06/03/2015

"ERASTES, JIMI HENDRIX, BRUCE BANNER E BOMBA GAY: 48 CURIOSIDADES DA HISTÓRIA LGBT" Por Marcio Caparica

 
 
Por Marcio Caparica para o LADOBI
 
A homossexualidade e transexualidade existem desde que o mundo é mundo. Conheça fatos inusitados envolvendo LGBTs do Egito Antigo até os dias de hoje
 
A peça pornográfica mais antiga do mundo, criada há mais de 3 mil anos, tem casais de dois homens, duas mulheres, e de homem com mulher.

A cantada mais antiga já registrada aparentemente foi dita entre dois homens. Uma história mitológica da vigésima dinastia do Egito Antigo narra uma discussão entre Horus e Seth sobre quem governaria que durou 80 anos. Seth tentou persuadir Horus a ir para a cama com ele, dizendo “Como suas nádegas são bonitas! E como suas coxas são musculosas!”. Eles, então, fazem sexo.

No Egito, dois manicures reais chamados Niankhkhnum e Khnumhotep foram encontrados enterrados juntos numa tumba compartilhada, similar à maneira como pares casados costumavam ser enterrados. Sua epígrafe diz: “Unidos na vida e unidos na morte”. Eles viveram por volta de 2400 a.C., e acredita-se que são o casal gay mais antigo de que se tem registro.

Algumas figuras históricas homossexuais e bissexuais transformaram seus amantes em deuses. Alexandre, o Grande, queria transformar seu amante de infância Heféstion em um deus quando ele morreu, mas só conseguiu declará-lo um Herói Divino. O imperador romano Hadrian, que construiu uma muralha no norte do Reino Unido, conseguiu fazer de seu amante, Antínoo, um deus depois que este se afogou no rio Nilo.

A igreja abençoava casamentos homoafetivos no século IX, entre eles o do imperador bizantino Basil I (nascido em 830/835, reinando entre 867 e 886) e seu parceiro, João.

O mito de criação narrado em O Banquete, de Platão, conta que havia três sexos: aqueles com duas cabeças masculinas (que descendiam do Sol), aqueles com duas cabeças femininas (que descendiam da Terra) e aqueles com uma cabeça masculina e uma feminina (que descendiam da Lua). Quando se enfureceu com eles, Zeus aleijou a todos cortando-os ao meio. Desde esse dia, de acordo com a história, nós buscamos nossa outra metade para nos completarmos. Isso é conhecido como a Origem do Amor.

Mercúrio representa a harmonia dos princípios masculinos e femininos. Na mitologia, Mercúrio era pai de Hermafroditus, que tinha órgãos sexuais masculinos e femininos.

Os antigos gregos não acreditavam na heterossexualidade nem na homossexualidade. Mas eles acreditavam em passivo e ativo. A forma mais comum de relacionamentos homoafetivos acontecia quando um homem mais velho, o erastes, atuava como mentor e amante de um garoto mais jovem, o eromenos. Eles acreditavam que o esperma era a fonte do conhecimento e que por meio dele era possível “transmiti-lo”.

Um bando de 150 casais gays de Tebas derrotou um exército de Esparta, e seguiu invicto por 30 anos.
Na China antiga, referia-se à homossexualidade como “a manga cortada” e “prazeres do pêssego mordido“.

Até o final do século XV, em inglês, a palavra “girl” significava apenas uma criança de qualquer gênero. Se era necessário diferenciar entre elas, crianças do sexo masculino eram tratadas por “knave girls” e as do sexo feminino, “gay girls”.

Acredita-se que a palavra drag vem de um acrônimo de uma instrução de palco criada por Shakespeare e seus contemporâneos: “Dressed Resembling A Girl” (“vestido como uma garota”, em tradução livre).

A corte da colônia de Virgínia registrou a primeira ambiguidade de gênero entre os colonizadores norte-americanos em 1629. Um servo de nome Thomas(ine) Hall foi declarado oficialmente pelo governador como sendo ao mesmo tempo “um homem e uma mulher”. Para evitar que todos ficassem confusos, Hall recebeu ordens de vestir artigos de roupa de ambos os sexos todos os dias.

No início do século XVII, em Londres, existiu um bordel gay no local onde hoje está o palácio de Buckingham.

Frederico II, conhecido como Frederico, o Grande, reinou sobre a Prússia entre 1740 e 1786. Quando jovem, tentou fugir com seu namorado, Hans Hermann von Katte, mas os dois foram capturados na fronteira. Frederico foi perdoado, mas foi obrigado por seu pai a assistir à decapitação de Hans. Ele é considerado um dos maiores governantes que o país, hoje parte da Alemanha, já teve, e entre outras coisas é o responsável pela introdução da batata no cardápio prussiano. Ele morreu sem deixar herdeiros.

Colégios e internatos eram vistos, no Brasil Império (1822-1889), como um reduto onde “proliferaria a perversão sexual, tanto de meninos quanto de meninas, cabendo aos professores, inclusive, o papel de corruptor”.

Nicholas Biddle, um dos primeiros exploradores da América do Norte, descobriu que entre a tribo dos Minitarees “se um garoto demonstra qualquer sintoma de efeminação ou inclinações de menina, ele é colocado entre as garotas, vestido como elas, criado como elas e às vezes casado com outros homens”.
 

Registros de hospitais, como o Sanatório Pinel de São Paulo, revelam que os médicos brasileiros tratavam a homossexualidade como uma doença. Havia um certo desespero em compreender os gays e fornecer uma explicação científica para o comportamento. Em 1872, foi desenvolvido na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro o primeiro trabalho científico no país em que dedicava um capítulo exclusivo para a “sodomia ou prostituição masculina”. Realizado pelo médico Francisco Ferraz de Macedo, a pesquisa tinha o objetivo de auxiliar no tratamento da sífilis. “Não é raro encontrarmos pelas ruas da cidade, especialmente nas portas dos teatros, quando há espetáculos, rapazes de 12 e 20 anos, trajando fina bota de verniz, calça do mais fino tecido unida ao corpo, feita assim expressamente para desenhar-lhe as formas”, descrevia o médico, com especial atenção ao vestuário de sua objeto de pesquisa.

Já houve um rei gay em Uganda. Há inúmeros registros de que o rei Mwanga II, que governou entre 1884 e 1888, teve casos com seus servos homens.

No século XIX a palavra gay era usada em inglês para se referir a uma mulher que se prostituía, e um homem gay era um homem que ia para a cama com muitas mulheres.

Os homossexuais do século XIX em Londres criaram um dialeto próprio de gírias para poderem se comunicar em público sem receios de serem presos, chamado Polari.

O livro Carmilla, sobre uma vampira lésbica que caçava jovens donzelas, foi escrito 25 anos antes de Drácula, de Bram Stoker.

Ao que tudo indica os EUA já tiveram um presidente gay: James Buchanan. Ele morou 10 anos junto com seu futuro vice-presidente, William Rufus King. Outro presidente norte-americano, Andrew Jackson, chamava Buchanan de “senhorita Nancy” e “tia Fancy”.

O uso moderno da palavra “gay” vem de gaycat, uma gíria utilizada entre moradores de rua para designar um garoto que acompanhava um mendigo mais velho e mais experiente, deixando subentendido que havia uma troca de sexo por proteção.

No Rio, no começo do século XX, “gouveia” era gíria para homem velho que deseja garotos jovens. A pretensa primeira história pornográfica homoerótica brasileira chamava-se “O Menino do Gouveia” e foi publicada pela revista Rio Nu, em 1914, que trazia a ilustração de dois homens durante o ato sexual.

O monóculo deixou de ser usado hoje em dia, mas era altamente popular entre “os círculos requintados de lésbicas no início do século XX”.

O livro Homossexualismo, de 1906, era categórico ao afirmar que “pederastas ativos e passivos” existiam em todas as classes sociais do Rio de Janeiro, inclusive na Igreja, no Exército e nas Forças Navais, entre funcionários públicos, diplomatas e juízes. Pires de Almeida, seu autor, relacionava a capacidade de se assobiar às práticas sexuais: “Os que não sabem assobiar são unicamente os pederastas passivos; uns, pelo abalo incômodo que produz, no reto, não só esse, como outros movimentos mais ou menos violentos; a tosse, o espirro”.

Um jurista propôs que se condenasse a até um ano de cadeia “atos libidinosos entre indivíduos do sexo masculino que causarem escândalo público”, durante a redação do Código Penal Brasileiro no final dos anos 30. “Felizmente, o artigo 258, bem como a cláusula, foram cortados da última lista de propostas para o Código Penal de 1940″, completa o livro Frescos Trópicos.

A organização LGBT mais antiga ainda em funcionamento é o Centro para a Cultura e Lazer, fundado em 1946. Esse nome tão genérico tinha a intenção de mascarar seu propósito, tabu na época.
Os gays vítimas do Holocausto, marcados com o triângulo cor-de-rosa invertido, ainda eram considerados criminosos depois de libertados dos campos de concentração. Muitas vezes eles eram enviados de volta para prisões para cumprirem penas por serem homossexuais.

Durante a década de 1950 houve uma tentativa de se trocar o termo “homossexual” por “homófilo”. A intenção era enfatizar o amor entre pessoas do mesmo sexo, não o sexo.

Há várias décadas os heterossexuais amam a revista Playboy, mas ela também já deu sua ajuda para os homossexuais. Hugh Hefner, seu editor, foi o único que topou publicar um conto de ficção científica sobre um mundo em que os heterossexuais eram uma minoria num mundo dominado por homossexuais, em 1955. Quando recebeu uma enxurrada de cartas reclamando, ele respondeu: “se é errado oprimir os heterossexuais numa sociedade homossexual, então o reverso também é errado.”

“As Bodas do diabo”. Foi assim que a revista Fatos & Fotos noticiou o primeiro casamento entre dois homens no Brasil, em dezembro de 1962, em Copacabana, no Rio. A reportagem refletia o preconceito com descrições do tipo a “solenidade mais espantosa do século”, uma “afronta às leis do país”, uma “caricatura grotesca”.

Muitos conhecem o código dos lenços, mas poucos sabem que as lésbicas usavam estrelas azuis nos pulsos entre as décadas de 1950 e 1970 para identificarem-se em clubes.

Jimi Hendrix fingiu ser gay para fugir do alistamento militar em 1962.

Um romance de ficção científica publicado em 1969 previu a aceitação da comunidade LGBT pela maioria da população. Ele também previa que a China se tornaria uma potência econômica, a criação da União Europeia, a TV via satélite, impressoras a laser e a popularização da maconha.

Durante a década de 1960 o termo AC/DC, emprestado dos termos para as correntes elétricas, era usado como uma gíria para bissexuais nos EUA.

Um serial killer conhecido como Doodler (“rabiscador”, em tradução livre) tinha como alvo os gays de San Francisco na década de 1970. Ele desenhava suas futuras vítimas nuas antes de assassiná-las. Três alvos conseguiram sobreviver, o suspeito foi identificado, mas ninguém estava disposto a prestar depoimento para condená-lo por medo de sairem do armário.

Quando a HQ do Hulk foi adaptada para a televisão na década de 1970, o nome do protagonista Bruce Banner foi alterado para David Banner, porque considerava-se que “Bruce” era um nome típico de gays.

O primeiro boneco abertamente gay, Gay Bob, chegou às prateleiras em 1977. Ele tinha um brinco na orelha e vinha numa caixa em forma de armário.

Leonard Matlovich foi o primeiro soldado dos Estados Unidos a se declarar homossexual. Quando morreu, foi enterrado numa lápide sem nome e ficou conhecido apenas como o Veterano Gay do Vietnam. Em seu epitáfio pode-se ler: “Quando eu estava no exército, deram-me uma medalha por matar dois homens, e uma dispensa por amar um.”

O filme De Volta Para O Futuro, de 1985, tem uma cena excluída em que Marty confessa ao Doutor que está preocupado com a possibilidade de virar gay se ele der em cima da própria mãe.

O governo dos Estados Unidos considerou criar uma “bomba gay”. Em 1994 os cientistas ponderavam que despejar feromônios sexuais sobre as tropas inimigas faria com que os soldados ficassem com tesão um pelos outros.

O ator John Barrowman quase conseguiu o papel de Will no seriado Will & Grace, em 1998. Ele foi preterido pelos produtores do programa, no entanto, por se considerado “hétero demais”. Barrowman é gay. Eric McCormack, que conseguiu o papel, é hétero.

Ativistas LGBT da Austrália fundaram em 2004 um micropaís chamado “Reino Gay e Lésbico das Ilhas do Mar de Coral”. A bandeira nacional é uma bandeira do arco-íris, a moeda oficial é o euro, e ele existe até hoje.

Em 2007, um grupo proveniente da ilha grega de Lesbos entrou com uma ordem judicial para impedir que grupos gays utilizassem a palavra “lésbica” em seus nomes porque era “ofensivo”. Não funcionou.

A agência de notícias chinesa Xinhua publicou em 2009 uma nota sobre a suposta existência de uma cidade sueca em que 25 mil lésbicas viviam sob a proibição de conversarem com homens. Vários sites turísticos da Suécia saíram do ar nos dias seguintes devido à enorme quantidade de internautas chineses que os visitavam em busca de mais informações.

Um bilionário de Hong Kong ofereceu 65 milhões de dólares para o homem que conseguisse seduzir e se casar com sua filha lésbica. Não funcionou.

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