19/03/2015

As faces da impunidade: Polícia não registra homofobia e agressores tiram sarro de vítima na internet

 
Visto na Revista Lado A
 
A família de Guilheme A. Barbosa, 20, agredido brutalmente por um grupo de torcedores homofóbicos do Coritiba no início da noite deste domingo, próximo ao Shopping Mueller, na Avenida Cândido de Abreu, em Curitiba, está revoltada. A mãe do rapaz falou com a Lado A que pretende fazer um protesto em maio, quando foi marcada uma audiência no Juizado Especial Criminal. O caso ganha contornos cada vez mais estranhos.

O crime que seria uma agressão por homofobia virou uma briga de rua, segundo o B.O. registrado no CIAC SUL, Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão, no Portão, que depois das 19h concentra os atendimentos policiais da capital. Para lá os policiais militares levaram Guilherme, os dois agressores e testemunhas.
 
Segundo o delegado de plantão Gerson Alves Machado, não foi noticiado pelos investigadores nenhum crime de homofobia ou teria sido apresentado testemunhas por parte de Guilherme. Mas Guilherme, que não falou com o delegado, afirma que foi instruído que “homofobia não era crime” e duas outras pessoas também agredidas foram até o local como testemunhas, mas isso não está no B.O... Para o Delegado, o que lhe foi passado foi caracterizado como uma lesão de primeiro grau, segundo ele houve troca de ofensas, teriam dito os agressores aos investigadores, o que Guilherme nega, e para a polícia civil foi uma briga em via pública. Assim é o relato da PM que atendeu a ocorrência, por isso o caso foi encaminhado para o Juizado Especial Criminal. Mas nada impede que na audiência o crime de homofobia seja incluído e o Termo Circunstanciado retorne para investigação, não havendo prejuízo para a vítima, segundo o delegado.
 
Caso fosse registrado como flagrante de homofobia, com base na interpretação da lei do racismo, os agressores poderiam ser presos, o que não aconteceu. Não consta nem crime contra a honra, o que exigiria autuação criminal. Segundo o delegado, “Quando se trata de homofobia ou racismo a gente tem sido enérgico”. O delegado conta que na mesma noite outra agressão foi registrada como homofobia, mas sem a apresentação dos autores do crime. Foi a agressão cometida no Largo da Ordem, supostamente por skinheads, que não sabemos se tem ou não ligação com o caso de Guilherme.
 
Logo após ser liberado da delegacia, um dos dois agressores postou uma foto de seu punho inchado na internet com a frase: “E não é que o fdp tinha uma cabeça dura mesmo huahuahua”. A postagem ainda é curtida e vira motivo de piada entre os amigos, alguns deles se acusando de estarem envolvidos com a agressão. “A cabeça do ‘rapaz’ ficou até torta”, diz um deles. “Tinha msm meu pé tá inchado”, responde outro.
 
Até da polícia eles tiram sarro. “Lembrando aqui uma das pérolas policiais do role de ontem... ‘Ae rapaz, essas tatuagens ae, isso é de gangue, né não??!?!?!?!’ ‘Ow senhor... lógico que não, só corro pelo certo, cada uma delas aqui tem uma história’”, escreveu um dos acusados, de 32 anos de idade, e que segundo seu Facebook trabalha de segurança armado.
 
A polícia não investigou o caso ou prestou queixa-crime contra os acusados, por entender que foi uma “briga de rua”. Até o momento não foi comprovado nenhum envolvimento dos agressores com o movimento neonazista, eles fazem parte de uma facção de torcedores do Coritiba. 

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