26/01/2015

Importantes lições familiares...

 
32 lições feministas para a minha filha
 
Visto no Géledes
 
Ter filhos tem me levado a enfrentar mais desafios do que eu jamais podia imaginar, tanto como ser humano com uma quantidade finita de paciência quanto como uma feminista. Eu luto para saber como criar uma filha em uma sociedade que está repleta de violência, apologia ao estupro, tentativas de impedir o acesso de mulheres aos serviços de saúde, salários desiguais, racismo, sexismo e um vasto leque de outros males sociais.

Eu quero que a minha filha tenha ciência dessas realidades e das lutas que enfrentará sem deixar que isso a desanime ou diminua o seu potencial. Então o que uma mãe feminista e amante de listas faz? Escreve uma lista de lições, obviamente.

1. Ter uma vagina não é uma deficiência. É um super poder.

2. Relacionado a isso, a menstruação não é uma maldição. Ela lhe qualifica de forma singular para criar e gerar uma vida, se essa for a sua escolha.

3. E por falar em escolha, só você pode/deve escolher se/quando você quer se tornar mãe. Claro, eu gostaria de ter netinhos um dia, mas se – e somente se – você estiver pronta para ser mãe deles.

4. As suas partes femininas, apesar de serem poderosas, não são a única característica que lhe definem. Você também tem um cérebro, um senso de humor e um milhão de outras qualidades que fazem de você uma pessoa incrível.

5. O sexo deve ser prazeroso, também. Não é só uma forma de fazer bebês.

6. Sexo seguro é o mais sexy. E por seguro, não quero dizer protegido apenas por camisinha. Seguro também significa consensual, confortável e emocionalmente seguro.

7. Nunca é LEGAL julgar alguém baseado na percepção da aparência externa ou identidade dela – isso inclui a cor da pele, orientação sexual, identidade de gênero, habilidades físicas, etc.

8. Saber é poder. Leia, converse de maneira atenciosa, questione a autoridade. Você irá tornar-se uma pessoa melhor por fazer isso.

9. Seja uma aliada, não uma Salvadora da Pátria. Saiba ouvir, apoiar e ter compaixão das pessoas; não tente “salvar” as pessoas.

10. Entenda que cada pessoa tem uma história e criação diferente e que cada história e criação tem valor.

11. O manequim da sua calça jeans é apenas um número numa etiqueta. Ele não define em nada o seu valor.

12. O tamanho do seu sutiã também não define.

13. Ame o seu corpo pelo que ele pode fazer, não pela aparência que ele tem.

14. Não importa se um cara te levar para jantar em um restaurante caríssimo – ou comprar jóias, roupas ou qualquer outra coisa para você. Você não lhe deve nada.

15. Dê risada e sorria sempre que puder, até – bem, principalmente – quando estiver enfrentando adversidades.

16. Conheça o seu valor financeiro e seja defensora de si mesma. Peça aquela promoção, aumento ou liderança em um projeto; mais ninguém irá lutar por você.

17. Apóie outra garotas e mulheres, não as julgue ou menospreze. Nós precisamos umas das outras. Acredite em mim.

18. Levante a voz – mas nunca os punhos – para exigir justiça para si mesma e para outros.

19. Vote. Estou falando sério, vote consciente. E não só para presidente, mas para os representante municipais e estaduais também.

20. Vote com o seu bolso, também. Apóie empresas lideradas por mulheres, que apóiam as mulheres e defendem as escolhas das mulheres.

21. Viaje sempre que puder. Ainda que você não consiga viajar fisicamente para lugares distantes, leia sobre eles. Assista documentários. A exposição a outras culturas é essencial para desenvolver a tolerância e a compreensão.

22. Use seus privilégios [financeiros, raciais, acadêmicos] para o bem. Você tem recursos e uma voz que, por várias razões, será ouvida acima de outras vozes. Você tem o dever de usá-la para ajudar outros e tentar erradicar a opressão.

23. Ter olhos bonitos e cabelos sedosos é legal. Mas nem se compara à beleza da pessoa auto-confiante e apaixonada por algo.

24. Não há nada de errado em gostar das mesmas coisas que os seus amigos gostam – se você realmente gostar também. Mas não tenha medo de ser diferente da maioria e ter paixão por alguma coisa que não é ‘legal’ ou ‘da hora’.

25. Nunca confunda o assédio sexual ou cantadas baratas com elogios.

26. Sim significa sim.

27. Só porque você é mulher não significa que você tem que se casar e ter filhos. Nem todo mundo quer essa vida, e não há problema nenhum nisso.

28. Não peça desculpa só por pedir. As mulheres tendem a dizer “Me desculpe” por ofensas bobas – como ficar parada bem no meio do corredor no supermercado quando outra pessoa quer passar. É chato e desnecessário.

29. Não tenha medo de ser “mandona.”

30. Tenha a sua própria conta bancária. A independência financeira é essencial para o seu bem-estar.

31. Namore apenas com caras pró-escolha (se você quiser namorar homens). Você merece algo melhor do que se relacionar com alguém que acha OK te dizer o que você pode/deve fazer com o seu corpo.

32. Essa é muito importante: nunca, nunca, nunca se acomode. Você pode ter o direito de votar, acesso a métodos contraceptivos e a possibilidade de namorar quem você quiser, mas as coisas nem sempre foram assim. As mulheres lutaram e até morreram para garantir esses direitos dos quais você usufrui hoje. E a sua geração tem seus próprios desafios a enfrentar.
 
Texto publicado originalmente no site sherights.com.
Fonte: BrasilPost
 
 
 
25 lições feministas para os meus filhos
 
“Se você quer alguma coisa na vida, você precisa se colocar numa posição em que você mesma possa providenciar essas coisas”, o meu pai me disse há uns 20 anos. “Não espere que mais ninguém faça isso por você”. Ele disse isso depois de estarmos terminando as louças do jantar – ele secava enquanto eu guardava – e ele provavelmente estava respondendo a algum pedido meu de adolescente para comprar uma bolsa ou sapato novo ou uma calça jeans da Guess. Não sei se foi a intenção do meu pai, mas com aquelas palavras, ele me deu a minha primeira lição sobre o feminismo: seja independente, assuma o controle da sua vida e decida o rumo do seu próprio destino. Ao mesmo tempo, ele reafirmava sua confiança em mim como uma pessoa capaz, competente e independente, tão digna de respeito e oportunidades quanto qualquer outra pessoa – mensagens tão importantes quanto as primeiras.

Por Christine Organ no Brasil Post
Visto no Géledes

Como pais, estamos constantemente ensinando alguma coisa aos nossos filhos – seja o que fazer ou o que não fazer, o que é importante e o que não é, como nos sentimos a respeito de nós mesmos e o que pensamos sobre o mundo ao nosso redor. E como essas pequenas lições acabam ‘vazando’, de gota em gota e ainda que não percebamos, é importante, eu acho, lembrarmos constantemente dos nossos próprios ideais, valores e intenções para que sejam essas as lições que fiquem evidentes.

Apesar do fato de à primeira vista a nossa família parecer que tenha saído de algum filme dos anos 50 (meu marido trabalha e eu fico em casa com nossos filhos pequenos), eu sou uma feminista de carteirinha pela simples razão de que acredito na igualdade. E apesar de ter dois filhos (nenhuma filha), não é menos importante que os meus filhos aprendam o que é o feminismo e, talvez mais importante ainda, como o feminismo e a igualdade de gênero se desdobram no mundo ao redor deles.
Como Emma Watson afirmou de forma tão brilhante algumas semanas atrás em seu discurso perante as Nações Unidas, as mulheres não são as únicas que sofrem o impacto da desigualdade entre os gêneros – todos nós sofremos – e o meu marido e eu temos a responsabilidade de fazer tudo que estiver ao nosso alcance para combater o bombardeio constante de estereótipos, pré-conceitos e desigualdade que a sociedade direciona às crianças desde muito cedo. Nós precisamos garantir que as lições do feminismo e da igualdade de gênero (e todo tipo de igualdade, na verdade) estejam tão profundamente arraigados na essência da nossa família que esses valores transpirem lenta e constantemente – durante brincadeiras com amiguinhos e nos esportes e sim, na cozinha enquanto guardamos as louças depois do jantar.

Algumas semanas atrás, eu li a fantástica lista de lições feministas que Maureen Shaw escreveu para as filhas, e apesar de algumas coisas da lista se aplicarem a todos, como mãe de meninos, queria achar algo que se relacionasse mais especificamente às questões que eu estou enfrentando (ou espero enfrentar) como os meus filhos. Já que não achei o que procurava, fiz o que qualquer mulher independente faria – criei a minha própria lista, é claro.

1. Feminismo não significa ser feminina. Significa igualdade.

2. Ser um menino não significa que você não pode ser feminista. Da mesma forma que gostar de esportes e hambúrgueres e filmes de ação também não lhe impedem de ser feminista. Igualmente, eu uso bijuteria e maquiagem, assumi o sobrenome do meu marido e faço as unhas no salão e não seu menos feminista por conta de nenhuma dessas coisas.

3. Não há nenhum problema em chorar. Mas é preciso fazê-lo de maneira responsável e respeitosa, o que vale para todas as expressões de emoção.

4. Seja amigo de meninas.

5. Meninas podem gostar de caminhões, super-heróis e Guerra nas Estrelas, da mesma maneira que meninos podem gostar de princesas, brincar de fazer comida e Meu Pequeno Pônei.

6. As expressões “coisa de macho” e “coisa de mulherzinha” na verdade não significam nada. Ignore-as.

7. Seja forte E sensível; as duas coisas não são incompatíveis.

8. O seu pênis não te dá super-poderes. Ele simplesmente faz parte da sua anatomia. Ele lhe torna um ser humano, com todos os prazeres e obrigações que a experiência humana oferece.

9. Seja cavalheiro e abra portas para mulheres. E para homens também. Não por causa de qualquer tradição sexista, mas simplesmente porque abrir a porta para o próximo é um ato de educação e bondade. Simplesmente mostra que você tem boas maneiras. Pela mesma razão, empurre a cadeira de volta à mesa e abaixe a tampa do vaso.

10. Uma garota pode parecer bonita, atraente, gostosa e sexy, mas a verdadeira BELEZA vem de dentro.

11. Pague o jantar e compre flores para ela. E não faça porque ela pode ficar mais disposta a transar ou se apaixonar; faça apenas porque é a coisa legal de se fazer.

12. Transe quando os dois estiverem prontos e não porque os seus amigos estão transando. Nem porque os seus hormônios já estão te enlouquecendo. Transe porque você está fisicamente e emocionalmente pronto para lidar com o sexo e suas consequências.

13. “Não” significa não. O silêncio também significa não. E até “talvez” signifique não. Só o “sim” significa sim.

14. Cerque-se de pessoas que lhe motivem a ser a melhor versão de si mesmo. Cuidado com pessoas que queiram lhe mudar.

15. Trabalho igual merece pagamento igual; pagamento igual requer trabalho igual. É simples assim.
16. O seu gênero não lhe define. Nem o seu trabalho ou carro ou conta bancária. Seja bondoso e corajoso, seja um bom amigo e um trabalhe com afinco e trate todos com respeito – essas são as qualidades que lhe definirão.

17. Se você se casar um dia, o seu cônjuge pode assumir o seu sobrenome ou não. Nenhuma das duas escolhas tem a ver com o quanto ele (ou ela) lhe ama.

18. Existem mais maneiras de prover sustento para sua família do que apenas financeiramente.

19. Se você tiver uma família alguma dia, tome as decisões sobre os cuidados com os filhos baseado em somente uma coisa: O que for melhor para a família. Considere os fatores financeiros, profissionais, emocionais, psicológicos e todos os outros fatores relevantes, que podem acabar mudando com o passar do tempo. Talvez vocês dividam as responsabilidades financeiras necessárias para criar uma família e os dois acabem trabalhando fora de casa, então dividam também as responsabilidades da casa e dos cuidados com os filhos. E se decidirem que um dos pais vai ficar em casa com os filhos, não tenha medo de assumir esse papel. Ser pai ou mãe em tempo integral é um trabalho difícil mas prazeroso, apesar de ninguém receber salário por ele.

20. Apesar da maioria das propagandas e praticamente todo programa de comédia na TV mostrar justamente o contrário, os homens são capazes de arrumar a própria cama, lavar as roupas, trocar fraldas e dar conta de outras tarefas domésticas e de cuidado com os filhos.

21. Não tenha medo de pedir desculpas. Fazê-lo não é um sinal de fraqueza, mas é um ato de coragem e força.

22. Nunca deixe de dar valor aos privilégios que você tem na vida – sejam eles financeiros, acadêmicos, raciais, culturais ou outros – e continue a lutar pelos direitos daqueles que não usufruem dos mesmos privilégios.

23. Seja sensível, tenha empatia e compaixão pelas pessoas.

24. Podem existir diferenças entre os sexos – da mesma forma que existem diferenças entre todas as pessoas. Isso é uma coisa boa. Tente não generalizar demais as coisas. E não tenha medo das diferenças; aprenda a celebrá-las.

25. Lembre dessas lições, não necessariamente porque uma pessoa ou grupo de pessoas requer proteção ou tratamento especial, mas simplesmente porque elas são essenciais para a justiça, igualdade e respeito. Elas podem, eu espero, mudar o mundo – um pequeno passo de cada vez.


 

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