22/05/2015

Por que os gays não namoram?

 
Por Andy Rocka para o BJSNAOMELIGA

Se você foi atraído aqui pelo título, provavelmente você também deve se fazer essa pergunta constantemente. Afinal, por que será que os homossexuais estão sempre solteiros, se pegando, namorando e terminando em tempo record, amando e desamando na velocidade da luz?
 
Acredite, há muito mais aí do que as rasas suposições que voce possa fazer consigo mesmo. E é por isso mesmo que eu reuni aqui algumas boas teorias que apontam para as razões possíveis para responder à pergunta do título deste texto. Vamos à elas?
 
Teoria 1 – Construção familiar

Vamos ser honestos, a época dos grandes pensadores gregos talvez tenha sido a única em que os gays eram considerados bem vistos, representava um elevado nível social, de status, inteligência etc. Desde então, esta classe social foi colocada à margem da sociedade, principalmente com a chegada da Igreja.
 
Este pequeno aparado histórico denota que, desde quando você se entende por gente, o mundo é formado por bases heterossexuais. Toda sua árvore genealógica é constituida por casais heterossexuais. Ou seja, para os heteros é fácil se espelhar em seus pais para ter uma visão do seu futuro. Mas e os gays? Onde estão os espelhos sociais?
 
Infelizmente, não há para onde olhar. Os gays se vêem perdidos em uma constituição familiar e, portanto, não criam expectativas para tal. Não há o desejo intrínseco de continuar com a árvore genealógica, uma vez que ela não existe mais na forma que sempre existiu. Assim, o desejo latente de ter um núcleo familiar se torna vago e falho, afrouxando os laços de um vínculo emocional com um parceiro.
 
Teoria 2 – Cultura de gueto

Nos últimos cem anos, para pincelar de leve o cenário real, a homossexualidade era apontada como doença, como uma enfermidade social. Por isso, os indivíduos homossexuais viviam escondidos, uniam-se nos cantos mais afastados das grandes cidades, em guetos. Era a única forma de conseguir viver de fato, e não de aparências.
 
Beijar em público, andar de mãos dadas, assumir namoro, pensar num futuro juntos? Jamais, nem em sonho. Foi nesta ocasião que surgiu dois estigmas do mundo gay. A) Todos gays têm dinheiro: para conseguir sobreviver, os indivíduos homossexuais precisavam se sobressair de alguma forma, para não ser excluído. Foi então que eles batalharam por uma vida melhor, trabalharam e conquistaram seu espaço financeiro (obviamente, sem assumir sua condição sexual).
 
B) Todos gays são promíscuos: se eles não podiam ter um parceiro fixo, porque isso poderia maldizê-los na sociedade, a solução era manter múltiplos parceiros, sem apego afetivo. Se durante a semana eles tinham que dar duro para conseguir manter a pose heterossexual, sobressair-se aos demais, aos finais de semana eles poderiam se refugiar nos guetos para se desvincular do papel social que tinham que adotar. E o estresse era canalizado, obviamente, no sexo. Todos entraram em um comum acordo de que o sexo era a fonte de prazer mais fácil e rápida, e que levaria ao relaxamento instantâneo.
 
E, claro, os anos se passaram e tanto A como B desapareceram. Mas, como o nome da teoria diz, tornou-se uma cultura. Os novos gays, de 1990 para cá, que não nasceram sob a luz dos estigmas A e B, mantiveram estas chamas acesas. Todos mantêm as aparências financeiras, o bom gosto para música, moda, estilo de vida, enquanto que, na verdade, grande parcela dos homossexuais não tem onde cair duro. E isso eu mostrarei na Teoria 3.
 
E o sexo casual continua como uma marca forte. Graças ao estigma B, os homossexuais criaram cinemas voltados ao sexo, saunas para sexo, sites para sexo, parques, banheiros de shoppings, estacionamentos, enfim, tudo virou um grande centro obscuro de orgia. Tudo, obviamente, mascarado. Como se atualmente fosse necessário. Como se atualmente vivêssemos sob a repressão dos anos passados. O preconceito é alimentado pelos próprios homossexuais, enquanto a sociedade, em doses homeopáticas, tenta se desvincular desta cultura homofóbica (vide novelas, seriados, cenário musical etc).
 
Concluindo, esta cultura inconsciente mantém os homossexuais presos aos guetos, a uma falsa luta pelos seus direitos, a uma militância que pouco existe. A uma condição de vítima que desaparece cada vez mais. Eles se mantém nesta inércia, em que relacionamentos afetivos e laços vindouros estão completamente jogados ao escanteio. E que o sexo, e as aparências, importam mais do que construções familiares.
 
Teoria 3 – Estrutura básica

Esta teoria é forte em grande parte do mundo, embora na Europa ela praticamente seja inválida. Estou falando dos direitos civis mais simples, como casar e ter filhos. Se nem a Justiça trata os homossexuais como iguais, imagina então o resto de nós. Como é que os gays vão constituir uma família, se eles não estão assegurados pela constituição? Isso é um absurdo!
 
Fora isso, absurdo maior é quando a própria instituição familiar vira as costas para os homossexuais. Quando pai e mãe expulsa o filho, ou a filha, de casa por este ser homossexuais. Quando os pais não apóiam, criticam, humilham os filhos por sua simples orientação sexual. Então, eles são forçados a amadurecer precocemente.
 
Os gays que são enxotados de suas casas precisam se virar. Os gays que não tem apoio do pai para ir a escola, trabalhar, etc, precisa encontrar consigo mesmo as forças para se manter vivo. E é difícil. Muitos caem nas drogas, na prostituição, no suicídio e, por fatores como estes, os laços afetivos tornam-se utopias.
 
Estes gays recusados pela família e pela Constituição precisam correr contra o tempo. Conseguir um emprego, que geralmente é um sub-emprego, alugar uma casa, sustentar seus vícios e suas necessidades e, mais que tudo, dar-se alguma qualidade de vida. É o que todo mundo busca, não? E, no meio de tudo isso, você acha que há cabeça para namoro?
 
Teoria 4 – Mundo de possibilidades

Como foi dito na Teoria 2, a cultura de gueto fez com que surgissem centros obscuros de orgia. Quase todos são adeptos. Temos então uma desenfreada chuva de oportunidades. Veja, um homossexual que namora se defronta, constantemente, com outras possibilidades. E, neste mundo de aparências, onde todos os gays precisam ser melhor que o próximo, o culto ao corpo, a um falso intelecto, se firma como lei primária.
 
Inteligentes, educados, cultos, lindos, musculosos, lisos, são algumas das características básicas para ser um bom gay. Com esta oferta de mercado, fica complicado para os próprios homossexuais se escolherem entre si. E eles não enxergam que tudo isso não passa de aparência porque eles não olham nem para si mesmos, quiçá para o outro. Estão afogados nesta cultura.
 
Veja, então, como funciona: Argumento 1: “para que eu vou superar uma crise no relacionamento se, em um clique, uma ida ao shopping, à balada, à sauna, eu posso encontrar alguém melhor que meu namorado, dando sopa, desejando-me mais do que meu próprio parceiro?”
 
Argumento 2: “para que eu vou buscar soluções para superar os problemas no meu namoro, se eu sou muito maior que isso, tenho minha independência, meu dinheiro, meu bom gosto, meu supercorpo, se tenho potencial para encontrar alguém melhor que ele?”
 
Argumento 3: “para que eu vou dar tudo de mim neste relacionamento, se eu não poderei nunca me casar, se não terei meus direitos garantidos caso meu parceiro queira se separar, ou venha a falecer. Se nunca poderemos adotar um filho, sermos uma família?”
 
Dessas argumentações, surgem as traições, os rompimentos, a carência exacerbada, todo mundo se pegando, todo mundo se amando, todo mundo se deixando e, no final das contas, todo mundo sozinho.

Existe uma solução?

Você deve estar pensando que eu sou a pessoa mais desiludida quanto aos relacionamentos gays. Sou e não sou. Eu acredito que haja alternativas, que tenha sim, uma solução. Ufa!
 
E, acreditem, eu acho que a solução é mais simples do que possa parecer. O primeiro passo, e o mais básico, o mais importante, é o homossexuais se ver dentro de uma destas teorias, para que ele possa compreender o porquê dos seus relacionamentos estarem dando errado. Óbvio, só conseguimos superar um problemas se nós sabermos qual ele é, certo?
 
Percepção. Os gays precisam de percepção. Claro que as teorias generalizam, e toda generalização é burra. A individualidade de cada um pode ser, na verdade, o motivo crucial para que o gay, ou o heterossexual, não consiga estabelecer um relacionamento com alguém. Somos o conjunto de subjetividade e sociabilidade (ui). Nenhuma dessas vertentes pode ser excluída.
 
As teorias podem ajudar os homossexuais enxergarem a si mesmos e aos outros, e acordar desta ilusão em que estão metidos. A lutar verdadeiramente por seus direitos, e não se reunirem em uma data qualquer de Junho para colocarem sua melhor roupa e beijar todo mundo na Avenida Paulista. Nascemos todos para sermos felizes e, todos, sem exceções, buscam o amor. Só precisamos tomar o caminho certo.
 
Bom namoro!

7 comentários:

Eduardo de Souza Caxa disse...

Que visão estreita!!!!

Essa pessoa precisa urgentemente conhecer mais gays (e nem são raridades, como suas reflexões levam a crer!)... Eu namorei por 12 anos, depois 4, e conheço outros muitos casais com até mais anos juntos do que eu tive.

Sem falar na outra BURRICE (repetida em outras postagens afins) de quem só enxerga/vive no seu próprio mundinho estereotipado: "Inteligentes, educados, cultos, lindos, musculosos, lisos, são algumas das características básicas para ser um bom gay."

Quê???? Faz-me rir pra não ter que chorar!!!

Anônimo disse...

Não concordo com o Eduardo, acho que o texto é totalmente realista (infelizmente).

Anônimo disse...

Também não concordo com o Eduardo!

Anônimo disse...

Também discordo do Eduardo. O texto foi pontual e fez um apanhado da realidade de muitos gays. Não vi estereótipo algum, mas sim traços históricos sobre ser gay na sociedade.

Com relação ao namoro, acredito que tenha a ver muito com o status dos casais. Pouca gente fala, mas gays discriminam o emprego e a posição social na hora de procurar seu companheiro. É uma triste realidade.

Do resto me identifiquei com tudo. Se estamos carentes, tem logo alguém maldoso para dizer que buscamos um príncipe encantado.

Outro fator também é a compatibilidade sexual. Ativos que rejeitam ativos, passivos que rejeitam passivos. A turma ainda não aprendeu ou não quer ser versátil e muitos possuem o que estão chamando de Anal-fobia. Um tipo de egodistonia ao sexo anal.

Parabéns com o texto, adoraria ler mais sua opinião sobre esse e outros assuntos. Grande abraço.

Anônimo disse...

Achei o texto bem simplório(e mal escrito), além de ter uma visão muito estreita dos relacionamentos gays. Não que não existam gays da maneira que o autor do texto descreveu, mas somos seres humanos e seres humanos são plurais, logo os gays também são plurais.

Anônimo disse...

Assim como toda regra existe exceções...
Realmente a anos viviamos dessa forma. Tanto que a visão da minha mãe qdo descobriu minha orientação é q eu viraria uma travesti, cabelereiro, ou envergonha-la.
E não foi assim. Hoje eu conheço casais gays q são exemplos pra mim.
Sinceramente acho q estamos vivendo uma inversão de valores, gays construindo famílias e heteros cada vez mais na promiscuidade. As coisas tem mudado e hoje em dia determinar regras aos gays eu acho equivocado.
Mas enfim, se cada um fizer a sua parte a visão sobre os gays muda definitivamente.
Então, mãos à obra. Eu e vc!!!
Leandro Forte

Anônimo disse...

Anônimo eu também venho aqui e posto o que eu quiser. Parabéns ao EDUARDO por expor a opinião contraria. Todos são livres aqui. ¨Bota a cara no sol¨antes de qualquer comentario.

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