testosterona”, explica Scanavino. O tratamento pode ser feito com terapias ou medicamentos, dependendo da gravidade.
 
Transtornos de ansiedade

Indivíduos com sintomas de ansiedade, como síndrome do pânico e transtorno obsessivo compulsivo, poderão também apresentar menos apetite sexual em virtude do estado psicológico. É o que diz o psiquiatra Marco Scanavino. O tratamento pode ser feito com terapias ou medicamentos.
 
Depressão
 
Provou-se que é um mal psicológico e orgânico, capaz de fazer a pessoa se isolar, perder o apetite, encontrar dificuldade para realizar tarefas cotidianas, ter sentimentos de impotência e culpa. O apetite sexual é prontamente afetado. O tratamento é feito tradicionalmente com medicamentos (que também podem afetar a libido) e terapia.
 
Drogas e álcool

Apesar de muitos dizerem que álcool e drogas têm efeito afrodisíaco, em doses elevadas, essas substâncias podem influenciar a liberação de hormônios, como testosterona, progesterona e serotonina, causando queda de libido. De forma imediata, elas podem alterar o fluxo sanguíneo, prejudicando ereção e ejaculação. Consumo moderado é a saída.
 
Medicamentos

Medicações utilizadas para o tratamento de doenças como hipertensão arterial, úlceras e depressão podem afetar os receptores da serotonina – neurotransmissor responsável por regular sono, humor e apetite –, diminuindo os impulsos sexuais. quando isso ocorre, o médico ou psicólogo envolvido no tratamento deve ser avisado. Ele pode sugerir, por exemplo, a alteração do medicamento.
 
Queda de testosterona

A partir dos 30 anos os níveis de testosterona, hormônio masculino, caem cerca de 1% ao ano. “Os baixos níveis desse hormônio podem causar irritabilidade, fadiga, indisposição, gordura abdominal, perda de massa muscular e óssea e queda de libido”, explica Nardi. A queda de testosterona pode ser tratada com reposição hormonal, feita com remédios injetáveis, ou, mais recentemente, por meio de uma droga tópica, de absorção através da pele da axila (adesivo).
 
Obesidade

Afeta o desejo sexual de duas formas: física, pois alteração da tireoide, aumento de colesterol, triglicérides e diabetes podem causar queda de testosterona; e psicológica, já que a dificuldade para aceitar o próprio corpo pode contribuir com a perda de desejo. O emagrecimento saudável resolve o problema.
 
Tabagismo
 
Cigarro causa disfunção erétil aguda e crônica. A nicotina e o alcatrão acabam na corrente sanguínea após inaladas e se depositam nos tecidos vasculares penianos, que ficam fibrosos e não conseguem se distender. Logo, a ereção fica prejudicada. O cigarro também causa diminuição da irrigação sanguínea, que dificulta a ereção. Medicamentos para disfunção erétil podem ajudar de forma pontual, mas abandonar o cigarro é a melhor medida.
 
HPB (Hiperplasia Prostática Benigna)

“Diferentemente de outras partes do corpo que param de se desenvolver após a idade adulta, a próstata cresce continuamente”, explica Nardi. Quando o crescimento é excessivo, a uretra – canal condutor da urina – fica comprimida. Os principais sintomas são sensação de bexiga cheia e necessidade constante e dificuldade para urinar. A HPB frequentemente leva à disfunção erétil e queda de libido. O tratamento é feito através de remédios ou cirurgia. A partir dos 45 anos todo homem deve realizar exames de próstata.

Disfunção  erétil

A impotência pode levar à falta de desejo. Pesquisas mostram que 52% dos homens acima dos 40 anos têm algum grau de disfunção erétil. Um estudo da Sociedade Brasileira de Urologia mostrou que cerca de 30% dos homens acreditam que a disfunção erétil é algo natural da idade. “Quando o homem tem dificuldades de ereção passa a sentir uma responsabilidade muito grande e o desejo diminui por medo de falhar”, explica Nardi. O primeiro passo é realizar exames para descobrir a origem. Se o motivo for físico, os medicamentos podem resolver; se for psicológico, a terapia pode ser um bom caminho.

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